MARINA

Má li esse poema umas dez vezes. Foi a coisa mais bonita que já fiz. Andei trocando umas palavras, corrigindo vou mandar de novo prá vc montar um slide vou mandar imprimir e mando p/ vc pelo correio MARINA No ambiente amplo Paredes brancas, Iluminado por uma Réstia de luz Qu’escapava esguia Por cortina balouçante, Uma marina deslumbrante, Com mares azuis, tal Olhos de uma diva. O píer branco qual Espumas das ondas O conjunto enfeitando. Barcos que partiam E chegavam Se quem ia ou voltava Não sei se ria Ou só chorava. Ah! como amava Esta marina que, De amor minha Vida povoava 22.03.09 LUIZ BOSCO SARDINHA MACHADO ........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................ QUEM SOU EU MARINA SILVEIRA- PROFESSORA, TECNÓLOGA AMBIENTAL E ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

No – 132 – COLUNA DO SARDINHA




COMURBA – PIRACICABA (SP) 45 ANOS
(’60 A DÉCADA QUE AINDA NÃO ACABOU)


Os anos ’60 foram marcados pela exacerbação dos Direitos Individuais, que contrapunham-se aos direitos coletivos, assim entendidos, como os que a pretexto de vir atender aos interesses da coletividade eram na verdade manipulados em benefício de grupos ou de dirigentes, que encastelavam-se no poder, como senhores de baraço e cutelo.
Certo é que, os direitos civis ou individuais, já estavam devidamente codificados e identificados muito antes disso, tanto na Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão adotados pela Organização das Nações Unidas respaldada na Lição Francesa de 1.789 e Americana de 1.891, mas não tinham ainda o caráter da efetividade, sendo colocados em segundo plano, com o “Estado” plenipotenciário ditando ao cidadão as mais singelas regras de conduta, sejam morais, religiosas ou políticas.
A guerra do Vietnã em muito contribuiu para a explosão dos movimentos, que propunham a superposição do individual ao coletivo opressor que, por exemplo, obrigava o jovem “a lutar pela pátria e morrer sem razão”, como diria o poeta, numa guerra que não era dele.
Um movimento que a princípio restringia-se a isso, incendiou-se como um rastilho de pólvora contagiante, empolgando as minorias, que consideravam-se injustiçadas por algo nem sempre palpável.
Assim, etnias que viviam à margem do processo, gays, lésbicas, trans, bissexuais, embalados nos sonhos de Martin Luther King aliaram-se à juventude, exigindo liberdade total para tudo o que é tipo de opressão, que se estendia da política, à moda trash, à mini-saia, ao topless e às drogas.
A década de 60 representou sem dúvida, uma revolução e um início de um ciclo, que em alguns lugares do mundo nem começou e que efetivamente não acabou. O mundo está a exigir um processo igual ou parecido, uma “nova guerra do Vietnã” filosófica, que devolva ao indivíduo o sopro dos ventos da primazia do direito individual, pois sem este o coletivo deixa, por extensão, de existir.
06 de novembro de 1964 – um dia comum, igual a muitos outros, onde a filosofia da década de ’60 engatinhava e ainda não se fazia sentir e no qual o período de exceção imposto ao Brasil pelos militares, ainda não tinha os contornos de uma ditadura implacável. Neste dia, Piracicaba no interior do Estado de São Paulo foi sacudida por um evento que iria marcá-la para sempre.
Uma cidade pequena, provinciana, atraída pela proposta desenvolvimentista dos anos JK, que nos deu a indústria automobilística e Brasília, apostou no crescimento vertical, com a idéia de tornar-se uma metrópole, uma novaiorque caipira e tão iluminada como a própria.
Arquitetos e engenheiros piracicabanos tomaram como protótipo o Edifício Copan, obra de Niemayer incrustada na avenida Ipiranga com São Luiz no centro nervoso de São Paulo e colocaram na prancheta um enorme espigão de quinze andares em formato de “S”, que seria construído lateralmente à praça central, com um quarteirão de extensão, cerca de cem metros.
Assim o fizeram e nasceu, o edifício Luiz de Queiroz, carinhosamente chamado de “COMURBA” em alusão à incorporadora.
Célere ganhou os ares e quando aproximava-se da fase de acabamento, um desastre! A perna do “S” localizada à direita de quem olhava o prédio da praça, simplesmente despregou-se da esquerda, ruindo como um castelo de cartas e matando dezenas de pessoas.
Muito especulou-se sobre os motivos que levaram a tal desastre. O corporativismo e o provincianismo agiram rápido e determinaram: eventuais culpadas foram as improváveis placas tectônicas (que só existem em lugares sujeitos a terremotos), que acomodaram-se exatamente naquele local.
Tal hipótese, por absurda, nunca foi levada a sério, mas serviu para silenciar divergências, pois nunca se ouviu falar que alguém tenha sido condenado a indenizar as famílias das vitimas, que à época por certo, não conheciam os direitos individuais, que a década de 60 consagraria depois.

Luiz Bosco Sardinha Machado

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A PALAVRA DA LEITORA

BLUE JEANS



O “Pensamento” dos anos 60/70 não foi influenciado por Martin Luther King, Malcolm X, Betty Friedann, e nem Kennedy teve esse privilégio ou qualquer outro líder Americano ou de outro continente.


Não foi uma busca pela Libertação, não foi uma busca por Igualdade de Direitos nem uma luta Racial e creio que nem mesmo pela PAZ.


Não foram os “Panteras Negras”, nem “Sutiãs Queimados”, Nem excluídos, nem ativistas ou militantes que influenciaram a juventude que representou a Cultura Hippie dos anos 60/70, ou melhor, a Contra-Cultura.


Não nasceu de mentes ou foi implantado per qualquer Sistema Político ou Econômico.


É a única forma de expressão que pode ser chamada com certeza de “Geração Espontânea”.


É um Paradigma Emergente, um Pensamento Sistêmico.


Não podemos analisar a essência do momento sob a ótica estruturada e organizacional de pensadores ou de lideranças políticas, grupais ou tribais.


Foi uma ebulição, uma efervescência de sentimentos e emoções.


Foi como um chamamento, uma espécie de “Campo dos Sonhos” e se existe um pensador que pode representá-lo, esse é o inexistente escritor eremita, criado por Phil Alden Robinson, baseado em livro de W.P. Kinsella e interpretado por James Earl Jones na pele do personagem“Terence Mann”.


O filme aborda a obstinação de um homem em busca de redenções e da realização de um sonho que parece absurdo, mas que tem um significado tão maravilhoso quanto o sentido da vida.


Escuta voz que diz “Se você construir ele virá”. “Alivie Sua Dor”. Como Abraão, ou um apóstolo, ele dá tudo que têm pela crença na fé, mas o faz de uma forma pura, que transcende aos dogmas e a obediência.


E os anos 70 surgem como uma espécie de catarse da humanidade. Uma absolvição dos pecados e do “carma” do livre arbítrio.


Aconteceu em todos os cantos do mundo simultaneamente, mesmo que reconhecida ou representada sob diferentes formas, aspectos e culturas diversas.


Até no Brasil temos exemplos não tão expressivos por que culturalmente éramos diferentes antes da globalização. Mauá foi um deles.


A humanidade e a existência é que importavam.


Fritjof Capra tentou inultimente representar e trancrever o que estava ocorrendo


Mas mesmo a ideia de “Movimento” não é suficiente para exprimir o fenômeno ou a fenomenologia.


Mesmo transitando entre a sabedoria oriental, drogas ou sob a vigilância da ciencia, o máximo que conseguiu foi chegar à “Terra de Ninguém” com sua metafísica ontológica.


Destruiu-se uma geração inteira em nome do tal “Milagre Econômico”, ou simplesmente provar a força de organizações facistas financiadas pelo dinheiro sem pátria como o foi a CIA e outras tantas.


Só quem lucrou com tudo isso foram alguns visionários como Brian Epstein. O produto cultural advindo da mobilização, da criatividade, da crença na “liberdade” enriqueceu os empresários e alimentou a mídia.


Foi um tiro no própio pé, pois os Estados Unidos, berço da “Máxima” PAZ & AMOR poderia ter sido o guia, o mentor das mudanças comportamentais e da evolução natural da humanidade.


Jamais ocorrerão Woodstocks, único e lendário, onde 500 mil pessoas se reuniram para cultuar o amor e a paz, sem pagar dízimos, somente os ingressos, na época 18 dólares e embalados pelo “SOM” e as drogas, mas não com o apelo que elas possuem hoje.


Não estou fazendo apologia, sou literalmente contra drogas sejam legais ou ilegais, só em casos de doenças onde são imprescindíveis. Estou analisando sob o contexto da época e dos acontecimentos, onde, para os jovens e somente à eles, o prazer era permitido sem culpas ou críticas. Onde tudo era coletivo e para o coletivo.


Um belo exemplo para a HUMANIDADE que anda as voltas com armas e ismos.


Pena que disso tudo só sobrou a calça JEANS.


O BLUE e a CAMISETA são hoje, somente, simbolos comuns das massas e da globalização.


E de S em S e SS´S, nunca punirão os culpados. Se até hoje não encontraram os assassinos de Kennedy o que dirá questionar uma Placa Tectônica que simplesmente engoliu uma “perninha” do S e matou algumas “almas anônimas”...


O SONHO ACABOU...


Maria Tereza Penna












NOTA À IMPRENSA

O Partido Democrático Trabalhista (PDT), através de seus representantes técnicos junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), juntamente com o Partido dos Trabalhadores (PT), decidiu não participar do teste de segurança das urnas eletrônicas iniciado hoje (10/11) em Brasília devido a decisão dos ministros do Tribunal, atendendo a Secretaria de Informática do TSE, de excluir os partidos da comissão responsável pela elaboração das regras para o teste.


O PDT e o PT entenderam que nos termos em que o teste está se realizando, não está garantida a independência do resultado porque só o TSE indicou os membros das comissões avaliadoras, além de ditar regras para a fiscalização. Entendemos que não cabe ao fiscalizado ditar regras para o fiscalizador.


É importante frisar que o TSE decidiu realizar o teste de segurança em julho último, exatamente quando estava em discussão no Congresso Nacional a Lei N° 12.034/2009, sancionada pelo Presidente Luiz Inácio da Silva, que determina a volta do voto impresso conferido pelo eleitor a partir das eleições de 2.014 – decisão que, a todo custo, o Superior Tribunal Eleitoral tentou evitar.


O voto impresso é a única maneira de tornar seguras as máquinas de votar do tipo DRE (Direct Recording Electronic Voting Machine), como são as brasileiras, porque são totalmente vulneráveis e dependentes de softwares e, por isso, o seu uso em eleições é proibido em 26 estados dos EUA, além da Alemanha, Holanda e Bélgica.


Ainda sobre o teste de segurança que está se realizando até a próxima sexta nas dependências do TSE, é importante lembrar que ele foi inicialmente solicitado pelo PT e o PDT em maio de 2006 – petição 1.896/06 – que sugeriram a criação de uma comissão técnica de professores universitários a ser indicada pelos partidos.


Em outubro de 2007 foi protocolado no TSE - sob o n° 19223/07 – pelos dois partidos, solicitação formal para que fosse criada uma Comissão Especial de Avaliação Técnica dando direito aos pleiteantes de indicarem para a comissão, cada um, um especialista em informática.


Diante da decisão do TSE de nomear quatro membros para a comissão, o PDT, PT e PR – protocolo TSE 11.209/08 - reiteram que era essencial que a Comissão Avaliadora tivesse os seus membros indicados de forma independente do TSE sem o que considerariam indeferido o pedido.


Em dezembro de 2008, o Secretário de TI do TSE, Sr. Guiseppe Janino, confirmou a participação de todos os partidos políticos na Comissão Avaliadora, tanto que na Informação n°002/08-STI, explicou que “a Justiça Eleitoral constituirá minoria no quorum deliberativo pois a comissão será composta por um representante de cada partido político (num total de 27 indicados)”. Ou seja, um quadro absolutamente diverso do que o que se apresenta hoje onde todos os 11 membros das comissões deliberativas foram indicados pela própria autoridade eleitoral.


Só que em junho de 2009, quando a Câmara Federal aprovou o projeto que veio a se tornar a Lei 12.034/09, obrigando a impressão do voto nas urnas eletrônicas, para tentar barrar o projeto de lei no Senado, por proposta do Sr. Janino, os ministros do TSE aprovaram a Resolução TSE 23.090/09 que determinou não só a realização do teste de segurança, como excluiu todos os partidos das funções deliberativas.


Portanto, a verdade é que não foram os partidos que não quiseram participar do teste de segurança: eles foram deliberadamente excluídos por decisão formal do TSE.


Brasília, 10 de novembro de 2009.


Amilcar Brunazo Filho


Maria Aparecida Cortiz


Osvaldo Peres Maneschy

terça-feira, 10 de novembro de 2009

MURO DE BERLIM: ALÉM DO FUNDAMENTALISMO DO MERCADO, DEPOIS DE 20 ANOS


Por Eric Hobsbawm*

Londres, novembro/2009 – O breve século XX foi uma era de guerras religiosas entre ideologias seculares. Por razões mais históricas do que lógicas, o século passado foi dominado pela oposição entre dois tipos de economia mutuamente excludentes: o “socialismo”, identificado com as economias planejadas centralmente do tipo soviético, e o “capitalismo”, que cobriu todo o resto.

Esta aparente oposição fundamental, entre um sistema que tentou eliminar a busca pelo lucro da empresa privada e outro que procurou eliminar toda restrição do setor público sobre o mercado, nunca foi realista. Todas as economias modernas devem combinar o público e o privado de variadas maneiras e de fato o fazem. As duas tentativas de cumprir a qualquer custo com a lógica dessas definições de “capitalismo” e “socialismo” fracassaram. As economias de planejamento comandadas pelo Estado do tipo soviético não sobreviveram aos anos 80, e o “fundamentalismo do mercado” anglo-norte-americano, então em seu apogeu, se fez em pedaços em 2008.

O século XXI terá de reconsiderar seus problemas em termos mais realistas. De que maneira o fracasso afetou os países anteriormente comprometidos com o “modelo socialista”? Sob o socialismo, eles não foram capazes de reformar seus sistemas de economia planificada, embora seus técnicos tivessem plena consciência de seus defeitos fundamentais, que eram internacionalmente não competitivos e continuavam sendo viáveis apenas na medida em que estivessem isolados do resto da economia mundial.

O isolamento não pôde ser mantido, e quando o socialismo foi abandonado, já o fora pelo colapso dos regimes políticos, como ocorreu na Europa, ou pelo próprio regime, como sucedeu na China e no Vietnã, esses Estados mergulharam de cabeça no que para muitos parecia a única alternativa à disposição: o capitalismo em sua então dominante forma extrema do livre mercado.

Os resultados imediatos na Europa foram catastróficos. Os países da ex-União Soviética ainda não superaram seus efeitos. Felizmente para a China, seu modelo capitalista não se inspirou no neoliberalismo anglo-norte-americano, mas no muito mais dirigista dos “tigres” do Leste asiático. A China lançou seu “grande salto adiante” econômico com escassa preocupação por suas implicações sociais e humanas.
Este período agora está chegando ao fim, tal como ocorre com o domínio do liberalismo econômico anglo-norte-americano, embora ainda não saibamos quais mudanças trará a atual crise econômica mundial depois de superados os efeitos da sacudida dos últimos dois anos. Somente uma coisa é clara, há um importante deslocamento das velhas economias do Atlântico Norte para o Sul e, sobretudo, para a Ásia do Leste.

Nesta situação, os ex-Estados socialistas (incluindo aqueles ainda governados por partidos comunistas) enfrentam problemas e perspectivas muito diferentes. A Rússia, tendo se refeito até certo ponto da catástrofe da década de 90, ficou reduzida a ser forte, mas vulnerável, exportadora de matérias-primas e energia, e até agora não foi capaz de reconstruir uma base econômica mais balanceada.

A reação contra os excessos da era neoliberal levou a certo retorno para uma forma de capitalismo de Estado com uma reversão a aspectos da herança soviética. É evidente que a simples “imitação do Ocidente” deixou de ser uma opção. Isto é ainda mais óbvio na China, que desenvolveu seu capitalismo pós-comunista com considerável êxito. Tanto é assim que futuros historiadores poderão muito bem ver a China como a verdadeira salvadora da economia do mundo capitalista na atual crise.

Em resumo, já não é possível crer em uma única forma global de capitalismo ou de pós-capitalismo. Porém, modelar a economia futura talvez seja o assunto menos importante de nossas preocupações. A diferença crucial entre os sistemas econômicos está não em suas estruturas, mas em suas prioridades sociais e morais. A este respeito vejo dois problemas:

O primeiro é que o fim do comunismo significou o súbito fim de valores, hábitos e práticas sociais com os quais várias gerações viveram, não apenas dos regimes comunistas, mas também os do passado pré-comunista e que foram amplamente preservados sob tais regimes. Exceto para os nascidos depois de 1989, se mantém em todos um sentimento de alteração e desorientação social, mesmo com os apuros econômicos já não predominando na população pós-comunista. Inevitavelmente, passarão várias décadas antes de as sociedades pós-comunistas encontrarem um modo de viver estável na nova era, e de poderem ser erradicadas algumas das consequências da alteração social, da corrupção e do crime institucionalizados.
O segundo problema é que tanto o neoliberalismo ocidental quanto as políticas pós-comunistas que o inspiraram deliberadamente subordinam o bem-estar e a justiça social à tirania do Produto Interno Bruto, sinônimo do máximo e deliberadamente desigual crescimento. Desta forma se sufoca, e em alguns países ex-comunistas se destrói, o sistema de segurança social, os valores e os objetivos do serviço público. Tampouco existem bases para o “capitalismo com rosto humano” da Europa das décadas posteriores a 1945, nem para satisfatórios sistemas pós-comunistas de economia mista.


O propósito de uma economia não deve ser o lucro, mas o bem-estar de todas as pessoas, assim como a legitimação do Estado é seu povo e não seu poder. O crescimento econômico não é um fim, mas um meio para criar sociedades boas, humanas e justas. O que importa é com quais prioridades combinaremos os elementos públicos e privados em nossas economias mistas. Esta é a questão política-chave do século XXI.

* Eric Hobsbawm é historiador e escritor britânico.
(IPS/Envolverde)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

TRISTES LÉVI-S TRÓPICOS

Tom Capri






Dedicado a Chris Mello, colunista do Estadão que ainda se irrita com meus comentários.


A morte de Claude Lévi-Strauss no último dia 31 de outubro, próximo de completar 101 anos, deveria ter ensejado fecundos estudos sobre sua obra, mostrando não só a contribuição dele para a ciência, mas principalmente o desserviço que prestou, ao se valer, como premissa, do grande equívoco que é o estruturalismo. Ao contrário, sua morte rendeu (por enquanto) textos tão superficiais e tristes quanto Tristes Trópicos, uma de suas obras mais importantes e que aborda pesquisas feitas quando de sua viagem ao Brasil, nos anos de 1930. Veja também aqui, em linguagem didática, qual é o furo do estruturalismo e, portanto, da obra do antropólogo nascido em Bruxelas a 28 de novembro de 1908.


Lévi-Strauss é responsável por grandes descobertas que depois se comprovaram científicas, como a de que não existem povos inferiores ou superiores nem há diferenças essenciais entre as formações arcaicas e modernas. Até porque a humanidade sempre foi uma só, ainda que multifacetada, e não existem raças, já o sabemos.
Mas o cientista chegou a tais conclusões com base no estruturalismo, noção que já nasceu obsoleta, como preceito equivocado, ou seja, como falsa consciência superada antes mesmo de vir ao mundo. Segundo o antropólogo, o comportamento humano é determinado por estruturas culturais, sociais e psicológicas, e isto não se sustenta.
Acredito que nossas principais revistas e as edições dominicais dos jornais tragam material mais consistente sobre o legado de Lévi-Strauss. Tomara! Por enquanto, o que pude ler em nossa mídia foi avaliação tão superficial e triste quanto a essência da obra do antropólogo, passível de crítica e já derrubada pela ciência.
Dos textos que li na mídia, nenhum colocou o cientista no devido lugar, até mesmo por ignorância: raros conseguiram entender até hoje sua obra e o estruturalismo, que não é escola nem movimento cultural, mas sim método equivocado de abordagem e análise, até porque, a ciência também já o comprovou, não há método para o conhecimento. Na verdade, poucos alcançaram até mesmo o significado do termo quando utilizado pela primeira vez pelo linguista Ferdinand de Saussure, em seu Cours de Linguistique Générale (1916): a forma de explicar a origem dos fonemas numa língua, a partir de estruturas.
Lévi-Strauss emprestou a noção de Saussure para aplicá-la à antropologia, que estuda a origem das culturas, suas crenças e costumes. Para Saussure, os elementos de uma língua só podem ser entendidos na sua relação estrutural com os demais elementos desta mesma língua. Ou seja, só podem ser compreendidos pelas relações de equivalência ou de oposição que cada elemento de uma língua mantém com os demais que lhes são próximos, sendo que esse conjunto de relações dos elementos forma estruturas.
Em Mitológicas 1 - O Cru e o Cozido, Lévi-Strauss avançou no estruturalismo ao analisar 187 mitos, que para ele não passam de estruturas só existentes quando associadas a outros mitos, tal qual na lingüística (semiótica) de Saussure. Só é possível interpretar um mito como, por exemplo, o do fogo e do cozimento dos alimentos, diz Strauss, quando analisado em conjunto com os demais mitos (estruturas) em que este mesmo mito está imbricado.
O estruturalismo estendeu-se em seguida a vários campos, como a psicologia (com Lacan) e até mesmo a matemática, com Bernacerraf. Sempre como forma de abordagem e método de análise. O método ganhou depois inúmeras variantes, inclusive uma marxista, de Louis Althusser, até cair em desuso por absoluta falta de consistência.
Para Lévi-Strauss --- idéia que Piaget veio endossar incondicionalmente ---, a humanidade e a cultura (as crenças e costumes, em suma, a sociabilidade) resultam de estruturas que já existiam antes das civilizações, como já apareciam na lingüística de Saussure. Seriam estruturas apriorísticas e abstratas que surgiram não se sabe de onde e que jamais identificaremos a origem.
Até porque, garante Lévi-Strauss (noção que obviamente vai buscar em Kant, para quem é impossível entendermos a coisa-em-si), carregamos dentro de nós uma irremediável ignorância em relação às verdadeiras fontes de origem da cultura com suas crenças e costumes, ou seja, da sociabilidade. Eis o grande furo do estruturalismo, o mesmo furo da noção da impossibilidade de conhecermos a coisa-em-si, presente em Kant.
Apesar de ter sido, na juventude, militante de tendência marxista e até ter dito certa feita que a cultura resulta de um processo dialético de tese, antítese e síntese, Lévi-Strauss nunca entendeu as descobertas científicas de Darwin nem Marx, a exemplo de Piaget. Muito provavelmente leu ambos, mas não conseguiu alcançar a essência tanto de um quanto de outro.
A ciência já comprovou e sacramentou, com Darwin, Marx e outros, que toda atividade intelectual --- isto é, a cultura, com suas crenças e costumes, inclusive o ato de pensar --- origina-se da forma como a espécie humana (e a pré-humana que resultou na humana) vem lutando há milênios para sobreviver. Isto é, origina-se da forma como o homem trabalha e produz para se perpetuar como espécie.
Vale repetir, é a forma como o homem luta pela sobrevivência --- essa prática diária que tem garantido até aqui a perpetuação da espécie, e que é movida pelo trabalho --- o deus criador de nossas realidades, ou melhor, da sociabilidade, resultando na nossa cultura (nas relações sociais, crenças, normas, costumes, tudo que aí está relativo ao homem). Embora Lévi-Strauss possa ter lido Darwin e Marx, não entendeu como isso --- de a sociabilidade ser fonte de origem da cultura e da atividade intelectual --- se processa na realidade.
Desde os primórdios, é assim, e a humanidade já tem comprovação científica disso há mais de 150 anos, porém a descoberta não chegou ao antropólogo, e, se chegou, ele não entendeu como ela se processa na objetividade. Quando o homem, nos primórdios, saía à caça para garantir a própria sobrevivência e a dos seus, nesse mesmo processo de dispêndio de trabalho ia inventando a lança, o arco, a flecha etc. Ou seja, ia se enriquecendo espiritualmente, ao criar seus instrumentos de trabalho e toda a tecnologia que lhe viria facilitar a vida, além de precisar ‘inventar’ por necessidade a linguagem para dar nome a tudo o que criava.
Em resumo, a forma como o ser humano luta pela sobrevivência, no trabalho (ou seja, a forma como trabalha e que chamamos também de infraestrutura), é sem dúvida nenhuma a fonte de origem da cultura, isto é, da sociabilidade como a que aí está, em cada formação social. Há, portanto, um primado da sociabilidade sobre as propriedades da atividade intelectual (da cultura, com suas crenças, normas e costumes), o que significa dizer que a primeira (a sociabilidade) é sempre fonte de origem da segunda (da cultura).
Já para Lévi-Strauss, ao contrário, as propriedades da atividade intelectual (isto é, da cultura) não são jamais “reflexo da organização concreta da sociedade”, daí a recusa, da parte dele, em aceitar o “primado do social sobre o intelecto (a cultura)”. O antropólogo entende que, atrás das relações humanas concretas, escondem-se estruturas subjacentes, abstratas e inconscientes as quais o cientista só pode alcançar pela construção dedutiva de modelos abstratos. Entende também que apenas desta maneira ele pode compreender a realidade humana.
E Lévi-Strauss prossegue: a cultura, com suas crenças e costumes, “se apresenta como normas exteriores, antes de engendrar sentimentos internos (no homem)”. Tais “normas insensíveis (subjacentes, abstratas e inconscientes) que se apresentam como externas determinam os sentimentos individuais, bem como as circunstâncias onde estes poderão e deverão se manifestar.”
Em suma, Lévi-Strauss achava que as estruturas culturais, sociais e psicológicas (que precediam a humanidade e sua história) é que determinavam a cultura e o comportamento humano, e não o contrário. Em As Estruturas Elementares do Parentesco, de 1949, seu primeiro livro (e tese de mestrado), ele tenta demonstrar que organizações sociais aparentemente distintas não passam de resultado lógico de permutações de um número reduzido de estruturas de parentesco.
Assim, o que a ciência já comprovou ser resultado e efeito da sociabilidade --- as estruturas, os mitos etc. ---, em Lévi Strauss é causa da sociabilidade, e jamais conseguiremos identificar a origem verdadeira das estruturas e dos mitos.
O estruturalismo acaba, assim, por ser --- o que é típico da fasei imperialista e globalizada do capital --- desesperada reação à verdade científica segundo a qual a realidade humana é forjada a partir de processos históricos bem definidos, todos emanados da sociabilidade, a qual se caracteriza, como vimos, pelas formas concretas de luta pela sobrevivência (pelos modos de produção e de trabalho). O estruturalismo é assim --- ao beber da fonte de Kant, da impossibilidade de conhecer a coisa-em-si, misteriosa também para Lévi-Strauss --- o canto do cisne do irracionalismo, concebido aqui como a desrazão na sua forma mais execrável e perversa.
 Tom Capri.

PROCURA-SE DILMA ROUSSEFF - JOÃO VINHOSA

RETIRADO DE PAUTA POR ORDEM JUDICIAL

PESQUISA INDUSTRIAL MENSAL


Ricardo Bergamini

Produção Física – Regional – Fonte IBGE



Base: Setembro de 2009

Produção industrial cresce em 12 dos 14 locais pesquisados, em setembro

Em setembro de 2009, a produção da indústria brasileira cresceu 0,8% em relação a agosto, com doze dos quatorze locais pesquisados registrando aumento. Acima do índice nacional, situaram-se: Espírito Santo (3,3%), Goiás (2,4%), Ceará (2,1%), região Nordeste (1,8%), Santa Catarina (1,7%), Minas Gerais (1,4%) e Amazonas (1,2%). Rio de Janeiro (0,7%), São Paulo (0,6%), Rio Grande do Sul (0,4%), Bahia (0,2%) e Pernambuco (0,1%) também registraram aumento. A produção do Pará ficou estável (0.0%), enquanto a do Paraná (-2,9%) registrou queda frente a agosto. Ainda na série ajustada sazonalmente, treze dos quatorze locais assinalaram resultados positivos no terceiro trimestre de 2009 frente ao trimestre imediatamente anterior, com Espírito Santo (13,4%) e Amazonas (8,3%) alcançando as taxas mais elevadas, enquanto Ceará (-1,4%) foi o único local que recuou frente ao segundo trimestre.


A atividade industrial recuou 7,8% em relação a setembro do ano passado, com treze dos quatorze locais pesquisados apontando queda. O único local com aumento na produção foi Goiás (7,3%), refletindo, sobretudo, expansão no setor de produtos químicos. Com retração de dois dígitos situam-se Minas Gerais (-12,6%) e Paraná (-10,3%). Outras reduções, mais intensas que a média da indústria (-7,8%), foram observadas no Pará (-9,4%), Rio Grande do Sul (-9,2%), Santa Catarina (-8,1%) e São Paulo (-7,9%). Com quedas inferiores à média figuram: Pernambuco (-1,4%), região Nordeste (-4,3%), Rio de Janeiro (-4,5%), Ceará (-4,7%), Bahia (-4,8%), Espírito Santo (-6,9%) e Amazonas (-7,0%).


Em bases trimestrais, observa-se retração em quase todas as áreas pesquisadas ao longo de 2009, quando comparados ao mesmo período do ano anterior. Goiás foi o único local que reverteu as quedas no primeiro (-6,9%) e no segundo trimestres (-2,4%), registrando aumento de 4,9% no terceiro trimestre. Na passagem do segundo para o terceiro trimestre de 2009, a maioria (11) dos 14 locais registrou um menor ritmo de queda. Essa redução foi particularmente acentuada no Espírito Santo e no Amazonas onde, entre os períodos analisados, a taxa passou, respectivamente, de -27,0% para -12,7% e -14,2% para -6,4%. Frente ao fechamento do primeiro semestre de 2009, todos os locais, à exceção do Pará, mostram ganho de ritmo.


No indicador acumulado no ano, em relação a igual período de 2008, os quatorze locais pesquisados apontaram recuo, com destaque para Espírito Santo (-23,5%) e Minas Gerais (-18,8%). Com uma intensidade de queda maior que a média nacional (-11,6%) situam-se, ainda: São Paulo (-12,4%) e Amazonas (-13,3%). Os resultados regionais confirmam o perfil generalizado de queda em 2009, influenciado, principalmente, pelo menor dinamismo das exportações e da redução na produção de bens de consumo duráveis e de capital. Apresentando retração inferior à média figuraram: Goiás (-1,1%), Paraná (-5,9%), Rio de Janeiro (-6,6%), Ceará e Pernambuco (ambos com -6,8%), Pará (-8,1%), região Nordeste (-8,4%), Bahia (-9,0%), Santa Catarina (-11,3%) e Rio Grande do Sul (-11,5%).


AMAZONAS


Em setembro, a produção industrial do Amazonas avançou 1,2% na comparação com o mês imediatamente anterior, na série livre de influências sazonais, terceira taxa positiva, acumulando ganho de 6,5%. O índice de média móvel trimestral aumentou 2,1%, mantendo sequência de cinco taxas positivas, com ganho acumulado de 11,4%. A produção no terceiro trimestre de 2009, na comparação com o trimestre imediatamente anterior – série ajustada sazonalmente, cresceu 8,3%, após ficar estável (0,1%) no segundo trimestre.


No confronto setembro 09/ setembro 08, seis dos onze segmentos contribuíram negativamente para a redução de 7,0% na média global, com destaque sobretudo para outros equipamentos de transporte (-24,5%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (-12,7%). Em sentido contrário, os principais impactos positivos vieram de alimentos e bebidas (13,7%) e edição e impressão (12,2%).


No corte trimestral, o ritmo de queda da produção amazonense diminuiu entre o segundo (-14,2%) e o terceiro (-6,4%) trimestres de 2009, ambas comparações contra igual período do ano anterior. Entre os períodos abril-junho e julho-setembro, sete setores mostraram melhor desempenho, com destaque para material eletrônico e equipamentos de comunicações (de -27,6% para -16,2%); outros equipamentos de transporte (de -32,6% para -22,4%) e alimentos e bebidas (de 5,6% para 12,4%).


O índice acumulado no ano ficou em -13,2% e o indicador acumulado nos últimos doze meses, em trajetória descendente desde setembro do ano passado (8,3%), atingiu -11,0%.

PARÁ


A produção industrial do Pará ficou estável (0,0%) em setembro, na comparação com o mês imediatamente anterior, na série livre de influências sazonais, após recuar por dois meses, quando acumulou perda de 4,2%. O índice de média móvel trimestral recuou 1,4%, após acumular ganho de 2,3% entre junho e agosto. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, ainda na série com ajuste sazonal, a indústria paraense aumentou 1,0% no terceiro trimestre de 2009, após sequência de três taxas negativas consecutivas, quando acumulou queda de 10,6%.


No confronto com setembro de 2008, o setor industrial paraense assinalou queda de 9,4%, com quatro das seis atividades com desempenho negativo. A redução do setor extrativo (-17,9%) exerceu a pressão mais importante sobre a formação da taxa global, seguida por madeira (-26,5%). Em sentido contrário, alimentos e bebidas (12,6%) e metalurgia básica (1,9%) foram os impactos positivos.


Na análise por trimestres, a indústria paraense, na passagem do segundo (-8,5%) para o terceiro (-9,0%) trimestres de 2009, permanece em trajetória descendente desde o quarto trimestre de 2008, todas as comparações contra igual período do ano anterior. Para esse movimento contribuíram dois ramos: metalurgia básica, que passou de 18,7% no período abril-junho para 7,9% no período julho-setembro; e a indústria extrativa, de -15,7% para -16,4%.


O indicador acumulado no ano ficou com -8,1% e o acumulado nos últimos doze meses, que prossegue em trajetória descendente desde novembro (6,8%) do ano passado, atingiu -5,7% em setembro.




NORDESTE


Em setembro, a produção industrial do Nordeste aumentou 1,8% em relação a agosto, na série livre dos efeitos sazonais, após ter registrado incremento de 4,1% em agosto. Com estes resultados, o índice de média móvel trimestral avançou 1,0%, terceira taxa positiva seguida. A produção nordestina no terceiro trimestre de 2009 cresceu 3,2% em relação ao segundo trimestre – série com ajuste sazonal.


No indicador mensal, o setor fabril nordestino recuou 4,3%, assinalando o décimo segundo resultado negativo consecutivo, com nove dos onze ramos reduzindo a produção. Entre esses, os principais destaques vieram de alimentos e bebidas (-4,6%), produtos químicos (-4,3%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-36,0%). Por outro lado, os dois setores que apresentaram crescimento foram celulose (3,6%) e têxtil (0,5%).


Em bases trimestrais, a indústria do Nordeste assinalou o quarto trimestre negativo seguido, com ganho de ritmo entre o segundo (-10,0%) e o terceiro trimestre de 2009 (-5,7%). Esse movimento pode ser explicado, principalmente, pelos setores: refino de petróleo e produção de álcool, que passou de -41,8% para -8,5%; alimentos e bebidas (de -7,9% para -2,6%) e têxtil (de -11,4% para -2,8%).


No acumulado janeiro-setembro (-8,4%), os onze setores tiveram retração. O indicador acumulado nos últimos doze meses mantém a trajetória descendente desde setembro de 2008 (4,4%), ao passar de -6,6% em agosto para -7,5% em setembro.


CEARÁ


A produção industrial do Ceará em setembro, ajustada sazonalmente, cresceu 2,1% no confronto com o mês imediatamente anterior, após ter recuado 0,6% em agosto. Com estes resultados, o indicador de média móvel trimestral apresentou acréscimo de 0,8%, revertendo uma série de quatro resultados negativos, que acumularam perda de 3,5%. O terceiro trimestre de 2009 recuou 1,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior (série ajustada sazonalmente).


O indicador mensal da produção industrial cearense decresceu 4,7% com taxas negativas em seis dos dez setores industriais pesquisados. Entre esses, o maior impacto veio de alimentos e bebidas (-19,6%). Vale citar ainda máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-47,7%) e vestuário e acessórios (-6,3%). Por outro lado, as principais influências positivas foram observadas em têxtil (11,0%) e produtos químicos (9,8%).


Na análise trimestral, a indústria cearense assinalou o quarto trimestre negativo consecutivo, ao registrar queda (-6,8%) no terceiro trimestre de 2009, mais acentuada do que a assinalada no segundo trimestre (-6,1%). Entre as cinco atividades que perderam dinamismo, destacam-se calçados e artigos de couro, que passou de 10,5% no segundo para -3,6% no terceiro trimestre, e refino de petróleo e produção de álcool (de 27,3% para -10,1%). Por outro lado, entre as atividades que mostraram melhor desempenho, vale destacar têxtil, que passou de -7,1% para 5,7% e minerais não metálicos (de -11,6% para 12,2%).


No indicador acumulado no ano a produção industrial do Ceará recuou 6,8%, com resultados negativos em sete dos dez setores industriais. O indicador acumulado nos últimos doze meses apresentou queda de 5,3%, permanecendo em trajetória decrescente desde setembro de 2008 (3,8%).


PERNAMBUCO


Em setembro, a produção industrial de Pernambuco ajustada sazonalmente apresentou variação positiva de 0,1% em relação ao mês anterior, após ter avançado 7,5% em agosto. Com estes resultados, o indicador de média móvel trimestral cresceu 1,7%, depois de ter expandido 1,5% em agosto, acumulando incremento de 3,2% no bimestre. No corte trimestral, houve crescimento de 2,6% em comparação ao segundo trimestre de 2009.


No indicador mensal, a indústria pernambucana recuou pelo décimo primeiro mês consecutivo, com taxas negativas em oito das onze atividades pesquisadas. Para a composição da taxa de -1,4%, as principais pressões negativas vieram de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-16,3%), têxtil (-32,3%) e borracha e plástico (-10,9%). Por outro lado, metalurgia básica (9,0%) e produtos de metal (19,3%) exibiram as maiores contribuições positivas.







Na análise trimestral, a indústria de Pernambuco, após atingir queda de 11,0% no primeiro trimestre de 2009, reduziu o ritmo no segundo (-5,8%) e no terceiro (-2,9%) trimestres deste ano, ambas as comparações contra iguais períodos do ano anterior. Este desempenho deveu-se, sobretudo, a metalurgia básica, que passou de -5,9% para 5,8%; borracha e plástico (de -18,0% para -4,6%) e produtos de metal (de -15,1% para -9,3%). Por outro lado, o principal recuo veio de produtos químicos, que passou de -0,8% para -6,7%.


No acumulado janeiro-setembro, a indústria pernambucana recuou 6,8%, com taxas negativas em nove dos onze setores fabris. O indicador acumulado nos últimos doze meses, em trajetória descendente desde outubro de 2008 (6,2%), passou de -4,5% em agosto para -5,5% em setembro.
BAHIA


 

Em setembro, a produção industrial da Bahia, ajustada sazonalmente, variou 0,2% em relação ao mês imediatamente anterior, após avançar 5,7% em agosto e recuar 5,3% em julho. Com esses resultados, o indicador de média móvel trimestral ficou praticamente estável em setembro (0,1%). Na análise trimestral houve crescimento de 5,1% no confronto com o trimestre imediatamente anterior (série ajustada sazonalmente), revertendo uma sequência de três resultados negativos.

No indicador mensal, a produção industrial da Bahia decresceu 4,8%, registrando a terceira taxa negativa seguida. Para este resultado contribuíram negativamente seis das nove atividades pesquisadas, com destaque para produtos químicos (-7,8%). Em seguida vieram metalurgia básica (-12,4%) e refino de petróleo e produção de álcool (-4,2%). Em sentido contrário, as maiores influências positivas foram observadas em celulose e papel (3,3%) e minerais não metálicos (9,9%).

Na análise trimestral, a indústria baiana, assinalou o quarto trimestre seguido de retração, mas apresentou no terceiro trimestre (-6,8%) redução no ritmo de queda em relação ao resultado do segundo (-10,3%). Entre esses dois períodos, os maiores crescimentos vieram de refino de petróleo e produção de álcool, que passou de -42,7% para -9,1%, e de alimentos e bebidas (de -6,4% para -0,5%). Por outro lado, as maiores retrações vieram de produtos químicos, que passou de 8,9% para -7,0%, e de celulose e papel (de 2,2% para -5,0%).




Em relação a setembro de 2008, houve recuo na produção de dez dos treze setores pesquisados, com destaque em termos de contribuição no cômputo geral para extrativa mineral (-24,1%), metalurgia básica (-18,3%) e máquinas e equipamentos (-46,3%). Apenas os ramos de alimentos (5,9%), celulose, papel e produtos de papel (8,3%) e de veículos automotores (3,8%) expandiram a produção. Vale mencionar que este último segmento apresentou, em setembro, a primeira taxa mensal positiva desde outubro do ano passado.


No confronto com igual trimestre do ano anterior, a indústria mineira continuou mostrando resultados negativos, embora mantenha o movimento de recuperação: no primeiro trimestre acumulava queda de 24,2%, no segundo de -18,7%, fechando o terceiro trimestre com recuo de 14,2%. Para a melhora observada entre os dois últimos trimestres contribuíram nove setores, com destaque para veículos automotores, que passa de -16,4% para -3,9%, e metalurgia básica (de -33,0% para -24,3%).

No indicador acumulado em janeiro-setembro, as indústrias de metalurgia básica (-33,7%), extrativa mineral (-31,9%) e de veículos automotores (-13,8%), assim como no indicador mensal, também foram as que mais contribuíram para a formação da taxa global de -18,8%. No acumulado dos últimos 12 meses, a taxa ficou em -17,3%.


ESPÍRITO SANTO


Em setembro, a produção industrial do Espírito Santo ajustada sazonalmente avançou 3,3% frente agosto, acumulando 19,5% de crescimento desde julho último. O índice de média móvel trimestral, na comparação entre agosto e setembro, avançou 6,0%, exibindo recuperação desde de fevereiro. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, ajustado sazonalmente, a produção capixaba cresceu 13,4%, acelerando o ritmo frente ao segundo (8,1%) e o primeiro (-11,6%) trimestres.


No confronto setembro 09/ setembro 08, a produção industrial recuou 6,9%, influenciada principalmente pelo setor extrativo (-25,0%). Por outro lado, a indústria de transformação assinalou o seu primeiro resultado positivo (3,0%), após onze meses consecutivos mostrando quedas. Entre as atividades industriais, o impacto positivo mais expressivo veio de alimentos e bebidas (29,9%). Minerais não metálicos (-16,2%) foi o destaque no impacto negativo.

Na passagem do segundo para o terceiro trimestre deste ano, frente a iguais períodos do ano anterior, a indústria capixaba reduziu o ritmo de queda, passando de (-27,0% para -12,7%). O desempenho negativo, observado desde o quatro trimestre do ano passado, teve sua maior intensidade no primeiro trimestre (-31,6%), quando a crise internacional atingiu situação mais crítica. A recuperação neste último período deveu-se principalmente aos melhores desempenhos das atividades extrativas, que reduziu o ritmo queda, passando (de -46,8% para -28,8%), metalurgia básica (de -29,7% para -11,9%) e alimentos e bebidas (de -17,7% para 3,9%).


No indicador acumulado do ano, a produção industrial capixaba recuou 23,5%, com todos os segmentos apresentando taxas negativas. O índice acumulado nos últimos doze meses ficou em -22,3%.


RIO DE JANEIRO

A produção industrial do Rio de Janeiro assinalou, em setembro, expansão de 0,7% frente agosto, após registrar queda de 0,6% no mês anterior. O índice de média móvel trimestral mostrou ganho de 0,7% entre os trimestres encerrados em agosto e setembro, sétimo avanço consecutivo neste tipo de comparação, acumulando nesse período um ganho de 8,5%. No índice trimestre contra trimestre imediatamente anterior ajustado sazonalmente, também observou-se a manutenção do ritmo de crescimento da atividade industrial fluminense, uma vez que cresceu 3,2% no terceiro trimestre de 2009 e 4,2% no trimestre imediatamente anterior.


No confronto setembro 09/setembro 08, o setor industrial fluminense recuou 4,5%, explicado em grande parte pela queda de 7,9% na indústria de transformação, uma vez que o setor extrativo (9,9%) permanece apontando taxas positivas desde abril de 2008. Na indústria de transformação, onde dez dos doze ramos pesquisados assinalaram queda na produção, os principais impactos negativos foram observados nos setores de metalurgia básica (-20,9%) e de veículos automotores (-23,4%). Vale citar também as contribuições negativas vindas de outros produtos químicos (-15,6%), minerais não metálicos (-16,8%) e farmacêutica (-12,9%). Por outro lado, os dois ramos da indústria de transformação que expandiram a produção foram refino de petróleo e produção de álcool (17,5%) e bebidas (13,7%).














Na análise trimestral, a indústria fluminense recuou 3,6% no período julho-setembro deste ano, reduzindo o ritmo de perda frente ao primeiro semestre do ano (-8,2%), com quedas de 11,4% no primeiro trimestre e de 5,1% no trimestre seguinte, todas as comparações contra iguais períodos do ano anterior. Esse ganho de dinamismo refletiu sobretudo a redução no ritmo de queda da indústria de transformação, que passou de -12,9% no 1º semestre para -6,8% no 3º trimestre do ano, com destaque para metalurgia básica (de -31,0% para -9,9%) e refino de petróleo e álcool (de -4,0% para 3,8%). Vale destacar que a indústria extrativa praticamente mantém taxas de crescimento elevadas, ao registrar 11,7% no 1º semestre e 9,8% no 3º trimestre.


O indicador acumulado no ano registrou queda de 6,6%, com redução na produção em nove dos treze ramos investigados. A taxa anualizada, índice acumulado nos últimos doze meses, apontou aceleração no ritmo de queda ao passar de -4,8% em agosto para -5,9% em setembro.

SÃO PAULO


Em setembro, a indústria de São Paulo aumentou 0,6% frente a agosto, na série ajustada sazonalmente, terceira taxa positiva consecutiva, acumulando aumento de 5,1%. O índice de média móvel trimestral (1,7%) mantém trajetória positiva há sete meses, acumulando ganho de 8,6% nesse período. No confronto do terceiro trimestre de 2009 com igual período de 2008, a produção caiu 8,8%. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, série com ajuste sazonal, a indústria paulista aumentou 3,9% no período julho-setembro de 2009, segunda taxa positiva, acumulando ganho de 7,2%.


No índice mensal, que assinalou o décimo primeiro recuo consecutivo (-7,9%), quinze dos vinte setores tiveram desempenho negativo, com destaque para as contribuições de máquinas e equipamentos (-27,4%), veículos automotores (-13,9%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (-34,6%). Em sentido oposto, os ramos que assinalaram aumento na produção foram outros produtos químicos (21,3%), farmacêutico (4,6%) e sabões, produtos de limpeza e perfumaria (13,5%).

Na análise por trimestres, a indústria paulista vem sustentando resultados negativos por quatro trimestres consecutivos, nas comparações contra igual período do ano anterior, porém com menor ritmo de queda entre o segundo (-13,8%) e o terceiro (-8,8%) trimestres deste ano. Quatorze atividades aumentaram suas participações entre os dois períodos, principalmente material eletrônico e equipamentos de comunicações, que passou de -60,8% para -42,5%, outros produtos químicos, de -8,4% para 8,7%, e veículos automotores, de -20,3% para -14,7%.














A redução de 12,4% no indicador acumulado no ano foi influenciada sobretudo pela queda em quinze ramos. O indicador acumulado nos últimos doze meses, em trajetória descendente desde julho do ano passado, atingiu -10,5% em setembro.


PARANÁ
A produção industrial do Paraná recuou 2,9% em setembro frente ao mês imediatamente anterior, já descontadas as influências sazonais, segunda taxa negativa consecutiva, acumulando perda de 4,2%. O índice de média móvel trimestral, que interrompeu sequência de três meses de resultados negativos em agosto (0,8%), aumentou 3,0% em setembro. Nos indicadores trimestrais, a comparação com o trimestre imediatamente anterior - série ajustada sazonalmente, cresceu 3,6%.


No índice mensal, a produção paranaense caiu 10,3%, com onze das quatorze atividades pesquisadas com desempenho negativo. As pressões negativas mais significativas vieram de veículos automotores (-49,0%), alimentos (-13,4%) e madeira (-25,9%). Em sentido oposto, edição e impressão (45,0%) exerceu a principal pressão positiva na formação da taxa geral.


Em bases trimestrais, a indústria paranaense vinha em trajetória decrescente desde o segundo trimestre de 2008, porém reduziu o ritmo de queda entre o segundo (-10,6%) e o terceiro (-5,8%) trimestres deste ano, ambas comparações contra igual período do ano anterior. Nove ramos aumentaram sua participação entre os dois períodos, com destaque principalmente para edição e impressão, que passou de 12,5% para 69,5%; máquinas e equipamentos (de -26,9% para -3,4%) e outros produtos químicos (de -10,5% para 44,7%).


O índice acumulado no ano ficou em -5,9% e o acumulado nos últimos doze meses, declinante desde março deste ano, atingiu -4,3% em setembro.


SANTA CATARINA

A indústria de Santa Catarina voltou, em setembro, a apresentar crescimento na produção, no confronto com o mês anterior (1,7%), na série ajustada sazonalmente, após a redução de 1,6% observada na passagem de julho para agosto. Com isso, os índices de média móvel trimestral que vêm registrando sucessivos aumentos desde maio último, assinalou acréscimo de 0,2% entre os trimestres encerrados em agosto e setembro. O terceiro trimestre do ano, ainda na série com ajuste sazonal, ao avançar 1,3% frente ao trimestre imediatamente anterior, registrou o segundo resultado positivo nesta comparação.


A redução de 8,1% observada no confronto setembro 09/setembro 08 resulta de decréscimos em oito dos onze setores pesquisados. Para este recuo, foram determinantes as quedas observadas na fabricação de veículos automotores (-65,6%), borracha e plástico (-26,2%) e vestuário e acessórios (-16,8%). Com resultados positivos, figuraram apenas máquinas, aparelhos e materiais elétricos (24,8%), máquinas e equipamentos (9,6%) e celulose, papel e produtos de papel (2,7%).


No corte trimestral, observa-se que o setor industrial vem apresentando resultados negativos há quatro trimestres consecutivos, na comparação contra igual período do ano anterior. Neste terceiro trimestre de 2009, o recuo de 8,5% confirmou a desaceleração no ritmo de queda da atividade industrial catarinense, uma vez que no primeiro trimestre assinalava perda de 14,0% e, no segundo, de -11,7%. Na passagem do segundo para o terceiro trimestre deste ano, o movimento de melhora esteve presente em sete setores, ficando os maiores destaques com as indústrias de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, que passa de -1,8% no segundo trimestre para 20,5% no terceiro, e de máquinas e equipamentos (de -16,1% para 4,6%).


No indicador acumulado para janeiro-setembro, a taxa global foi de -11,3%. A taxa anualizada, indicador acumulado nos últimos doze meses (-10,4%), continua em trajetória descendente, movimento este iniciado em outubro do ano passado, quando apresentava crescimento de 1,7%.


RIO GRANDE DO SUL


Na passagem de agosto para setembro, a produção industrial do Rio Grande do Sul, ao se ampliar 0,4%, mostrou o quarto aumento consecutivo na comparação com o mês anterior, na série livre de influências sazonais, acumulando, assim, crescimento de 4,8% entre junho e setembro últimos. Com isso, os índices de média móvel trimestral mantiveram a trajetória ascendente iniciada em março acumulando, desde então, aumento de 9,2%. O terceiro trimestre do ano, ainda na série com ajuste sazonal, ao avançar 3,3% frente ao trimestre imediatamente anterior, registrou o segundo resultado positivo nesta comparação.


O resultado do indicador mensal em setembro, taxa de -9,2%, fica abaixo do assinalado em agosto (-5,7%). Especificamente em setembro, os índices por setores industriais mostraram que houve queda em nove dos quatorze ramos pesquisados, ficando as maiores influências no cômputo geral com: máquinas e equipamentos (-35,3%) e veículos automotores (-24,8%). Do lado positivo, a indústria de refino de petróleo e produção de álcool (17,3%) foi a que causou o maior impacto na formação da taxa global.

Na comparação trimestral, frente a igual período do ano anterior, o índice para o total da indústria, apesar de ainda negativo, mantém a trajetória de recuperação fechando esse trimestre com queda de 7,5%, enquanto no segundo trimestre a redução atingia 10,4%. Para este movimento de melhora contribuíram oito dos quatorze setores pesquisados, com destaque para a indústria de alimentos, que passa de -9,1% para 0,8%. No indicador acumulado para o período janeiro-setembro, a taxa global de -11,5% resulta de desempenhos negativos em onze atividades. A taxa anualizada prossegue em queda, passando de -8,7% em agosto para -10,6% em setembro.

GOIÁS

Em Goiás, a atividade industrial voltou a assinalar crescimento no confronto com o mês anterior: 2,4% entre agosto e setembro. Com esse resultado, os índices de média móvel trimestral continuaram em trajetória de melhora, comportamento presente desde abril deste ano, avançando 0,6% entre os trimestres encerrados em agosto e setembro. O terceiro trimestre do ano, série com ajuste sazonal, ao avançar 7,0% frente ao trimestre imediatamente anterior, registrou o segundo resultado positivo nesta comparação.


O índice setembro 09/setembro 08 apresentou expansão de 7,3%, com três dos cinco setores pesquisados ampliando a produção. A principal contribuição positiva veio, mais uma vez, do setor de produtos químicos, com acréscimo de 49,9%. Por outro lado, o principal impacto negativo sobre a taxa global veio da redução em alimentos e bebidas (-2,0%).

Com os resultados favoráveis destes últimos meses, a atividade fabril fechou o terceiro trimestre com crescimento (4,9%), frente a igual período do ano anterior, resultado este bastante superior ao observado no segundo trimestre, quando apresentou recuo de 2,4%. Entre estes dois períodos, houve melhora em quatro ramos, com destaque mais uma vez, para produtos químicos, que passou de 20,5% de expansão no segundo trimestre para 49,0% no terceiro. Apenas extrativa mineral reduziu o ritmo produtivo de um período para o outro (de -1,0% para -2,3%).


Os demais comparativos ficaram com variações negativas: -1,1% no acumulado no ano e -0,5% no dos últimos doze meses. Vale lembrar que em todos esses indicadores a indústria goiana revelou as melhores marcas entre todos os locais pesquisados.




Arquivos oficiais do governo estão disponíveis aos leitores.



































 
 

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

AMAXON, UMA ODISSÉIA NA CRIAÇÃO PENSADA

Mario Drumond






Em memória de Jairo Ferreira

“ Uma coisa são sempre duas: a coisa mesma e a imagem dela. ”(Carlos Drummond de Andrade)


Talvez tenhamos nos transformado nessa máquina horripilante de negação dos sonhos! E no que trituraram todas as singularidades, fomos transformados num exército de múmias, de burocratas, de deslumbrados e idiotas. Uma nova encenação do que seja, não pode ser mais uma condenação à nociva prostituição, achatada à TV. Deve-se ousar na desarmonia, do desnudamento da carne e do abandono na subjetividade. Ora, se o cinemão se realiza sem subjetividade criativa alguma, a nós deve interessar fundamentalmente uma nova linguagem gerada na teatralização de transcendências. Acrescente-se a isso que o país vive do seu esvaziamento há 509 anos, e mais programadamente há 45 anos. Ou seja, desde o golpe militar de 1964. Ora, como purificar artesanalmente esta quantidade infindável de urina e excremento?


AMAXON é um esforço poético-radical, para nos fazer pensar na complexidade do processo criativo. Ora, de que nos adianta fazer trabalhos de encomenda? Cinema virou filminho publicitário? O que muda nessa falência global de desencontros? O mundo hoje, visto pela TV, é só o lixo como mercadoria de quinta categoria, obviamente espetacularizado. Putas e canastrões são vendidos como profundos e sensíveis. Mas a quê? A “nota”? José Sette vai no sentido contrário de tudo e todos, elaborando com o seu quinto longa-metragem uma projeção de palavras a serem pensadas, fazendo um delicado filme que dá representabilidade a um pensamento sombrio expressivo, nessa sua transfiguração da normalidade do processo de criação. Sette vai aos extremos, numa escalada implacável rumo a uma poesia ainda que delicada, difícil para o grande público, todo condicionado a Hollywood e a TV.


AMAXON é o hospital-Brasil, em que todos somos condenados. A personagem da escritora reage ao internamento e tratamento, e se debate com uma coragem incrível. A linguagem do filme atravessa uma infinidade de vísceras, infernos e imaginações. A carne viva exposta, torna-se uma espécie de gozo trágico. Um filme-dor que nos remete ao teatro de Artaud. Incômodo aqui. Indizível ali. Longe e próximo de todos nós que sobrevivemos ao apocalipse de 1964. Não poderia ser um filme diferente. Foi difícil não apodrecer junto e continuar sonhando com um Brasil mais justo, humano e para todos.


Ainda assim, salvaram-se os poetas e os artistas. Vera Barreto como escritora é uma espécie de víscera exposta, sendo recolhida para continuar a ser demasiadamente humana.


Pouco importa que não seja um filme fácil, ou para muitos. É cinema! Um cinema que emerge de toda essa putrefação de 1964 a 2009. Sette trabalha com precisão a sua não-linguagem fácil, pois lhe interessa mais um fluxo poético de contradições gramaticais voltadas para o pensamento profundo e o cinema autoral. É o velho-jovem cineasta independente que agiganta sua escritora na solidão e na coragem de não ser comum. Que entre só sofrer e morrer prefere escrever enfrentando os seus muitos demônios. Que lê, bebe, fuma... se debatendo entre contradições geradas na TV, por um jornalista que, como todos, espetaculariza o caos ameaçando com a onda gigantesca, definitiva. Onda que até é mostrada, mas que não chega pois é apenas uma manipulação da comunicação, do dinheiro e da morte que sempre nos acompanha.


E se a representação do mundo e da política se tornou imbecil, compete à arte transformar todo esse excremento - numa espécie de teatralização de uma “escrita física” que Vera Barreto faz muito bem - num trabalho raro e exemplar, onde se realiza em sua intimidade frente à insatisfação da obrigação: a do livro de encomenda que precisa ser escrito. E uma vez mais, o conceito de subordinação ao dinheiro como a arte-terapia dos tantos e tantos eletrochoques de nossas vidas. É onde os porcos se acham mais fortes.


Entre livros e copos de vinho, em sua solidão, pensa na grande onda da sua insatisfação. A onda que está fora está dentro e desencadeia contradições levando-a nua aos seus próprios limites grandiosos de exposição poética. É uma escritora, mas é também atriz e mulher. E, ao entregar-se às suas pulsões transforma-se em crítica de si mesma, ainda que aguçando o seu desprezo pela “lógica” imperceptível da mercadoria e do consumo. O sistema sabe bem o que faz; se não tivermos um mínimo de sonhos, seremos transformados em imagens despotencializadas e vazias. A TV não faz isso todos os dias?


Sette não faz um cinema-coisa, a logo ser esquecido ou descartado. Nesse ponto aproxima-se de Tonacci, Sergio Santeiro, Eliseu Visconti, Jorge Mourão e da nova geração. Se “o mundo é apenas engano”, como afirmava François Villon, AMAXON o subverte desprezando o patamar qualitativo do sucesso fácil. Arbitrário como postura, investe no estilo insurrecional como ruptura e negação do obscurantismo avançado da domesticada política cultural do governo, seja lá de que partido for. E não são todos iguais lutando apenas pelo poder? Se a chantagem e o obscurantismo servem ao poder, de nada serve um cinema não idiota, essencial à representabilidade de uma vanguarda que não conseguiram matar. E que hoje convence muito mais que no passado.



É preciso frisar a importância de um filme feito do nada e que não se reduz à razão, que tudo tenta explicar. Neste sentido, reintroduz no cinema brasileiro complexas subjetivações necessárias ao crescimento de um público menos contaminado por partidos, por prostíbulos e pela TV, pois transgride permanentemente a ordem como instituição sagrada. A Sette e sua equipe interessa abandonar o manicômio das disciplinas do certo e do errado, sem sacrificar mais nada. Ao seu cinema interessam as diferenças e os deslocamentos possíveis, como acesso a um permanente ultrapassar-se. Sua trajetória é impar no nosso cinema. É um experimentador muito além do buraco negro em que transformaram o cinema brasileiro, e que fez um novo filme de uma lucidez atrozmente insuportável.


Sette torna profundo e feminino o discurso da personagem da escritora, e com suas imagens poderosas desfaz o território pouco ou nada significativo da TV, pois faz CINEMA! Dá significação a um novo olhar. Enfim, produz intensidades poéticas.


AMAXON são pedaços restituídos a um corpo, ainda que amordaçado pelo tempo, que passa para todos, poderoso e uma vez mais agigantado, pois se assume, indo além da representação e da escrita. E a vida que não deveria ser pobre e empobrecida como é torna-se gozo por parte de todos. Filme infinito ao reinventar a criação simbólica imperfeita. Ainda bem.


José Rosemberg Filho, Rio, 2009. (*)

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(*) será publicado no site Via Política: http://www.viapolitica.com.br/principal.php


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Revisão: Frederico de Oliveira (para quem curte textos bons e bem escritos, recomendo o blog de Frederico – O Apito - no endereço http://www.thetweet.blogspot.com)

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