MARINA

Má li esse poema umas dez vezes. Foi a coisa mais bonita que já fiz. Andei trocando umas palavras, corrigindo vou mandar de novo prá vc montar um slide vou mandar imprimir e mando p/ vc pelo correio MARINA No ambiente amplo Paredes brancas, Iluminado por uma Réstia de luz Qu’escapava esguia Por cortina balouçante, Uma marina deslumbrante, Com mares azuis, tal Olhos de uma diva. O píer branco qual Espumas das ondas O conjunto enfeitando. Barcos que partiam E chegavam Se quem ia ou voltava Não sei se ria Ou só chorava. Ah! como amava Esta marina que, De amor minha Vida povoava 22.03.09 LUIZ BOSCO SARDINHA MACHADO ........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................ QUEM SOU EU MARINA SILVEIRA- PROFESSORA, TECNÓLOGA AMBIENTAL E ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL

domingo, 15 de novembro de 2009

PESQUISA INDUSTRIAL MENSAL DE EMPREGO E SALÁRIO - fonte IBGE

Base: Setembro de 2009







Emprego industrial avança 0,4% em setembro



Taxa mostrou-se positiva pelo terceiro mês consecutivo, na série com ajuste sazonal. No confronto com igual mês do ano anterior, o resultado permaneceu negativo (-6,5%), o mesmo ocorrendo no acumulado jan-set/09 (-5,6%). O número de horas pagas avançou 1,1% na comparação mês/mês anterior (descontada a sazonalidade), mas continuou negativo frente ao mesmo mês do ano passado (-6,4%) e no acumulado dos nove primeiros meses do ano (-6,3%). A folha de pagamento real cresceu 1,7% na comparação mês/mês anterior, ficando negativa (-4,9%) em relação a set/08 e no acumulado neste ano (-2,5%).


PESSOAL OCUPADO ASSALARIADO


Em setembro, o emprego industrial avançou 0,4% frente ao mês anterior na série livre de influências sazonais, mantendo sequência de resultados positivos há três meses. Vale citar que, nesse período, foi registrado ganho de 1,0%, após recuo de 7,3% de outubro do ano passado a junho deste ano. Com esses resultados, o índice de média móvel trimestral, que vinha apresentando menor ritmo de queda desde fevereiro último, assinalou a segunda taxa positiva consecutiva: 0,2% em agosto e 0,3% em setembro. No terceiro trimestre de 2009, ainda na série com ajuste sazonal, na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o emprego industrial, ao avançar 0,3%, interrompeu três trimestres consecutivos de queda, período em que acumulou uma perda de 7,0%.


Na comparação com iguais períodos de 2008, os resultados permaneceram negativos: queda de 6,5% frente a setembro, décima taxa negativa consecutiva, recuo de 6,7% no confronto com o terceiro trimestre e perda de 5,6% no acumulado janeiro-setembro. A taxa anualizada, indicador acumulado nos últimos doze meses, ao recuar 4,2%, manteve a trajetória descendente iniciada em agosto do ano passado (3,0%).

Frente a setembro de 2008 (-6,5%), o contingente de trabalhadores reduziu-se em treze áreas investigadas, com destaque para as perdas vindas de São Paulo (-4,8%), Minas Gerais (-11,1%), região Norte e Centro-Oeste (-9,9%) e Rio Grande do Sul (-8,6%). No primeiro local, as principais contribuições negativas vieram de meios de transporte (-16,2%), produtos de metal (-13,4%) e máquinas e equipamentos (-10,5%); no segundo, os impactos de vestuário (-26,5%) e alimentos e bebidas (-6,9%) foram os mais relevantes; no terceiro, as maiores perdas foram assinaladas por madeira (-31,3%) e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-21,8%); e na indústria gaúcha, calçados e artigos de couro (-15,3%), máquinas e equipamentos (-11,6%) e meios de transporte (-16,0%) exerceram as principais influências negativas.


Ainda nesse tipo de comparação, no total do país, o emprego industrial recuou em dezesseis dos dezoito setores, com meios de transporte (-13,8%), máquinas e equipamentos (-11,5%), produtos de metal (-11,2%), madeira (-18,6%) e vestuário (-6,9%) exercendo as principais pressões negativas na média global, enquanto papel e gráfica (7,3%) e fumo (3,1%) foram os únicos resultados positivos.


Na análise trimestral, o emprego industrial recuou 6,7% no período julho-setembro deste ano, acelerando o ritmo de queda frente ao primeiro semestre do ano (-5,6%), com decréscimos de 4,0% no primeiro trimestre e de 6,2% no trimestre seguinte, todas as comparações contra iguais períodos do ano anterior. Para esse movimento, contribuíram as perdas observadas em doze áreas e em doze setores, com destaque para Espírito Santo, que passou de -6,7% no primeiro semestre para -11,6% no terceiro trimestre, e Minas Gerais (de -3,5% para -9,0%), entre os locais, e metalurgia básica (de -4,2% para -11,0%), refino de petróleo e álcool (de 1,7% para -4,9%), meios de transporte (de -7,6% para -13,3%), máquinas e equipamentos (de -6,9% para -12,1%) e indústrias extrativas (de -0,8% para -4,8%), entre os setores.


No indicador acumulado no ano, o nível do pessoal ocupado na indústria foi 5,6% menor do que em igual período do ano passado, resultado apoiado nos decréscimos observados nos quatorze locais e em dezessete ramos. Entre os locais, São Paulo (-4,2%), Minas Gerais (-8,4%), região Norte e Centro-Oeste (-9,0%) e Rio Grande do Sul (-7,5%) foram as principais contribuições negativas. Entre os setores investigados, no total do país, as pressões negativas mais relevantes permaneceram com meios de transporte (-9,5%), máquinas e equipamentos (-8,7%), vestuário (-8,6%), produtos de metal (-9,4%) e calçados e artigos de couro (-10,5%). Por outro lado, papel e gráfica (7,0%) apontou o único impacto positivo no resultado geral.


NÚMERO DE HORAS PAGAS


Em setembro, o número de horas pagas aos trabalhadores da indústria cresceu 1,1% em relação a agosto, na série livre de influências sazonais, acumulando ganho de 1,9% de junho a setembro. Com esses resultados, o índice de média móvel trimestral apontou o segundo resultado positivo consecutivo: 0,3% em agosto e 0,4% em setembro. No terceiro trimestre de 2009, o número de horas pagas avançou 0,5% frente ao trimestre imediatamente anterior, série com ajuste sazonal, interrompendo três trimestres consecutivos de taxas negativas, período em que acumulou uma perda de 7,5%.


Na comparação com igual mês do ano anterior, o número de horas pagas recuou 6,4%, décimo primeiro resultado negativo consecutivo. No fechamento do terceiro trimestre de 2009, frente a igual período do ano anterior, o número de horas pagas também registrou queda (-7,0%), resultado próximo ao do segundo trimestre (-6,7%). O índice acumulado nos nove meses do ano permaneceu apontando redução (-6,3%). A taxa anualizada, indicador acumulado nos últimos doze meses, prosseguiu em queda, passando de -4,0% em agosto para -4,8% em setembro.


No indicador mensal, o total de horas pagas refletiu o desempenho negativo nos quatorze locais e em dezesseis dos dezoito ramos pesquisados. No corte setorial, as maiores pressões negativas vieram de meios de transportes (-13,9%) e de máquinas e equipamentos (-13,7%). Por outro lado, papel e gráfica (6,2%) e fumo (10,4%) foram os únicos ramos que contribuíram positivamente.


Nesse mesmo confronto, os locais que mais influenciaram o resultado global foram: São Paulo (-4,2%), Minas Gerais (-10,6%), região Norte e Centro-Oeste (-11,0%) e Rio Grande do Sul (-9,3%). Em São Paulo, doze atividades investigadas reduziram o número de horas pagas, com destaque para meios de transportes (-16,9%) e máquinas e equipamentos (-12,7%). Em Minas Gerais, os impactos negativos mais relevantes ficaram com vestuário (-25,2%), alimentos e bebidas (-6,7%) e metalurgia básica (-17,2%). Na região Norte e Centro-Oeste, as contribuições negativas mais significativas vieram de madeira (-35,8%) e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-22,7%), enquanto no Rio Grande do Sul, calçados e couro (-16,2%), máquinas e equipamentos (-16,3%) e meios de transportes (-19,2%) foram os ramos que mais pressionaram negativamente.


No confronto por trimestres, o total de número de horas pagas recuou 7,0% no terceiro trimestre do ano, quarto resultado negativo nesse tipo de comparação, acentuando as quedas observadas no primeiro (-5,1%) e segundo (-6,7%) trimestres do ano, todas as comparações contra iguais períodos do ano anterior.


No indicador acumulado nos nove meses do ano, frente a igual período do ano anterior, o número de horas pagas registrou queda de 6,3% decorrente, sobretudo, dos recuos nas quatorze áreas e em quinze dos dezoito segmentos. Por local, as maiores influências negativas vieram de São Paulo (-4,8%), Minas Gerais (-8,2%), região Norte e Centro-Oeste (-10,3%) e Rio Grande do Sul (-9,2%). No corte setorial, as principais quedas vieram de meios de transporte (-11,5%), máquinas e equipamentos (-11,2%), vestuário (-8,6%), produtos de metal (-9,5%) e borracha e plástico (-10,9%). Por outro lado, papel e gráfica (6,0%) sobressaiu com a contribuição positiva mais relevante.


Em síntese, na série com ajuste sazonal, o emprego industrial e o número de horas pagas registraram taxas positivas no confronto mês/mês anterior, influenciados pelo maior dinamismo na atividade produtiva ao longo de 2009. Os resultados do terceiro trimestre do ano frente ao trimestre imediatamente anterior, ainda na série com ajuste sazonal, confirmam essa recuperação, ao avançarem 0,3% e 0,5% respectivamente, com ambos interrompendo três trimestres consecutivos de índices negativos. Contudo, nas comparações contra iguais períodos do ano anterior, os resultados permaneceram negativos frente a setembro do ano passado, ao terceiro trimestre de 2008 e no acumulado no ano.


FOLHA DE PAGAMENTO REAL


Em setembro, o valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria, ajustado sazonalmente, avançou 1,7% em relação ao mês imediatamente anterior, revertendo o resultado negativo assinalado em agosto (-0,5%). Com esse resultado, o indicador de média móvel trimestral cresceu 0,4% entre agosto e setembro, após recuar 0,7% no mês anterior. Em termos trimestrais, ainda na série ajustada sazonalmente, a folha de pagamento real recuou 0,3% frente ao segundo trimestre de 2009, quarto trimestre consecutivo de taxas negativas, período em que acumulou uma perda de 5,2%.


Nos confrontos com iguais períodos do ano anterior, os resultados prosseguiram negativos: -4,9% no indicador mensal, -5,0% no terceiro trimestre do ano e -2,5% no acumulado no ano. A taxa anualizada, indicador acumulado nos últimos doze meses, ao passar de 0,3% em agosto para -0,7% em setembro, permanece em trajetória descendente desde setembro de 2008 (6,7%).


Em setembro, o valor da folha de pagamento real recuou 4,9% em relação a igual mês do ano anterior, com taxas negativas em onze dos quatorze locais pesquisados. A maior influência negativa veio de São Paulo (-5,0%), em função da queda na folha de pagamento real em meios de transporte (-9,6%), produtos de metal (-21,4%) e máquinas e equipamentos (-7,4%). Em seguida, vale citar também as perdas vindas de Minas Gerais (-9,5%), por contra de metalurgia básica (-29,2%), vestuário (-21,3%) e meios de transporte (-7,7%); e Rio Grande do Sul (-10,5%), em razão de calçados e artigos de couro (-19,3%), máquinas e equipamentos (-16,5%) e meios de transporte (-21,2%). Em sentido oposto, o maior impacto positivo foi assinalado pelo Ceará (4,3%), por conta do aumento no valor da folha de pagamento real em calçados e artigos de couro (7,7%) e alimentos e bebidas (9,0%).


Setorialmente, ainda no indicador mensal, o valor da folha de pagamento real mostrou redução em onze dos dezoito setores industriais investigados. As maiores contribuições negativas vieram de meios de transporte (-9,0%), metalurgia básica (-24,6%) e produtos de metal (-16,1%). Por outro lado, os impactos positivos mais relevantes foram observados em papel e gráfica (17,1%), alimentos e bebidas (1,5%) e indústrias extrativas (4,6%).


A a análise trimestral, o valor da folha de pagamento real, ao passar de -1,8% no segundo trimestre do ano para -5,0% no trimestre seguinte, apontou a terceira taxa negativa neste tipo de comparação, e mantém a trajetória decrescente desde o terceiro trimestre de 2008 (6,9%). A desaceleração do valor da folha de pagamento real entre o segundo e terceiro trimestres foi observada em treze atividades e em treze locais, com destaque, entre os setores, para as perdas vindas da indústria extrativa, que passou de 29,3% para -7,1%, refino de petróleo e produção de álcool (de 18,1% para -8,8%), produtos de metal (de -3,9% para -11,0%) e metalurgia básica (de -13,0% para -18,5%), enquanto, entre os locais, as maiores perdas vieram do Rio de Janeiro (de 10,6% para 4,4%) e Espírito Santo (de 7,2% para -7,2%).


O indicador acumulado no ano registrou queda de 2,5%, com taxas negativas em nove locais. Entre esses, as principais contribuições foram assinaladas por São Paulo (-2,5%), Rio Grande do Sul (-7,4%) e Minas Gerais (-5,0%). Nesses locais destacaram-se, respectivamente, meios de transporte (-5,8%) e máquinas, aparelhos e materiais eletroeletrônicos e de comunicações (-10,1%); meios de transporte (-16,8%) e calçados e artigos de couro (-10,6%); e metalurgia básica (-13,8%) e meios de transporte (-8,3%).


Em termos setoriais, doze atividades reduziram o valor da folha de pagamento real, sendo que meios de transporte (-6,0%), máquinas e equipamentos (-5,8%) e metalurgia básica (-11,0%) exerceram as principais influências negativas. Em sentido oposto, os maiores aumentos na folha de pagamento real vieram de papel e gráfica (13,2%) e indústrias extrativas (11,9%).


Arquivos oficiais do governo estão disponíveis aos leitores.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

AS ULTIMAS ASNEIRAS DO JABOR, MAINARDI E PIZA



Nem Michael Jackson consegue derrubar



os ‘muros mentais’ que apequenam



Arnaldo Jabor, Diogo Mainardi e Daniel Piza


Veja também por que ainda há esperança neste mundo, apesar de estarmos sendo diariamente violentados por esse ‘muro mental’, o Festival de Asneiras que Assola a Intelectualidade Brasileira, em que se destacam Arnaldo Jabor, Diogo Mainardi e, bem... Daniel Piza. Os três já encheram. Ilustradas sumidades que exalam despreparo nada condizente com o tanto que aparentam ter estudado, não se dão mais nem ao trabalho de mudar a forma como deitam e rolam na própria mesmice. Não se dão conta de que são uns pentelhos. Continuam provando --- como articulistas reféns de um mesmo assunto, que é encontrar a melhor maneira de desestabilizar o governo Lula --- não terem entendido nada até aqui, imaginando terem entendido tudo. Por exemplo, em sua coluna Sinopse deste domingo no Estadão (‘Muros Mentais’, Caderno Cultura, de 8/11, p. D3), Piza pede para que todos os “muros mentais sejam derrubados”. O mesmo pedem Jabor e Mainardi todos os dias. Como, se não conseguem derrubar nem mesmo o muro mental da ignorância em que se confinaram? Aqui, as mais recentes asneiras dos três, em lalarilará menor.


Quando vejo This Is It, me encho de esperança na humanidade. A ponto de achar que aquele que morrer sem ter visto o filme não terá vivido tudo nem o suficiente. Michael Jackson nele grita: “O Planeta está doente, é preciso fazer alguma coisa já, do contrário sucumbiremos!” E está claro no filme que o Planeta se encontra assim enfermo porque as forças que o regem atualmente, movidas pelo capital --- e que tanto progresso trouxeram no passado, o suficiente para dar novo fôlego à Terra e nos salvar da miséria física e mental ---, acabaram também por apequenar o homem, a ponto de transformar até mesmo intelectuais em moluscos, se não em paquidermes, como aconteceu com Jabor, Mainardi e Piza.


E, de uns tempos para cá, essas forças deflagraram um processo de devastação tão grande que poderá acabar com a vida na Terra. Porém, quando leio ‘Muros Mentais’, texto em que Daniel Piza consegue reunir suas maiores asneiras de uma só vez, sem dar a menor pelota ao que diz Michael Jackson, lá se vão as esperanças.


Aí, vejo À Procura de Eric, de Ken Loach, em que a polícia e o trabalhador são mostrados em toda a sua verdade, e as esperanças novamente se renovam. No filme, a polícia aparece como força conservadora guardiã e protetora do capital e do direito de propriedade (das classes dominantes, obviamente, que assim podem expropriar trabalho alheio livremente), ao passo que o trabalhador é mostrado como força imbatível quando se une para defender seus próprios interesses. Mas leio em seguida os últimos textos de Arnaldo Jabor e Diogo Mainardi, e as esperanças outra vez se esvaem. Fico imaginando o que será do mundo se tivermos de continuar sujeitos a esses porta-vozes da oficialidade tão decadentes e limitados, devotos de Nosso Senhor, O Capital.


Um leitor já me escreveu dizendo que, quando coloco Daniel Piza, medíocre colunista do Estadão, no mesmo saco em que estão Arnaldo Jabor e Diogo Mainardi, só engrandeço Piza e ele não merece. Não é verdade. Jabor e Mainardi estão muito abaixo de Piza. São apenas mais conhecidos porque mais corajosos: dizem as próprias asneiras com maior convicção e de forma mais espalhafatosa, até porque sabem vender melhor o peixe. Mas são tão ou mais despreparados e medíocres do que Piza. É fato: por ser mais raso que Mainardi e Jabor, Piza é “menos ruim” que os dois.


Onde está a esperança, então? Na crise de credibilidade de nossa mídia, em especial, dos quatro grupos gigantes: Abril, Folha, Estadão e Globo. Não falo de crise financeira. Os quatro vivenciam, na alma, a completa falência da razão, da qual são coveiros exemplares. Não sabia que Jabor, Mainardi e Piza estão entre os maiores carrascos do conhecimento? Mais abaixo você vai poder ver que sim.


A única chama que ainda mantém a esperança acesa está na constatação de que essas vozes vêm deixando de reverberar e não estão mais sendo ouvidas. Prova de que a mídia brasileira, seguindo os passos da mundial, faliu no seu papel de porta-voz e guardiã do capital e deixou de ser o quarto poder. Ao contrário, é o quarto onde tenta foder com aqueles que imagina serem seus inimigos, razão pela qual vem caindo em descrédito.


Só o que os três articulistas (e seus veículos) já disseram de Lula --- como “é o governo mais corrupto da história do País”, e por aí vai --- seria suficiente para dar voz de prisão (perpétua) ao presidente e a todo o seu estafe. Em outro país, daria até pena de morte. No entanto, Lula se reelegeu com grande facilidade, ainda goza de popularidade incomum e jamais foi abalado por essas “denúncias”. Parece só ter a ganhar com elas e demonstrar que nossos veículos não apitam mais nada.


Não espanta que os três jornalistas, e seus veículos, não tenham feito outra coisa, até hoje, senão achincalhar aqueles que, para eles, são inimigos do capital. Também não espanta que não tenham a menor consciência disso nem de que esse é o verdadeiro papel da mídia: fiscalizar e tomar conta, como leão-de-chácara, das instituições que protegem o capital. O problema é que não sabem distinguir quem é e quem não é verdadeiramente inimigo do capital. Reza a cartilha de seus patrões (quer leitura mais rasa e oblíqua?) que Lula é um deles e que um dia vai fazer do Brasil país comunista. Como funcionários fiéis, os três escribas há anos tentam desestabilizar o atual governo, sem se dar conta de que Lula é o presidente mais pró-capitalista de nossa história.


Em total sintonia com as economias dos países ricos, com quem estabeleceu pactos de fidelidade, Lula é tudo aquilo com que nossa grande mídia sempre sonhou. Os Civita, Marinho, Frias e Mesquita há décadas ansiavam por um presidente que estivesse assim afinado incondicionalmente com o projeto de globalização do capital, inclusive do deles.


E agora que ele aí está, pleno de sucesso, o malham, pelas mãos de seus escribas, demonstrando não terem competência para uma leitura minimamente correta da realidade brasileira. Ou seja, não entenderam nada ainda, nem o País, nem a política e muito menos Lula. Resultado: combateram Lula onde ele menos pode e deve ser combatido, com o que só conseguiram aumentar ainda mais a popularidade do presidente.


Sim, Lula oferece motivos para ser combatido, mas não pela via do politicismo, esse escarro teórico que consiste em se acreditar na racionalidade da política. Toda a nossa mídia é hoje polititicista, em especial, seus três escribas-moluscos Mainardi, Jabor e Piza. Ela ainda não sabe ainda que a política é, desde sua origem e principalmente hoje, instrumento de proteção e conservação da realidade oficial, essa regida pelo capital que aí está. Não percebeu que a política não é a panacéia para todos os nossos males nem a solução para as grandes questões que nos afligem.


Para a mídia brasileira (e também para a mundial), na sua ingenuidade exemplar, se pudéssemos contar com bons políticos, honestos e de bom caráter --- e se pudéssemos ‘varrer’ do parlamento a corrupção, como tanto desejava Jânio Quadros e almejam esquizofrenicamente Jabor, Mainardi e Piza ---, todos os nossos problemas estariam resolvidos. Não imaginam quanto essa percepção é furada.


Espanta, sim, é ver que tal discurso, pseudocientífico e eivado de impropriedades, nunca emplacou. A revista Veja já mostrou Lula como o maior dos ladrões, e nada aconteceu nem acima nem abaixo da linha do equador. Como pode isso, se a maioria silenciosa brasileira ainda se embala nessa forma rasa de pensar? O que explica o fenômeno?


Só pode ser porque os veículos e os três articulistas já perderam por completo o senso e a racionalidade: deixaram o ponto de vista correto escorrer bueiro adentro e se tornaram pra lá de intragáveis. O brasileiro já percebeu que, se fosse FHC a fazer tudo o que Lula vem fazendo e alcançado todo o seu sucesso, nossa mídia --- em especial, Jabor, Mainardi e Piza --- estariam alardeando agora: “FHC é o maior presidente que o Brasil já teve”.

(Conheça a seguir toda a pseudociência desses três


moluscos do conhecimento (tampinhas, se preferir)

As últimas pérolas de Diogo Mainardi

Em uma das mais rasas e infames interpretações de texto que já tive oportunidade de conhecer, Mainardi diz (em sua coluna de Veja, edição do fim de semana de 7 e 8 de novembro de 2009, sob o título ‘Os Moluscos do Brasil’), que Claude Lévi-Strauss, antropólogo recentemente falecido, descobriu no Brasil o homem reduzido à sua condição de molusco. E aí se vale de tal descoberta, já derrubada pela ciência como falsa, para dizer que o Brasil teve exemplos de moluscos como Getúlio Vargas, que simplesmente fechou as portas do País a Lévi-Strauss, por ser ele judeu.


Mainardi chega a tal conclusão a partir da seguinte afirmação de Lévi-Strauss, que ele mesmo cita em seu comentário: “A diferente estrutura do aparelho digestivo de homens, bois e moluscos não indica diferentes funções de seus sistemas digestivos. A função é sempre a mesma, podendo ser mais bem estudada e compreendida em suas formas mais simples, como a de um molusco.”


Começa que as teorias de Lévi-Strauss --- baseadas no estruturalismo que reduz tudo a estruturas que precederiam a história humana --- nunca se sustentaram e já foram derrubadas há muito tempo pela ciência, por serem incorretas. Ademais, o cientista em hipótese alguma teria descoberto no Brasil um tipo de homem (nós, os brasileiros) reduzido à condição de molusco.


Leitura minimamente apurada da afirmação do antropólogo demonstra que, se Lévi-Strauss descobriu alguma coisa nesse caso, foi que o ser humano (em geral), e não especificamente o homem brasileiro, teria funções digestivas semelhantes às do boi e do molusco, ainda que as estruturas de seus aparelhos digestivos sejam diferentes.


Não é preciso ser muito culto nem preparado para perceber que isto não é o mesmo que enxergar, no brasileiro, o homem reduzido à sua condição de molusco. Ao contrário, Lévi-Strauss reduziu o ser humano em geral, seja ele de onde for, não apenas o brasileiro, à condição de molusco. Isto é, a redução a molusco, que além de tudo não se sustenta e já caiu por terra como totalmente equivocada, não seria privilégio do homem brasileiro, mas sim de todos os seres humanos, sem exceção. Não só Getúlio Vargas seria um molusco, mas também Bush, Obama, Sarkozy, e, sobretudo, ele mesmo, Diogo Mainardi.

Além de tomar a afirmação de Lévi-Strauss como verdadeira, equívoco lamentável, Mainardi a deforma e a emprega mal, como argumento a seu favor, o que é mais lamentável ainda. E isto eu sei que Piza não faz.

Nessa, o escriba-molusco Mainardi se faz passar, ele sim, por molusco de primeira grandeza, garantindo lugar de honra no panteão do Festival de Asneiras que Assola a Intelectualidade Brasileira. E esta não é a única abobrinha de Mainardi só nesse seu comentário. Todo o seu texto está eivado de impropriedades, demonstrando que Mainardi não entendeu nada. E que moluscos somos todos nós, especialmente ele, Mainardi, e seus parceiros Jabor e bem... Piza. Novas vaias para Mainardi.


As últimas pérolas de Arnaldo Jabor


Em texto escrito para sua coluna no Estadão de 22 de setembro, sob o título ‘Devo pedir champanhe ou ciaNUreto?”, o jornalista-cineasta se diz em crise e que não agüenta mais nada, como ver Lula dançando xaxado pelo pré-sal, Sarney mandando no País, a corrupção correndo solta etc. Abre evocando letra de música de Cole Porter, a qual usa como título do mesmo artigo e que diz: “Questões conflitantes rondam minha cabeça / devo pedir ciaNUreto ou champanhe?”


E conclui reiterando que nem ele se agüenta mais: “Estou de saco cheio de mim mesmo, desta minha esperançazinha démodé e iluminista de articulista do ‘bem’, impotente diante do cinismo vencedor de criminosos políticos. Daí, faço minha a dúvida de Cole Porter: devo pedir ao garçom uma pílula de ciaNUreto ou uma ‘flute’ de champanhe rosé?”

Você já deve ter notado que nem mesmo Vanilda, aquela milagrosa de Santo André que deve ser em breve canonizada pela Igreja de tão pura e santa que era, põe fé na sinceridade dessas palavras. Viceja falsidade aí, não é? Quem acredita que Jabor seja articulista do bem? Só as sogrinhas da Avenida Paulista e as mulheres da legião brasileira de assistência às putas carentes.

Eu, de minha parte, acredito muito mais em Cole Porter, que hesitava entre o ciaNUreto e o champanhe, e mais ainda em Michael Jackson, que clamava por morfina na veia para aplacar as (reais) dores do mundo, até morrer disso.


Jabor tomar CiaNUreto? Duvido. Só se for ‘CIA No Reto’ ou na bunda --- supositório preferido do inconsciente dessa galera intelectual que pensa ser de esquerda, mas é da ala mais rasa e burra da direita. Tente pôr ciaNUreto no champanhe ou no reto de Jabor, vamos ver se ele aceita, mesmo quando mergulhado na maior depressão da paróquia. Pois sim. Isto, por exemplo (rompantes assim de autocomiseração hipócrita), nunca vi em Piza.


Mas não é só deste comentário de Jabor que eu queria falar. Na última terça-feira (10 de novembro, Caderno 2 do Estadão, p. D12), fomos agraciados com outra pérola dele: “Olha o subperonismo aí, gente!” é o título de seu último comentário. Nele, Jabor faz menção ao artigo de FHC também publicado no Estadão, o qual dá conta do possível aparecimento de uma espécie de peronismo no Brasil, que ele chama de subperonismo, caso o candidato de Lula (Dilma ou outro) cresça e ganhe as eleições de 2010. Segundo Jabor, FHC acerta na mosca nesse seu diagnóstico sobre o futuro do País.


Não vou nem perder tempo em demonstrar a aberração teórica que está embutida em tal propositura. Peronismo e subperonismo com Dilma? Socorro! É coisa de quem não entendeu o peronismo e desconhece por completo a realidade brasileira, típica de FHC e de sua superada visão estruturalista. Desta vez, nem na trave bateu. Vou me ater a esse esforço hercúleo de desestabilização do lulismo, que já esteve muitas vezes próximo do golpe de estado e de outros expedientes espúrios, fruto da inveja de FHC e dos três moluscos.


E olhe que os três articulistas são grandes entusiastas da “liberdade”, do “estado de direito” e do “respeito às leis”. Mas fazem o possível e o impossível para deter o lulismo, sem medir esforços nem conseqüências. Está valendo tudo, minha gente! E aí exclamo: “Não é uma contradição braba?” Não são os nossos gigantes da comunicação que dizem sempre: todo o sucesso de Lula se deve ao fato de ele ter dado continuidade ao que sabiamente plantou FHC? Que Lula só alcançou esse êxito todo por ter sido discípulo fiel e seguidor de FHC?

Ora, se assim é, é porque Lula, na visão deles, agiu corretamente e acertou, só merece elogios e precisa ser apoiado. Afinal, fez tudo o que FHC teria feito, se tivesse permanecido na presidência, sonho que o ex-presidente com certeza acalentava secretamente. Não era para FHC, os três moluscos e seus veículos estarem agora elogiando Lula e, inclusive, o estimulando a um terceiro mandato ou, no mínimo, apoiando a candidatura de Dilma, para que ela desse continuidade também --- a exemplo de Lula --- à sábia política econômica semeada e plantada por FHC? Ou estou ficando louco?

De acordo com o raciocínio dos três moluscos, se Lula apoiou-se nas conquistas de FHC, como eles dizem, agiu corretamente e é digno de ser apoiado. Ou não? Ao contrário, ao procurar depreciar e desestabilizar o governo Lula, os três moluscos dão provas de que ou agem de má-fé e são desonestos ou são mesmo moluscos, para não dizer paquidermes. Não é paquidérmico condenar Lula por ter agido corretamente até aqui, ao dar os mesmos passos que o ídolo FHC daria na presidência, se nela tivesse continuado?

As últimas pérolas de Daniel Piza


Tais pérolas, as mais rasas dos três moluscos, estão em seu texto Muros Mentais, último publicado na coluna Sinopse do caderno Cultura, do Estadão de 8 de novembro, página D3. Aí vão, com meu comentário após cada passagem:


Diz Piza nesse seu artigo sobre o Muro de Berlim: “Naquele mundo dividido, toda tirania começava pela restrição à informação e à expressão, e mesmo os que lidavam com elas, como intelectuais, jornalistas e artistas, caíram em grande número na propaganda oficial de que a democracia era mais bem defendida por regimes autoritários, fossem ditos de esquerda, fossem ditos de direita.”


E acrescenta, mais adiante: “Há, em suma, um aspecto humanista na queda do muro que tem sido esquecido. Aquela foi uma festa da liberdade em todos os sentidos – econômica, política e moral. Não se tratava apenas de uma defesa do mercado e do consumo, mas também um alerta contra a natureza do poder.”


Tudo muito lindo, mas será que Piza estudou mesmo o que diz ter estudado? Ninguém contou para ele que a restrição à informação e à expressão acontece ainda hoje, em muito maior escala e proporção, no mundo em que ele vive, principalmente no nosso jornalismo e no jornal em que ele trabalha? Que aquela de Berlim não foi uma festa da liberdade em todos os sentidos, mas sim uma festa de quem acreditava ingenuamente haver, em todos os sentidos, liberdade do lado de cá do muro?


Sim, a queda do muro teve todos os aspectos humanistas possíveis, porque aquilo era uma aberração dentro de outra aberração, o socialismo real, que de socialismo verdadeiro nunca teve nada. A queda foi mesmo um grito de liberdade num mundo que havia se tornado insuportável, mas não dessa liberdade ilusória que aponta infantilmente Piza. É concebível tamanha ingenuidade em pleno século 21?


E conclui Piza: “A democracia não é apenas o sistema menos ruim que a humanidade concebeu, mas também aquele que mais resistência pode oferecer a suas próprias distorções. Que os muros mentais sejam derrubados.”


Ora, a democracia, pelo menos essa que está na cabeça de Piza, a exemplo do socialismo autêntico, nunca existiu em lugar nenhum do Planeta. O que conhecemos por democracia (como essa que hoje aí está, evocada sempre por Piza) são, na verdade, os mecanismos pelos quais as forças do capital determinam seu próprio destino e controlam a sociabilidade, que por sua vez controlam os indivíduos que nessa sociabilidade vivem, tolhendo-lhes toda a liberdade. E é difícil entender como Piza, que se julga ilustrado e culto, nunca tenha estudado isso nem se familiarizado com essa verdade que é absoluta.


Tais mecanismos incluem o Estado, a política, o poder, a polícia, as leis, o direito, a família tal como está instituída, a religião e todas as demais instituições. São eles (tais mecanismos) que garantem, a essa democracia defendida por Piza e que não existe, continuar se valendo da prática do roubo diário de força de trabalho que tanto progresso nos trouxe e até salvou o homem da miséria física e mental, só que já começou a fracassar.


Urge que ela (essa mesma democracia) seja agora demolida (de que forma, não sei, nem sei se isto é possível) ou que seja no mínimo contida na sua atual voracidade predatória, pois vive seu momento mais orgástico de devastação do meio ambiente, podendo acabar logo, logo, com a vida na Terra. Essa ‘democracia’ de efeitos nefastos apequenou o ser humano, transformando-o no molusco em que viraram Mainardi, Jabor e Piza, ou seja, em objeto alienado sem perspectivas programado somente para consumir e ser consumido até o dia de sua morte. Repito o grito de Michael Jackson: “O Planeta está doente, é preciso fazer alguma coisa já, do contrário sucumbiremos!” Por que os três moluscos são infensos ao que diz o ídolo pop? Por que se julgam superiores a ele?

Conclusão


Não é bizarro que Michael Jackson, mesmo sem ter estudado tanto, tenha percebido tudo isso com notável clareza, e que nossos três moluscos (Mainardi, Jabor e bem... Piza, novas sumidades in the block) ainda não?

A grande tragédia está no fato de que textos como esses, de Jabor, Mainardi e Piza, ainda que bem escritos, infestam a mídia brasileira em proporções cada vez mais assustadoras. O que marca essa intelectualidade, a que Gramsci chamava de orgânica (por estar organicamente entranhada nas forças que regem o capital, como a ala mais rasa e burra da direita), não é só o despreparo e a inconsistência do ponto de vista científico, mas a leviandade e a falta de seriedade. Um desastre para a humanidade.


Como no exemplo dos moluscos de Mainardi, essa intelectualidade é capaz de fabricar argumentos a partir de falsas premissas para utilizá-los na produção de mentiras que desejam e precisam fazer passar por verdades. É incalculável o desserviço que tais mentiras prestam ao homem, daí que esse bando precisa ser banido, ou que sejam derrubados os muros mentais nos quais esses intelectuerdas se confinaram, tarefa no mínimo inglória! Ou a gente acaba com eles ou eles (e toda essa ‘democracia’ que os faz delirar) acabam com a humanidade.

O que nos enche de esperanças é saber que essas inverdades que propalam não estão mais sendo ouvidas. Da mesma forma que o vírus não acaba com todo mundo a todo tempo, essas mentiras também não enganam todo mundo a todo tempo. A humanidade já começou a despertar e uma hora vai resolver esse problema que ela mesma se colocou, livrando-se do mal, amém. Mas isto depende muito de você. Tá acordado? 
 
Tom Capri.
 
Os artigos assinados são de responsabilidade de seus subscritores  e não espelham exatamente a opinião dos editores

OPERAÇÃO PINÓQUIO - AMILCAR BRUNAZO FILHO



O título desta mensagem bem poderia ser: "e cadê os Partidos?"



Além das notas publicadas no sítio do Centro de Divulgação da Justiça Eleitoral, a estratégia de comunicação da autoridade eleitoral inclui produzir filmes institucionais de propaganda usando os testes de segurança nas urnas.
Para tanto, equipes de 3 TV foram montadas para capturar imagens e entrevistas com os presentes nos testes.
As equipes designadas são da TV TSE (era de se esperar), da TV Justiça (sempre muito sincronizada a TV TSE) e da TV Cultura (que também tem convênio de colaboração com o TSE).
Seus câmeras e reporteres já gravaram entrevistas com quase todos os presentes, como os representantes do: TSE (ministro e técnicos), TREs, STJ, PGR, CGU, MCT/CTI, OEA, UnB, ITA, Exercito (observador), Marinha (só imagens, sem entrevista), pesquisadores individuais e....
Vocês estão notando a falta de alguma entidade nessa lista?
Como tem lembrado a advogada Maria Cortiz, representante do PDT, o art. 14 da Constituição estabelece os direitos absolutos do cidadão brasileiro de votar e de ser votado. E para exercer seu direito de ser votado, o cidadão tem que pertencer a algum Partido Político.
Em outras palavras, Partidos Políticos são entidades de direito privado (dos cidadãos) ESSENCIAIS e com direitos FUNDAMENTAIS dentro do processo eleitoral, sem os quais simplesmente não pode haver eleições (e democracia, etc.) no Brasil.
A própria Justiça Eleitoral com todos os seus poderes absolutistas, existe apenas e tão somente para garantir exercício do direito constitucional dos eleitores e dos Partidos.
Mas.... e cadê os partidos... nas entrevistas das TV oficiais?
Na sua entrevista, o ministro Lewandowski, relator do processo, lembrou que os testes foram aprovados a partir de pedido dos partidos PT e PDT (posteriormente o PR aderiu ao pedido), mas que estes não indicaram pesquisadores.
Faltou o ministro explicar que ele próprio havia decidido unilateralmente excluir os partidos das comissões deliberativas.
Mas, embora ausentes das comissões deliberativas (por imposição da autoridade eleitoral absoluta) e das equipes de pesquisadores (por decisão própria, diantes das regras restritivas), representantes dos partidos PR e PDT, autores de petições dentro do processo formal, tem estado presentes todos os dias assistindo os testes...
... mas estão excluídos das "pautas" que os reporteres recebem prontas para cumprir.
Os reporteres das 3 emissoras informaram não estarem autorizados a entrevistar representantes dos partidos.
Eta! mentalidade tacanha neste meu país.


O fundo musical desta mensagem, sem dúvida, é a canção "O meu País" de João de Almeida Neto, que pode ser ouvida em:




A letra desta música de um cidadão brasileiro segue abaixo, a qual tivemos a ousadia de acrescentar estrofe a mais, não porque a obra-prima do João de Almeida Neto careça de reparo ou complemento, mas para incluir nosso lamento:
______________________________________

O Meu País

João de Almeida Neto

Um país que crianças elimina;
E não ouve o clamor dos esquecidos;
Onde nunca os humildes são ouvidos;
E uma elite sem Deus é que domina;
Que permite um estupro em cada esquina;
E a certeza da dúvida infeliz;
Onde quem tem razão passa a servis;
E maltratam o negro e a mulher;
Pode ser o país de quem quiser;
Mas não é, com certeza, o meu país.




Um país onde as leis são descartáveis;
Por ausência de códigos corretos;
Com noventa milhões de analfabetos;
E multidão maior de miseráveis;
Um país onde os homens confiáveis
não têm voz, não têm vez, nem diretriz;
Mas corruptos têm voz, têm vez, têm bis,
e o respaldo de um estímulo incomum;
Pode ser o país de qualquer um;
Mas não é, com certeza, o meu país.


Um país que os seus índios discrimina;
E a Ciência e a Arte não respeita;
Um país que ainda morre de maleita,
por atraso geral da Medicina;
Um país onde a Escola não ensina;
E o Hospital não dispõe de Raios X;
Onde o povo da vila só é feliz
quando tem água de chuva e luz de sol;
Pode ser o país do futebol;
Mas não é, com certeza, o meu país!


Um país que é doente, não se cura;
Quer ficar sempre no terceiro mundo;
que do poço fatal chegou ao fundo;
Sem saber emergir da noite escura;
Um país que perdeu a compostura;
Atendendo a políticos sutis;
Que dividem o Brasil em mil brasis;
Para melhor assaltar, de ponta a ponta;
Pode ser um país de faz de conta;
Mas não é, com certeza, o meu país!




Um país que perdeu a identidade;
Sepultou o idioma Português;
Aprendeu a falar pornô e Inglês;
Aderindo à global vulgaridade;
Um país que não tem capacidade;
De saber o que pensa e o que diz;
E não sabe curar a cicatriz
desse povo tão bom que vive mal;
Pode ser o país do carnaval;
Mas não é, com certeza, o meu país!


(Estrofe que acrecentamos)


Um país onde o eleitor é tratado como gado;
e a autoridade eleitoral é absoluta;
onde os canditados partem para luta
sem poder tem conferir o resultado;
Será sempre um país atrasado;
cuja autoriade camufla seus atos vis;
De porte de filial, jamais de uma matriz;
Pode ter biometria e biônica;
Pode ser o país da urna eletrônica;
mas não é, com certeza, o meu país!
_____________________________
nota: as mensagens anteriores desta série podem ser vistas em:

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Eng. Amilcar Brunazo Filho - Santos, SP

Adv. Maria Aparecida Cortiz - São Paulo

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Se a urna não imprimir, seu voto pode sumir

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

No – 132 – COLUNA DO SARDINHA




COMURBA – PIRACICABA (SP) 45 ANOS
(’60 A DÉCADA QUE AINDA NÃO ACABOU)


Os anos ’60 foram marcados pela exacerbação dos Direitos Individuais, que contrapunham-se aos direitos coletivos, assim entendidos, como os que a pretexto de vir atender aos interesses da coletividade eram na verdade manipulados em benefício de grupos ou de dirigentes, que encastelavam-se no poder, como senhores de baraço e cutelo.
Certo é que, os direitos civis ou individuais, já estavam devidamente codificados e identificados muito antes disso, tanto na Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão adotados pela Organização das Nações Unidas respaldada na Lição Francesa de 1.789 e Americana de 1.891, mas não tinham ainda o caráter da efetividade, sendo colocados em segundo plano, com o “Estado” plenipotenciário ditando ao cidadão as mais singelas regras de conduta, sejam morais, religiosas ou políticas.
A guerra do Vietnã em muito contribuiu para a explosão dos movimentos, que propunham a superposição do individual ao coletivo opressor que, por exemplo, obrigava o jovem “a lutar pela pátria e morrer sem razão”, como diria o poeta, numa guerra que não era dele.
Um movimento que a princípio restringia-se a isso, incendiou-se como um rastilho de pólvora contagiante, empolgando as minorias, que consideravam-se injustiçadas por algo nem sempre palpável.
Assim, etnias que viviam à margem do processo, gays, lésbicas, trans, bissexuais, embalados nos sonhos de Martin Luther King aliaram-se à juventude, exigindo liberdade total para tudo o que é tipo de opressão, que se estendia da política, à moda trash, à mini-saia, ao topless e às drogas.
A década de 60 representou sem dúvida, uma revolução e um início de um ciclo, que em alguns lugares do mundo nem começou e que efetivamente não acabou. O mundo está a exigir um processo igual ou parecido, uma “nova guerra do Vietnã” filosófica, que devolva ao indivíduo o sopro dos ventos da primazia do direito individual, pois sem este o coletivo deixa, por extensão, de existir.
06 de novembro de 1964 – um dia comum, igual a muitos outros, onde a filosofia da década de ’60 engatinhava e ainda não se fazia sentir e no qual o período de exceção imposto ao Brasil pelos militares, ainda não tinha os contornos de uma ditadura implacável. Neste dia, Piracicaba no interior do Estado de São Paulo foi sacudida por um evento que iria marcá-la para sempre.
Uma cidade pequena, provinciana, atraída pela proposta desenvolvimentista dos anos JK, que nos deu a indústria automobilística e Brasília, apostou no crescimento vertical, com a idéia de tornar-se uma metrópole, uma novaiorque caipira e tão iluminada como a própria.
Arquitetos e engenheiros piracicabanos tomaram como protótipo o Edifício Copan, obra de Niemayer incrustada na avenida Ipiranga com São Luiz no centro nervoso de São Paulo e colocaram na prancheta um enorme espigão de quinze andares em formato de “S”, que seria construído lateralmente à praça central, com um quarteirão de extensão, cerca de cem metros.
Assim o fizeram e nasceu, o edifício Luiz de Queiroz, carinhosamente chamado de “COMURBA” em alusão à incorporadora.
Célere ganhou os ares e quando aproximava-se da fase de acabamento, um desastre! A perna do “S” localizada à direita de quem olhava o prédio da praça, simplesmente despregou-se da esquerda, ruindo como um castelo de cartas e matando dezenas de pessoas.
Muito especulou-se sobre os motivos que levaram a tal desastre. O corporativismo e o provincianismo agiram rápido e determinaram: eventuais culpadas foram as improváveis placas tectônicas (que só existem em lugares sujeitos a terremotos), que acomodaram-se exatamente naquele local.
Tal hipótese, por absurda, nunca foi levada a sério, mas serviu para silenciar divergências, pois nunca se ouviu falar que alguém tenha sido condenado a indenizar as famílias das vitimas, que à época por certo, não conheciam os direitos individuais, que a década de 60 consagraria depois.

Luiz Bosco Sardinha Machado

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A PALAVRA DA LEITORA

BLUE JEANS



O “Pensamento” dos anos 60/70 não foi influenciado por Martin Luther King, Malcolm X, Betty Friedann, e nem Kennedy teve esse privilégio ou qualquer outro líder Americano ou de outro continente.


Não foi uma busca pela Libertação, não foi uma busca por Igualdade de Direitos nem uma luta Racial e creio que nem mesmo pela PAZ.


Não foram os “Panteras Negras”, nem “Sutiãs Queimados”, Nem excluídos, nem ativistas ou militantes que influenciaram a juventude que representou a Cultura Hippie dos anos 60/70, ou melhor, a Contra-Cultura.


Não nasceu de mentes ou foi implantado per qualquer Sistema Político ou Econômico.


É a única forma de expressão que pode ser chamada com certeza de “Geração Espontânea”.


É um Paradigma Emergente, um Pensamento Sistêmico.


Não podemos analisar a essência do momento sob a ótica estruturada e organizacional de pensadores ou de lideranças políticas, grupais ou tribais.


Foi uma ebulição, uma efervescência de sentimentos e emoções.


Foi como um chamamento, uma espécie de “Campo dos Sonhos” e se existe um pensador que pode representá-lo, esse é o inexistente escritor eremita, criado por Phil Alden Robinson, baseado em livro de W.P. Kinsella e interpretado por James Earl Jones na pele do personagem“Terence Mann”.


O filme aborda a obstinação de um homem em busca de redenções e da realização de um sonho que parece absurdo, mas que tem um significado tão maravilhoso quanto o sentido da vida.


Escuta voz que diz “Se você construir ele virá”. “Alivie Sua Dor”. Como Abraão, ou um apóstolo, ele dá tudo que têm pela crença na fé, mas o faz de uma forma pura, que transcende aos dogmas e a obediência.


E os anos 70 surgem como uma espécie de catarse da humanidade. Uma absolvição dos pecados e do “carma” do livre arbítrio.


Aconteceu em todos os cantos do mundo simultaneamente, mesmo que reconhecida ou representada sob diferentes formas, aspectos e culturas diversas.


Até no Brasil temos exemplos não tão expressivos por que culturalmente éramos diferentes antes da globalização. Mauá foi um deles.


A humanidade e a existência é que importavam.


Fritjof Capra tentou inultimente representar e trancrever o que estava ocorrendo


Mas mesmo a ideia de “Movimento” não é suficiente para exprimir o fenômeno ou a fenomenologia.


Mesmo transitando entre a sabedoria oriental, drogas ou sob a vigilância da ciencia, o máximo que conseguiu foi chegar à “Terra de Ninguém” com sua metafísica ontológica.


Destruiu-se uma geração inteira em nome do tal “Milagre Econômico”, ou simplesmente provar a força de organizações facistas financiadas pelo dinheiro sem pátria como o foi a CIA e outras tantas.


Só quem lucrou com tudo isso foram alguns visionários como Brian Epstein. O produto cultural advindo da mobilização, da criatividade, da crença na “liberdade” enriqueceu os empresários e alimentou a mídia.


Foi um tiro no própio pé, pois os Estados Unidos, berço da “Máxima” PAZ & AMOR poderia ter sido o guia, o mentor das mudanças comportamentais e da evolução natural da humanidade.


Jamais ocorrerão Woodstocks, único e lendário, onde 500 mil pessoas se reuniram para cultuar o amor e a paz, sem pagar dízimos, somente os ingressos, na época 18 dólares e embalados pelo “SOM” e as drogas, mas não com o apelo que elas possuem hoje.


Não estou fazendo apologia, sou literalmente contra drogas sejam legais ou ilegais, só em casos de doenças onde são imprescindíveis. Estou analisando sob o contexto da época e dos acontecimentos, onde, para os jovens e somente à eles, o prazer era permitido sem culpas ou críticas. Onde tudo era coletivo e para o coletivo.


Um belo exemplo para a HUMANIDADE que anda as voltas com armas e ismos.


Pena que disso tudo só sobrou a calça JEANS.


O BLUE e a CAMISETA são hoje, somente, simbolos comuns das massas e da globalização.


E de S em S e SS´S, nunca punirão os culpados. Se até hoje não encontraram os assassinos de Kennedy o que dirá questionar uma Placa Tectônica que simplesmente engoliu uma “perninha” do S e matou algumas “almas anônimas”...


O SONHO ACABOU...


Maria Tereza Penna












NOTA À IMPRENSA

O Partido Democrático Trabalhista (PDT), através de seus representantes técnicos junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), juntamente com o Partido dos Trabalhadores (PT), decidiu não participar do teste de segurança das urnas eletrônicas iniciado hoje (10/11) em Brasília devido a decisão dos ministros do Tribunal, atendendo a Secretaria de Informática do TSE, de excluir os partidos da comissão responsável pela elaboração das regras para o teste.


O PDT e o PT entenderam que nos termos em que o teste está se realizando, não está garantida a independência do resultado porque só o TSE indicou os membros das comissões avaliadoras, além de ditar regras para a fiscalização. Entendemos que não cabe ao fiscalizado ditar regras para o fiscalizador.


É importante frisar que o TSE decidiu realizar o teste de segurança em julho último, exatamente quando estava em discussão no Congresso Nacional a Lei N° 12.034/2009, sancionada pelo Presidente Luiz Inácio da Silva, que determina a volta do voto impresso conferido pelo eleitor a partir das eleições de 2.014 – decisão que, a todo custo, o Superior Tribunal Eleitoral tentou evitar.


O voto impresso é a única maneira de tornar seguras as máquinas de votar do tipo DRE (Direct Recording Electronic Voting Machine), como são as brasileiras, porque são totalmente vulneráveis e dependentes de softwares e, por isso, o seu uso em eleições é proibido em 26 estados dos EUA, além da Alemanha, Holanda e Bélgica.


Ainda sobre o teste de segurança que está se realizando até a próxima sexta nas dependências do TSE, é importante lembrar que ele foi inicialmente solicitado pelo PT e o PDT em maio de 2006 – petição 1.896/06 – que sugeriram a criação de uma comissão técnica de professores universitários a ser indicada pelos partidos.


Em outubro de 2007 foi protocolado no TSE - sob o n° 19223/07 – pelos dois partidos, solicitação formal para que fosse criada uma Comissão Especial de Avaliação Técnica dando direito aos pleiteantes de indicarem para a comissão, cada um, um especialista em informática.


Diante da decisão do TSE de nomear quatro membros para a comissão, o PDT, PT e PR – protocolo TSE 11.209/08 - reiteram que era essencial que a Comissão Avaliadora tivesse os seus membros indicados de forma independente do TSE sem o que considerariam indeferido o pedido.


Em dezembro de 2008, o Secretário de TI do TSE, Sr. Guiseppe Janino, confirmou a participação de todos os partidos políticos na Comissão Avaliadora, tanto que na Informação n°002/08-STI, explicou que “a Justiça Eleitoral constituirá minoria no quorum deliberativo pois a comissão será composta por um representante de cada partido político (num total de 27 indicados)”. Ou seja, um quadro absolutamente diverso do que o que se apresenta hoje onde todos os 11 membros das comissões deliberativas foram indicados pela própria autoridade eleitoral.


Só que em junho de 2009, quando a Câmara Federal aprovou o projeto que veio a se tornar a Lei 12.034/09, obrigando a impressão do voto nas urnas eletrônicas, para tentar barrar o projeto de lei no Senado, por proposta do Sr. Janino, os ministros do TSE aprovaram a Resolução TSE 23.090/09 que determinou não só a realização do teste de segurança, como excluiu todos os partidos das funções deliberativas.


Portanto, a verdade é que não foram os partidos que não quiseram participar do teste de segurança: eles foram deliberadamente excluídos por decisão formal do TSE.


Brasília, 10 de novembro de 2009.


Amilcar Brunazo Filho


Maria Aparecida Cortiz


Osvaldo Peres Maneschy

terça-feira, 10 de novembro de 2009

MURO DE BERLIM: ALÉM DO FUNDAMENTALISMO DO MERCADO, DEPOIS DE 20 ANOS


Por Eric Hobsbawm*

Londres, novembro/2009 – O breve século XX foi uma era de guerras religiosas entre ideologias seculares. Por razões mais históricas do que lógicas, o século passado foi dominado pela oposição entre dois tipos de economia mutuamente excludentes: o “socialismo”, identificado com as economias planejadas centralmente do tipo soviético, e o “capitalismo”, que cobriu todo o resto.

Esta aparente oposição fundamental, entre um sistema que tentou eliminar a busca pelo lucro da empresa privada e outro que procurou eliminar toda restrição do setor público sobre o mercado, nunca foi realista. Todas as economias modernas devem combinar o público e o privado de variadas maneiras e de fato o fazem. As duas tentativas de cumprir a qualquer custo com a lógica dessas definições de “capitalismo” e “socialismo” fracassaram. As economias de planejamento comandadas pelo Estado do tipo soviético não sobreviveram aos anos 80, e o “fundamentalismo do mercado” anglo-norte-americano, então em seu apogeu, se fez em pedaços em 2008.

O século XXI terá de reconsiderar seus problemas em termos mais realistas. De que maneira o fracasso afetou os países anteriormente comprometidos com o “modelo socialista”? Sob o socialismo, eles não foram capazes de reformar seus sistemas de economia planificada, embora seus técnicos tivessem plena consciência de seus defeitos fundamentais, que eram internacionalmente não competitivos e continuavam sendo viáveis apenas na medida em que estivessem isolados do resto da economia mundial.

O isolamento não pôde ser mantido, e quando o socialismo foi abandonado, já o fora pelo colapso dos regimes políticos, como ocorreu na Europa, ou pelo próprio regime, como sucedeu na China e no Vietnã, esses Estados mergulharam de cabeça no que para muitos parecia a única alternativa à disposição: o capitalismo em sua então dominante forma extrema do livre mercado.

Os resultados imediatos na Europa foram catastróficos. Os países da ex-União Soviética ainda não superaram seus efeitos. Felizmente para a China, seu modelo capitalista não se inspirou no neoliberalismo anglo-norte-americano, mas no muito mais dirigista dos “tigres” do Leste asiático. A China lançou seu “grande salto adiante” econômico com escassa preocupação por suas implicações sociais e humanas.
Este período agora está chegando ao fim, tal como ocorre com o domínio do liberalismo econômico anglo-norte-americano, embora ainda não saibamos quais mudanças trará a atual crise econômica mundial depois de superados os efeitos da sacudida dos últimos dois anos. Somente uma coisa é clara, há um importante deslocamento das velhas economias do Atlântico Norte para o Sul e, sobretudo, para a Ásia do Leste.

Nesta situação, os ex-Estados socialistas (incluindo aqueles ainda governados por partidos comunistas) enfrentam problemas e perspectivas muito diferentes. A Rússia, tendo se refeito até certo ponto da catástrofe da década de 90, ficou reduzida a ser forte, mas vulnerável, exportadora de matérias-primas e energia, e até agora não foi capaz de reconstruir uma base econômica mais balanceada.

A reação contra os excessos da era neoliberal levou a certo retorno para uma forma de capitalismo de Estado com uma reversão a aspectos da herança soviética. É evidente que a simples “imitação do Ocidente” deixou de ser uma opção. Isto é ainda mais óbvio na China, que desenvolveu seu capitalismo pós-comunista com considerável êxito. Tanto é assim que futuros historiadores poderão muito bem ver a China como a verdadeira salvadora da economia do mundo capitalista na atual crise.

Em resumo, já não é possível crer em uma única forma global de capitalismo ou de pós-capitalismo. Porém, modelar a economia futura talvez seja o assunto menos importante de nossas preocupações. A diferença crucial entre os sistemas econômicos está não em suas estruturas, mas em suas prioridades sociais e morais. A este respeito vejo dois problemas:

O primeiro é que o fim do comunismo significou o súbito fim de valores, hábitos e práticas sociais com os quais várias gerações viveram, não apenas dos regimes comunistas, mas também os do passado pré-comunista e que foram amplamente preservados sob tais regimes. Exceto para os nascidos depois de 1989, se mantém em todos um sentimento de alteração e desorientação social, mesmo com os apuros econômicos já não predominando na população pós-comunista. Inevitavelmente, passarão várias décadas antes de as sociedades pós-comunistas encontrarem um modo de viver estável na nova era, e de poderem ser erradicadas algumas das consequências da alteração social, da corrupção e do crime institucionalizados.
O segundo problema é que tanto o neoliberalismo ocidental quanto as políticas pós-comunistas que o inspiraram deliberadamente subordinam o bem-estar e a justiça social à tirania do Produto Interno Bruto, sinônimo do máximo e deliberadamente desigual crescimento. Desta forma se sufoca, e em alguns países ex-comunistas se destrói, o sistema de segurança social, os valores e os objetivos do serviço público. Tampouco existem bases para o “capitalismo com rosto humano” da Europa das décadas posteriores a 1945, nem para satisfatórios sistemas pós-comunistas de economia mista.


O propósito de uma economia não deve ser o lucro, mas o bem-estar de todas as pessoas, assim como a legitimação do Estado é seu povo e não seu poder. O crescimento econômico não é um fim, mas um meio para criar sociedades boas, humanas e justas. O que importa é com quais prioridades combinaremos os elementos públicos e privados em nossas economias mistas. Esta é a questão política-chave do século XXI.

* Eric Hobsbawm é historiador e escritor britânico.
(IPS/Envolverde)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

TRISTES LÉVI-S TRÓPICOS

Tom Capri






Dedicado a Chris Mello, colunista do Estadão que ainda se irrita com meus comentários.


A morte de Claude Lévi-Strauss no último dia 31 de outubro, próximo de completar 101 anos, deveria ter ensejado fecundos estudos sobre sua obra, mostrando não só a contribuição dele para a ciência, mas principalmente o desserviço que prestou, ao se valer, como premissa, do grande equívoco que é o estruturalismo. Ao contrário, sua morte rendeu (por enquanto) textos tão superficiais e tristes quanto Tristes Trópicos, uma de suas obras mais importantes e que aborda pesquisas feitas quando de sua viagem ao Brasil, nos anos de 1930. Veja também aqui, em linguagem didática, qual é o furo do estruturalismo e, portanto, da obra do antropólogo nascido em Bruxelas a 28 de novembro de 1908.


Lévi-Strauss é responsável por grandes descobertas que depois se comprovaram científicas, como a de que não existem povos inferiores ou superiores nem há diferenças essenciais entre as formações arcaicas e modernas. Até porque a humanidade sempre foi uma só, ainda que multifacetada, e não existem raças, já o sabemos.
Mas o cientista chegou a tais conclusões com base no estruturalismo, noção que já nasceu obsoleta, como preceito equivocado, ou seja, como falsa consciência superada antes mesmo de vir ao mundo. Segundo o antropólogo, o comportamento humano é determinado por estruturas culturais, sociais e psicológicas, e isto não se sustenta.
Acredito que nossas principais revistas e as edições dominicais dos jornais tragam material mais consistente sobre o legado de Lévi-Strauss. Tomara! Por enquanto, o que pude ler em nossa mídia foi avaliação tão superficial e triste quanto a essência da obra do antropólogo, passível de crítica e já derrubada pela ciência.
Dos textos que li na mídia, nenhum colocou o cientista no devido lugar, até mesmo por ignorância: raros conseguiram entender até hoje sua obra e o estruturalismo, que não é escola nem movimento cultural, mas sim método equivocado de abordagem e análise, até porque, a ciência também já o comprovou, não há método para o conhecimento. Na verdade, poucos alcançaram até mesmo o significado do termo quando utilizado pela primeira vez pelo linguista Ferdinand de Saussure, em seu Cours de Linguistique Générale (1916): a forma de explicar a origem dos fonemas numa língua, a partir de estruturas.
Lévi-Strauss emprestou a noção de Saussure para aplicá-la à antropologia, que estuda a origem das culturas, suas crenças e costumes. Para Saussure, os elementos de uma língua só podem ser entendidos na sua relação estrutural com os demais elementos desta mesma língua. Ou seja, só podem ser compreendidos pelas relações de equivalência ou de oposição que cada elemento de uma língua mantém com os demais que lhes são próximos, sendo que esse conjunto de relações dos elementos forma estruturas.
Em Mitológicas 1 - O Cru e o Cozido, Lévi-Strauss avançou no estruturalismo ao analisar 187 mitos, que para ele não passam de estruturas só existentes quando associadas a outros mitos, tal qual na lingüística (semiótica) de Saussure. Só é possível interpretar um mito como, por exemplo, o do fogo e do cozimento dos alimentos, diz Strauss, quando analisado em conjunto com os demais mitos (estruturas) em que este mesmo mito está imbricado.
O estruturalismo estendeu-se em seguida a vários campos, como a psicologia (com Lacan) e até mesmo a matemática, com Bernacerraf. Sempre como forma de abordagem e método de análise. O método ganhou depois inúmeras variantes, inclusive uma marxista, de Louis Althusser, até cair em desuso por absoluta falta de consistência.
Para Lévi-Strauss --- idéia que Piaget veio endossar incondicionalmente ---, a humanidade e a cultura (as crenças e costumes, em suma, a sociabilidade) resultam de estruturas que já existiam antes das civilizações, como já apareciam na lingüística de Saussure. Seriam estruturas apriorísticas e abstratas que surgiram não se sabe de onde e que jamais identificaremos a origem.
Até porque, garante Lévi-Strauss (noção que obviamente vai buscar em Kant, para quem é impossível entendermos a coisa-em-si), carregamos dentro de nós uma irremediável ignorância em relação às verdadeiras fontes de origem da cultura com suas crenças e costumes, ou seja, da sociabilidade. Eis o grande furo do estruturalismo, o mesmo furo da noção da impossibilidade de conhecermos a coisa-em-si, presente em Kant.
Apesar de ter sido, na juventude, militante de tendência marxista e até ter dito certa feita que a cultura resulta de um processo dialético de tese, antítese e síntese, Lévi-Strauss nunca entendeu as descobertas científicas de Darwin nem Marx, a exemplo de Piaget. Muito provavelmente leu ambos, mas não conseguiu alcançar a essência tanto de um quanto de outro.
A ciência já comprovou e sacramentou, com Darwin, Marx e outros, que toda atividade intelectual --- isto é, a cultura, com suas crenças e costumes, inclusive o ato de pensar --- origina-se da forma como a espécie humana (e a pré-humana que resultou na humana) vem lutando há milênios para sobreviver. Isto é, origina-se da forma como o homem trabalha e produz para se perpetuar como espécie.
Vale repetir, é a forma como o homem luta pela sobrevivência --- essa prática diária que tem garantido até aqui a perpetuação da espécie, e que é movida pelo trabalho --- o deus criador de nossas realidades, ou melhor, da sociabilidade, resultando na nossa cultura (nas relações sociais, crenças, normas, costumes, tudo que aí está relativo ao homem). Embora Lévi-Strauss possa ter lido Darwin e Marx, não entendeu como isso --- de a sociabilidade ser fonte de origem da cultura e da atividade intelectual --- se processa na realidade.
Desde os primórdios, é assim, e a humanidade já tem comprovação científica disso há mais de 150 anos, porém a descoberta não chegou ao antropólogo, e, se chegou, ele não entendeu como ela se processa na objetividade. Quando o homem, nos primórdios, saía à caça para garantir a própria sobrevivência e a dos seus, nesse mesmo processo de dispêndio de trabalho ia inventando a lança, o arco, a flecha etc. Ou seja, ia se enriquecendo espiritualmente, ao criar seus instrumentos de trabalho e toda a tecnologia que lhe viria facilitar a vida, além de precisar ‘inventar’ por necessidade a linguagem para dar nome a tudo o que criava.
Em resumo, a forma como o ser humano luta pela sobrevivência, no trabalho (ou seja, a forma como trabalha e que chamamos também de infraestrutura), é sem dúvida nenhuma a fonte de origem da cultura, isto é, da sociabilidade como a que aí está, em cada formação social. Há, portanto, um primado da sociabilidade sobre as propriedades da atividade intelectual (da cultura, com suas crenças, normas e costumes), o que significa dizer que a primeira (a sociabilidade) é sempre fonte de origem da segunda (da cultura).
Já para Lévi-Strauss, ao contrário, as propriedades da atividade intelectual (isto é, da cultura) não são jamais “reflexo da organização concreta da sociedade”, daí a recusa, da parte dele, em aceitar o “primado do social sobre o intelecto (a cultura)”. O antropólogo entende que, atrás das relações humanas concretas, escondem-se estruturas subjacentes, abstratas e inconscientes as quais o cientista só pode alcançar pela construção dedutiva de modelos abstratos. Entende também que apenas desta maneira ele pode compreender a realidade humana.
E Lévi-Strauss prossegue: a cultura, com suas crenças e costumes, “se apresenta como normas exteriores, antes de engendrar sentimentos internos (no homem)”. Tais “normas insensíveis (subjacentes, abstratas e inconscientes) que se apresentam como externas determinam os sentimentos individuais, bem como as circunstâncias onde estes poderão e deverão se manifestar.”
Em suma, Lévi-Strauss achava que as estruturas culturais, sociais e psicológicas (que precediam a humanidade e sua história) é que determinavam a cultura e o comportamento humano, e não o contrário. Em As Estruturas Elementares do Parentesco, de 1949, seu primeiro livro (e tese de mestrado), ele tenta demonstrar que organizações sociais aparentemente distintas não passam de resultado lógico de permutações de um número reduzido de estruturas de parentesco.
Assim, o que a ciência já comprovou ser resultado e efeito da sociabilidade --- as estruturas, os mitos etc. ---, em Lévi Strauss é causa da sociabilidade, e jamais conseguiremos identificar a origem verdadeira das estruturas e dos mitos.
O estruturalismo acaba, assim, por ser --- o que é típico da fasei imperialista e globalizada do capital --- desesperada reação à verdade científica segundo a qual a realidade humana é forjada a partir de processos históricos bem definidos, todos emanados da sociabilidade, a qual se caracteriza, como vimos, pelas formas concretas de luta pela sobrevivência (pelos modos de produção e de trabalho). O estruturalismo é assim --- ao beber da fonte de Kant, da impossibilidade de conhecer a coisa-em-si, misteriosa também para Lévi-Strauss --- o canto do cisne do irracionalismo, concebido aqui como a desrazão na sua forma mais execrável e perversa.
 Tom Capri.

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