MARINA

Má li esse poema umas dez vezes. Foi a coisa mais bonita que já fiz. Andei trocando umas palavras, corrigindo vou mandar de novo prá vc montar um slide vou mandar imprimir e mando p/ vc pelo correio MARINA No ambiente amplo Paredes brancas, Iluminado por uma Réstia de luz Qu’escapava esguia Por cortina balouçante, Uma marina deslumbrante, Com mares azuis, tal Olhos de uma diva. O píer branco qual Espumas das ondas O conjunto enfeitando. Barcos que partiam E chegavam Se quem ia ou voltava Não sei se ria Ou só chorava. Ah! como amava Esta marina que, De amor minha Vida povoava 22.03.09 LUIZ BOSCO SARDINHA MACHADO ........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................ QUEM SOU EU MARINA SILVEIRA- PROFESSORA, TECNÓLOGA AMBIENTAL E ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

PESQUISA INDUSTRIAL MENSAL


Ricardo Bergamini

Produção Física – Regional – Fonte IBGE



Base: Setembro de 2009

Produção industrial cresce em 12 dos 14 locais pesquisados, em setembro

Em setembro de 2009, a produção da indústria brasileira cresceu 0,8% em relação a agosto, com doze dos quatorze locais pesquisados registrando aumento. Acima do índice nacional, situaram-se: Espírito Santo (3,3%), Goiás (2,4%), Ceará (2,1%), região Nordeste (1,8%), Santa Catarina (1,7%), Minas Gerais (1,4%) e Amazonas (1,2%). Rio de Janeiro (0,7%), São Paulo (0,6%), Rio Grande do Sul (0,4%), Bahia (0,2%) e Pernambuco (0,1%) também registraram aumento. A produção do Pará ficou estável (0.0%), enquanto a do Paraná (-2,9%) registrou queda frente a agosto. Ainda na série ajustada sazonalmente, treze dos quatorze locais assinalaram resultados positivos no terceiro trimestre de 2009 frente ao trimestre imediatamente anterior, com Espírito Santo (13,4%) e Amazonas (8,3%) alcançando as taxas mais elevadas, enquanto Ceará (-1,4%) foi o único local que recuou frente ao segundo trimestre.


A atividade industrial recuou 7,8% em relação a setembro do ano passado, com treze dos quatorze locais pesquisados apontando queda. O único local com aumento na produção foi Goiás (7,3%), refletindo, sobretudo, expansão no setor de produtos químicos. Com retração de dois dígitos situam-se Minas Gerais (-12,6%) e Paraná (-10,3%). Outras reduções, mais intensas que a média da indústria (-7,8%), foram observadas no Pará (-9,4%), Rio Grande do Sul (-9,2%), Santa Catarina (-8,1%) e São Paulo (-7,9%). Com quedas inferiores à média figuram: Pernambuco (-1,4%), região Nordeste (-4,3%), Rio de Janeiro (-4,5%), Ceará (-4,7%), Bahia (-4,8%), Espírito Santo (-6,9%) e Amazonas (-7,0%).


Em bases trimestrais, observa-se retração em quase todas as áreas pesquisadas ao longo de 2009, quando comparados ao mesmo período do ano anterior. Goiás foi o único local que reverteu as quedas no primeiro (-6,9%) e no segundo trimestres (-2,4%), registrando aumento de 4,9% no terceiro trimestre. Na passagem do segundo para o terceiro trimestre de 2009, a maioria (11) dos 14 locais registrou um menor ritmo de queda. Essa redução foi particularmente acentuada no Espírito Santo e no Amazonas onde, entre os períodos analisados, a taxa passou, respectivamente, de -27,0% para -12,7% e -14,2% para -6,4%. Frente ao fechamento do primeiro semestre de 2009, todos os locais, à exceção do Pará, mostram ganho de ritmo.


No indicador acumulado no ano, em relação a igual período de 2008, os quatorze locais pesquisados apontaram recuo, com destaque para Espírito Santo (-23,5%) e Minas Gerais (-18,8%). Com uma intensidade de queda maior que a média nacional (-11,6%) situam-se, ainda: São Paulo (-12,4%) e Amazonas (-13,3%). Os resultados regionais confirmam o perfil generalizado de queda em 2009, influenciado, principalmente, pelo menor dinamismo das exportações e da redução na produção de bens de consumo duráveis e de capital. Apresentando retração inferior à média figuraram: Goiás (-1,1%), Paraná (-5,9%), Rio de Janeiro (-6,6%), Ceará e Pernambuco (ambos com -6,8%), Pará (-8,1%), região Nordeste (-8,4%), Bahia (-9,0%), Santa Catarina (-11,3%) e Rio Grande do Sul (-11,5%).


AMAZONAS


Em setembro, a produção industrial do Amazonas avançou 1,2% na comparação com o mês imediatamente anterior, na série livre de influências sazonais, terceira taxa positiva, acumulando ganho de 6,5%. O índice de média móvel trimestral aumentou 2,1%, mantendo sequência de cinco taxas positivas, com ganho acumulado de 11,4%. A produção no terceiro trimestre de 2009, na comparação com o trimestre imediatamente anterior – série ajustada sazonalmente, cresceu 8,3%, após ficar estável (0,1%) no segundo trimestre.


No confronto setembro 09/ setembro 08, seis dos onze segmentos contribuíram negativamente para a redução de 7,0% na média global, com destaque sobretudo para outros equipamentos de transporte (-24,5%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (-12,7%). Em sentido contrário, os principais impactos positivos vieram de alimentos e bebidas (13,7%) e edição e impressão (12,2%).


No corte trimestral, o ritmo de queda da produção amazonense diminuiu entre o segundo (-14,2%) e o terceiro (-6,4%) trimestres de 2009, ambas comparações contra igual período do ano anterior. Entre os períodos abril-junho e julho-setembro, sete setores mostraram melhor desempenho, com destaque para material eletrônico e equipamentos de comunicações (de -27,6% para -16,2%); outros equipamentos de transporte (de -32,6% para -22,4%) e alimentos e bebidas (de 5,6% para 12,4%).


O índice acumulado no ano ficou em -13,2% e o indicador acumulado nos últimos doze meses, em trajetória descendente desde setembro do ano passado (8,3%), atingiu -11,0%.

PARÁ


A produção industrial do Pará ficou estável (0,0%) em setembro, na comparação com o mês imediatamente anterior, na série livre de influências sazonais, após recuar por dois meses, quando acumulou perda de 4,2%. O índice de média móvel trimestral recuou 1,4%, após acumular ganho de 2,3% entre junho e agosto. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, ainda na série com ajuste sazonal, a indústria paraense aumentou 1,0% no terceiro trimestre de 2009, após sequência de três taxas negativas consecutivas, quando acumulou queda de 10,6%.


No confronto com setembro de 2008, o setor industrial paraense assinalou queda de 9,4%, com quatro das seis atividades com desempenho negativo. A redução do setor extrativo (-17,9%) exerceu a pressão mais importante sobre a formação da taxa global, seguida por madeira (-26,5%). Em sentido contrário, alimentos e bebidas (12,6%) e metalurgia básica (1,9%) foram os impactos positivos.


Na análise por trimestres, a indústria paraense, na passagem do segundo (-8,5%) para o terceiro (-9,0%) trimestres de 2009, permanece em trajetória descendente desde o quarto trimestre de 2008, todas as comparações contra igual período do ano anterior. Para esse movimento contribuíram dois ramos: metalurgia básica, que passou de 18,7% no período abril-junho para 7,9% no período julho-setembro; e a indústria extrativa, de -15,7% para -16,4%.


O indicador acumulado no ano ficou com -8,1% e o acumulado nos últimos doze meses, que prossegue em trajetória descendente desde novembro (6,8%) do ano passado, atingiu -5,7% em setembro.




NORDESTE


Em setembro, a produção industrial do Nordeste aumentou 1,8% em relação a agosto, na série livre dos efeitos sazonais, após ter registrado incremento de 4,1% em agosto. Com estes resultados, o índice de média móvel trimestral avançou 1,0%, terceira taxa positiva seguida. A produção nordestina no terceiro trimestre de 2009 cresceu 3,2% em relação ao segundo trimestre – série com ajuste sazonal.


No indicador mensal, o setor fabril nordestino recuou 4,3%, assinalando o décimo segundo resultado negativo consecutivo, com nove dos onze ramos reduzindo a produção. Entre esses, os principais destaques vieram de alimentos e bebidas (-4,6%), produtos químicos (-4,3%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-36,0%). Por outro lado, os dois setores que apresentaram crescimento foram celulose (3,6%) e têxtil (0,5%).


Em bases trimestrais, a indústria do Nordeste assinalou o quarto trimestre negativo seguido, com ganho de ritmo entre o segundo (-10,0%) e o terceiro trimestre de 2009 (-5,7%). Esse movimento pode ser explicado, principalmente, pelos setores: refino de petróleo e produção de álcool, que passou de -41,8% para -8,5%; alimentos e bebidas (de -7,9% para -2,6%) e têxtil (de -11,4% para -2,8%).


No acumulado janeiro-setembro (-8,4%), os onze setores tiveram retração. O indicador acumulado nos últimos doze meses mantém a trajetória descendente desde setembro de 2008 (4,4%), ao passar de -6,6% em agosto para -7,5% em setembro.


CEARÁ


A produção industrial do Ceará em setembro, ajustada sazonalmente, cresceu 2,1% no confronto com o mês imediatamente anterior, após ter recuado 0,6% em agosto. Com estes resultados, o indicador de média móvel trimestral apresentou acréscimo de 0,8%, revertendo uma série de quatro resultados negativos, que acumularam perda de 3,5%. O terceiro trimestre de 2009 recuou 1,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior (série ajustada sazonalmente).


O indicador mensal da produção industrial cearense decresceu 4,7% com taxas negativas em seis dos dez setores industriais pesquisados. Entre esses, o maior impacto veio de alimentos e bebidas (-19,6%). Vale citar ainda máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-47,7%) e vestuário e acessórios (-6,3%). Por outro lado, as principais influências positivas foram observadas em têxtil (11,0%) e produtos químicos (9,8%).


Na análise trimestral, a indústria cearense assinalou o quarto trimestre negativo consecutivo, ao registrar queda (-6,8%) no terceiro trimestre de 2009, mais acentuada do que a assinalada no segundo trimestre (-6,1%). Entre as cinco atividades que perderam dinamismo, destacam-se calçados e artigos de couro, que passou de 10,5% no segundo para -3,6% no terceiro trimestre, e refino de petróleo e produção de álcool (de 27,3% para -10,1%). Por outro lado, entre as atividades que mostraram melhor desempenho, vale destacar têxtil, que passou de -7,1% para 5,7% e minerais não metálicos (de -11,6% para 12,2%).


No indicador acumulado no ano a produção industrial do Ceará recuou 6,8%, com resultados negativos em sete dos dez setores industriais. O indicador acumulado nos últimos doze meses apresentou queda de 5,3%, permanecendo em trajetória decrescente desde setembro de 2008 (3,8%).


PERNAMBUCO


Em setembro, a produção industrial de Pernambuco ajustada sazonalmente apresentou variação positiva de 0,1% em relação ao mês anterior, após ter avançado 7,5% em agosto. Com estes resultados, o indicador de média móvel trimestral cresceu 1,7%, depois de ter expandido 1,5% em agosto, acumulando incremento de 3,2% no bimestre. No corte trimestral, houve crescimento de 2,6% em comparação ao segundo trimestre de 2009.


No indicador mensal, a indústria pernambucana recuou pelo décimo primeiro mês consecutivo, com taxas negativas em oito das onze atividades pesquisadas. Para a composição da taxa de -1,4%, as principais pressões negativas vieram de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-16,3%), têxtil (-32,3%) e borracha e plástico (-10,9%). Por outro lado, metalurgia básica (9,0%) e produtos de metal (19,3%) exibiram as maiores contribuições positivas.







Na análise trimestral, a indústria de Pernambuco, após atingir queda de 11,0% no primeiro trimestre de 2009, reduziu o ritmo no segundo (-5,8%) e no terceiro (-2,9%) trimestres deste ano, ambas as comparações contra iguais períodos do ano anterior. Este desempenho deveu-se, sobretudo, a metalurgia básica, que passou de -5,9% para 5,8%; borracha e plástico (de -18,0% para -4,6%) e produtos de metal (de -15,1% para -9,3%). Por outro lado, o principal recuo veio de produtos químicos, que passou de -0,8% para -6,7%.


No acumulado janeiro-setembro, a indústria pernambucana recuou 6,8%, com taxas negativas em nove dos onze setores fabris. O indicador acumulado nos últimos doze meses, em trajetória descendente desde outubro de 2008 (6,2%), passou de -4,5% em agosto para -5,5% em setembro.
BAHIA


 

Em setembro, a produção industrial da Bahia, ajustada sazonalmente, variou 0,2% em relação ao mês imediatamente anterior, após avançar 5,7% em agosto e recuar 5,3% em julho. Com esses resultados, o indicador de média móvel trimestral ficou praticamente estável em setembro (0,1%). Na análise trimestral houve crescimento de 5,1% no confronto com o trimestre imediatamente anterior (série ajustada sazonalmente), revertendo uma sequência de três resultados negativos.

No indicador mensal, a produção industrial da Bahia decresceu 4,8%, registrando a terceira taxa negativa seguida. Para este resultado contribuíram negativamente seis das nove atividades pesquisadas, com destaque para produtos químicos (-7,8%). Em seguida vieram metalurgia básica (-12,4%) e refino de petróleo e produção de álcool (-4,2%). Em sentido contrário, as maiores influências positivas foram observadas em celulose e papel (3,3%) e minerais não metálicos (9,9%).

Na análise trimestral, a indústria baiana, assinalou o quarto trimestre seguido de retração, mas apresentou no terceiro trimestre (-6,8%) redução no ritmo de queda em relação ao resultado do segundo (-10,3%). Entre esses dois períodos, os maiores crescimentos vieram de refino de petróleo e produção de álcool, que passou de -42,7% para -9,1%, e de alimentos e bebidas (de -6,4% para -0,5%). Por outro lado, as maiores retrações vieram de produtos químicos, que passou de 8,9% para -7,0%, e de celulose e papel (de 2,2% para -5,0%).




Em relação a setembro de 2008, houve recuo na produção de dez dos treze setores pesquisados, com destaque em termos de contribuição no cômputo geral para extrativa mineral (-24,1%), metalurgia básica (-18,3%) e máquinas e equipamentos (-46,3%). Apenas os ramos de alimentos (5,9%), celulose, papel e produtos de papel (8,3%) e de veículos automotores (3,8%) expandiram a produção. Vale mencionar que este último segmento apresentou, em setembro, a primeira taxa mensal positiva desde outubro do ano passado.


No confronto com igual trimestre do ano anterior, a indústria mineira continuou mostrando resultados negativos, embora mantenha o movimento de recuperação: no primeiro trimestre acumulava queda de 24,2%, no segundo de -18,7%, fechando o terceiro trimestre com recuo de 14,2%. Para a melhora observada entre os dois últimos trimestres contribuíram nove setores, com destaque para veículos automotores, que passa de -16,4% para -3,9%, e metalurgia básica (de -33,0% para -24,3%).

No indicador acumulado em janeiro-setembro, as indústrias de metalurgia básica (-33,7%), extrativa mineral (-31,9%) e de veículos automotores (-13,8%), assim como no indicador mensal, também foram as que mais contribuíram para a formação da taxa global de -18,8%. No acumulado dos últimos 12 meses, a taxa ficou em -17,3%.


ESPÍRITO SANTO


Em setembro, a produção industrial do Espírito Santo ajustada sazonalmente avançou 3,3% frente agosto, acumulando 19,5% de crescimento desde julho último. O índice de média móvel trimestral, na comparação entre agosto e setembro, avançou 6,0%, exibindo recuperação desde de fevereiro. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, ajustado sazonalmente, a produção capixaba cresceu 13,4%, acelerando o ritmo frente ao segundo (8,1%) e o primeiro (-11,6%) trimestres.


No confronto setembro 09/ setembro 08, a produção industrial recuou 6,9%, influenciada principalmente pelo setor extrativo (-25,0%). Por outro lado, a indústria de transformação assinalou o seu primeiro resultado positivo (3,0%), após onze meses consecutivos mostrando quedas. Entre as atividades industriais, o impacto positivo mais expressivo veio de alimentos e bebidas (29,9%). Minerais não metálicos (-16,2%) foi o destaque no impacto negativo.

Na passagem do segundo para o terceiro trimestre deste ano, frente a iguais períodos do ano anterior, a indústria capixaba reduziu o ritmo de queda, passando de (-27,0% para -12,7%). O desempenho negativo, observado desde o quatro trimestre do ano passado, teve sua maior intensidade no primeiro trimestre (-31,6%), quando a crise internacional atingiu situação mais crítica. A recuperação neste último período deveu-se principalmente aos melhores desempenhos das atividades extrativas, que reduziu o ritmo queda, passando (de -46,8% para -28,8%), metalurgia básica (de -29,7% para -11,9%) e alimentos e bebidas (de -17,7% para 3,9%).


No indicador acumulado do ano, a produção industrial capixaba recuou 23,5%, com todos os segmentos apresentando taxas negativas. O índice acumulado nos últimos doze meses ficou em -22,3%.


RIO DE JANEIRO

A produção industrial do Rio de Janeiro assinalou, em setembro, expansão de 0,7% frente agosto, após registrar queda de 0,6% no mês anterior. O índice de média móvel trimestral mostrou ganho de 0,7% entre os trimestres encerrados em agosto e setembro, sétimo avanço consecutivo neste tipo de comparação, acumulando nesse período um ganho de 8,5%. No índice trimestre contra trimestre imediatamente anterior ajustado sazonalmente, também observou-se a manutenção do ritmo de crescimento da atividade industrial fluminense, uma vez que cresceu 3,2% no terceiro trimestre de 2009 e 4,2% no trimestre imediatamente anterior.


No confronto setembro 09/setembro 08, o setor industrial fluminense recuou 4,5%, explicado em grande parte pela queda de 7,9% na indústria de transformação, uma vez que o setor extrativo (9,9%) permanece apontando taxas positivas desde abril de 2008. Na indústria de transformação, onde dez dos doze ramos pesquisados assinalaram queda na produção, os principais impactos negativos foram observados nos setores de metalurgia básica (-20,9%) e de veículos automotores (-23,4%). Vale citar também as contribuições negativas vindas de outros produtos químicos (-15,6%), minerais não metálicos (-16,8%) e farmacêutica (-12,9%). Por outro lado, os dois ramos da indústria de transformação que expandiram a produção foram refino de petróleo e produção de álcool (17,5%) e bebidas (13,7%).














Na análise trimestral, a indústria fluminense recuou 3,6% no período julho-setembro deste ano, reduzindo o ritmo de perda frente ao primeiro semestre do ano (-8,2%), com quedas de 11,4% no primeiro trimestre e de 5,1% no trimestre seguinte, todas as comparações contra iguais períodos do ano anterior. Esse ganho de dinamismo refletiu sobretudo a redução no ritmo de queda da indústria de transformação, que passou de -12,9% no 1º semestre para -6,8% no 3º trimestre do ano, com destaque para metalurgia básica (de -31,0% para -9,9%) e refino de petróleo e álcool (de -4,0% para 3,8%). Vale destacar que a indústria extrativa praticamente mantém taxas de crescimento elevadas, ao registrar 11,7% no 1º semestre e 9,8% no 3º trimestre.


O indicador acumulado no ano registrou queda de 6,6%, com redução na produção em nove dos treze ramos investigados. A taxa anualizada, índice acumulado nos últimos doze meses, apontou aceleração no ritmo de queda ao passar de -4,8% em agosto para -5,9% em setembro.

SÃO PAULO


Em setembro, a indústria de São Paulo aumentou 0,6% frente a agosto, na série ajustada sazonalmente, terceira taxa positiva consecutiva, acumulando aumento de 5,1%. O índice de média móvel trimestral (1,7%) mantém trajetória positiva há sete meses, acumulando ganho de 8,6% nesse período. No confronto do terceiro trimestre de 2009 com igual período de 2008, a produção caiu 8,8%. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, série com ajuste sazonal, a indústria paulista aumentou 3,9% no período julho-setembro de 2009, segunda taxa positiva, acumulando ganho de 7,2%.


No índice mensal, que assinalou o décimo primeiro recuo consecutivo (-7,9%), quinze dos vinte setores tiveram desempenho negativo, com destaque para as contribuições de máquinas e equipamentos (-27,4%), veículos automotores (-13,9%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (-34,6%). Em sentido oposto, os ramos que assinalaram aumento na produção foram outros produtos químicos (21,3%), farmacêutico (4,6%) e sabões, produtos de limpeza e perfumaria (13,5%).

Na análise por trimestres, a indústria paulista vem sustentando resultados negativos por quatro trimestres consecutivos, nas comparações contra igual período do ano anterior, porém com menor ritmo de queda entre o segundo (-13,8%) e o terceiro (-8,8%) trimestres deste ano. Quatorze atividades aumentaram suas participações entre os dois períodos, principalmente material eletrônico e equipamentos de comunicações, que passou de -60,8% para -42,5%, outros produtos químicos, de -8,4% para 8,7%, e veículos automotores, de -20,3% para -14,7%.














A redução de 12,4% no indicador acumulado no ano foi influenciada sobretudo pela queda em quinze ramos. O indicador acumulado nos últimos doze meses, em trajetória descendente desde julho do ano passado, atingiu -10,5% em setembro.


PARANÁ
A produção industrial do Paraná recuou 2,9% em setembro frente ao mês imediatamente anterior, já descontadas as influências sazonais, segunda taxa negativa consecutiva, acumulando perda de 4,2%. O índice de média móvel trimestral, que interrompeu sequência de três meses de resultados negativos em agosto (0,8%), aumentou 3,0% em setembro. Nos indicadores trimestrais, a comparação com o trimestre imediatamente anterior - série ajustada sazonalmente, cresceu 3,6%.


No índice mensal, a produção paranaense caiu 10,3%, com onze das quatorze atividades pesquisadas com desempenho negativo. As pressões negativas mais significativas vieram de veículos automotores (-49,0%), alimentos (-13,4%) e madeira (-25,9%). Em sentido oposto, edição e impressão (45,0%) exerceu a principal pressão positiva na formação da taxa geral.


Em bases trimestrais, a indústria paranaense vinha em trajetória decrescente desde o segundo trimestre de 2008, porém reduziu o ritmo de queda entre o segundo (-10,6%) e o terceiro (-5,8%) trimestres deste ano, ambas comparações contra igual período do ano anterior. Nove ramos aumentaram sua participação entre os dois períodos, com destaque principalmente para edição e impressão, que passou de 12,5% para 69,5%; máquinas e equipamentos (de -26,9% para -3,4%) e outros produtos químicos (de -10,5% para 44,7%).


O índice acumulado no ano ficou em -5,9% e o acumulado nos últimos doze meses, declinante desde março deste ano, atingiu -4,3% em setembro.


SANTA CATARINA

A indústria de Santa Catarina voltou, em setembro, a apresentar crescimento na produção, no confronto com o mês anterior (1,7%), na série ajustada sazonalmente, após a redução de 1,6% observada na passagem de julho para agosto. Com isso, os índices de média móvel trimestral que vêm registrando sucessivos aumentos desde maio último, assinalou acréscimo de 0,2% entre os trimestres encerrados em agosto e setembro. O terceiro trimestre do ano, ainda na série com ajuste sazonal, ao avançar 1,3% frente ao trimestre imediatamente anterior, registrou o segundo resultado positivo nesta comparação.


A redução de 8,1% observada no confronto setembro 09/setembro 08 resulta de decréscimos em oito dos onze setores pesquisados. Para este recuo, foram determinantes as quedas observadas na fabricação de veículos automotores (-65,6%), borracha e plástico (-26,2%) e vestuário e acessórios (-16,8%). Com resultados positivos, figuraram apenas máquinas, aparelhos e materiais elétricos (24,8%), máquinas e equipamentos (9,6%) e celulose, papel e produtos de papel (2,7%).


No corte trimestral, observa-se que o setor industrial vem apresentando resultados negativos há quatro trimestres consecutivos, na comparação contra igual período do ano anterior. Neste terceiro trimestre de 2009, o recuo de 8,5% confirmou a desaceleração no ritmo de queda da atividade industrial catarinense, uma vez que no primeiro trimestre assinalava perda de 14,0% e, no segundo, de -11,7%. Na passagem do segundo para o terceiro trimestre deste ano, o movimento de melhora esteve presente em sete setores, ficando os maiores destaques com as indústrias de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, que passa de -1,8% no segundo trimestre para 20,5% no terceiro, e de máquinas e equipamentos (de -16,1% para 4,6%).


No indicador acumulado para janeiro-setembro, a taxa global foi de -11,3%. A taxa anualizada, indicador acumulado nos últimos doze meses (-10,4%), continua em trajetória descendente, movimento este iniciado em outubro do ano passado, quando apresentava crescimento de 1,7%.


RIO GRANDE DO SUL


Na passagem de agosto para setembro, a produção industrial do Rio Grande do Sul, ao se ampliar 0,4%, mostrou o quarto aumento consecutivo na comparação com o mês anterior, na série livre de influências sazonais, acumulando, assim, crescimento de 4,8% entre junho e setembro últimos. Com isso, os índices de média móvel trimestral mantiveram a trajetória ascendente iniciada em março acumulando, desde então, aumento de 9,2%. O terceiro trimestre do ano, ainda na série com ajuste sazonal, ao avançar 3,3% frente ao trimestre imediatamente anterior, registrou o segundo resultado positivo nesta comparação.


O resultado do indicador mensal em setembro, taxa de -9,2%, fica abaixo do assinalado em agosto (-5,7%). Especificamente em setembro, os índices por setores industriais mostraram que houve queda em nove dos quatorze ramos pesquisados, ficando as maiores influências no cômputo geral com: máquinas e equipamentos (-35,3%) e veículos automotores (-24,8%). Do lado positivo, a indústria de refino de petróleo e produção de álcool (17,3%) foi a que causou o maior impacto na formação da taxa global.

Na comparação trimestral, frente a igual período do ano anterior, o índice para o total da indústria, apesar de ainda negativo, mantém a trajetória de recuperação fechando esse trimestre com queda de 7,5%, enquanto no segundo trimestre a redução atingia 10,4%. Para este movimento de melhora contribuíram oito dos quatorze setores pesquisados, com destaque para a indústria de alimentos, que passa de -9,1% para 0,8%. No indicador acumulado para o período janeiro-setembro, a taxa global de -11,5% resulta de desempenhos negativos em onze atividades. A taxa anualizada prossegue em queda, passando de -8,7% em agosto para -10,6% em setembro.

GOIÁS

Em Goiás, a atividade industrial voltou a assinalar crescimento no confronto com o mês anterior: 2,4% entre agosto e setembro. Com esse resultado, os índices de média móvel trimestral continuaram em trajetória de melhora, comportamento presente desde abril deste ano, avançando 0,6% entre os trimestres encerrados em agosto e setembro. O terceiro trimestre do ano, série com ajuste sazonal, ao avançar 7,0% frente ao trimestre imediatamente anterior, registrou o segundo resultado positivo nesta comparação.


O índice setembro 09/setembro 08 apresentou expansão de 7,3%, com três dos cinco setores pesquisados ampliando a produção. A principal contribuição positiva veio, mais uma vez, do setor de produtos químicos, com acréscimo de 49,9%. Por outro lado, o principal impacto negativo sobre a taxa global veio da redução em alimentos e bebidas (-2,0%).

Com os resultados favoráveis destes últimos meses, a atividade fabril fechou o terceiro trimestre com crescimento (4,9%), frente a igual período do ano anterior, resultado este bastante superior ao observado no segundo trimestre, quando apresentou recuo de 2,4%. Entre estes dois períodos, houve melhora em quatro ramos, com destaque mais uma vez, para produtos químicos, que passou de 20,5% de expansão no segundo trimestre para 49,0% no terceiro. Apenas extrativa mineral reduziu o ritmo produtivo de um período para o outro (de -1,0% para -2,3%).


Os demais comparativos ficaram com variações negativas: -1,1% no acumulado no ano e -0,5% no dos últimos doze meses. Vale lembrar que em todos esses indicadores a indústria goiana revelou as melhores marcas entre todos os locais pesquisados.




Arquivos oficiais do governo estão disponíveis aos leitores.



































 
 

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

AMAXON, UMA ODISSÉIA NA CRIAÇÃO PENSADA

Mario Drumond






Em memória de Jairo Ferreira

“ Uma coisa são sempre duas: a coisa mesma e a imagem dela. ”(Carlos Drummond de Andrade)


Talvez tenhamos nos transformado nessa máquina horripilante de negação dos sonhos! E no que trituraram todas as singularidades, fomos transformados num exército de múmias, de burocratas, de deslumbrados e idiotas. Uma nova encenação do que seja, não pode ser mais uma condenação à nociva prostituição, achatada à TV. Deve-se ousar na desarmonia, do desnudamento da carne e do abandono na subjetividade. Ora, se o cinemão se realiza sem subjetividade criativa alguma, a nós deve interessar fundamentalmente uma nova linguagem gerada na teatralização de transcendências. Acrescente-se a isso que o país vive do seu esvaziamento há 509 anos, e mais programadamente há 45 anos. Ou seja, desde o golpe militar de 1964. Ora, como purificar artesanalmente esta quantidade infindável de urina e excremento?


AMAXON é um esforço poético-radical, para nos fazer pensar na complexidade do processo criativo. Ora, de que nos adianta fazer trabalhos de encomenda? Cinema virou filminho publicitário? O que muda nessa falência global de desencontros? O mundo hoje, visto pela TV, é só o lixo como mercadoria de quinta categoria, obviamente espetacularizado. Putas e canastrões são vendidos como profundos e sensíveis. Mas a quê? A “nota”? José Sette vai no sentido contrário de tudo e todos, elaborando com o seu quinto longa-metragem uma projeção de palavras a serem pensadas, fazendo um delicado filme que dá representabilidade a um pensamento sombrio expressivo, nessa sua transfiguração da normalidade do processo de criação. Sette vai aos extremos, numa escalada implacável rumo a uma poesia ainda que delicada, difícil para o grande público, todo condicionado a Hollywood e a TV.


AMAXON é o hospital-Brasil, em que todos somos condenados. A personagem da escritora reage ao internamento e tratamento, e se debate com uma coragem incrível. A linguagem do filme atravessa uma infinidade de vísceras, infernos e imaginações. A carne viva exposta, torna-se uma espécie de gozo trágico. Um filme-dor que nos remete ao teatro de Artaud. Incômodo aqui. Indizível ali. Longe e próximo de todos nós que sobrevivemos ao apocalipse de 1964. Não poderia ser um filme diferente. Foi difícil não apodrecer junto e continuar sonhando com um Brasil mais justo, humano e para todos.


Ainda assim, salvaram-se os poetas e os artistas. Vera Barreto como escritora é uma espécie de víscera exposta, sendo recolhida para continuar a ser demasiadamente humana.


Pouco importa que não seja um filme fácil, ou para muitos. É cinema! Um cinema que emerge de toda essa putrefação de 1964 a 2009. Sette trabalha com precisão a sua não-linguagem fácil, pois lhe interessa mais um fluxo poético de contradições gramaticais voltadas para o pensamento profundo e o cinema autoral. É o velho-jovem cineasta independente que agiganta sua escritora na solidão e na coragem de não ser comum. Que entre só sofrer e morrer prefere escrever enfrentando os seus muitos demônios. Que lê, bebe, fuma... se debatendo entre contradições geradas na TV, por um jornalista que, como todos, espetaculariza o caos ameaçando com a onda gigantesca, definitiva. Onda que até é mostrada, mas que não chega pois é apenas uma manipulação da comunicação, do dinheiro e da morte que sempre nos acompanha.


E se a representação do mundo e da política se tornou imbecil, compete à arte transformar todo esse excremento - numa espécie de teatralização de uma “escrita física” que Vera Barreto faz muito bem - num trabalho raro e exemplar, onde se realiza em sua intimidade frente à insatisfação da obrigação: a do livro de encomenda que precisa ser escrito. E uma vez mais, o conceito de subordinação ao dinheiro como a arte-terapia dos tantos e tantos eletrochoques de nossas vidas. É onde os porcos se acham mais fortes.


Entre livros e copos de vinho, em sua solidão, pensa na grande onda da sua insatisfação. A onda que está fora está dentro e desencadeia contradições levando-a nua aos seus próprios limites grandiosos de exposição poética. É uma escritora, mas é também atriz e mulher. E, ao entregar-se às suas pulsões transforma-se em crítica de si mesma, ainda que aguçando o seu desprezo pela “lógica” imperceptível da mercadoria e do consumo. O sistema sabe bem o que faz; se não tivermos um mínimo de sonhos, seremos transformados em imagens despotencializadas e vazias. A TV não faz isso todos os dias?


Sette não faz um cinema-coisa, a logo ser esquecido ou descartado. Nesse ponto aproxima-se de Tonacci, Sergio Santeiro, Eliseu Visconti, Jorge Mourão e da nova geração. Se “o mundo é apenas engano”, como afirmava François Villon, AMAXON o subverte desprezando o patamar qualitativo do sucesso fácil. Arbitrário como postura, investe no estilo insurrecional como ruptura e negação do obscurantismo avançado da domesticada política cultural do governo, seja lá de que partido for. E não são todos iguais lutando apenas pelo poder? Se a chantagem e o obscurantismo servem ao poder, de nada serve um cinema não idiota, essencial à representabilidade de uma vanguarda que não conseguiram matar. E que hoje convence muito mais que no passado.



É preciso frisar a importância de um filme feito do nada e que não se reduz à razão, que tudo tenta explicar. Neste sentido, reintroduz no cinema brasileiro complexas subjetivações necessárias ao crescimento de um público menos contaminado por partidos, por prostíbulos e pela TV, pois transgride permanentemente a ordem como instituição sagrada. A Sette e sua equipe interessa abandonar o manicômio das disciplinas do certo e do errado, sem sacrificar mais nada. Ao seu cinema interessam as diferenças e os deslocamentos possíveis, como acesso a um permanente ultrapassar-se. Sua trajetória é impar no nosso cinema. É um experimentador muito além do buraco negro em que transformaram o cinema brasileiro, e que fez um novo filme de uma lucidez atrozmente insuportável.


Sette torna profundo e feminino o discurso da personagem da escritora, e com suas imagens poderosas desfaz o território pouco ou nada significativo da TV, pois faz CINEMA! Dá significação a um novo olhar. Enfim, produz intensidades poéticas.


AMAXON são pedaços restituídos a um corpo, ainda que amordaçado pelo tempo, que passa para todos, poderoso e uma vez mais agigantado, pois se assume, indo além da representação e da escrita. E a vida que não deveria ser pobre e empobrecida como é torna-se gozo por parte de todos. Filme infinito ao reinventar a criação simbólica imperfeita. Ainda bem.


José Rosemberg Filho, Rio, 2009. (*)

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(*) será publicado no site Via Política: http://www.viapolitica.com.br/principal.php


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Revisão: Frederico de Oliveira (para quem curte textos bons e bem escritos, recomendo o blog de Frederico – O Apito - no endereço http://www.thetweet.blogspot.com)

Copyleft e copyright totalmente liberados. “Direito de ser traduzido, reproduzido e deformado em todas as línguas.”

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

No -131 COLUNA DO SARDINHA





O ALTAR DO FISIOLOGISMO


Todo fim de ano era a mesma coisa, quando recebíamos os cartões de “boas festas” dos garis que faziam a coleta de lixo da nossa rua. Um deles sempre nos chamava a atenção por seu nome, no mínimo original para os padrões vigentes: Epicuro.
Certo dia, vencidos pela curiosidade, topamos com o gari num bar onde tomávamos nossa média com pão e manteiga, aproximamo-nos e puxamos papo, curiosos por saber a origem de tão pomposo e inusual nome.
Contou-nos. Epicuro como sabem foi um filósofo grego, que primava pelo respeito à moral e que viveu no século segundo antes de Cristo. O nosso Epicuro, era o mais velho entre onze, nascidos no sertão de Pernambuco, que vieram para o Sudeste em busca de oportunidades.
A viagem e o início de vida em São Paulo foi igual a de muitos outros. Analfabeto, Épico, como era chamado, não conseguia emprego, apenas bicos e subempregos, que rendiam quireras para um adolescente de dezesseis anos, quantias que entregava para a mãe, que sustentava aquela renca de filhos, já que o marido a abandonara, ainda em Pernambuco.
Sua vida mudaria no dia em que começou a freqüentar a Associação de Bairro, onde alfabetizou-se, podendo fazer concurso e ser admitido como gari.
Na Associação conheceu o Partido dos Trabalhadores e também Luiz Inácio Lula da Silva, um pernambucano como ele e com trajetória parecida.
De Lula, Épico teria a dizer “homem esperto, que conhece tudo e só diz as coisas de cabeça pensada e com intenções claras. Não era homem de dizer besteiras”.
Dizendo isto despediu-se, deixando-nos pensativos com os nossos botões, pois justamente no momento em que o presidente provoca uma saia justa com a CNBB e que um jornalista, promete um livro com as declarações de Lula, algumas delas estapafúrdias, o que disse o gari em sua honesta e inocente conclusão, obriga-nos a uma revisão de conceitos
Sempre achamos que as colocações de Luiz Inácio tinham por finalidade mantê-lo na crista da mídia, mas não enxergávamos o outro lado. Com sua aparente ignorância Lula afasta as criticas da intelectualidade, que deplora grande parte das ações do governo, mas não diz, com receio de ser tachada de preconceituosa.
Como não fazemos parte da intelectualidade, damo-nos licença para especular quais as verdadeiras intenções de Lula ao declarar que Cristo se hoje aqui chegasse, para fazer política ou governar teria que fazer aliança até com Judas, bíblica figura que teria vendido o Messias por trinta moedas.
Quem personificaria Judas na atual conjuntura? Os trezentos picaretas do Congresso? Ou seria a ala fisiológica do PT? Ou ainda, um partido político (o majoritário PMDB, que celebrara um prematuro e pouco provável pacto político visando as eleições do ano que vem?), pronto a barganhar cargos, vantagens ou mensalões?
Como dizia Épico, o presidente Lula sabe de tudo e não gastaria tempo e palavras denunciando a esmo a existência de fisiológicos.
Seria interessante para dirimir dúvidas e até para ganhar a simpatia da CNBB, dos intelectuais e dos preconceituosos que o criticam, que Lula biblicamente desse nome aos carneiros que imolaram-se no altar do fisiologismo para ganhar um lugar no paraíso do poder.
Sete anos foram mais que suficientes para que Lula se unisse aos epicuristas para livrar o país do fisiologismo e agora seria a oportunidade. Mas pelo visto, isto não irá acontecer pois Lula muito mais aprendeu do que ensinou durante esses longos anos e fisiologismo dá a falsa sensação de poder e isto massageia o ego e é disso que ele gosta.

Luiz Bosco Sardinha Machado




terça-feira, 3 de novembro de 2009

HITLER ESTAVA CERTO? PARA TARANTINO, SIM




Tom Capri

Filme de Tarantino dá razão a Hitler.
Conheça também toda a verdade sobre
Hitler, o nazismo e o antissemitismo.
Textos dedicados a Roni Gotthilf. Jornalistas criticados: Arnaldo Jabor e Daniel Piza.

Inglourious Basterds é mais uma gafe de Tarantino. Ao mostrar o judeu e seus aliados --- os bastardos --- como psicopatas assassinos movidos unicamente pelo desejo de vingança, o diretor insinua que Hitler podia estar certo. No filme, é Hitler quem leva a melhor e acaba com Tarantino. Conheça também toda a verdade sobre Hitler, o nazismo e o antissemitismo.

Não foi desta vez que a comunidade judaica e toda a humanidade conseguiram fazer a tão ansiada catarse e acabar com Hitler antes do Holocausto, como gostaríamos que tivesse ocorrido. No filme Inglourious Basterds, em que Quentin Tarantino se propõe justamente a isso, o feitiço vira contra o feiticeiro e acontece o contrário: é Hitler quem leva a melhor e acaba com diretor.
Não que esperávamos um Tarantino politicamente correto. Longe disso. Mas os judeus e aliados --- os bastardos --- são mostrados no filme como psicopatas assassinos e sanguinários, sem sentimentos e incapazes de amar. Pior, não têm nada na cabeça nem no inconsciente, a não ser a vingança como forma legítima de expurgo e catarse, tudo o que o judeu não é, apesar do velho estigma do “olho por olho...”
Ao agir assim, Tarantino abre uma porta para acharmos que Hitler podia estar certo: se o judeu é tudo isso, assassino frio do “olho por olho incondicional e irrestrito”, Hitler não estava errado, a saída é imputar ao judeu a pena de morte e dizimar seu povo.
O filme é menor, sem graça, não tem charme e não convence. Se vem agradando ao ‘publicão’ --- que inclui críticos, celebridades, intelectuais e até cineastas de renome, inclusive alguns judeus ---, é porque estes são tão alienados e medíocres quanto Tarantino. Para gente séria, não serve nem como diversão.
Inglorious... está a anos luz dos melhores trabalhos de judeus como Woody Allen e Mel Brooks. Ou seja, é mais um filme raso feito para agradar àqueles que se deixaram embalar pelos clichês vindos do que há de pior em Hollywood, gente tão doente quanto os judeus e aliados bastardos mostrados na fita. Prova de que --- do diretor ao ‘publicão’ --- nenhum entendeu Hitler nem o nazismo e muito menos o antissemitismo. (Leia abaixo texto mostrando toda a verdade sobre Hitler, o nazismo e o antissemitismo).
Entre os clichês mais execráveis de Hollywood, já incrustado na mente de Tarantino, está o desejo de vingança tal qual aparece distorcido e muito mal costurado e urdido, por exemplo, nos piores westerns americanos e nos ‘spaghetti’ mais rasteiros do cinema italiano (quando falo em maioria alienada e medíocre, refiro-me a esse mesmo ‘publicão’ que inclui, repito, celebridades e intelectuais como Arnaldo Jabor e, num outro patamar, Daniel Piza, ambos do Grupo Globo e do Estadão --- os dois gostaram do filme).
Além de burra, toda vingança é inútil e desnecessária. Parte sempre da premissa de que determinado indivíduo agiu criminosamente, despertando o desejo de vingança que precisa ser satisfeito para não fazer mal. Acontece que nenhuma ação criminosa é de responsabilidade do indivíduo que a comete --- ele é apenas seu executor ---, mas sim de uma situação social que a cria e a reproduz diariamente.
Ao se vingar do indivíduo que agiu criminosamente, matando-o, o vingador não chega a lugar nenhum e não consegue absolutamente nada, a não ser satisfazer seu desejo de vingança, uma vez que a verdadeira usina reprodutora da criminalidade continuará lá fora, na sociabilidade, gerando em progressão geométrica ações criminosas individuais. Ou seja, nenhum indivíduo é responsável pelos seus crimes. E o vingador, além de agir de forma burra e doentia --- como os bastardos de Tarantino ---, comete crime mais hediondo ainda. A pena de morte nada mais faz do que transformar o Estado em serial killer.
Outro clichê abominável típico de Hollywood é o que reduz tudo à luta entre o bem e o mal. No caso de Inglorious Basterds (a grafia está errada de propósito porque o correto, Inglorious Bastards, é título de um ‘spaghetti western’ de Enzo Castellari), o filme acaba heroicizando de forma maniqueísta o judeu e ‘vilanizando’ de forma ainda mais maniqueísta o nazista. Ora, não existem heróis e vilões, o bem e o mal. São percepções arquetípicas equivocadas, ainda que muito presentes nas mentes simplórias como a desses intelectuais e celebridades a que me referi.
Os judeus sérios devem ter ficado constrangidos e envergonhados. Não gostaram de ser mostrados no filme como monstros psicopatas à espera da tão ansiada vendeta que nunca aconteceu. E sabemos que nem o judeu mais raso e medíocre é assim, da mesma forma que Hitler também não era tão pobre de espírito quanto nos mostra o filme. Portanto, o resultado é frustrante: em razão da fragilidade do filme, é Hitler quem leva a melhor, dirimindo as pretensões de Tarantino de um dia se tornar cineasta sério e de peso.
Nada contra a idéia central de fazer com que americanos, franceses e judeus se unam para matar Hitler e sua entourage, antes de eles terem cometido os crimes que cometeram. Nada contra agraciar os judeus com uma catarse desse tipo. Mas que o produto final tivesse resultado em algo bem feito e inteligente, à altura do povo judeu.
Sim, o filme prende a atenção de qualquer um. Porém, o faz pelo pior dos motivos: o compromisso que tem com o que há de mais alienado e raso em Hollywood, os velhos clichês, a ponto de não servir nem mesmo como comédia barata feita só para rir. Prova de que prender a atenção não é atestado de qualidade.
Marlon Brando estava coberto de razão quando disse a Larry King que Hollywood sempre foi dominada pelos judeus, donos dos grandes estúdios. E que, na Meca do Cinema, os judeus sempre privilegiaram os seus, enquanto não-judeus como ele eram discriminados. Mas o mesmo Marlon Brando reconhecia que os judeus fizeram o melhor cinema de que se tem notícia na história da humanidade.
E só temos a agradecer à comunidade judaica por isso. Fosse outro povo, não sei se teríamos a qualidade que tanto marcou o bom cinema de Hollywood nem se o cinema teria florescido como grande arte, de Chaplin a Billy Wilder. Mas temos igualmente do que lamentar, pois os judeus também respondem, por outro lado, pelo que há de pior em Hollywood. Se foram os gigantes responsáveis por muitos dos grandes filmes, o foram igualmente por parcela considerável de todo o lixo hollywoodiano, e que tem sido imenso.
O povo judeu tornou-se essa fortaleza que é não por força da cor de sua pele nem por possuir inteligência superior, mas por necessidade, advinda de razões históricas já suficientemente esclarecidas. Por terem sido sempre subjugados (por exemplo, como escravos no passado dos egípcios e também dos romanos, o que vitimou até Jesus), os judeus perderam cedo suas terras e foram obrigados a sair pelo mundo globalizando o comércio para sobreviver. Por isso, estão entre os primeiros a se internacionalizar, tendo se estabelecido, depois de muito rodar, em todos os cantos do Planeta.
Foram quase sempre bem-vindos porque espalharam pelo mundo o que havia de melhor da produção, que os povos visitados até então não conheciam. Mas foram também execrados e rechaçados, por dois motivos que acabaram dando origem ao antissemitismo como o que tomou conta de Hitler, e persiste até hoje.
O primeiro motivo está associado ao fato de o judeu precisar comercializar o mais rápido possível tudo o que tinha disponível para a venda (até mesmo a mãe, diz a lenda), para poder sustentar a família que havia ficado para trás. Inclusive, esta é uma das razões pelas quais a mãe judia --- que ficava cuidando dos filhos em meio a todas as dificuldades, enquanto o pai saía para vender --- tornou-se esse mito da matriarca superprotetora e possessiva que impõe tudo aos seus.
A segunda razão é porque, ao se espalharem pelo mundo, os judeus foram tomando conta do comércio de cada região (especialmente, do comércio de dinheiro, passando a controlar até mesmo bancos e depois a produção etc.), sem serem verdadeiramente nacionalistas, uma vez que sempre clamaram por ter território próprio onde pudessem se estabelecer (isto até a criação do Estado de Israel/1948).
Nesse sentido, os judeus podem ser considerados os grandes impulsionadores --- ‘inventores’, mesmo --- do comércio internacional, o que possibilitou a afirmação, intensificação e globalização do capitalismo e ensejou o antissemitismo.
Por desejar ser uma homenagem a essa saga judaica, Inglourious Basterds é uma espécie de testamento de Tarantino. Só que testamento apressado e mal feito. O diretor, que é americano filho de índios com italianos, decidiu deixar, como legado, esse agradecimento aos judeus por eles terem dado vida a Hollywood. E também aos americanos por terem ganhado a Segunda Grande Guerra, ainda que tenham deixado aos russos a heróica tarefa de capturar Hitler (não há menção a isso no filme, se não estou enganado).
Tarantino é, assim, mais um entre os deslumbrados e apaixonados por aquela parcela de cinema escapista e alienante que a América produziu (refiro-me ao ‘cinemão-mercadoria’). Bebe na fonte do que há de pior de Hollywood. Não soube extrair as melhores lições dos gigantes do cinema, nem mesmo dos filmes “B” que fizeram história. Parece não ter aprendido nada com cineastas judeus como Chaplin, Billy Wilder, Otto Preminger, John Schlesinger, Hitchcock, Joseph L. Mankiewicz, Orson Welles, Sidney Pollack, Sidney Lumet, Sam Peckinpah, Mike Nichols, Martin Ritt, Arthur Penn, John Cassavets, entre outros, sem contar com não-judeus como John Ford, George Stevens etc.
É justo que seja grato aos judeus e aos americanos por estes lhe terem legado tudo isso e feito dele um cineasta. É válido, portanto, que lhes renda homenagem. Mas deveria ter tido a humildade de deixar a tarefa, ao menos do roteiro, a gente mais competente. Inglorious... acaba sendo uma louvação ao lado mais pobre e raso da produção judaica de Hollywood. Justamente aquele que fez dele o medíocre diretor de bobagens como Kill Bill 1 e 2, filmes ‘infantilóides’ destinados a quem não consegue apreciar o bom cinema. Tarantino havia começado bem, com Pulp Fiction, trabalho razoável, mas parou nisso e depois regrediu, sem perspectivas de avançar.
O humor de Inglourious... não é elegante nem inteligente como o de Chaplin e Woody Allen. É o das comédias mais rasas de Hollywood. Seu filme não chega nem mesmo a ser comédia “B”. Entertainer como Spielberg, Tarantino prova nesse novo trabalho que, a exemplo de Spielberg (e pior que Spielberg), não consegue fazer um filme adulto do peso, por exemplo, de Sunset Boulevard, a obra-prima de Billy Wilder. E que já se viciou (irreversivelmente, parece) nos clichês mais pavorosos de Hollywood.
Se tivesse visto Inglourious..., Hitler certamente o teria achado chato e rido no final, quando o ‘Caçador de Judeus’, nazista educado e inteligente, de repente se transforma num bobo alegre e se entrega ingenuamente daquele jeito. As novelas da Globo, que ainda fazem a mesma coisa, já não tropeçam tanto. A essa altura, o cineasta já deveria saber como abordar a vingança em seus filmes. Pelo menos, não teria feito essa ofensa ao povo judeu.
Aquilo que Tarantino tanto ironiza em seu filme --- a alienação do americano médio que mal e porcamente fala a própria língua --- também vitima o diretor. Nem mesmo as citações de filmes e diretores que fizeram história, como Pabst --- e toda a metalinguagem presente no filme ---, salvam essa mixórdia sem graça, que acabou resultando num trabalho para enganar trouxas. E há muitos críticos, intelectuais e celebridades que são trouxas e não sabem. Abraços a todos, Tom Capri.

As razões do antissemitismode Hitler, segundo ele próprio
Algumas razões levaram Hitler a odiar e a desejar exterminar os judeus: eles se espalharam pelo mundo, conquistando os comércios locais (inclusive de dinheiro, abrindo ou assumindo o controle de alguns bancos), como aconteceu na Alemanha. E não eram verdadeiramente alemães, segundo Hitler, pois haviam acorrido ao país por necessidade de sobrevivência, de onde pretendiam extrair o máximo possível de riquezas para poder tornar um dia real o sonho de ter sua pátria de volta, deles usurpada por alguns povos conquistadores do passado (egípcios, romanos etc.). Além disso, os judeus eram, para Hitler, maus capitalistas, justamente porque acumulavam as riquezas, na Alemanha, para levá-las embora a fim de reconstruir sua própria pátria. E mais: os judeus eram também, na visão de Hitler, os criadores e disseminadores do marxismo, que de acordo com Hitler “transgredia os mandamentos da natureza”, daí serem inimigos da Alemanha que precisavam ser banidos. Se você não acredita que esses eram os motivos de Hitler, vai passar a acreditar agora, pois eles estão bem claros em Mein Kampf (Minha Luta), obra que o próprio Adolf escreveu na prisão, antes de liderar o movimento nazista. Veja mais abaixo trecho do livro em que Hitler expõe tais pensamentos.
Muito se disse, até hoje, mas pouco se sabe a respeito dos reais motivos que levaram Hitler a odiar os judeus. Raros são os que entenderam Hitler, o nazismo e o antissemitismo. O que é de estranhar. Afinal, as razões de Hitler para pensar assim estão claramente expostas, com todas as letras, para quem quiser comprovar, em seu próprio livro, Mein Kampf (Minha Luta), no qual se encontra presente todo o seu pensamento.
Com colônias apenas no século 19 (inexpressivas) e tendo chegado tardiamente ao capitalismo, a Alemanha (a exemplo da Itália e do Japão) se sentia atrasada em relação a grandes nações européias, como Inglaterra e França. Seu povo vivia atormentado, em meio a um forte complexo de inferioridade, por causa do progresso alcançado por aquelas potências. O alemão era considerado inferior na Europa e havia saído com o orgulho bastante ferido da Primeira Grande Guerra, na condição de maior derrotada.
Um nacionalismo exacerbado começa então a se manifestar entre os alemães, que vão passar a reivindicar seu espaço, no Planeta, buscando igualar-se a essas grandes potências. Apoiado por parte expressiva da burguesia e da aristocracia alemãs, e com um discurso que enfatiza o nacionalismo, bem como a grandeza e a superioridade do povo alemão, Hitler emerge como liderança, é ouvido e chega ao poder justamente com esse objetivo: reerguer a Alemanha, conduzindo-a não na direção do capitalismo de rapinagem que via ser praticado pelo judeu, mas na de um capitalismo justo e saudável, que Hitler entendia ser o verdadeiro socialismo, daí chamá-lo de nacional-socialismo.
Assim, o mal maior da Alemanha era a presença dos ‘invasores’ judeus, vistos como maus capitalistas porque buscavam se locupletar amealhando riquezas que financiariam sua nova pátria. Eram na verdade ‘colonizadores’ predatórios que enriqueciam para levar embora tudo o que conquistavam, a fim de conseguir o novo território que tanto almejavam para nele se estabelecer.
Os judeus eram, portanto, não só maus capitalistas, mas maus alemães responsáveis pelo atraso do país e pela destruição e decadência da Alemanha. Além disso, haviam criado e disseminado, inclusive por toda a Alemanha, o marxismo, que era igualmente antinacionalista e, portanto, uma aberração (os princípios marxistas propugnam o fim das fronteiras e a internacionalização e globalização do socialismo).
Para Hitler, isto era um acinte. Por isso, os judeus eram considerados, por ele, mais do que inimigos da Alemanha. Eram estrangeiros dentro do país, sugando riquezas para construir sua própria nação: “Um judeu não é um alemão, sabia-o eu definitivamente, para repouso do meu espírito”, dizia.
Justamente por seu internacionalismo, o marxismo, segundo Hitler, transgredia as leis da natureza. Era preciso, assim, combatê-lo e reafirmar as qualidades dos alemães. Daí até montar toda uma teoria para provar a superioridade da raça ariana (do alemão) e a inferioridade dos judeus --- povo sem pátria, sem nada ---, um passo.
A eugenia, termo usado pela primeira vez em 1883 por Francis Galton (1822-1911), já era realidade no Ocidente. Significava “purificação da raça”, e já havia estudos avançados a respeito nos Estados Unidos, a partir de experiências com prostitutas e mendigos, visando a melhorar ou empobrecer as qualidades raciais do povo americano.
O nazismo entendia que, por não ter pátria e praticar a rapinagem social, buscando levar as riquezas da Alemanha, os judeus formavam uma raça inferior. Já os alemães, que acreditavam nos valores nacionalistas e amavam sua pátria --- o que era visto como normal e correto --- compunham uma raça superior, segundo Hitler. Nascia a eugenia nazista, que Hitler vai buscar nessas experiências nos EUA, para alcançar o melhoramento genético de ‘raças’ superiores como a alemã e a extinção de “inferiores e predatórias” como a do judeu.
De grande valia e notória influência nesse sentido foi a obra do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), que combatia os judeus por motivos mais ou menos semelhantes, em O Anticristo. Para Nietzsche, os judeus criaram e disseminaram o cristianismo, segundo ele “o veneno da doutrina dos ‘direitos iguais para todos’, que os cristãos semearam como princípio”.
O cristianismo é para Nietzsche, a “religião da piedade”. E a piedade, diz ele, “atua de forma depressiva”, pois “perde-se a força quando se tem dó”. “A piedade” – continua – “é obstáculo à lei da evolução, que é a da seleção natural. É ser compreensivo com tudo aquilo que já está maduro para desaparecer. É a defesa dos deserdados e condenados.”
Nietzsche prossegue: “O cristianismo tomou partido por tudo o que é fraco, baixo, falhado, vil. Fez, da oposição aos instintos de conservação da vida forte e saudável, um ideal. Estragou mesmo a razão das naturezas intelectualmente mais fortes, ensinando que os valores superiores da intelectualidade não passam de pecados, desvios e tentações”.
Como o cristianismo era, segundo Nietzsche, herança malévola deixada pelos judeus sobre a Terra, precisava ser combatido, tanto quanto o judaísmo. Hitler toma isso como ingrediente, acrescenta a ele o traço de mau capitalista que via no judeu e o fato de o judeu ter criado e disseminado o marxismo inclusive na sua Alemanha, para erguer toda a teoria nazista antissemita. A seguir, trecho de seu livro, Mein Kampf, em que Hitler coloca as razões pelas quais passou a odiar e a querer exterminar os judeus.
“Fui-me apercebendo, pouco a pouco, de que a imprensa social-democrata (leia-se, de esquerda) era dirigida principalmente por judeus. Mas não atribuí nenhuma significância particular a esse fato, já que o mesmo acontecia também com os jornais de outras tendências.
Somente uma coisa, talvez, podia atrair a atenção: não se encontrava, numa única folha desses jornais que tinham judeus como seus redatores, nada que se pudesse considerar verdadeiramente nacional, no sentido que a minha educação e as minhas convicções me faziam dar a essa palavra (Hitler refere-se aqui ao nacionalismo, que se traduz não só no amor à pátria, mas na necessidade de engrandecê-la, como ele de fato queria para a Alemanha).
Fiz um esforço e tentei ler as produções da imprensa marxista, mas a repulsa que elas me inspiravam acabou por se tornar tão forte, que procurei conhecer melhor os que urdiam essa coleção de canalhices.
Eram todos, sem exceção, a começar pelos editores, judeus.
... Era preciso salvar a grande massa, mesmo às custas dos mais pesados sacrifícios de tempo e paciência.
Nunca porém pude libertar um judeu de sua maneira de ver as coisas.
Eu ainda era suficientemente ingênuo para querer esclarecê-los sobre a absurdidade dessa sua doutrina (marxista). No meu pequeno círculo, eu falava a ponto de ficar rouco e com a língua esfolada, e persuadia-me de que conseguiria convencê-los do perigo e das loucuras marxistas.
Obtinha o resultado oposto. Parecia que os efeitos desastrosos, fruto evidente das teorias sociais-democratas (leia-se, de esquerda) e de sua aplicação, só serviam para fortalecer a determinação dessa gente.
Quanto mais discutia com eles, melhor aprendia a conhecer sua dialética (olhe aí Hitler insurgindo-se contra a dialética). Eles contavam, em primeiro lugar, com a estupidez do adversário e, quando já não conseguiam encontrar uma escapatória, procuravam eles mesmos fazer-se passar por tolos. Se isto não produzia efeito, eles já não compreendiam mais nada, ou, quando encostados à parede, saltavam para outro terreno.
Alinhavam obviedades que, uma vez admitidas, lhes serviam de argumento para questões inteiramente diferentes. Caso fossem de novo encostados na parede, escorregavam de nossas mãos. Ficava impossível arrancar, de cada um, uma resposta concreta.
Quando se queria agarrar um desses apóstolos, a mão limitava-se a agarrar uma matéria viscosa e pegajosa que escorria entre os dedos... Se fosse desferido num deles um golpe tão decisivo, de tal maneira que não pudesse deixar de se render à opinião dos presentes, e quando se julgava ter finalmente dado um passo à frente, não era pequena a surpresa no dia seguinte: o judeu já nada sabia o que havia se passado na véspera.
E recomeçava a divagar como antes, como se nada tivesse acontecido. E, quando, indignados, o intimássemos a explicar-se, ele fingia-se surpreendido, não se lembrava de absolutamente nada, exceto de ter comprovado na véspera o fundamento de suas afirmações.
Isto me deixava muitas vezes petrificado. Não se sabia o que mais admirar: se a abundância de seu palavreado ou se sua arte de dizer mentiras.
Acabei por odiá-los.
... As experiências que eu fazia todos os dias levaram-me a investigar as fontes da doutrina marxista. Conhecia agora claramente a sua ação em todos os seus pormenores. O meu olhar atento descobria a cada dia que passava o sinal de seus progressos. Bastava ter um pouco de imaginação para se fazer uma idéia das conseqüências que ela devia acarretar.
A questão era agora de saber se os seus fundadores tinham previsto o que devia produzir a sua obra, quando atingidos todos os objetivos, ou se eles próprios tinham sido vítimas de um erro. No meu entender, tanto uma coisa quanto outra eram possíveis.
No primeiro caso, era o dever de qualquer homem capaz de pensar opor-se a esse movimento funesto, para tentar impedir o pior. No outro caso, era preciso admitir que os autores responsáveis por essa doença, que havia infectado os povos, eram verdadeiros demônios. Afinal, só o cérebro de um monstro, não o de um homem, podia conceber o plano de uma organização, cuja ação devia ter, por resultado último, a ruína da civilização e, como conseqüência disso, a transformação do nosso mundo num deserto.
... Comecei então a estudar pra valer os fundadores dessa doutrina (leia-se, do marxismo), a fim de conhecer os princípios do movimento.
... Foi nessa época que se operou em mim a revolução mais profunda que alguma vez consegui levar a cabo.
O cosmopolita sem energia que eu tinha sido até então se tornou um antissemita fanático.
Outra vez ainda – mas seria essa a última vez –, uma angústia dolorosa oprimiu-me o coração. Enquanto estudava a influência exercida pelo povo judeu, através de longos períodos da história, perguntei-me subitamente com ansiedade se o destino, cujas intenções são insondáveis, não iria querer, por razões desconhecidas de nós, pobres homens, e em virtude de uma decisão imutável, a vitória final desse pequeno povo?
A este povo, que nunca viveu senão para a terra, teria sido acaso prometida a terra como recompensa? (Não havia ainda, na época, o Estado de Israel). O direito que julgamos ter, de lutar pela nossa conservação, tem um fundamento real? Ou existe somente em nosso espírito? O próprio destino deu-me a resposta, enquanto me absorvia no estudo da doutrina marxista e observava imparcialmente e sem pressa a ação do povo judeu.
A doutrina judaica do marxismo rejeita o princípio aristocrático observado pela natureza e substitui o privilégio eterno da força e da energia pela predominância do número e seu peso morto. Nega o valor individual do homem, contesta a importância da entidade étnica e da raça, e priva assim a humanidade da condição prévia da sua existência e civilização.
Admitida como base da vida universal, teria como efeito o fim de qualquer ordem humanamente concebível. E, da mesma forma que uma tal lei só poderia dar como resultado o caos neste universo, para além do qual se detêm as nossas concepções, também ela significaria, neste mundo, o desaparecimento dos habitantes de nosso planeta.
Se o judeu, com o auxílio de sua profissão de fé marxista, alcança a vitória sobre os povos deste mundo, seus louros serão a coroa mortuária da humanidade. Se assim for, nosso planeta recomeçará a percorrer o éter como o fez há milhões de anos: sem que haja homens à sua superfície.
A natureza eterna vinga-se implacavelmente quando se transgride os seus mandamentos. É por isso que creio agir segundo o espírito do Onipotente, nosso criador. Defendendo-me contra o judeu, combato para defender a obra do Senhor.” (Adolf Hitler).

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

EM DEFESA DO CONSUMIDOR BRASILEIRO

João Vinhosa



A denúncia a seguir transcrita foi encaminhada em 28 de outubro de 2009 à 3ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, responsável por tratar da Defesa do Consumidor junto à Procuradoria Geral da República.
Sua divulgação tem o único intuito de compelir as autoridades a apurarem as manipulações de preços levadas a efeito na comercialização de gases medicinais e industriais no país.
É de se ressaltar que, no final de 1998, a empresa White Martins, sob a alegação de estar sendo difamada, moveu uma queixa-crime contra o autor da presente denúncia, baseada no fato dele ter divulgado pela internet semelhantes denúncias feitas às autoridades competentes. A empresa – apesar de ter como advogado o renomado ex Ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos – não obteve êxito.
Inconformada, a White Martins recorreu da sentença que absolveu o autor daquelas denúncias (que é o mesmo autor desta). Novo fracasso. No Acórdão por meio do qual, por unanimidade, os Desembargadores da Segunda Turma Criminal do Distrito Federal confirmaram a sentença absolutória, lê-se: “Manter uma página na internet visou ampliar a divulgação dos fatos, para compelir as autoridades a tomar providências. In casu, não ficou evidente o dolo específico de difamar, pois agiu o Apelado com o fim de noticiar às autoridades competentes possíveis irregularidades perpetradas pela empresa White Martins, notícias estas já veiculadas pela imprensa, originando procedimentos judiciais. Não há como condenar uma pessoa por crime de difamação, por ter divulgado e disponibilizado informações de fatos notoriamente conhecidos. Esta conduta nada mais é do que o direito de um cidadão em ver investigadas possíveis irregularidades praticadas por quem quer que seja”.
A seguir, a íntegra da denúncia encaminhada à 3ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal:
Há décadas, a empresa White Martins vem lesando implacavelmente o consumidor brasileiro. Ela lesa o consumidor manipulando o preço de seus produtos – superfaturando ou subfaturando, de acordo com sua conveniência.




Cumpre esclarecer o fato de serem ilícitos dois procedimentos literalmente antagônicos, o superfaturamento e o subfaturamento de preços. Ao superfaturar seus preços, a empresa se locupleta lesando o consumidor; o lucro auferido em decorrência do superfaturamento é imediato. Ao subfaturar seus preços, o objetivo da empresa não é tão evidente: o subfaturamento é praticado com a finalidade de aniquilar a concorrência para que, numa oportunidade futura, seja facilitado o aumento arbitrário de preços. Praticamente, o subfaturamento é a constatação de um futuro superfaturamento.




Para se comprovar a exploração dos consumidores em geral (privados e públicos), basta uma vista no processo nº. 08012.009888/2003-70, por meio do qual a Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (SDE) pediu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) a aplicação de pena máxima contra a White Martins e outras empresas por crime de formação de cartel.






É de se destacar, no entanto, que – apesar da riqueza dos detalhes contidos em seus cerca de 20 volumes – o processo encaminhado pela SDE ao CADE não contém casos específicos de manipulação de preços, como os inacreditáveis casos que serão comprovados na presente denúncia.




Ninguém pode ter qualquer dúvida sobre a gravidade da situação: ao manipular os preços de seus produtos a níveis extremamente abusivos, a White Martins demonstra absoluto menosprezo pelas autoridades responsáveis pela defesa do consumidor brasileiro.




Objetivando evitar dispersão de informações, a presente denúncia tratará apenas da manipulação de preços contra hospitais públicos – a mais hedionda das falcatruas cometidas pela White Martins, responsável por dilapidar os recursos que seriam destinados a minorar o sofrimento e a salvar vidas de nossos carentes concidadãos. Para melhor entendimento, os casos apresentados serão destacados e enumerados, como a seguir.






1 – Superfaturamentos contra o Hospital Central do Exército (HCE)






Nas licitações realizadas para atender o seu consumo nos anos de 1995, 1996, 1997, 1998 e 1999, o HCE contou com propostas de preços de uma única fornecedora, a White Martins. Somente a partir do ano 2000 a virtual exclusividade da White Martins foi quebrada, com o comparecimento de diversos concorrentes nas licitações.




Nada mais perfeito para se comprovar o desmoralizante nível dos superfaturamentos que uma simples comparação: a comparação dos preços praticados pela White Martins nos cinco anos em que ela “concorreu” sozinha com os preços propostos pela mesma empresa e pelas outras que participaram das licitações realizadas pelo HCE logo após a quebra da exclusividade da White Martins, ocorrida no ano 2000.




O seguinte quadro de preços – que, para maior clareza, só contempla os produtos Oxigênio Líquido e Óxido Nitroso, gases medicinais responsáveis por cerca de 90% do valor licitado – comprova, de maneira impressionante, o maior superfaturamento continuado que se tem notícia em nosso país.




PRODUTO                        1995 1996 1997 1998 1999 2000(A) 2000(B)
Oxigênio Líquido (R$/m3) 7,10  7,10   7,80  7,80  4,97    1,63        1,35
Óxido Nitroso (R$/kg)     28,80 28,80 31,00 31,00 21,00 21,00    12,45






Com relação ao quadro acima, fazem-se necessárias as seguintes observações: 1- nos anos de 1995, 1996, 1997, 1998 e 1999 a White Martins “concorreu” sozinha; 2- os valores correspondentes a 2000 (A) são os da Proposta de Preços da White Martins; 3- os valores correspondentes a 2000 (B) são os da Proposta de Preços da vencedora; 4- em 1999, a White Martins estava nas manchetes, acusada de superfaturamento nos Hospitais Federais do Rio de Janeiro, o que deve ter motivado a moderação em seu superfaturamento nesse ano; 5- em 2000, apesar de ter proposto R$ 1,63 no Oxigênio Líquido, produto que vendia a R$ 7,80 em anos anteriores, a White Martins foi derrotada; 6- em 2000, apesar de ter proposto R$ 21,00 no Óxido Nitroso, que vendia a R$ 31,00 em anos anteriores, a White Martins foi derrotada.




É de se ressaltar que os superfaturamentos praticados pela White Martins contra o HCE originaram uma denúncia ao TCU. Contudo, por não se ter, à época da denúncia, os dados referentes aos anos de 1995 e 1996, a mesma foi limitada aos anos de 1997, 1998 e 1999. Tal denúncia foi aceita pelo TCU, mesmo diante do fato de já estarem aprovadas pelo órgão as contas do HCE relativas aos anos em questão. A partir dela, instaurou-se o Processo nº. TC 012.552/2003-1, que confirmou a prática de superfaturamentos. O TCU calculou em R$ 6.618.085,28 o valor cobrado a maior. A decisão do Relator foi adotada pelo Acórdão nº. 1129/2006-TCU-Plenário.




2 – Manipulação de preços no Instituto Nacional do Câncer (INCA)




O acontecido no INCA merece lugar de destaque entre as mais revoltantes manipulações de preços praticadas contra nossos miseráveis hospitais públicos. No final da década de 90, a direção do hospital acusou a White Martins de estar se locupletando com os recursos que seriam destinados a salvar vidas de pacientes com câncer. Poucos anos depois, em meados de 2006, a White Martins subfaturou para o órgão de maneira afrontosa. Ou seja, nesse curto espaço de tempo, a White Martins não só superfaturou, como também subfaturou para o mesmo órgão.




Relativamente ao superfaturamento, nada mais chocante que a acusação feita pelo então Vice-Diretor do Hospital do Câncer, José Kogut. Foram as seguintes as palavras do dr. Kogut: “Na época em que denunciamos os preços exorbitantes, teve um representante da empresa (White Martins) que veio ao nosso gabinete. Eu disse que aquele não era o papel de um homem decente. Que ele estava matando pacientes com câncer”. (O Globo, 10 de julho de 1999).




Quanto ao subfaturamento, o mesmo foi antológico. Em licitação realizada em maio de 2006, a White Martins cobrou do INCA R$ 0,68 por metro cúbico de Oxigênio Líquido, preço dez vezes menor que os R$ 7,10 cobrados do HCE dez anos antes, em 1996. Na mesma licitação de maio de 2006, a White Martins cobrou do INCA R$ 7,25 por quilograma de Óxido Nitroso, preço incrivelmente inferior aos R$ 28,80 cobrados do HCE dez anos antes. Ressalte-se que ambos hospitais (o HCE e o INCA) estão localizados na mesma cidade, Rio de Janeiro.




Ninguém pode negar: os abusivos valores acima apresentados justificam plenamente a afirmativa segundo a qual a White Martins “demonstra absoluto menosprezo pelas autoridades responsáveis pela defesa do consumidor brasileiro”.




3 – O caso do Hospital Público Municipal de Macaé (HPM)




As fraudulentas aquisições de gases medicinais realizadas pelo HPM foram denunciadas em 27 de janeiro de 2009 ao Procurador-Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Dr. Cláudio Soares Lopes, e originaram o Inquérito Civil nº 035/2009/CID/MCE.




Basicamente, a denúncia que originou citado Inquérito analisa três diferentes aspectos: as aquisições realizadas no período compreendido entre a inauguração do HPM (março de 2004) e a fraudulenta licitação emergencial ocorrida em junho de 2005; os preços cobrados pela vencedora da fraudulenta licitação emergencial de junho de 2005 (White Martins); os preços cobrados pela vencedora da licitação pública realizada em fevereiro de 2006 (White Martins).




Quanto às aquisições de gases medicinais realizadas entre a inauguração do HPM e a licitação emergencial de junho de 2005, nada é possível afirmar, em decorrência do fato de a prefeitura de Macaé não ter atendido o pedido de cópias dos documentos comprobatórios de tais aquisições. Porém, razões existem para supor que foi o período no qual ocorreram os preços mais elevados. Ressalte-se que não surtiu efeito nem mesmo o fato de a Justiça de Macaé ter deferido um mandado de segurança (impetrado em abril de 2008) para obrigar o prefeito municipal Riverton Mussi a entregar os documentos relativos às citadas aquisições.


Com relação à diminuição dos preços praticados pela White Martins (da licitação emergencial de junho de 2005 para a Tomada de Preços FMHM Nº. 001/2006, realizada em fevereiro de 2006), são apresentados a seguir os valores dos diversos itens licitados: Oxigênio gás cilindro (R$3,00 – R$2,00); Oxigênio Carga (R$10,00 – R$2,00); Oxigênio Líquido (R$1,60 – R$0,90); Óxido Nitroso (R$28,00 – R$9,00); Nitrogênio (R$15,00 – R$3,00); Óxido Nítrico (R$680,00 – R$250,00); Ar Medicinal (R$6,50 – R$3,00); Dióxido de Carbono (R$25,00 – R$9,00) e Argônio (R$95,00 – R$9,00).


É de se destacar que a Proposta de Preços vencedora da Tomada de Preços FMHM Nº. 001/2006, realizada em fevereiro de 2006, foi a da White Martins, com o valor total de R$ 149.434,00. Para efeito de comparação, seria de R$ 302.115,00 o valor total de uma Proposta de Preços que tivesse os valores unitários pagos à mesma White Martins na fraudulenta licitação emergencial realizada em junho de 2005. Em outras palavras, uma compra emergencial fraudulenta teve, na média, um valor superior a 100% do valor da compra realizada sete meses depois. Destaque especial deve ser dado aos produtos Óxido Nitroso (que caiu de R$ 28,00 para R$ 9,00), Nitrogênio (que caiu de R$ 15,00 para R$ 3,00) e Argônio (que caiu de R$ 95,00 para R$ 9,00).


4 – Lesando o órgão máximo de inteligência do país


Em dezembro de 2001, o MPF ajuizou a Ação Civil Pública nº 2001.34.00.033944-5 para que fosse obtido o ressarcimento dos danos causados ao erário decorrentes de superfaturamento da White Martins contra o órgão máximo de inteligência do país – denominado, à época, Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, e, atualmente, Agência Brasileira de Inteligência (Abin).


Na referida Ação, constata-se que a White Martins usou de uma certidão enganosa (certidão de exclusividade de comercialização de gases expedida pela Junta Comercial do Distrito Federal) para tornar inexigível a licitação. Constata-se, também, que, à mesma época e na mesma cidade, o órgão de inteligência pagava R$17,01 por um produto que o Hospital Universitário de Brasília pagava R$ 3,95.


É de se destacar um fato inusitado: em sua defesa, a White Martins tentou anular a Ação pelo fato de o processo interno que tornou inexigível a licitação ter “desaparecido”. Pasmem todos: “desaparecido” nas dependências do próprio órgão de inteligência. Tal argumento foi derrubado pelo MPF, que se manifestou da seguinte maneira: “Ao se entender que a cópia do processo administrativo de licitação se traduz em elemento indispensável à propositura de ação civil pública, quando há outros documentos, inclusive referentes a esse mesmo processo, aptos a demonstrarem a pretensão do autor, estar-se-ia prestigiando aqueles que, em decorrência de conduta desidiosa ou mesmo dolosa, subtraíram tal processo com o fim de se livrarem de qualquer questionamento quanto à ilicitude da licitação”.


No final, a White Martins foi condenada pela 13ª Vara Federal do Distrito Federal a devolver ao erário os valores cobrados a maior. A empresa, como era de se esperar, está recorrendo da sentença que a condenou.


5 - O escândalo dos Hospitais Federais do Rio de Janeiro


Tal escândalo veio à tona com a publicação (no jornal O Globo de 31 de maio de 1998) da matéria “Números da tunga da saúde no Rio”, de autoria do jornalista Elio Gaspari.


Para que se avalie a que ponto chegou a manipulação de preços, basta ler o que consta da citada matéria, a saber: “A administração do Hospital de Jacarepaguá informou ao sistema de contabilidade oficial que pagou R$1,75 por metro cúbico de Oxigênio Líquido. Quando esse mesmo oxigênio foi comprado pelo Hospital de Bonsucesso, ele informou que custou R$11. Numa mesma cidade, uma mesma mercadoria variou em 495%. Diferença de fornecedor? Não. A empresa White Martins fez as duas vendas”.


O caso teve grande exposição na mídia. O então Ministro da Saúde José Serra determinou o cancelamento dos diversos contratos que a White Martins mantinha com referidos hospitais.


Em decorrência do acontecido nos Hospitais Federais do Rio de Janeiro, foi instaurado o processo nº 99.0058085-0 contra a White Martins e quatorze administradores de tais hospitais – inclusive o acima citado dr. José Kogut, que havia acusado a White Martins de estar “matando pacientes com câncer”. Além desse processo de Responsabilidade Civil, foi instaurada, também, a Ação Civil Pública nº 990013674-8. Ambos os processos ainda estão tramitando na 29ª Vara Federal do Rio de Janeiro.


6 – Conclusão


Considerando que o apurado no processo de formação de cartel movido pela SDE comprova que a White Martins explora implacavelmente o consumidor brasileiro de um modo geral; considerando que entre os consumidores explorados encontram-se nossos miseráveis hospitais públicos; considerando que a White Martins chegou a cobrar do Exército Brasileiro um preço dez vezes maior que o preço que cobrou dez anos depois do INCA; considerando que a White Martins teve a audácia de lesar de forma desmoralizante o próprio órgão máximo de inteligência do país; considerando que administradores de recursos públicos dificultam acintosamente a obtenção de documentos que possam comprometer o órgão sob seu comando; considerando, por fim, que apurar “caso a caso” não teria o condão de inibir a White Martins – empresa que demonstrou o mais absoluto desprezo pelas autoridades de nosso país,


Lícito torna-se concluir que a única forma de resguardar o consumidor brasileiro é realizar uma rigorosa sindicância na empresa White Martins com o objetivo de analisar criteriosamente a manipulação de preços que tanto prejuízo traz aos cofres públicos e ao consumidor brasileiro de um modo geral.


A propósito, coloco-me à disposição para maiores informações a respeito de “manipulação de preços de gases medicinais e industriais”. Isso inclui a indicação de casos nos quais o dinheiro público, seguramente, está sendo desviado para os cofres da White Martins.


Desde já – na condição de autor da denúncia que levou o TCU a comprovar o superfaturamento de mais de seis milhões de reais contra o Exército Brasileiro, autor da denúncia que levou a Justiça Federal a condenar a White Martins por lesar a Abin, autor de denúncia ao Ministério da Saúde sobre descalabros no INCA, autor da denúncia que levou o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro a instaurar um inquérito civil no caso do HPM de Macaé e autor de denúncia de formação de cartel à SDE – afirmo que tenho motivos suficientes para apontar a Petrobras como o consumidor contra quem os superfaturamentos da White Martins devem ser prioritariamente investigados.


Finalizando, informo à 3ª Câmara – responsável pela Defesa do Consumidor na Procuradoria Geral da República – que, devido à importância dos fatos denunciados para a defesa do consumidor brasileiro, cópia desta será formalmente encaminhada às autoridades a seguir citadas: Presidente do Conselho de Administração da Petrobras Ministra Dilma Rousseff; Ministro da Justiça Tarso Genro; Ministro da Saúde José Gomes Temporão; Comandante do Exército Brasileiro General Enzo Martins Peri; Presidente do TCU Ministro Ubiratan Aguiar; Procurador-Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro Cláudio Soares Lopes; Secretária de Direito Econômico Mariana Tavares de Araújo; Presidente do CADE Arthur Badin; Diretor-Geral da Abin (a ser confirmado); Diretor-Geral do INCA Luiz Antônio Santini e Prefeito de Macaé Riverton Mussi.


João Vinhosa é engenheiro e professor

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

OS POLÍTICOS "FICHA SUJA" E O STF



A polêmica sobre o projeto de lei que pretende vedar candidaturas de políticos que respondem a processos na Justiça foi destaque da semana na revista Decisão do plenário do Supremo Tribunal Federal, públicada pelo site na terça-feira (20/10) registrou que a presunção de inocência deve prevalecer e os candidatos não podem ser impedidos de concorrer às eleições a não ser quando tiverem condenação definitiva na Justiça.

"O relator Celso de Mello entende que a cidadania não pode ser afetada por decisões instáveis, que não transitaram em julgado. Ele diz ainda ser grave que a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a pretexto de preservar a probidade, apoie a transgressão a princípios básicos do Direito brasileiro.
 Esse ponto publicado pela reportagem da ConJur causou reação da CNBB que enviou nota defendendo sua posição. O secretário-geral, dom Dimas Lara Barbosa, afirmou que a presunção de inocência só se aplica no Direito Penal e não vale para candidatos. No entanto , presunção não vale para candidatos, diz CNBB- Por Gláucia Milício."


 Presunção não vale para candidatos, diz CNBB-
 Por Marina Ito O princípio da presunção de inocência é uma característica do Direito Penal. É o que defende a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que cooperou para colher as assinaturas, que ultrapassaram a casa do milhão, para o Projeto de Lei que pretende vedar candidaturas de políticos que respondem a processos no Judiciário.
Em carta à ConJur, a CNBB, através de seu secretário-geral, Dom Dimas Lara Barbosa, questiona a reportagem Recuo histórico, projeto que proíbe eleição de réus não terá validade.
 “As inelegibilidades”, disse a CNBB, “têm a sua criação orientada pelo princípio de proteção, o que fica claro ante a leitura do parágrafo 9º, do artigo 14, da Constituição”. A mesma Constituição estabelece no inciso III, do artigo 15º que “é vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos”.
 Em agosto de 2008, oito ministros do Supremo Tribunal Federal acompanharam voto do ministro Celso de Mello. O entendimento foi que direitos políticos não podem ser suspensos salvo com condenação transitada em julgado.
 A CNBB cita a manifestação de juristas como Aristides Junqueira, Celso Antônio Bandeira de Mello, Fábio Konder Comparato em favor da iniciativa.
 O documento sob o título Presunção de inocência: não aplicação às normas sobre inelegibilidades traz ainda uma lista de entidades que apoiam o projeto, como a Associação dos Magistrados Brasileiros, a Associação dos Juízes Federais, a Associação Nacional dos Procuradores da República, OAB, entre outras relacionadas a operadores do Direito.
 O Movimento Combate à Corrupção Eleitoral entregou, no dia 29 de setembro, ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), o projeto de lei de iniciativa popular que proíbe o registro de candidatos que estejam sendo processados.
 A proposta veda candidatura de quem tenha sido condenado em primeira instância por improbidade administrativa e uma lista de crimes hediondos como tráfico de drogas, estupro, pedofilia, exploração sexual e roubo de carga. Leia a carta Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil-Brasília – DF, 21 de outubro de 2009-10-22-SG. N 0740/09 Senhor Editor, A proposta da matéria “Recuo histórico, projeto que proíbe eleição de réus não terá validade”, publicada nesse conceituado sítio eletrônico em 20 de outubro corrente, vimos aprensentar os seguintes esclarecimentos.
 É bEm conhecido da sociedade brasileira o esforço da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB pela redemocratização do País. Não é de hoje nossa atuação sobre toda a forma de autoritarismo e de desrespeito à dignidade da pessoa humana e a favor do permanente aprimoramento das nossas instituições democráticas. È por tudo estranha a comparação do Brasil de hoje com os períodos das ditaduras estabelecidas na Itália e no Brasil. Após vinte anos de normalidade democráticas nos vemos às voltas com novos desafios, agora relacionados a cobrar o cumprimento das esperanças contidas na Constituição de 1988.
 O ideal de uma sociedade livre, justa e solidária comprometida com a erradicação da pobreza e da marginalização, com a redução das desigualdades sociais e regionais e a promoção do bem de todos é hoje ameaçada por uma perigosa aproximação entre crime e política. Movida por este sentimento, a CNBB cooperou decisivamente para a coleta das 1,3 milhões de assinaturas que embasam a iniciativa popular do projeto de lei 518/2009. Estamos convencidos de que o principio da presunção da inocência, cujo imprescindibilidade sempre reconhecemos, é uma característica especifica do Direito Penal.
 As inelegibilidades, por seu turno, têm a sua criação orientada pelo principio de proteção, o que fica claro ante a leitura do 9° do art. 14 da Constituição. É a lição que passam renomados juristas, como os que subscrevem o manifesto que se encontra no documento presente em http://www.mcce.org.br/sites/defaut/files/cartajuristas.pdf.estamos certos de que as posições emitidas na referida matéria refletem apenas parte do debate jurídico, que não se encerrou nem mesmo no âmbito do Supremo Tribunal Federal, já que o acórdão proferido na ação por Descumprimento de Preceito Fundamental sequer foi publicada e é ainda passível de declaração.
 Dom Dimas Lara Barbosa-Bispo Auxiliar do Rio de janeiro-Secretário Geral da CNBB