MARINA

Má li esse poema umas dez vezes. Foi a coisa mais bonita que já fiz. Andei trocando umas palavras, corrigindo vou mandar de novo prá vc montar um slide vou mandar imprimir e mando p/ vc pelo correio MARINA No ambiente amplo Paredes brancas, Iluminado por uma Réstia de luz Qu’escapava esguia Por cortina balouçante, Uma marina deslumbrante, Com mares azuis, tal Olhos de uma diva. O píer branco qual Espumas das ondas O conjunto enfeitando. Barcos que partiam E chegavam Se quem ia ou voltava Não sei se ria Ou só chorava. Ah! como amava Esta marina que, De amor minha Vida povoava 22.03.09 LUIZ BOSCO SARDINHA MACHADO ........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................ QUEM SOU EU MARINA SILVEIRA- PROFESSORA, TECNÓLOGA AMBIENTAL E ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL

terça-feira, 3 de novembro de 2009

HITLER ESTAVA CERTO? PARA TARANTINO, SIM




Tom Capri

Filme de Tarantino dá razão a Hitler.
Conheça também toda a verdade sobre
Hitler, o nazismo e o antissemitismo.
Textos dedicados a Roni Gotthilf. Jornalistas criticados: Arnaldo Jabor e Daniel Piza.

Inglourious Basterds é mais uma gafe de Tarantino. Ao mostrar o judeu e seus aliados --- os bastardos --- como psicopatas assassinos movidos unicamente pelo desejo de vingança, o diretor insinua que Hitler podia estar certo. No filme, é Hitler quem leva a melhor e acaba com Tarantino. Conheça também toda a verdade sobre Hitler, o nazismo e o antissemitismo.

Não foi desta vez que a comunidade judaica e toda a humanidade conseguiram fazer a tão ansiada catarse e acabar com Hitler antes do Holocausto, como gostaríamos que tivesse ocorrido. No filme Inglourious Basterds, em que Quentin Tarantino se propõe justamente a isso, o feitiço vira contra o feiticeiro e acontece o contrário: é Hitler quem leva a melhor e acaba com diretor.
Não que esperávamos um Tarantino politicamente correto. Longe disso. Mas os judeus e aliados --- os bastardos --- são mostrados no filme como psicopatas assassinos e sanguinários, sem sentimentos e incapazes de amar. Pior, não têm nada na cabeça nem no inconsciente, a não ser a vingança como forma legítima de expurgo e catarse, tudo o que o judeu não é, apesar do velho estigma do “olho por olho...”
Ao agir assim, Tarantino abre uma porta para acharmos que Hitler podia estar certo: se o judeu é tudo isso, assassino frio do “olho por olho incondicional e irrestrito”, Hitler não estava errado, a saída é imputar ao judeu a pena de morte e dizimar seu povo.
O filme é menor, sem graça, não tem charme e não convence. Se vem agradando ao ‘publicão’ --- que inclui críticos, celebridades, intelectuais e até cineastas de renome, inclusive alguns judeus ---, é porque estes são tão alienados e medíocres quanto Tarantino. Para gente séria, não serve nem como diversão.
Inglorious... está a anos luz dos melhores trabalhos de judeus como Woody Allen e Mel Brooks. Ou seja, é mais um filme raso feito para agradar àqueles que se deixaram embalar pelos clichês vindos do que há de pior em Hollywood, gente tão doente quanto os judeus e aliados bastardos mostrados na fita. Prova de que --- do diretor ao ‘publicão’ --- nenhum entendeu Hitler nem o nazismo e muito menos o antissemitismo. (Leia abaixo texto mostrando toda a verdade sobre Hitler, o nazismo e o antissemitismo).
Entre os clichês mais execráveis de Hollywood, já incrustado na mente de Tarantino, está o desejo de vingança tal qual aparece distorcido e muito mal costurado e urdido, por exemplo, nos piores westerns americanos e nos ‘spaghetti’ mais rasteiros do cinema italiano (quando falo em maioria alienada e medíocre, refiro-me a esse mesmo ‘publicão’ que inclui, repito, celebridades e intelectuais como Arnaldo Jabor e, num outro patamar, Daniel Piza, ambos do Grupo Globo e do Estadão --- os dois gostaram do filme).
Além de burra, toda vingança é inútil e desnecessária. Parte sempre da premissa de que determinado indivíduo agiu criminosamente, despertando o desejo de vingança que precisa ser satisfeito para não fazer mal. Acontece que nenhuma ação criminosa é de responsabilidade do indivíduo que a comete --- ele é apenas seu executor ---, mas sim de uma situação social que a cria e a reproduz diariamente.
Ao se vingar do indivíduo que agiu criminosamente, matando-o, o vingador não chega a lugar nenhum e não consegue absolutamente nada, a não ser satisfazer seu desejo de vingança, uma vez que a verdadeira usina reprodutora da criminalidade continuará lá fora, na sociabilidade, gerando em progressão geométrica ações criminosas individuais. Ou seja, nenhum indivíduo é responsável pelos seus crimes. E o vingador, além de agir de forma burra e doentia --- como os bastardos de Tarantino ---, comete crime mais hediondo ainda. A pena de morte nada mais faz do que transformar o Estado em serial killer.
Outro clichê abominável típico de Hollywood é o que reduz tudo à luta entre o bem e o mal. No caso de Inglorious Basterds (a grafia está errada de propósito porque o correto, Inglorious Bastards, é título de um ‘spaghetti western’ de Enzo Castellari), o filme acaba heroicizando de forma maniqueísta o judeu e ‘vilanizando’ de forma ainda mais maniqueísta o nazista. Ora, não existem heróis e vilões, o bem e o mal. São percepções arquetípicas equivocadas, ainda que muito presentes nas mentes simplórias como a desses intelectuais e celebridades a que me referi.
Os judeus sérios devem ter ficado constrangidos e envergonhados. Não gostaram de ser mostrados no filme como monstros psicopatas à espera da tão ansiada vendeta que nunca aconteceu. E sabemos que nem o judeu mais raso e medíocre é assim, da mesma forma que Hitler também não era tão pobre de espírito quanto nos mostra o filme. Portanto, o resultado é frustrante: em razão da fragilidade do filme, é Hitler quem leva a melhor, dirimindo as pretensões de Tarantino de um dia se tornar cineasta sério e de peso.
Nada contra a idéia central de fazer com que americanos, franceses e judeus se unam para matar Hitler e sua entourage, antes de eles terem cometido os crimes que cometeram. Nada contra agraciar os judeus com uma catarse desse tipo. Mas que o produto final tivesse resultado em algo bem feito e inteligente, à altura do povo judeu.
Sim, o filme prende a atenção de qualquer um. Porém, o faz pelo pior dos motivos: o compromisso que tem com o que há de mais alienado e raso em Hollywood, os velhos clichês, a ponto de não servir nem mesmo como comédia barata feita só para rir. Prova de que prender a atenção não é atestado de qualidade.
Marlon Brando estava coberto de razão quando disse a Larry King que Hollywood sempre foi dominada pelos judeus, donos dos grandes estúdios. E que, na Meca do Cinema, os judeus sempre privilegiaram os seus, enquanto não-judeus como ele eram discriminados. Mas o mesmo Marlon Brando reconhecia que os judeus fizeram o melhor cinema de que se tem notícia na história da humanidade.
E só temos a agradecer à comunidade judaica por isso. Fosse outro povo, não sei se teríamos a qualidade que tanto marcou o bom cinema de Hollywood nem se o cinema teria florescido como grande arte, de Chaplin a Billy Wilder. Mas temos igualmente do que lamentar, pois os judeus também respondem, por outro lado, pelo que há de pior em Hollywood. Se foram os gigantes responsáveis por muitos dos grandes filmes, o foram igualmente por parcela considerável de todo o lixo hollywoodiano, e que tem sido imenso.
O povo judeu tornou-se essa fortaleza que é não por força da cor de sua pele nem por possuir inteligência superior, mas por necessidade, advinda de razões históricas já suficientemente esclarecidas. Por terem sido sempre subjugados (por exemplo, como escravos no passado dos egípcios e também dos romanos, o que vitimou até Jesus), os judeus perderam cedo suas terras e foram obrigados a sair pelo mundo globalizando o comércio para sobreviver. Por isso, estão entre os primeiros a se internacionalizar, tendo se estabelecido, depois de muito rodar, em todos os cantos do Planeta.
Foram quase sempre bem-vindos porque espalharam pelo mundo o que havia de melhor da produção, que os povos visitados até então não conheciam. Mas foram também execrados e rechaçados, por dois motivos que acabaram dando origem ao antissemitismo como o que tomou conta de Hitler, e persiste até hoje.
O primeiro motivo está associado ao fato de o judeu precisar comercializar o mais rápido possível tudo o que tinha disponível para a venda (até mesmo a mãe, diz a lenda), para poder sustentar a família que havia ficado para trás. Inclusive, esta é uma das razões pelas quais a mãe judia --- que ficava cuidando dos filhos em meio a todas as dificuldades, enquanto o pai saía para vender --- tornou-se esse mito da matriarca superprotetora e possessiva que impõe tudo aos seus.
A segunda razão é porque, ao se espalharem pelo mundo, os judeus foram tomando conta do comércio de cada região (especialmente, do comércio de dinheiro, passando a controlar até mesmo bancos e depois a produção etc.), sem serem verdadeiramente nacionalistas, uma vez que sempre clamaram por ter território próprio onde pudessem se estabelecer (isto até a criação do Estado de Israel/1948).
Nesse sentido, os judeus podem ser considerados os grandes impulsionadores --- ‘inventores’, mesmo --- do comércio internacional, o que possibilitou a afirmação, intensificação e globalização do capitalismo e ensejou o antissemitismo.
Por desejar ser uma homenagem a essa saga judaica, Inglourious Basterds é uma espécie de testamento de Tarantino. Só que testamento apressado e mal feito. O diretor, que é americano filho de índios com italianos, decidiu deixar, como legado, esse agradecimento aos judeus por eles terem dado vida a Hollywood. E também aos americanos por terem ganhado a Segunda Grande Guerra, ainda que tenham deixado aos russos a heróica tarefa de capturar Hitler (não há menção a isso no filme, se não estou enganado).
Tarantino é, assim, mais um entre os deslumbrados e apaixonados por aquela parcela de cinema escapista e alienante que a América produziu (refiro-me ao ‘cinemão-mercadoria’). Bebe na fonte do que há de pior de Hollywood. Não soube extrair as melhores lições dos gigantes do cinema, nem mesmo dos filmes “B” que fizeram história. Parece não ter aprendido nada com cineastas judeus como Chaplin, Billy Wilder, Otto Preminger, John Schlesinger, Hitchcock, Joseph L. Mankiewicz, Orson Welles, Sidney Pollack, Sidney Lumet, Sam Peckinpah, Mike Nichols, Martin Ritt, Arthur Penn, John Cassavets, entre outros, sem contar com não-judeus como John Ford, George Stevens etc.
É justo que seja grato aos judeus e aos americanos por estes lhe terem legado tudo isso e feito dele um cineasta. É válido, portanto, que lhes renda homenagem. Mas deveria ter tido a humildade de deixar a tarefa, ao menos do roteiro, a gente mais competente. Inglorious... acaba sendo uma louvação ao lado mais pobre e raso da produção judaica de Hollywood. Justamente aquele que fez dele o medíocre diretor de bobagens como Kill Bill 1 e 2, filmes ‘infantilóides’ destinados a quem não consegue apreciar o bom cinema. Tarantino havia começado bem, com Pulp Fiction, trabalho razoável, mas parou nisso e depois regrediu, sem perspectivas de avançar.
O humor de Inglourious... não é elegante nem inteligente como o de Chaplin e Woody Allen. É o das comédias mais rasas de Hollywood. Seu filme não chega nem mesmo a ser comédia “B”. Entertainer como Spielberg, Tarantino prova nesse novo trabalho que, a exemplo de Spielberg (e pior que Spielberg), não consegue fazer um filme adulto do peso, por exemplo, de Sunset Boulevard, a obra-prima de Billy Wilder. E que já se viciou (irreversivelmente, parece) nos clichês mais pavorosos de Hollywood.
Se tivesse visto Inglourious..., Hitler certamente o teria achado chato e rido no final, quando o ‘Caçador de Judeus’, nazista educado e inteligente, de repente se transforma num bobo alegre e se entrega ingenuamente daquele jeito. As novelas da Globo, que ainda fazem a mesma coisa, já não tropeçam tanto. A essa altura, o cineasta já deveria saber como abordar a vingança em seus filmes. Pelo menos, não teria feito essa ofensa ao povo judeu.
Aquilo que Tarantino tanto ironiza em seu filme --- a alienação do americano médio que mal e porcamente fala a própria língua --- também vitima o diretor. Nem mesmo as citações de filmes e diretores que fizeram história, como Pabst --- e toda a metalinguagem presente no filme ---, salvam essa mixórdia sem graça, que acabou resultando num trabalho para enganar trouxas. E há muitos críticos, intelectuais e celebridades que são trouxas e não sabem. Abraços a todos, Tom Capri.

As razões do antissemitismode Hitler, segundo ele próprio
Algumas razões levaram Hitler a odiar e a desejar exterminar os judeus: eles se espalharam pelo mundo, conquistando os comércios locais (inclusive de dinheiro, abrindo ou assumindo o controle de alguns bancos), como aconteceu na Alemanha. E não eram verdadeiramente alemães, segundo Hitler, pois haviam acorrido ao país por necessidade de sobrevivência, de onde pretendiam extrair o máximo possível de riquezas para poder tornar um dia real o sonho de ter sua pátria de volta, deles usurpada por alguns povos conquistadores do passado (egípcios, romanos etc.). Além disso, os judeus eram, para Hitler, maus capitalistas, justamente porque acumulavam as riquezas, na Alemanha, para levá-las embora a fim de reconstruir sua própria pátria. E mais: os judeus eram também, na visão de Hitler, os criadores e disseminadores do marxismo, que de acordo com Hitler “transgredia os mandamentos da natureza”, daí serem inimigos da Alemanha que precisavam ser banidos. Se você não acredita que esses eram os motivos de Hitler, vai passar a acreditar agora, pois eles estão bem claros em Mein Kampf (Minha Luta), obra que o próprio Adolf escreveu na prisão, antes de liderar o movimento nazista. Veja mais abaixo trecho do livro em que Hitler expõe tais pensamentos.
Muito se disse, até hoje, mas pouco se sabe a respeito dos reais motivos que levaram Hitler a odiar os judeus. Raros são os que entenderam Hitler, o nazismo e o antissemitismo. O que é de estranhar. Afinal, as razões de Hitler para pensar assim estão claramente expostas, com todas as letras, para quem quiser comprovar, em seu próprio livro, Mein Kampf (Minha Luta), no qual se encontra presente todo o seu pensamento.
Com colônias apenas no século 19 (inexpressivas) e tendo chegado tardiamente ao capitalismo, a Alemanha (a exemplo da Itália e do Japão) se sentia atrasada em relação a grandes nações européias, como Inglaterra e França. Seu povo vivia atormentado, em meio a um forte complexo de inferioridade, por causa do progresso alcançado por aquelas potências. O alemão era considerado inferior na Europa e havia saído com o orgulho bastante ferido da Primeira Grande Guerra, na condição de maior derrotada.
Um nacionalismo exacerbado começa então a se manifestar entre os alemães, que vão passar a reivindicar seu espaço, no Planeta, buscando igualar-se a essas grandes potências. Apoiado por parte expressiva da burguesia e da aristocracia alemãs, e com um discurso que enfatiza o nacionalismo, bem como a grandeza e a superioridade do povo alemão, Hitler emerge como liderança, é ouvido e chega ao poder justamente com esse objetivo: reerguer a Alemanha, conduzindo-a não na direção do capitalismo de rapinagem que via ser praticado pelo judeu, mas na de um capitalismo justo e saudável, que Hitler entendia ser o verdadeiro socialismo, daí chamá-lo de nacional-socialismo.
Assim, o mal maior da Alemanha era a presença dos ‘invasores’ judeus, vistos como maus capitalistas porque buscavam se locupletar amealhando riquezas que financiariam sua nova pátria. Eram na verdade ‘colonizadores’ predatórios que enriqueciam para levar embora tudo o que conquistavam, a fim de conseguir o novo território que tanto almejavam para nele se estabelecer.
Os judeus eram, portanto, não só maus capitalistas, mas maus alemães responsáveis pelo atraso do país e pela destruição e decadência da Alemanha. Além disso, haviam criado e disseminado, inclusive por toda a Alemanha, o marxismo, que era igualmente antinacionalista e, portanto, uma aberração (os princípios marxistas propugnam o fim das fronteiras e a internacionalização e globalização do socialismo).
Para Hitler, isto era um acinte. Por isso, os judeus eram considerados, por ele, mais do que inimigos da Alemanha. Eram estrangeiros dentro do país, sugando riquezas para construir sua própria nação: “Um judeu não é um alemão, sabia-o eu definitivamente, para repouso do meu espírito”, dizia.
Justamente por seu internacionalismo, o marxismo, segundo Hitler, transgredia as leis da natureza. Era preciso, assim, combatê-lo e reafirmar as qualidades dos alemães. Daí até montar toda uma teoria para provar a superioridade da raça ariana (do alemão) e a inferioridade dos judeus --- povo sem pátria, sem nada ---, um passo.
A eugenia, termo usado pela primeira vez em 1883 por Francis Galton (1822-1911), já era realidade no Ocidente. Significava “purificação da raça”, e já havia estudos avançados a respeito nos Estados Unidos, a partir de experiências com prostitutas e mendigos, visando a melhorar ou empobrecer as qualidades raciais do povo americano.
O nazismo entendia que, por não ter pátria e praticar a rapinagem social, buscando levar as riquezas da Alemanha, os judeus formavam uma raça inferior. Já os alemães, que acreditavam nos valores nacionalistas e amavam sua pátria --- o que era visto como normal e correto --- compunham uma raça superior, segundo Hitler. Nascia a eugenia nazista, que Hitler vai buscar nessas experiências nos EUA, para alcançar o melhoramento genético de ‘raças’ superiores como a alemã e a extinção de “inferiores e predatórias” como a do judeu.
De grande valia e notória influência nesse sentido foi a obra do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), que combatia os judeus por motivos mais ou menos semelhantes, em O Anticristo. Para Nietzsche, os judeus criaram e disseminaram o cristianismo, segundo ele “o veneno da doutrina dos ‘direitos iguais para todos’, que os cristãos semearam como princípio”.
O cristianismo é para Nietzsche, a “religião da piedade”. E a piedade, diz ele, “atua de forma depressiva”, pois “perde-se a força quando se tem dó”. “A piedade” – continua – “é obstáculo à lei da evolução, que é a da seleção natural. É ser compreensivo com tudo aquilo que já está maduro para desaparecer. É a defesa dos deserdados e condenados.”
Nietzsche prossegue: “O cristianismo tomou partido por tudo o que é fraco, baixo, falhado, vil. Fez, da oposição aos instintos de conservação da vida forte e saudável, um ideal. Estragou mesmo a razão das naturezas intelectualmente mais fortes, ensinando que os valores superiores da intelectualidade não passam de pecados, desvios e tentações”.
Como o cristianismo era, segundo Nietzsche, herança malévola deixada pelos judeus sobre a Terra, precisava ser combatido, tanto quanto o judaísmo. Hitler toma isso como ingrediente, acrescenta a ele o traço de mau capitalista que via no judeu e o fato de o judeu ter criado e disseminado o marxismo inclusive na sua Alemanha, para erguer toda a teoria nazista antissemita. A seguir, trecho de seu livro, Mein Kampf, em que Hitler coloca as razões pelas quais passou a odiar e a querer exterminar os judeus.
“Fui-me apercebendo, pouco a pouco, de que a imprensa social-democrata (leia-se, de esquerda) era dirigida principalmente por judeus. Mas não atribuí nenhuma significância particular a esse fato, já que o mesmo acontecia também com os jornais de outras tendências.
Somente uma coisa, talvez, podia atrair a atenção: não se encontrava, numa única folha desses jornais que tinham judeus como seus redatores, nada que se pudesse considerar verdadeiramente nacional, no sentido que a minha educação e as minhas convicções me faziam dar a essa palavra (Hitler refere-se aqui ao nacionalismo, que se traduz não só no amor à pátria, mas na necessidade de engrandecê-la, como ele de fato queria para a Alemanha).
Fiz um esforço e tentei ler as produções da imprensa marxista, mas a repulsa que elas me inspiravam acabou por se tornar tão forte, que procurei conhecer melhor os que urdiam essa coleção de canalhices.
Eram todos, sem exceção, a começar pelos editores, judeus.
... Era preciso salvar a grande massa, mesmo às custas dos mais pesados sacrifícios de tempo e paciência.
Nunca porém pude libertar um judeu de sua maneira de ver as coisas.
Eu ainda era suficientemente ingênuo para querer esclarecê-los sobre a absurdidade dessa sua doutrina (marxista). No meu pequeno círculo, eu falava a ponto de ficar rouco e com a língua esfolada, e persuadia-me de que conseguiria convencê-los do perigo e das loucuras marxistas.
Obtinha o resultado oposto. Parecia que os efeitos desastrosos, fruto evidente das teorias sociais-democratas (leia-se, de esquerda) e de sua aplicação, só serviam para fortalecer a determinação dessa gente.
Quanto mais discutia com eles, melhor aprendia a conhecer sua dialética (olhe aí Hitler insurgindo-se contra a dialética). Eles contavam, em primeiro lugar, com a estupidez do adversário e, quando já não conseguiam encontrar uma escapatória, procuravam eles mesmos fazer-se passar por tolos. Se isto não produzia efeito, eles já não compreendiam mais nada, ou, quando encostados à parede, saltavam para outro terreno.
Alinhavam obviedades que, uma vez admitidas, lhes serviam de argumento para questões inteiramente diferentes. Caso fossem de novo encostados na parede, escorregavam de nossas mãos. Ficava impossível arrancar, de cada um, uma resposta concreta.
Quando se queria agarrar um desses apóstolos, a mão limitava-se a agarrar uma matéria viscosa e pegajosa que escorria entre os dedos... Se fosse desferido num deles um golpe tão decisivo, de tal maneira que não pudesse deixar de se render à opinião dos presentes, e quando se julgava ter finalmente dado um passo à frente, não era pequena a surpresa no dia seguinte: o judeu já nada sabia o que havia se passado na véspera.
E recomeçava a divagar como antes, como se nada tivesse acontecido. E, quando, indignados, o intimássemos a explicar-se, ele fingia-se surpreendido, não se lembrava de absolutamente nada, exceto de ter comprovado na véspera o fundamento de suas afirmações.
Isto me deixava muitas vezes petrificado. Não se sabia o que mais admirar: se a abundância de seu palavreado ou se sua arte de dizer mentiras.
Acabei por odiá-los.
... As experiências que eu fazia todos os dias levaram-me a investigar as fontes da doutrina marxista. Conhecia agora claramente a sua ação em todos os seus pormenores. O meu olhar atento descobria a cada dia que passava o sinal de seus progressos. Bastava ter um pouco de imaginação para se fazer uma idéia das conseqüências que ela devia acarretar.
A questão era agora de saber se os seus fundadores tinham previsto o que devia produzir a sua obra, quando atingidos todos os objetivos, ou se eles próprios tinham sido vítimas de um erro. No meu entender, tanto uma coisa quanto outra eram possíveis.
No primeiro caso, era o dever de qualquer homem capaz de pensar opor-se a esse movimento funesto, para tentar impedir o pior. No outro caso, era preciso admitir que os autores responsáveis por essa doença, que havia infectado os povos, eram verdadeiros demônios. Afinal, só o cérebro de um monstro, não o de um homem, podia conceber o plano de uma organização, cuja ação devia ter, por resultado último, a ruína da civilização e, como conseqüência disso, a transformação do nosso mundo num deserto.
... Comecei então a estudar pra valer os fundadores dessa doutrina (leia-se, do marxismo), a fim de conhecer os princípios do movimento.
... Foi nessa época que se operou em mim a revolução mais profunda que alguma vez consegui levar a cabo.
O cosmopolita sem energia que eu tinha sido até então se tornou um antissemita fanático.
Outra vez ainda – mas seria essa a última vez –, uma angústia dolorosa oprimiu-me o coração. Enquanto estudava a influência exercida pelo povo judeu, através de longos períodos da história, perguntei-me subitamente com ansiedade se o destino, cujas intenções são insondáveis, não iria querer, por razões desconhecidas de nós, pobres homens, e em virtude de uma decisão imutável, a vitória final desse pequeno povo?
A este povo, que nunca viveu senão para a terra, teria sido acaso prometida a terra como recompensa? (Não havia ainda, na época, o Estado de Israel). O direito que julgamos ter, de lutar pela nossa conservação, tem um fundamento real? Ou existe somente em nosso espírito? O próprio destino deu-me a resposta, enquanto me absorvia no estudo da doutrina marxista e observava imparcialmente e sem pressa a ação do povo judeu.
A doutrina judaica do marxismo rejeita o princípio aristocrático observado pela natureza e substitui o privilégio eterno da força e da energia pela predominância do número e seu peso morto. Nega o valor individual do homem, contesta a importância da entidade étnica e da raça, e priva assim a humanidade da condição prévia da sua existência e civilização.
Admitida como base da vida universal, teria como efeito o fim de qualquer ordem humanamente concebível. E, da mesma forma que uma tal lei só poderia dar como resultado o caos neste universo, para além do qual se detêm as nossas concepções, também ela significaria, neste mundo, o desaparecimento dos habitantes de nosso planeta.
Se o judeu, com o auxílio de sua profissão de fé marxista, alcança a vitória sobre os povos deste mundo, seus louros serão a coroa mortuária da humanidade. Se assim for, nosso planeta recomeçará a percorrer o éter como o fez há milhões de anos: sem que haja homens à sua superfície.
A natureza eterna vinga-se implacavelmente quando se transgride os seus mandamentos. É por isso que creio agir segundo o espírito do Onipotente, nosso criador. Defendendo-me contra o judeu, combato para defender a obra do Senhor.” (Adolf Hitler).

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

EM DEFESA DO CONSUMIDOR BRASILEIRO

João Vinhosa



A denúncia a seguir transcrita foi encaminhada em 28 de outubro de 2009 à 3ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, responsável por tratar da Defesa do Consumidor junto à Procuradoria Geral da República.
Sua divulgação tem o único intuito de compelir as autoridades a apurarem as manipulações de preços levadas a efeito na comercialização de gases medicinais e industriais no país.
É de se ressaltar que, no final de 1998, a empresa White Martins, sob a alegação de estar sendo difamada, moveu uma queixa-crime contra o autor da presente denúncia, baseada no fato dele ter divulgado pela internet semelhantes denúncias feitas às autoridades competentes. A empresa – apesar de ter como advogado o renomado ex Ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos – não obteve êxito.
Inconformada, a White Martins recorreu da sentença que absolveu o autor daquelas denúncias (que é o mesmo autor desta). Novo fracasso. No Acórdão por meio do qual, por unanimidade, os Desembargadores da Segunda Turma Criminal do Distrito Federal confirmaram a sentença absolutória, lê-se: “Manter uma página na internet visou ampliar a divulgação dos fatos, para compelir as autoridades a tomar providências. In casu, não ficou evidente o dolo específico de difamar, pois agiu o Apelado com o fim de noticiar às autoridades competentes possíveis irregularidades perpetradas pela empresa White Martins, notícias estas já veiculadas pela imprensa, originando procedimentos judiciais. Não há como condenar uma pessoa por crime de difamação, por ter divulgado e disponibilizado informações de fatos notoriamente conhecidos. Esta conduta nada mais é do que o direito de um cidadão em ver investigadas possíveis irregularidades praticadas por quem quer que seja”.
A seguir, a íntegra da denúncia encaminhada à 3ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal:
Há décadas, a empresa White Martins vem lesando implacavelmente o consumidor brasileiro. Ela lesa o consumidor manipulando o preço de seus produtos – superfaturando ou subfaturando, de acordo com sua conveniência.




Cumpre esclarecer o fato de serem ilícitos dois procedimentos literalmente antagônicos, o superfaturamento e o subfaturamento de preços. Ao superfaturar seus preços, a empresa se locupleta lesando o consumidor; o lucro auferido em decorrência do superfaturamento é imediato. Ao subfaturar seus preços, o objetivo da empresa não é tão evidente: o subfaturamento é praticado com a finalidade de aniquilar a concorrência para que, numa oportunidade futura, seja facilitado o aumento arbitrário de preços. Praticamente, o subfaturamento é a constatação de um futuro superfaturamento.




Para se comprovar a exploração dos consumidores em geral (privados e públicos), basta uma vista no processo nº. 08012.009888/2003-70, por meio do qual a Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (SDE) pediu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) a aplicação de pena máxima contra a White Martins e outras empresas por crime de formação de cartel.






É de se destacar, no entanto, que – apesar da riqueza dos detalhes contidos em seus cerca de 20 volumes – o processo encaminhado pela SDE ao CADE não contém casos específicos de manipulação de preços, como os inacreditáveis casos que serão comprovados na presente denúncia.




Ninguém pode ter qualquer dúvida sobre a gravidade da situação: ao manipular os preços de seus produtos a níveis extremamente abusivos, a White Martins demonstra absoluto menosprezo pelas autoridades responsáveis pela defesa do consumidor brasileiro.




Objetivando evitar dispersão de informações, a presente denúncia tratará apenas da manipulação de preços contra hospitais públicos – a mais hedionda das falcatruas cometidas pela White Martins, responsável por dilapidar os recursos que seriam destinados a minorar o sofrimento e a salvar vidas de nossos carentes concidadãos. Para melhor entendimento, os casos apresentados serão destacados e enumerados, como a seguir.






1 – Superfaturamentos contra o Hospital Central do Exército (HCE)






Nas licitações realizadas para atender o seu consumo nos anos de 1995, 1996, 1997, 1998 e 1999, o HCE contou com propostas de preços de uma única fornecedora, a White Martins. Somente a partir do ano 2000 a virtual exclusividade da White Martins foi quebrada, com o comparecimento de diversos concorrentes nas licitações.




Nada mais perfeito para se comprovar o desmoralizante nível dos superfaturamentos que uma simples comparação: a comparação dos preços praticados pela White Martins nos cinco anos em que ela “concorreu” sozinha com os preços propostos pela mesma empresa e pelas outras que participaram das licitações realizadas pelo HCE logo após a quebra da exclusividade da White Martins, ocorrida no ano 2000.




O seguinte quadro de preços – que, para maior clareza, só contempla os produtos Oxigênio Líquido e Óxido Nitroso, gases medicinais responsáveis por cerca de 90% do valor licitado – comprova, de maneira impressionante, o maior superfaturamento continuado que se tem notícia em nosso país.




PRODUTO                        1995 1996 1997 1998 1999 2000(A) 2000(B)
Oxigênio Líquido (R$/m3) 7,10  7,10   7,80  7,80  4,97    1,63        1,35
Óxido Nitroso (R$/kg)     28,80 28,80 31,00 31,00 21,00 21,00    12,45






Com relação ao quadro acima, fazem-se necessárias as seguintes observações: 1- nos anos de 1995, 1996, 1997, 1998 e 1999 a White Martins “concorreu” sozinha; 2- os valores correspondentes a 2000 (A) são os da Proposta de Preços da White Martins; 3- os valores correspondentes a 2000 (B) são os da Proposta de Preços da vencedora; 4- em 1999, a White Martins estava nas manchetes, acusada de superfaturamento nos Hospitais Federais do Rio de Janeiro, o que deve ter motivado a moderação em seu superfaturamento nesse ano; 5- em 2000, apesar de ter proposto R$ 1,63 no Oxigênio Líquido, produto que vendia a R$ 7,80 em anos anteriores, a White Martins foi derrotada; 6- em 2000, apesar de ter proposto R$ 21,00 no Óxido Nitroso, que vendia a R$ 31,00 em anos anteriores, a White Martins foi derrotada.




É de se ressaltar que os superfaturamentos praticados pela White Martins contra o HCE originaram uma denúncia ao TCU. Contudo, por não se ter, à época da denúncia, os dados referentes aos anos de 1995 e 1996, a mesma foi limitada aos anos de 1997, 1998 e 1999. Tal denúncia foi aceita pelo TCU, mesmo diante do fato de já estarem aprovadas pelo órgão as contas do HCE relativas aos anos em questão. A partir dela, instaurou-se o Processo nº. TC 012.552/2003-1, que confirmou a prática de superfaturamentos. O TCU calculou em R$ 6.618.085,28 o valor cobrado a maior. A decisão do Relator foi adotada pelo Acórdão nº. 1129/2006-TCU-Plenário.




2 – Manipulação de preços no Instituto Nacional do Câncer (INCA)




O acontecido no INCA merece lugar de destaque entre as mais revoltantes manipulações de preços praticadas contra nossos miseráveis hospitais públicos. No final da década de 90, a direção do hospital acusou a White Martins de estar se locupletando com os recursos que seriam destinados a salvar vidas de pacientes com câncer. Poucos anos depois, em meados de 2006, a White Martins subfaturou para o órgão de maneira afrontosa. Ou seja, nesse curto espaço de tempo, a White Martins não só superfaturou, como também subfaturou para o mesmo órgão.




Relativamente ao superfaturamento, nada mais chocante que a acusação feita pelo então Vice-Diretor do Hospital do Câncer, José Kogut. Foram as seguintes as palavras do dr. Kogut: “Na época em que denunciamos os preços exorbitantes, teve um representante da empresa (White Martins) que veio ao nosso gabinete. Eu disse que aquele não era o papel de um homem decente. Que ele estava matando pacientes com câncer”. (O Globo, 10 de julho de 1999).




Quanto ao subfaturamento, o mesmo foi antológico. Em licitação realizada em maio de 2006, a White Martins cobrou do INCA R$ 0,68 por metro cúbico de Oxigênio Líquido, preço dez vezes menor que os R$ 7,10 cobrados do HCE dez anos antes, em 1996. Na mesma licitação de maio de 2006, a White Martins cobrou do INCA R$ 7,25 por quilograma de Óxido Nitroso, preço incrivelmente inferior aos R$ 28,80 cobrados do HCE dez anos antes. Ressalte-se que ambos hospitais (o HCE e o INCA) estão localizados na mesma cidade, Rio de Janeiro.




Ninguém pode negar: os abusivos valores acima apresentados justificam plenamente a afirmativa segundo a qual a White Martins “demonstra absoluto menosprezo pelas autoridades responsáveis pela defesa do consumidor brasileiro”.




3 – O caso do Hospital Público Municipal de Macaé (HPM)




As fraudulentas aquisições de gases medicinais realizadas pelo HPM foram denunciadas em 27 de janeiro de 2009 ao Procurador-Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Dr. Cláudio Soares Lopes, e originaram o Inquérito Civil nº 035/2009/CID/MCE.




Basicamente, a denúncia que originou citado Inquérito analisa três diferentes aspectos: as aquisições realizadas no período compreendido entre a inauguração do HPM (março de 2004) e a fraudulenta licitação emergencial ocorrida em junho de 2005; os preços cobrados pela vencedora da fraudulenta licitação emergencial de junho de 2005 (White Martins); os preços cobrados pela vencedora da licitação pública realizada em fevereiro de 2006 (White Martins).




Quanto às aquisições de gases medicinais realizadas entre a inauguração do HPM e a licitação emergencial de junho de 2005, nada é possível afirmar, em decorrência do fato de a prefeitura de Macaé não ter atendido o pedido de cópias dos documentos comprobatórios de tais aquisições. Porém, razões existem para supor que foi o período no qual ocorreram os preços mais elevados. Ressalte-se que não surtiu efeito nem mesmo o fato de a Justiça de Macaé ter deferido um mandado de segurança (impetrado em abril de 2008) para obrigar o prefeito municipal Riverton Mussi a entregar os documentos relativos às citadas aquisições.


Com relação à diminuição dos preços praticados pela White Martins (da licitação emergencial de junho de 2005 para a Tomada de Preços FMHM Nº. 001/2006, realizada em fevereiro de 2006), são apresentados a seguir os valores dos diversos itens licitados: Oxigênio gás cilindro (R$3,00 – R$2,00); Oxigênio Carga (R$10,00 – R$2,00); Oxigênio Líquido (R$1,60 – R$0,90); Óxido Nitroso (R$28,00 – R$9,00); Nitrogênio (R$15,00 – R$3,00); Óxido Nítrico (R$680,00 – R$250,00); Ar Medicinal (R$6,50 – R$3,00); Dióxido de Carbono (R$25,00 – R$9,00) e Argônio (R$95,00 – R$9,00).


É de se destacar que a Proposta de Preços vencedora da Tomada de Preços FMHM Nº. 001/2006, realizada em fevereiro de 2006, foi a da White Martins, com o valor total de R$ 149.434,00. Para efeito de comparação, seria de R$ 302.115,00 o valor total de uma Proposta de Preços que tivesse os valores unitários pagos à mesma White Martins na fraudulenta licitação emergencial realizada em junho de 2005. Em outras palavras, uma compra emergencial fraudulenta teve, na média, um valor superior a 100% do valor da compra realizada sete meses depois. Destaque especial deve ser dado aos produtos Óxido Nitroso (que caiu de R$ 28,00 para R$ 9,00), Nitrogênio (que caiu de R$ 15,00 para R$ 3,00) e Argônio (que caiu de R$ 95,00 para R$ 9,00).


4 – Lesando o órgão máximo de inteligência do país


Em dezembro de 2001, o MPF ajuizou a Ação Civil Pública nº 2001.34.00.033944-5 para que fosse obtido o ressarcimento dos danos causados ao erário decorrentes de superfaturamento da White Martins contra o órgão máximo de inteligência do país – denominado, à época, Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, e, atualmente, Agência Brasileira de Inteligência (Abin).


Na referida Ação, constata-se que a White Martins usou de uma certidão enganosa (certidão de exclusividade de comercialização de gases expedida pela Junta Comercial do Distrito Federal) para tornar inexigível a licitação. Constata-se, também, que, à mesma época e na mesma cidade, o órgão de inteligência pagava R$17,01 por um produto que o Hospital Universitário de Brasília pagava R$ 3,95.


É de se destacar um fato inusitado: em sua defesa, a White Martins tentou anular a Ação pelo fato de o processo interno que tornou inexigível a licitação ter “desaparecido”. Pasmem todos: “desaparecido” nas dependências do próprio órgão de inteligência. Tal argumento foi derrubado pelo MPF, que se manifestou da seguinte maneira: “Ao se entender que a cópia do processo administrativo de licitação se traduz em elemento indispensável à propositura de ação civil pública, quando há outros documentos, inclusive referentes a esse mesmo processo, aptos a demonstrarem a pretensão do autor, estar-se-ia prestigiando aqueles que, em decorrência de conduta desidiosa ou mesmo dolosa, subtraíram tal processo com o fim de se livrarem de qualquer questionamento quanto à ilicitude da licitação”.


No final, a White Martins foi condenada pela 13ª Vara Federal do Distrito Federal a devolver ao erário os valores cobrados a maior. A empresa, como era de se esperar, está recorrendo da sentença que a condenou.


5 - O escândalo dos Hospitais Federais do Rio de Janeiro


Tal escândalo veio à tona com a publicação (no jornal O Globo de 31 de maio de 1998) da matéria “Números da tunga da saúde no Rio”, de autoria do jornalista Elio Gaspari.


Para que se avalie a que ponto chegou a manipulação de preços, basta ler o que consta da citada matéria, a saber: “A administração do Hospital de Jacarepaguá informou ao sistema de contabilidade oficial que pagou R$1,75 por metro cúbico de Oxigênio Líquido. Quando esse mesmo oxigênio foi comprado pelo Hospital de Bonsucesso, ele informou que custou R$11. Numa mesma cidade, uma mesma mercadoria variou em 495%. Diferença de fornecedor? Não. A empresa White Martins fez as duas vendas”.


O caso teve grande exposição na mídia. O então Ministro da Saúde José Serra determinou o cancelamento dos diversos contratos que a White Martins mantinha com referidos hospitais.


Em decorrência do acontecido nos Hospitais Federais do Rio de Janeiro, foi instaurado o processo nº 99.0058085-0 contra a White Martins e quatorze administradores de tais hospitais – inclusive o acima citado dr. José Kogut, que havia acusado a White Martins de estar “matando pacientes com câncer”. Além desse processo de Responsabilidade Civil, foi instaurada, também, a Ação Civil Pública nº 990013674-8. Ambos os processos ainda estão tramitando na 29ª Vara Federal do Rio de Janeiro.


6 – Conclusão


Considerando que o apurado no processo de formação de cartel movido pela SDE comprova que a White Martins explora implacavelmente o consumidor brasileiro de um modo geral; considerando que entre os consumidores explorados encontram-se nossos miseráveis hospitais públicos; considerando que a White Martins chegou a cobrar do Exército Brasileiro um preço dez vezes maior que o preço que cobrou dez anos depois do INCA; considerando que a White Martins teve a audácia de lesar de forma desmoralizante o próprio órgão máximo de inteligência do país; considerando que administradores de recursos públicos dificultam acintosamente a obtenção de documentos que possam comprometer o órgão sob seu comando; considerando, por fim, que apurar “caso a caso” não teria o condão de inibir a White Martins – empresa que demonstrou o mais absoluto desprezo pelas autoridades de nosso país,


Lícito torna-se concluir que a única forma de resguardar o consumidor brasileiro é realizar uma rigorosa sindicância na empresa White Martins com o objetivo de analisar criteriosamente a manipulação de preços que tanto prejuízo traz aos cofres públicos e ao consumidor brasileiro de um modo geral.


A propósito, coloco-me à disposição para maiores informações a respeito de “manipulação de preços de gases medicinais e industriais”. Isso inclui a indicação de casos nos quais o dinheiro público, seguramente, está sendo desviado para os cofres da White Martins.


Desde já – na condição de autor da denúncia que levou o TCU a comprovar o superfaturamento de mais de seis milhões de reais contra o Exército Brasileiro, autor da denúncia que levou a Justiça Federal a condenar a White Martins por lesar a Abin, autor de denúncia ao Ministério da Saúde sobre descalabros no INCA, autor da denúncia que levou o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro a instaurar um inquérito civil no caso do HPM de Macaé e autor de denúncia de formação de cartel à SDE – afirmo que tenho motivos suficientes para apontar a Petrobras como o consumidor contra quem os superfaturamentos da White Martins devem ser prioritariamente investigados.


Finalizando, informo à 3ª Câmara – responsável pela Defesa do Consumidor na Procuradoria Geral da República – que, devido à importância dos fatos denunciados para a defesa do consumidor brasileiro, cópia desta será formalmente encaminhada às autoridades a seguir citadas: Presidente do Conselho de Administração da Petrobras Ministra Dilma Rousseff; Ministro da Justiça Tarso Genro; Ministro da Saúde José Gomes Temporão; Comandante do Exército Brasileiro General Enzo Martins Peri; Presidente do TCU Ministro Ubiratan Aguiar; Procurador-Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro Cláudio Soares Lopes; Secretária de Direito Econômico Mariana Tavares de Araújo; Presidente do CADE Arthur Badin; Diretor-Geral da Abin (a ser confirmado); Diretor-Geral do INCA Luiz Antônio Santini e Prefeito de Macaé Riverton Mussi.


João Vinhosa é engenheiro e professor

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

OS POLÍTICOS "FICHA SUJA" E O STF



A polêmica sobre o projeto de lei que pretende vedar candidaturas de políticos que respondem a processos na Justiça foi destaque da semana na revista Decisão do plenário do Supremo Tribunal Federal, públicada pelo site na terça-feira (20/10) registrou que a presunção de inocência deve prevalecer e os candidatos não podem ser impedidos de concorrer às eleições a não ser quando tiverem condenação definitiva na Justiça.

"O relator Celso de Mello entende que a cidadania não pode ser afetada por decisões instáveis, que não transitaram em julgado. Ele diz ainda ser grave que a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a pretexto de preservar a probidade, apoie a transgressão a princípios básicos do Direito brasileiro.
 Esse ponto publicado pela reportagem da ConJur causou reação da CNBB que enviou nota defendendo sua posição. O secretário-geral, dom Dimas Lara Barbosa, afirmou que a presunção de inocência só se aplica no Direito Penal e não vale para candidatos. No entanto , presunção não vale para candidatos, diz CNBB- Por Gláucia Milício."


 Presunção não vale para candidatos, diz CNBB-
 Por Marina Ito O princípio da presunção de inocência é uma característica do Direito Penal. É o que defende a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que cooperou para colher as assinaturas, que ultrapassaram a casa do milhão, para o Projeto de Lei que pretende vedar candidaturas de políticos que respondem a processos no Judiciário.
Em carta à ConJur, a CNBB, através de seu secretário-geral, Dom Dimas Lara Barbosa, questiona a reportagem Recuo histórico, projeto que proíbe eleição de réus não terá validade.
 “As inelegibilidades”, disse a CNBB, “têm a sua criação orientada pelo princípio de proteção, o que fica claro ante a leitura do parágrafo 9º, do artigo 14, da Constituição”. A mesma Constituição estabelece no inciso III, do artigo 15º que “é vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos”.
 Em agosto de 2008, oito ministros do Supremo Tribunal Federal acompanharam voto do ministro Celso de Mello. O entendimento foi que direitos políticos não podem ser suspensos salvo com condenação transitada em julgado.
 A CNBB cita a manifestação de juristas como Aristides Junqueira, Celso Antônio Bandeira de Mello, Fábio Konder Comparato em favor da iniciativa.
 O documento sob o título Presunção de inocência: não aplicação às normas sobre inelegibilidades traz ainda uma lista de entidades que apoiam o projeto, como a Associação dos Magistrados Brasileiros, a Associação dos Juízes Federais, a Associação Nacional dos Procuradores da República, OAB, entre outras relacionadas a operadores do Direito.
 O Movimento Combate à Corrupção Eleitoral entregou, no dia 29 de setembro, ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), o projeto de lei de iniciativa popular que proíbe o registro de candidatos que estejam sendo processados.
 A proposta veda candidatura de quem tenha sido condenado em primeira instância por improbidade administrativa e uma lista de crimes hediondos como tráfico de drogas, estupro, pedofilia, exploração sexual e roubo de carga. Leia a carta Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil-Brasília – DF, 21 de outubro de 2009-10-22-SG. N 0740/09 Senhor Editor, A proposta da matéria “Recuo histórico, projeto que proíbe eleição de réus não terá validade”, publicada nesse conceituado sítio eletrônico em 20 de outubro corrente, vimos aprensentar os seguintes esclarecimentos.
 É bEm conhecido da sociedade brasileira o esforço da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB pela redemocratização do País. Não é de hoje nossa atuação sobre toda a forma de autoritarismo e de desrespeito à dignidade da pessoa humana e a favor do permanente aprimoramento das nossas instituições democráticas. È por tudo estranha a comparação do Brasil de hoje com os períodos das ditaduras estabelecidas na Itália e no Brasil. Após vinte anos de normalidade democráticas nos vemos às voltas com novos desafios, agora relacionados a cobrar o cumprimento das esperanças contidas na Constituição de 1988.
 O ideal de uma sociedade livre, justa e solidária comprometida com a erradicação da pobreza e da marginalização, com a redução das desigualdades sociais e regionais e a promoção do bem de todos é hoje ameaçada por uma perigosa aproximação entre crime e política. Movida por este sentimento, a CNBB cooperou decisivamente para a coleta das 1,3 milhões de assinaturas que embasam a iniciativa popular do projeto de lei 518/2009. Estamos convencidos de que o principio da presunção da inocência, cujo imprescindibilidade sempre reconhecemos, é uma característica especifica do Direito Penal.
 As inelegibilidades, por seu turno, têm a sua criação orientada pelo principio de proteção, o que fica claro ante a leitura do 9° do art. 14 da Constituição. É a lição que passam renomados juristas, como os que subscrevem o manifesto que se encontra no documento presente em http://www.mcce.org.br/sites/defaut/files/cartajuristas.pdf.estamos certos de que as posições emitidas na referida matéria refletem apenas parte do debate jurídico, que não se encerrou nem mesmo no âmbito do Supremo Tribunal Federal, já que o acórdão proferido na ação por Descumprimento de Preceito Fundamental sequer foi publicada e é ainda passível de declaração.
 Dom Dimas Lara Barbosa-Bispo Auxiliar do Rio de janeiro-Secretário Geral da CNBB



REFLEXÃO SOBRE A PREVIDÊNCIA SOCIAL - FONTE IBGE




Ricardo Bergamin


Base: Setembro de 2009

Premissa Maior


Em setembro de 2009, segundo o IBGE, a População Ocupada (PO) tinha a participação de 45,4% de mulheres e 54,6% de homens, a População em Idade Ativa (PIA) de 53,7% de mulheres e 46,3% de homens e a População Economicamente Ativa (PEA) de 46,2% de mulheres e 53,8% de homens.



Premissa Menor

As mulheres contribuem com cinco anos menos para a previdência (INSS ou Servidores Públicos) em relação aos homens, obtendo os mesmos benefícios dos homens, além de terem uma expectativa de vida de 7,6 anos maior do que os homens (homens 69,0 anos e mulheres 76,6 anos). Os militares possuem o direito de computarem nos cálculos de suas aposentadorias o período das escolas preparatórias e academias militares (7 anos). Com base na técnica atuarial existem 12,6 anos nas aposentadorias femininas civis, e 19,6 anos nas aposentadorias femininas militares, sem fontes de contribuições.


Conclusão



Como as estatísticas demonstram, nos últimos trinta anos, o crescimento exponencial da participação da mulher no mercado de trabalho, é óbvio e ululante que o Brasil vem montando uma bomba-relógio na previdência social, de proporções inimagináveis, que começará a ser sentida nos próximos anos, com o início dos pagamentos dos benefícios sem fontes de contribuição. Com base nas premissas acima colocadas, a falência total do sistema será inevitável.


Arquivos oficiais do governo estão disponíveis aos leitores.







terça-feira, 27 de outubro de 2009

No - 130 – COLUNA DO SARDINHA

CARRANCAS


Os céticos que nos perdoem, mas há em um rio, algo de divino, de supranatural. Aliás, em tudo que gere vida há algo muito acima do que nossa humana limitação pode alcançar.
A essa coisa supranatural, cada um dê o nome que lhe aprouver.
Logicamente, com os rios tal acontece. Brotando das profundezas da Terra, respirando o ar da liberdade esparrama-se, espalhando e carregando vida por onde passa. O meio que usa é a água e em tal meio nasceram quase todos os seres vivos existentes no planeta e é também elemento essencial para a conservação da vida.
Como o homem, o rio vai tomando forma, ganhando vida e conquistando espaço. Mas, infelizmente, pela ação deletéria do próprio homem, o rio perde a pureza, a inocência, polui-se, deteriora-se e não poucas vezes, morre.
O rio São Francisco não pode ser considerado uma exceção a esse quadro. “Opará”, como era conhecido pelos índios, “Velho Chico” como é carinhosamente chamado pelos ribeirinhos ou “rio da integração nacional” pelos eruditos, vem sofrendo no decorrer dos anos um violento processo de degradação, fruto da erosão causada pelo desflorestamento e pela ocupação desordenada de suas margens e pela descarga de dejetos urbanos lançados “in natura” pelas dezenas de cidades que banha em seu percurso.
Com 2.830 quilômetros de extensão, percorrendo cinco Estados brasileiros (Minas Gerais, onde nasce na Serra da Canastra, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas), com cinco hidrelétricas (Paulo Afonso é a mais importante) o rio é fator de união nacional, pois liga o sudeste ao nordeste transportando mercadorias e riquezas. Essa exuberância toda provocou o superpovoamento de suas margens que sofrem com a ocupação predatória, sem nenhum planejamento ou critério como soe acontecer no Brasil.
A causa imediata disto é que o rio definha, exigindo providências inadiáveis para sua revitalização, como obras de saneamento básico e de recuperação de suas erodidas margens. Obras, que no entanto, não rendem dividendos para quem as realiza, nem eleitorais e nem outros de qualquer ordem.
Como o Governo sempre se move por razões não muito transparentes, optou-se então, por uma terceira via, que jamais foi vista como viável e que dormia esquecida nos arquivos do governo desde os tempos do Império: a construção de um canalão, uma bica grande, que levaria água para os grandes projetos de irrigação tocados por latifundiários (os antigos coronéis), que a séculos dominam o Nordeste. Prato cheio para as empreiteiras, que desviam gordas importâncias para campanhas eleitorais e propinas.
Haveria barreiras a serem superadas: o custo absurdo para resultados tão medíocres (menos de cinco por cento da região será beneficiada), a licença ambiental, Dom Cappio e sua silenciosa greve de fome e os milhares de técnicos radicalmente contra. Mas isto não se constituiu em empecilhos para quem por interesses pessoais e eleitoreiros desconhece obstáculos.
Assim, com o nome pomposo de “transposição” do Rio São Francisco iniciou-se um verdadeiro e bilionário desastre ambiental, um canalão, que pode representar tudo, menos a solução para a seca e para a pobreza do semi-árido nordestino. Uma verdadeira aventura megalomaníaca de resultado pífio e duvidoso. Se não forem tomadas medidas urgentes para a salvação do velho Chico, a grande obra eleitoreira do governo Lula poderá tornar-se num esgotão a céu aberto.
Peça ao ribeirinho que asculte o rio e que decifre o seu lamentar choroso, que observe as carrancas na proa dos barcos ainda mais assustadoras, tentando espantar os algozes, que teimam em desafiar a natureza e os deuses que o protegem, pouco se importando com o destino e o futuro dos que irão pagar essa conta: os meus, os nossos e os filhos “deles”.


Luiz Bosco Sardinha Machado



sábado, 24 de outubro de 2009

A SOLUÇÃO PARA AS CRISES DO PALMEIRAS, SÃO PAULO, CORINTHIANS, SANTOS E SELEÇÃO


Tom Capri

Está muito fácil entender as crises de Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Santos e Seleção, só nossa mídia especializada --- a famosa Geni-Press (porque merece que se jogue muita bosta nela) --- ainda não alcançou. O Palmeiras não para de tropeçar principalmente porque, sob nova direção (Muricy/Beluzzo), voltou a jogar com dois centroavantes (Wagner Love/Obina), o que --- até minha netinha Elisa de cinco anos já sabe --- é burro em qualquer circunstância. Obviamente, este não é o único motivo, mas é o principal. Já São Paulo, Corinthians e Santos são outras ovelhas desgarradas mais ou menos pela mesma razão: não têm observado esse princípio elementar do futebol moderno. Até a Seleção sofre do mesmo mal. Quem está se dando bem, no Brasileirão, são apenas os times que contam com ataques inteligentes e fazem o oposto disso, usando, por exemplo, atacantes hábeis e de mobilidade. Não percebeu ainda?


O que é, na verdade, um ataque inteligente? É aquele que tem jogadores que, apesar de atuarem enfiados insistindo em agredir --- o que é correto ----, são completos, polivalentes e estão lá na frente também como ‘zagueiros’, ‘volantes’ e ‘armadores’, a exemplo de Diego Tardelli e Éder Luis, do Atlético Mineiro, homens de frente de muita mobilidade e fortes na marcação, e que ainda por cima fazem gols o suficiente para serem artilheiros. Aí está a solução --- tão óbvia --- para essa crise de Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Santos e até mesmo Seleção.


Estou impressionado por Muricy não ter percebido isso aiiiiiiiiiiinda. Não sacou que o Palmeiras cometeu o mesmo erro do São Paulo no final do ano passado. Da mesma forma que o Tricolor havia chamado o paradão Washington, goleador-poste que tem dificuldade de marcação lá na frente, o Palmeiras acaba de chamar Wagner Love, que, se não é outro poste, também não morde a bola no ataque como, por exemplo, um Luís Fabiano.


Da mesma forma que a chegada de Washington desmontou e desestabilizou o São Paulo, a contratação de Love derrubou o Palmeiras, embora ele esteja jogando bem e a Geni-Press pense exatamente o contrário disso. E o problema é de difícil solução: Muricy não pode afastar Love por razões óbvias. E também não faz sentido deixar Obina no banco. Resultado: o técnico precisa escalar os dois, ou um deles e Robert, e aí a coisa pega. Aí está a razão da queda de produção.


Até o Santo André acaba fazendo festa em cima de um time desequilibrado como esse. Com os desfalques que teve, como Pierre e Maurício Ramos, o Palmeiras jamais poderia jogar com dois centroavantes (Muricy, Muricy, Muricy!!!).


A presença de dois homens de ataque mais enfiados, somada a esses desfalques, tornou o Verdão muito vulnerável, e aí começou a sobrar para os demais jogadores, como Edmílson, que passaram a não dar mais conta do recado. Bastou para a crônica esportiva apontar essa queda de produção dos jogadores como um dos fatores responsáveis pela crise técnica do Palmeiras etc., mais ou menos como faz Antero Greco em crônica no Estadão (23/10/2009, Esportes, pág. E2).


Foi exatamente isto o que aconteceu com o São Paulo de Muricy: o técnico insistia em escalar dois centroavantes, Washington e Borges, num time que havia perdido algumas peças-chave, e a coisa não andava, até que os demais --- como Hernandes, Richarlyson etc. --- começaram a ser malhados e cobrados por terem caído de produção e se tornado responsáveis pelos tropeços do time.


Nada contra jogar com centroavante paradão lá na frente, à la Adriano do Flamengo, por exemplo. Mas, se deseja que seu time jogue assim, o técnico tem de saber armá-lo de tal forma que todos estejam sempre preenchendo as lacunas que o paradão deixa, exatamente como vem fazendo o Flamengo, o que explica a ótima fase do time e até de Adriano.


Por que Adriano, mesmo paradão, vem jogando bem e é artilheiro do Brasileirão? Porque o Flamengo é o time mais inteligente do futebol brasileiro, no momento, ao lado do Atlético Mineiro e dos grandes gaúchos. Conta com pelo menos quatro jogadores completos e que fazem a diferença, dando segurança e equilíbrio ao time e abrindo um enorme espaço para o paradão Adriano, que pode assim mostrar seu melhor futebol. São eles: Jean, Kléberson, Maldonado, Petkovic com uma baita vontade de jogar e de voltar a ser o jovem, entre outros.


Você não precisa só de estrelas hoje no nosso futebol para ganhar o Brasileirão. Sim, elas ajudam, e muito. Mas ajuda mais o time que é inteligente. Mano Menezes montou um time assim no Corinthians, com o paradão e gordinho Ronaldo. Montou, não. Não sei se foi Mano, acho que aquela equipe teve, muito, a mão do ex-zagueiro Antônio Carlos, que soube escolher bem os jogadores na época (não estou muito certo disto, mas pode ter sido por aí).


Aquele Coringão (meu amado, idolatrado e todo-foderoso Timão) foi o time mais inteligente que vi montarem no Brasil, nos últimos dez anos. Paradão e com pouca mobilidade, Ronaldo teve ao redor de si um time todo voltado para ele. Do goleiro aos demais atacantes, todos atuavam como polivalentes, defendendo, armando e atacando. E incansavelmente.


Ronaldo ficava lá na frente, segurando pelo menos dois zagueiros, enquanto os demais ‘suavam sangue’, como diz Juca Kfouri, esmerando-se principalmente na marcação. Vi atacantes do porte de Dentinho começarem a marcar como nunca, virando zagueiro, volante meia e ‘defensor-de-frente’ (expressão minha). Todos de uma utilidade impressionante para o time, formando um ‘coletivo’ impecável. E, quando o coletivo vai bem, o talento individual e o futebol-arte reaparecem, diz o técnico Tite.


Não posso deixar de exaltar aqui o incansável Jorge Henrique, que não tem nada de craque, mas é mais útil ao time que qualquer outro, e tanto quanto Ronaldo. Não cansa de roubar a bola, de avançar, de buscar a finalização --- barba, bigode e cabelo ---, tudo o que se espera de um jogador moderno. Jorge Henrique foi quem mais abriu o caminho para Ronaldo, no Timão. Deveria estar na Seleção, para ser reserva e substituto coringa em qualquer posição.


Aí, cometeram, a meu ver, a burrice de dispensar Antônio Carlos e vender essas peças raras escolhidas a dedo e com toque de sabedoria e habilidade. E partiram para novas contratações esquecendo que o time tem um Ronaldo já com pouca mobilidade lá na frente. O clube gastou muuuuuuito mais do que na leva de contratações anteriores e esqueceu o principal: escolher com um mínimo de inteligência quem contratar.


Nenhum dos novos jogadores, apesar de alguns serem talentosos, tem o perfil do polivalente que é capaz de mudar de estilo de jogar para servir e ser mais útil ao time. Pronto, aí está o Corinthians sem entender por que vem caindo de produção, como Palmeiras, São Paulo e Santos.


Por que o Santos também anda mal das pernas? Porque Luxa, por incrível que pareça, é outro que não entendeu isso. O time tem um paradão clássico --- Kléber Pereira ---, mas não conta com um esquema de jogo capaz de preencher as lacunas normalmente deixadas por ele. Não tem mais um Tcheco (que o clube nunca soube aproveitar direito), um Maldonado nem um Zé Roberto, entre outros que fizeram do Santos esquadrão equilibrado e inteligente em outras épocas, inclusive de Luxemburgo.


Temo que, por causa desse mesmo problema, a Seleção volte a ser um fiasco também na África do Sul. Dunga é outro que deu provas, contra a Bolívia e a Venezuela, de que não consegue se libertar dessa sina de jogar com dois centroavantes. Desta vez, foram Nilmar/Adriano e Nilmar/Luís Fabiano. Dizem que testou esses ataques para ver se encontra substituto para Robinho, o que, se for verdade, é burro. Reitero: jogar com dois centroavantes, ainda mais na Seleção, é burro em qualquer circunstância. Abala todo o sistema defensivo e deixa o time exposto demais. Além do que, abrir mão do essencial Robinho é melhor nem comentar.


Ao contrário do que afirma categoricamente Daniel Piza, do Estadão --- esse poço de sabedoria de nossa crônica esportiva ---, existem verdades absolutas no futebol como em tudo na vida (segundo Piza, não há “verdades fixas” no futebol). Existe também técnico que ganha jogo (Piza diz que ‘treinador não é autor’ e não ganha jogo). Se técnico não fosse ‘autor’, não serviria para nada e não existiria. Não é possível que os milhares de clubes existentes no Planeta seriam tão burros a ponto de comprar esse produto chamado “técnico” se ele não ganhasse jogo.


Por exemplo, essa de que você precisa armar um time inteligentíssimo e muuuuuito equillibrado para fazer sucesso com um paradão lá na frente é verdade absoluta do futebol moderno, só cego como Piza não vê. E técnico ganha jogo, é mais do que óbvio, pois é o maestro que impõe os esquemas táticos e faz o time crescer e vencer.


Sim, o técnico ganha jogo com as peças que utiliza em campo, mas se elas não cumprem as funções táticas, os esquemas e as suas ordens, o time dança, da mesma forma que dança a orquestra sem maestro ou a peça de teatro sem diretor. Afaste Muricy do Palmeiras e deixe o time se autoescalar e entrar em campo à deriva, sem comando de ninguém. Você vai ver a bagunça e o fiasco que vai ser, do ponto de vista técnico.


E é justamente isso que está acontecendo no Brasileirão e na Seleção. Por seguirem rigorosamente tais ditames de Daniel Piza, sem pagarem ao jornalista um tostão sequer de direitos autorais, Palmeiras, São Paulo, Corinthians e Santos não andam bem das pernas porque seus treinadores não estão observando esses fundamentos básicos do futebol. São os técnicos que estão perdendo os jogos, não os jogadores, ao contrário do que diz o sábio Piza.


A Seleção, idem. Vinha bem, mas voltou a cair de produção porque Dunga também não soube, na reta final das Eliminatórias, montar um time inteligente e minimamente equilibrado com seus reservas. Insistiu em ter dois centroavantes tanto contra a Bolívia quanto contra a Venezuela, e demos novo vexame na reta final. E, por favor, não me venham com esse papo de altitude: influi sim, e muito, mas não a ponto de impedir que craques como os que a Seleção teve contra a Bolívia ganhem jogo.


Temo que Dunga leve essa mesma mentalidade para a Copa. O time que montou, com altos e baixos, mesmo aquele titular que levantou a Copa das Confederações, ainda não passa confiança. A “Solução Luís Fabiano” veio a calhar: ele é o centroavante mais moderno do futebol brasileiro, na atualidade. É exímio goleador e aprendeu na Europa a servir com precisão e, principalmente, a roubar de forma incansável a bola, tudo o que precisa ser o centroavante moderno.


Mas, como todo matador, Luís Fabiano deixa a Seleção defensivamente mais vulnerável. Sofremos para vencer dos EUA e da África do Sul, na Copa das Confederações, porque o tínhamos como titular, naquele esquema manjado de Dunga, que todo mundo já conhece, até a Venezuela. Se o técnico não abrir os olhos para isso, daremos novo vexame na África do Sul. Abraços a todos, Tom Capri.