MARINA

Má li esse poema umas dez vezes. Foi a coisa mais bonita que já fiz. Andei trocando umas palavras, corrigindo vou mandar de novo prá vc montar um slide vou mandar imprimir e mando p/ vc pelo correio MARINA No ambiente amplo Paredes brancas, Iluminado por uma Réstia de luz Qu’escapava esguia Por cortina balouçante, Uma marina deslumbrante, Com mares azuis, tal Olhos de uma diva. O píer branco qual Espumas das ondas O conjunto enfeitando. Barcos que partiam E chegavam Se quem ia ou voltava Não sei se ria Ou só chorava. Ah! como amava Esta marina que, De amor minha Vida povoava 22.03.09 LUIZ BOSCO SARDINHA MACHADO ........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................ QUEM SOU EU MARINA SILVEIRA- PROFESSORA, TECNÓLOGA AMBIENTAL E ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

CORRUPÇÃO MAL RESOLVIDA








A vida está sempre a nos testar para avaliar, aquilatar, nossos limites. Há coisas que temos que podar pelas raízes, antes que cresçam para que depois não tenhamos que lamentar suas conseqüências, a paixão é uma delas.
Não uma paixão qualquer, mas daquelas arrebatadoras, que quando não matam esfolam. Essa tem-se que afastar, antes que crie raízes e que se torne indomável.
O nosso leitor pode pensar que incorporamos o espírito de algum escriba já falecido, que escrevia amenidades ou estamos seguindo as trilhas de Danusa Leão, que por sinal, volta-e-meia, arrisca-se pelos labirintos da política. Se ela pode enveredar-se por um campo que não é dela, acreditamos que podemos também percorrer os labirintos da paixão, pois escrever coisas que gosta-se de ler, não é exclusividade de ninguém.
Esse preâmbulo vem a propósito de um depoimento que fazia o senador Artur Virgilio (PSDB/AM) em aparte ao cearense Carlos Jereissate (PSDB/CE), que discursava sobre o ENEM, cujas provas estranhamente vazaram, ocasionando o cancelamento das mesmas e um prejuízo aos cofres públicos de cento e quarenta milhões de reais.
Aqui um fato curioso. Sempre que o governo Lula cogita alocar verbas para uma situação emergencial, como foi a enigmática gripe suína e agora as novas provas do ENEM, o montante é sempre o mesmo: cabalísticos cento e quarenta milhões de reais.
Bem verdade que a gripe suína, que matou bem menos gente que o trânsito da capital de São Paulo mata em um ano, exigiu verbas complementares de três bilhões de reais, mais que suficientes para autorizarem a abertura de um rigoroso inquérito para apurar a lisura das contas do Ministério da Saúde. Mas, é uma outra história.
Dizia o político amazonense, que na época do episódio do “mensalão”, que na verdade era um propinoduto intermediado pelo mineiro Marcos Valério, para compra de apoio de deputados ao governo Lula, com a participação de toda a cúpula do Partido dos Trabalhadores, a oposição perdeu uma grande e única oportunidade para buscar o impeachment do presidente. Calculava ela, oposição, que um processo destes poderia causar uma crise institucional no país. E talvez causasse.
Mas crise institucional, é um risco do qual o país não está livre, pois os vícios de antes estão presentes agora e não são só maiores, mas também piores e à medida que vamos postergando as tomadas de atitude, a coisa vai chegar a um ponto em que a corrupção estará tão avassaladora que o Estado não conseguirá atender as demandas da população, o que poderá gerar crises sem precedentes.
A situação institucional do Brasil é muito séria e para curá-la meios-remédios não bastam.
Quando a Constituição “cidadã” de 88 foi idealizada, Ulisses Guimarães político matreiro e velho conhecedor do Poder Legislativo, deu ao Executivo poderes ilimitados, até ditatoriais, que geraram distorções como as que vemos diuturnamente.
Entretanto, o velho político do PSD não se esqueceu do Legislativo, de quem o Executivo tornou-se refém na aprovação de projetos de seu interesse e na rejeição de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI’s), que poderia trazer constrangimentos às hostes governistas. Como a CPI da Petrobras por exemplo.
Como somente as nomeações e a liberação de verbas não bastam para apaziguar dissidências, surgem os mensalões e quetais, que nunca deixarão de existir. Apenas sofisticam-se, mudam de feição, profissionalizam-se, mas são os mesmos, causando inveja ao “modus operandi” de Marcos Valério. Cabe às oposições, ao invés de ficar lamentando-se, rastrear os dutos por onde circula o dinheiro da corrupção.
Corrupção é que nem paixão sempre vai existir, dependendo de nós para extirpá-la no nascedouro. Não se pode deixá-la tomar conta, senão chega, apropria-se e quando vai-se reagir é tarde demais.

Luiz Bosco Sardinha Machado

a leitora opina

A corrupção só poderá ser combatida efetivamente quando o sistema for o alvo das mudanças.

Não basta elegermos uma pessoa honesta e de boas intenções, pois esta ao se deparar com o sistema de hoje (contratação de apadrinhados, barganha por interesses, poderes através das verbas diretas aos gabinetes etc... ) acaba inebriada pelo poder e fatalmente entrará no esquema.
A nossa luta deve ser para as reformas.


Sabemos que a oposição hoje no nosso país é a mídia e mesmo assim quando noticia um fato escandaloso (ex. passagens áreas gastas a revelia) não vejo nenhum repórter abordando alguém eleito pelo povo indagando o que ele fará para mudar aquela situação. O que vemos são eleitos se justificando, que não sabiam, que devolverá o dinheiro, que não mais agirá daquela maneira.


O que precisamos é mudar a abordagem. Muito bem foi detectado o fato, o que o Senhor Parlamentar fará para que isto não mais ocorra?


Caso contrário, continuaremos apagar incêndios com um método de extinção que mantém a temperatura da brasa, propiciando o surgimento das chamas a qualquer momento e muitas vezes com maior vigor.


Um abraço.

Rosmeire, São José do Rio Preto, SP

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ACHO QUE ISTO NAO VAI SER REVERTIDO, NAO.



SO COMECANDO UM NOVO MODELO, A PARTIR DO CAOS TOTAL PROMOVIDO, NAO


NECESSARIAMENTE, POR INICIATIVA DOS HUMANOS...


Um abracao Schess

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

MARIO DRUMOND


Reflexões do gazeteiro



Dois fatos


Primeiro


O Observatório da Imprensa publicou um pequeno artigo sobre a queda nas vendas dos jornalões brasileiros. Enfim, um assunto que há meses frequenta os principais sites de opinião na internet com a abordagem do mesmo problema em vários países dos quatro cantos do mundo chega ao Brasil, ainda que neste tímido informe, que, por sinal, é restrito às vendas avulsas da mídia impressa, nas bancas de jornais.


A Folha de São Paulo, considerado um dos três jornais mais influentes no Brasil, vendeu, em média, apenas 21.849 exemplares nas bancas de todo o país, entre janeiro e setembro de 2009 (dados do IVC – Instituto Verificador de Circulação; portanto, “deles” mesmos). Para um jornal que, em 1995, vendia nas bancas 830 mil exemplares num só domingo, e, somando-se aos assinantes, chegou a tirar 1.253.000 exemplares diariamente, na média de outubro de 1995, a atual tiragem, que não deve ultrapassar insignificantes 50 mil exemplares, se incluirmos os assinantes e as cortesias, o que significaria, senão a sua falência enquanto mídia impressa?


Ora, nos critérios da ortodoxia neoliberal que esse mesmo órgão de imprensa e seus semelhantes pregam e defendem com tanta ênfase e entusiasmo já deveriam todos ter sido encerrados há muito tempo, se considerarmos que o que ocorre com a Folha estaria ocorrendo com todos os jornalões (por que não?). A Gazeta então faz a pergunta que o Observatório não fez: quem os sustenta como empresas comerciais que são? Com certeza não será o amor ao jornalismo impresso. Muito menos a publicidade veiculada por empresas privadas; os donos delas não são otários. Ah, a internet: já vimos uma argumentação do tipo por aí, sem fundamento nenhum, claro. Dizem que agora os jornalões têm muito mais leitores que antes, graças à internet. Mesmo se isto fosse verdade, então, para quê imprimir jornais que não vendem?


A triste verdade, leitor, é a de que nós, o povo, sustentamos o trampo. Da câmara de vereadores de Quixeramobim ao Palácio do Planalto, persiste o velho sistema: as faturas das matérias pagas com dinheiro público devem vir acompanhadas das respectivas matérias impressas para que o processo de pagamento se faça. Ninguém pergunta quanto custam, ninguém questiona por que se as pagam. Uns poucos, sim, sabem quanto custam e sabem por que se as pagam; seus rabos (e “interesses particulares”) estão presos no sistema. A quem a mídia impressa de hoje informa é à burocracia pública que a sustenta, pois os leitores já se foram há muito tempo, e o jornalismo que a justificaria há ainda muito mais tempo está morto. Um morto “muito vivo”, decerto!


Segundo


Mario Silva, jornalista venezuelano, disse anteontem em seu programa de TV La Hojilla (“A lâmina” ou “estilete”, em traduções livres, referindo-se, porém, ao instrumento de recortar matérias de jornais, para o que se usava geralmente uma gilete), que, pela primeira vez em toda a história, se verificava concretamente a mudança do poder midiático numa nação americana, e os meios de imprensa privada da Venezuela não mais impõem as matrizes de opinião naquele país. Agora são os meios independentes e comunitários, junto aos veículos do governo, que asseguram a maior parte das audiências, específica e esmagadoramente, nas classes populares, e promovem por si mesmos as matrizes de opinião independentes e de interesse nacional. Todos esses meios de comunicação são sustentados pelo povo da Venezuela, através de seu governo revolucionário, com a diferença que atuam numa linha editorial radical e abertamente anti-imperialista e em favor das massas populares, dos objetivos libertários dos povos do mundo em geral, e dos povos latino-americanos em particular.


La Hojilla foi o precursor de uma série de programas de opinião veiculados nesses meios de comunicação revolucionários que, de uns cinco anos para cá, são produzidos para contestar e rebater as matrizes de opinião forjadas pelos meios privados contra-revolucionários da Venezuela, os quais são ostensivamente apoiados pela mídia hegemônica mundial, vinculada aos interesses imperialistas e às transnacionais.


De acordo com Mario Silva, agora são os veículos da mídia privada que se subordinam aos temas veiculados pelos meios públicos. E os programas como os dele - que é hoje o programa de grade de televisão com maior audiência nacional -, fazem as tréplicas.


Para além dos índices de audiência que agora, indiscutivelmente, detectam a mudança do poder midiático na Venezuela, um exemplo claro de tal verdade foi verificado no caso das bases militares dos EUA na Colômbia, assunto de que o povo venezuelano demonstrou estar a par nos mínimos detalhes e com grande consciência patriótica, graças à competência jornalística dos meios públicos para informá-lo. Assim, ao responder de imediato e em uníssono ensurdecedor ao apelo de Hugo Chávez para que “se queremos a paz, preparemo-nos para a guerra”, tamanha contundência de resposta popular pôs em polvorosa os meios de comunicação imperialistas e os estrategistas do Império, que, pegos de surpresa, tentaram implantar a matriz de opinião de que Chávez estava declarando guerra à Colômbia. Isto só fez aumentar o descrédito dos próprios meios que a veicularam, dada a estupidez flagrante e sem o menor fundamento de tal manipulação da verdade. É possível que tenha se dado justamente aí, nesse mesmo fato, o ponto de inflexão mencionado pelo jornalista de La Hojilla.


Ao poder comunicacional revolucionário construído pelo povo bolivariano da Venezuela em menos de uma década, se agrega a TeleSur, a caçula da família dos meios comunicacionais da Revolução, que já se faz numerosa e influente. A TeleSur foi criada para o embate midiático no plano internacional e hoje prospera francamente na mesma direção, só que em escala mundial, através da luta heróica que está travando contra a mídia hegemônica. Numa entrevista ao jornal argentino Página 12, Andrés Izarra, presidente da TeleSur, comentou que o golpe de Estado em Honduras foi midiaticamente planejado para se fazer quase em silêncio. No máximo, disse Izarra, apenas na mídia impressa algumas notas de páginas de miolo informariam da destituição do ignóbil Manuel Zelaya pelas “forças da democracia” daquele país. Não contavam com a presença ali, solitária e resistente, da equipe TeleSur a qual, durante o golpe e nos primeiros quinze dias que o sucederam, transmitiu ao mundo reportagens de alta qualidade sobre a verdade histórica e a forte resistência popular anti golpista.


Pela corajosa batalha daqueles dias, a TeleSur foi ganhando elevados índices de audiência em todo o mundo (passou de 23 para 100 milhões de espectadores em poucos dias) e rompeu o bloqueio midiático. A mídia hegemônica teve de correr atrás do prejuízo e enviar suas equipes, mas, até que chegassem lá, não tiveram outra saída senão comprar as imagens da TeleSur, a única equipe jornalística presente nos fatos capaz de gerar material de qualidade televisiva. A CNN, a BBC e até a Globo, do Brasil, que sempre a sabotaram, não tiveram alternativas senão a de publicar imagens com créditos TeleSur.


E o mundo todo está em xeque de transparência política e democrática por causa da pequena Honduras. Os golpistas e seus mentores tentam se esconder de si mesmos, fingindo que não está acontecendo nada... há cinco meses! Nesse tempo, não puderam governar, de fato, nem um só dia, por causa da “inesperada” resistência popular, cuja existência foi a TeleSur, e somente ela, que comunicou ao mundo em primeira mão, num dos maiores “furos” de reportagem internacional jamais registrados.


Os dois fatos são ilustrações e prólogos das nossas próximas reflexões. A oitava, sobre a morte do jornalismo tradicional nos últimos quarenta anos (1969 – 2009). E a nona e última da série, sobre o renascimento de jornalismo original através de uma nova e revolucionária prática jornalística e das novas tecnologias a que os profissionais de jornalismo tivemos acesso.

Mario Drumond



segunda-feira, 30 de novembro de 2009

JOÃO VINHOSA

RETIRADO DE PAUTA POR ORDEM JUDICIAL

RONALDO FENÔMENO VAI À COPA







(Evidentemente, se estiver em forma até lá)






Eu sei que nossa mídia esportiva é, de uma maneira geral, medíocre. Como se vende (não todos, há exceções) para qualquer um, merece que se jogue muita bosta nela, daí eu chamá-la às vezes de Geni-Press. Mas ultimamente nossos jornalistas especializados em esporte andam extrapolando. A mais recente foi essa de que Dunga não vai mais levar o Fenômeno para a Copa. Ora, Dunga em nenhum momento disse isso nem insinuou nada. Ao contrário, foi bastante claro: “Tudo vai depender das condições dele no ano que vem”. Como é que a Geni-Press interpreta Dunga tão erradamente assim? A quem ela serve com esse tipo de desinformação? É para dar mais Ibope?


A mídia especializada em futebol e os cadernos de esporte dos grandes jornais também embarcaram nessa. Não sei se o jornalista, hoje, não consegue mais ouvir nada, apenas pinçar frases, extraindo-as de contextos, e tirar conclusões quase sempre precipitadas e erradas.


As palavras de Dunga sobre se Ronaldo vai ou não para a Copa renderam uma semana de extensas e inúteis discussões e polêmicas. Dunga foi xingado e chamado de burro, e por aí vai, numa prova de que nossa Geni-Press está cada vez mais Geni-Press. Extrapolando, mesmo.


Dunga não teve meias palavras na entrevista. Primeiro esclareceu que, se estiver em forma, o Fenômeno poderá jogar na Copa, por que não? Em seguida, lembrou aos jornalistas algo como: “Não me induzam a cometer o mesmo erro que vocês (os jornalistas) induziram a Seleção a cometer em 2006.”


O que Dunga quis dizer com isso? Muito simples. Ele quis dizer que, no presente momento, não dá para convocar Ronaldo porque ele ainda não está a pleno vapor, liso, nem bem preparado fisicamente. Se ele, Dunga, convoca o jogador agora, de repente o Fenômeno relaxa e não se prepara mais devidamente para a África do Sul. Seria, aí sim, e o técnico tem razão, repetir a errada ‘façanha’ de 2006.


E foi a mídia, sim, que garantiu a presença de Ronaldo, gordo daquele jeito, na Copa da Alemanha. José Luiz Datena disse recentemente, em seu programa diário das 13 horas na Band, que a mídia não manda na Seleção, “quem manda é Ricardo Teixeira”. Por isso, ela não teve nenhuma responsabilidade sobre a convocação de Ronaldo em 2006. Acrescentou que, se a mídia mandasse nas convocações, não permitiria que Dunga tivesse chegado à Seleção.


Isto nem meia-verdade é. Até começar a Copa, a mídia em peso --- inclusive, a grande imprensa e Datena --- apoiou incondicionalmente aquele time horroroso e burro armado por Parreira. Como os resultados acabaram não vindo, só após a frustração dos primeiros jogos ela começou a malhar os jogadores, com análises superficiais e medíocres, como a de que parte do elenco estava nas baladas, quando não acima do peso, que Ronaldinho Gaúcho havia sido o “amarelão” da Copa (Estadão da época) e que não houve patriotismo.


Nossa mídia nunca foi contra a convocação de Ronaldo. Ou seja, foi conivente com ela e a apoiou abertamente até o fim. Se a tivesse condenado na época, denunciando que o Fenômeno estava acima do peso e não deveria ser convocado --- e a mídia tem forças para isso ---, duvido que o Fenômeno seria chamado. E mais: nunca vi nenhum veículo de peso dizer que a convocação do Fenômeno fora um erro. E foi, com certeza.


Na véspera da fatídica eliminação pela França, Juca Kfouri disse textualmente, no ESPN, na frente de vários colegas do mesmo programa: “Eu ainda acho que o Fenômeno vai lá e decide o jogo”. No dia seguinte, Ronaldo tomou até chapéu de Zidane. E a Seleção deu aquele vexame histórico.


Enfim, não dá para interpretar Dunga de outra maneira! Nãããããããããão dááááááááá! Mas nossos grandes jornais, como o Estadão e a Folha, insistiram em dizer que as palavras de Dunga deixaram o Fenômeno mais distante da Copa.


A Folha chegou a dizer, na quarta-feira (25/11), com título de destaque no Esporte, página D3: “Dunga insinua que Ronaldo foi um erro em 2006”. Ora, Dunga não insinuou nada disso. Falou abertamente. Foi muito claro e objetivo, quando disse algo como: “Não me façam cometer agora o mesmo erro de 2006”. Para bom entendedor, é o que basta: para Dunga, a convocação de Ronaldo com 100 quilos, em 2006, foi um erro, sim, enooooorme. Dunga diz isto agora, é verdade, pois na época era comentarista da Band e ainda nem sonhava com a Seleção.


Não morro de amores por Dunga, mas vamos com calma, mídia. A turminha anda exagerando. Os tropeços aumentam em progressão geométrica

domingo, 29 de novembro de 2009

DA REDAÇÃO

ESTE MUNDO É UM LIXO

Em dezembro as atenções do mundo inteiro estarão voltadas para Copenhagen, onde estará realizando-se a 15ª. Conferência do Clima.


 Um evento acima de tudo midiático, que tem o patrocínio da Organização das Nações Unidas, onde os líderes dos diversos países presentes tudo farão para sobressair-se e ganhar cinco minutos de fama sob os holofotes das atenções mundiais.
Pelos precedentes, com exceção do evento de Kyoto (COP3, 1997), a COP 15, estava sendo encarada como fadada ao fracasso, principalmente pela ausência de Estados Unidos e China.
 Como ambos já confirmaram presença e adesão num eventual protocolo, está afastada a hipótese de malogro e perto de duzentos países estarão presentes, dando-lhe uma importância capital.
A emissão de gases efeito-estufa é tratada pela comunidade mundial com merecida, mas até certo ponto desmedida atenção. Por isto a COP15 vem cercada de grande expectativa, agora acrescida da possível assinatura de um novo Protocolo de intenções, que substituirá o de Kyoto (COP 3).
Talvez pelos reflexos econômicos, o mercado de créditos de carbono, a Conferência é vista como o maior evento de caráter ambiental da face da Terra.

Certo é, no entanto, que meio-ambiente equilibrado abrange muito mais do que créditos de carbono e clima. Desta forma, a pauta das Conferências futuras deveria ser alterada para a inclusão de questões, que não são tratadas com a mesma atenção dispensada ao clima, como a poluição, a água, a fome e principalmente os detritos sólidos.

Estes últimos exigiriam urgentemente de uma regulamentação severa, para evitar o que tem acontecido correntemente, com os países europeus “exportando” impunemente, detritos sólidos para países africanos e até para o Brasil.

Os locais destinados ao descarte, os chamados lixões estão próximos da saturação, além do que poluem o ambiente e o lençol freático. O reaproveitamento dos resíduos sólidos deveria ser incentivado, da mesma forma como ocorre com o sequestro de carbono, que gera receita para quem faz a lição de casa. Havendo incentivos financeiros, o foco muda e novos agentes irão aparecer para nos livrar desses incômodos e poluentes entulhos, que estão tomando conta do planeta.


quinta-feira, 26 de novembro de 2009

TOM CAPRI




Por acharem que o inferno são os outros, Belluzzo e Toninho Cecílio, os maiores responsáveis pela crise do Palmeiras, agora querem culpar e punir todo mundo.


Ah, Belluzzo e Cecílio! Quanta decepção! É nessa hora de definição do Brasileirão que surgem as maiores queixas e, com elas, as grandes crises e toda essa choradeira pré-natalina que enche. É quando também nosso futebol mais desaponta. Quer maior decepção do que a dupla Belluzzo/Toninho Cecílio? Os dois criaram todo esse clima no Palmeiras, são os maiores responsáveis pela queda de produção do time e pelos rachas, como a briga Obina-Maurício, e agora gritam contra a arbitragem (Belluzzo quis até dar porrada em juiz) e contra a imprensa, e punem os dois atletas, como se fossem culpados de tudo. Lamentável.
Tempos atrás, Luiz Gonzaga Belluzzo deixou um pouco de lado sua cadeira de economista renomado para ocupar a de presidente do Palmeiras. Inexperiente, errou tanto que o clube pode ter o pior ano de sua história. Toninho Cecílio, o mesmo. Por força da idade, trocou os gramados, como jogador, e a presidência do sindicato dos atletas profissionais pela gerência de futebol do Palmeiras. E desde então vem mostrando dois pesos e duas medidas no tratamento com os jogadores, como na recente briga entre Obina e Maurício.
Almas bem-intencionadas, os dois não perceberam ainda serem os verdadeiros culpados de tudo. Ao contrário, já acharam os responsáveis, que evidentemente são os outros: a arbitragem, a imprensa e os jogadores, onde começa e termina o inferno.
Veja a seguir, os erros da dupla Belluzzo/Cecílio que levaram o Palmeiras à situação em que está.
Um – Foi um erro ter afastado Luxemburgo sem estar com substituto à altura na manga do colete. Sim, Luxa deveria ser substituído, mas não da forma como foi. Como não havia técnico à altura na praça e o clube também não tinha essa grana toda, o Palmeiras teve de entregar o comando ao interino Jorginho, em quem não confiava, correndo sérios riscos. E acho que Neto tem razão: se tivesse mantido Luxa, o Palmeiras talvez já estivesse com o título nas mãos.
Dois – Também foi um erro não confiar em Jorginho, que acabou fazendo belo trabalho enquanto durou. Inexperiente, Belluzzo ainda não sabe que, em time que está ganhando, não se mexe. E Jorginho vinha ganhando, colocou o Palmeiras lá em cima. Sim, interino nem sempre dá certo e se consolida. Mas a diretoria deveria ter esperado pelos primeiros tropeços dele para substituí-lo. De repente, ele continuaria vencendo, e o Palmeiras a esta altura já poderia ser campeão brasileiro.
Três – Outro erro foi ter levado Muricy para o Parque Antártica. Não porque ele não é bom técnico. É porque não era o treinador mais indicado para aquele momento do Palmeiras. Um dos pontos fracos de Muricy é não apitar nas contratações. E, quando apita, não é bom nisso como Luxa, por exemplo. Acontece que o Palmeiras ainda estava contratando para se consolidar na liderança e vencer o Brasileirão com certa tranquilidade. Tanto que chamou Wagner Love, cometendo o mesmo erro do São Paulo de Muricy quando contratara Washington do Fluminense.
Love chegou e desagregou o elenco, a exemplo de Washington no Tricolor. Truculento, Muricy, que já não havia resolvido impasse semelhante no São Paulo, novamente não conseguiu pacificar o ataque do Palmeiras, pós-Wagner Love. Como se não bastasse, o Palmeiras --- também obra de Muricy --- passou a jogar com dois centroavantes (Wagner Love e Obina), o que é burro em qualquer circunstância, pois deixa o time vulnerável. Isto quando Muricy não preteriu Obina e apoiou Wagner Love, relegando o ex-flamenguista ao segundo plano, outro erro crasso do treinador.
A partir daí, o time começou a se esfacelar. Com dois centroavantes que não primam pela forte marcação (Obina nem tanto, é mordedor, bom de roubar a bola), os demais do time começaram a ser mais exigidos e acabaram não dando conta do recado. Ao redobrarem os esforços em campo, muitos se contundiram ou caíram de produção, quando não saíram por expulsão ou por três cartões amarelos (como Pierre, Clayton Xavier, Mauricio Ramos etc.), o que agravou a situação. A isto devemos agregar a síndrome de jejum de títulos, que ajuda a piorar tudo. Resultado: pontos preciosos perdidos, provocando os rachas e, com eles, as derrotas e a despedida da liderança.
Toda essa bola de neve foi criada por Belluzzo e seu braço direito Toninho Cecílio. E agora os dois caem no clichê de apontar culpados --- a imprensa, a arbitragem e as brigas entre os jogadores (Obina e Maurício, por exemplo) ---, como se o inferno fossem mesmo os outros e o diabo estivesse solto por aí, perseguindo a Sociedade Esportiva Palmeiras.
O que tenho visto de ontem para hoje é mais triste ainda. Parece evidente que Belluzzo e Cecílio não entenderam o futebol. Belluzzo agora se diz arrependido por ter assumido a presidência do Palmeiras. Não deveria. Esta foi com certeza a sua maior experiência de vida, e ele deve continuar, até para dar exemplo, com a experiência que adquiriu, e que é bastante valiosa.
Tanto ele quanto Cecílio vinham sendo a grande esperança de renovação, no futebol brasileiro, para acabar com a cartolagem e os desmandos. Sim, lamentavelmente decepcionaram e deram esse vexame, mas têm tudo para, doravante, encabeçar a revolução de que tanto precisa o nosso futebol e que poderá reconduzir o Palmeiras ao sucesso. Eis aí uma chance de ouro. Como? Fazendo história. Veja a seguir o que os dois podem fazer para dar a volta por cima.
Um – Belluzzo e Cecílio deveriam dar bons e não maus exemplos, como passar a apontar eventuais erros de arbitragem a favor do Palmeiras e se desculpar por eles, como acaba de fazer a França, com o gol de mão de Thierry Henry, que eliminou a Irlanda. Agindo assim, os dois dirigentes ganhariam moral para criticar qualquer erro de arbitragem contra seu time e, além do mais, exigir reparação na Justiça. E isto concorreria decisivamente para a moralização de nosso futebol, que anda muito próximo do abismo. Em vez de querer dar porrada em juiz, Belluzzo deveria fazer esta autocrítica. Assim, reuniria forças para moralizar nosso futebol. Cecílio deveria acompanhá-lo nisso, como parceiro fiel.
Dois – Belluzzo e Cecílio também poderiam dizer publicamente que são os verdadeiros responsáveis por tudo o que está acontecendo no Palmeiras, inclusive pelo clima que levou aos rachas e às brigas no elenco. Também deveriam admitir que, por isso, erraram no afastamento de Obina e Maurício, e que vão tentar reconduzir os dois ao elenco do Palmeiras.
Isso bastaria. Belluzzo e Cecílio passariam para a história como os novos revolucionários do futebol brasileiro, na mesma medida em que o foram, por exemplo, Adilson Monteiro e seus companheiros, na época da democracia corintiana, o movimento mais importante de que se tem notícia no nosso futebol.
Belluzzo porque teria tido a grandeza de se reconhecer culpado e se retratar, o que ainda não vimos no futebol brasileiro. E Cecílio porque teria abandonado o “dois pesos e duas medidas” que tanto compromete seu caráter: sempre defendeu o jogador contra o dirigente, quando foi presidente do sindicato dos atletas, e hoje defende o dirigente contra o jogador, na qualidade de gerente de futebol do Palmeiras, isto apesar de ser um dos culpados pelas brigas que estão ocorrendo no elenco.
Fica aqui a sugestão, muito fácil de pôr em prática. É pegar ou largar, o futebol brasileiro agradeceria.



Tom Capri.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O ESTADO DO CEARÁ

UEBA! UEBA! UEBA!




Das terras de Iracema um exemplo reconfortante, que permite a nós acreditarmos, que o futuro do planeta Terra tem jeito. O Jornal “O ESTADO DO CEARÁ” publica todas as terças um caderno exclusivamente voltado para o meio ambiente e ecologia.

Sob a brilhante supervisão técnica da educadora ambiental Tarcilia Rego, o caderno O ESTADO VERDE, como é sugestivamente denominado é um exemplo de ação concreta de conscientização e divulgação das questões ambientais, um dos grandes desafios do século XXI.
A COLUNA DO SARDINHA honrosamente, nesta terça, 24/11, fez-se presente nas páginas “verdes” deste CADERNO, que é um dos primeiros, senão o único, a abordar um tema de vital importância para a sobrevivência com qualidade, do ser humano na face da Terra.
Ao “O ESTADO DO CEARÁ” os nossos efusivos cumprimentos, extensivos a Tarsilia e que prossiga nesta cruzada, que é de todos nós.

Luiz Bosco Sardinha Machado

terça-feira, 24 de novembro de 2009

MARIO DRUMOND

   Intervalo necessário


Nesta edição, vamos interromper a sequência de reflexões que vimos publicando para dar vazão a uma série de denúncias que se vão acumulando em nossa caixa de entrada. Em princípio, a Gazeta considera muito pequena a contribuição que pode dar para a difusão de tão graves denúncias, que merecem espaços bem mais importantes e eficazes para se concretizarem como tais e promoverem as consequências que requerem. Mas, visto que, por mais graves que sejam, elas não ressoam nem repercutem em lugar algum – pois não nos retornam por nenhuma outra via, é como se caíssem num doloroso vazio de silêncio, na covarde e vergonhosa omissão generalizada, o que, de certa forma, demonstra a nossa tese da morte do jornalismo na mídia hegemônica –, a Gazeta se vê na obrigação de difundi-las com seus parcos recursos a seus poucos leitores, mais acreditando na força destes do que dela própria, uma vez que são leitores que valem por dez ou mais na formação da opinião de resistência e da consciência sobre os valores que realmente precisam ser defendidos e relevados. Comecemos pelas mais recentes.



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O artista plástico Gilberto de Abreu vem nos enviando notícias sobre o cruel assassinato do bailarino Igor Xavier, há quase oito anos, e a infame impunidade de que ainda gozam seus assassinos, que confessaram terem torturado e matado o jovem artista por pura homofobia. Não chegamos a conhecer o trabalho dele, mas, pelo material divulgado no blog a ele dedicado (http://igorvive.blogspot.com/), nos parece que era um talento que levava a sua estrela, e prometia contribuições importantes à arte da dança, algumas das quais já estavam em curso. O caso é escabroso e humilha a Justiça brasileira, hoje, mais que nunca, refém dos poderes econômicos, políticos, oligárquicos e discricionários que fazem dela o que quiserem graças à anuência cúmplice do silêncio midiático. Dia 17 próximo (amanhã), às 20 horas, no Teatro da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, em BH, será realizado um espetáculo-denúncia com a participação de vários artistas indignados com o tenebroso assassinato, em protesto pela situação de impunidade dos assassinos e solidários com os familiares do artista. A Gazeta comparecerá.



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Maria Tereza Corujo, que, com um grupo de resistentes, lidera um combativo movimento de preservação da Serra da Piedade, nos enviou um excelente dossier do esforço hercúleo que levam a cabo contra poderosas mineradoras para impedi-las de continuarem o trabalho de destruição que vem desfigurando a geografia do nosso estado e ameaça gravemente mais este patrimônio que, além de natural, é cultural e valiosíssimo para a história e as tradições do nosso povo. A Nossa Senhora da Piedade, a nossa pietá, folclórica, lendária e religiosa, é, nada mais, nada menos, que a padroeira do estado de Minas Gerais. Esse atentado sem piedade contra a Serra da Piedade – cujas linhas formosas já inspiraram uma composição de Villa-Lobos e, junto com o belo conjunto arquitetônico da ermida barroca construída no século XVIII, formam um cenário que vem inspirando um sem número de pintores, aquarelistas e desenhistas de diversas épocas e procedências –, se constitui num outro tipo de assasinato que precisa ser denunciado com veemência. Infelizmente, parece que ainda não há um site onde os leitores da Gazeta possam conhecer o belíssimo material divulgado em pdf, e o arquivo é muito grande para ser enviado por este e-meio. Assim, a Gazeta publica o e-mail de Maria Tereza para que os interessados o solicitem diretamente: tespca@gmail.com.



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O filme mais recente de José Sette, Amaxon, que tem sido muito elogiado pelos poucos que tiveram o privilégio de assisti-lo e tem causado grande expectativa pelo seu lançamento, foi recusado para o Festival de Cuba. Até aí nada de mais, nada de novo. Rogério Sganzerla já reclamava desse “bloqueio de Cuba” para o cinema brasileiro de invenção. Um cinema que, nos espaços mais destacados da arte cinematográfica em todo o mundo, sempre despertou grande interesse. Mas agora que o stalinismo perdeu força na Ilha graças à influência da Revolução Bolivariana da Venezuela, que promove uma abertura sem precedentes para as manifestações artísticas independentes, cabe a denúncia de que o “bloqueio” se mantém exclusivamente em nosso território, onde nada muda, ainda que os tempos e as coisas mudem radicalmente em toda a América Latina. São os mesmos de sempre – os responsáveis pela mesmice crônica de que padece o cinema nacional –, que filtram o material que pode ou não ser exibido em Cuba ou na Venezuela. É a caretice udenista das “esquerdas” acomodadas no poder desde a ditadura e que permanecem muito à vontade em diversas instâncias petistas de decisão. Isto sim, precisa mudar com urgência, e a Gazeta promete voltar ao assunto e bater nessa tecla com mais informações e denúncias.



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Uns tempos atrás, este gazeteiro, por razões de ordem pessoal, não pôde atender a um apelo de Beto Almeida para que a Gazeta se envolvesse numa polêmica que andava rolando pela internet sobre a atuação da Fundação Ford no Brasil. Muito antes disso, numa das primeiras Gazetas, denunciamos o papel “cavalo de tróia” dessa entidade pseudo cultural gringa, a qual não passa de um braço do Império com a missão de destruir a cultura brasileira e latino-americana. Tal missão nunca foi desativada. Se na década de 1970 ela se constituía numa espécie de censo detalhado das manifestações culturais de resistência que se espalhavam por toda a América Latina, em particular no Brasil, agora ela se infiltra nessas manifestações com o pretexto de ajudá-las financeiramente. Uma vez aceita tal “ajuda”, o que é natural dada a pobreza e o descaso pelas instituições públicas de que são vítimas os nossos espaços de resistência e de produção cultural, começa a chantagem dos novos “donos da bola” no sentido de descaracterizar as essências culturais verdadeiras desses espaços e fazer aguar ou diluir o potencial revolucionário deles. Isto está acontecendo neste exato momento e em plena luz do dia! Temos bons e novos aportes para o tema, mas parece que a polêmica murchou. De qualquer forma, estamos aí, Beto.



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Gustavo Gazinelli, militante entre os mais ativos do Movimento de Preservação das Serras e Águas de Minas, voltou aos bons tempos de militância estudantil, os tempos do “Geléia”, quando interrompeu a demagogia do governador Aecinho, no Palácio das Artes, para espinafrar contra a política entreguista do Estado e contra a censura na imprensa, que aqui vem sendo exercida com mais intensidade do que na época da ditadura militar. O sorriso amarelo e hipócrita do governador enquanto ouvia a descompustura do Geléia denuncia com clareza que ele nunca foi herdeiro político de seu avô, Tancredo. O pai dele, Aécio Cunha, uma das figuras políticas mais daninhas e mais representativas da oligarquia udenista ultra reacionária de Minas Gerais, é a fôrma exata da herança política do atual governador. Veja a intervenção do Geléia no endereço http://www.youtube.com/watch?v=IN8M91IagNM(só faltou a famosa gargalhada).



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Abraços



Mario Drumond




LUIZ BOSCO SARDINHA MACHADO





ROBIN HOOD E O PRINCIPE ZÉ

As paixões do brasileiro ao que sabia-se até há pouco tempo eram: samba, futebol e cachaça (ou cerveja). Havia outros de menor importância, alguns machistas até, como mulata, traseiro (de homem ou de mulher), que não ofuscavam os principais.
Parece-nos que agora surgiu mais uma paixão nacional, os impostos, os quais o brasileiro por amar tanto, paga sem saber porquê e para quê e por isso mesmo deveria pagar em dobro, pois afinal, quem paga mal, paga duas vezes.
Analise: quantas pessoas se conhece, que vangloriam-se em público por pagar pequenas fortunas de IPVA, Imposto de Renda e assim por diante?
Nunca pensou nisso? Não são poucas.
Pagar (mal) imposto não deixa de ser uma paixão nacional, daí explicando-se as mal-sucedidas gritas-geral contra o excessivo número de tributos e da carga tributária. Se o povo, assim quer, paciência, o governo continuará indefinidamente, a cobrar bem e gastar mal.
Podem pensar que exageramos, mas vejam.
Quando se paga a conta de energia elétrica, tem-se uma tarifa, que nada mais é que um imposto. Se o governo reajusta errado para mais, como ora acontece, estamos pagando mais imposto indevidamente e sem reclamar.
Mais, a Empresa Rede, que distribui energia para parte do Estado de São Paulo e Tocantins, no cálculo da conta de luz, soma consumo e ICMS e no total aplica novamente o mesmo imposto. Ou seja, o Imposto que é estadual e escorchante, variando de doze a vinte e cinco por cento, é acrescido pela concessionária por um percentual igual, com o consumidor pagando imposto sobre imposto, não adiantando reclamar nem para a Empresa e nem para a ANEEL. Talvez, se a gente reclamasse para o bispo, quem sabe...
Mais absurda ainda é a tarifa de pedágio – imposto, portanto. Um imposto absurdo por muitas razões. Uma delas, é o cerceamento da liberdade de locomover-se dentro de seu próprio país. A outra é pagar tarifa para um particular (geralmente uma empreiteira, que garante com as propinas o príncipe João, Zé, ou qualquer-coisa, menos Mané, no poder), que a usa em benefício próprio, quando a própria lei diz que instituir e cobrar impostos é competência exclusiva do Poder Público, que não pode transferi-la para ninguém.
Sabe o leitor quantos impostos são cobrados para construir e conservar estradas? Exatamente dois: o caríssimo IPVA, pago quando do licenciamento do veículo e a escorchante CIDE, cobrada em cada litro de gasolina, quando se abastece. Para onde vai essa montanha de dinheiro? Só o príncipe deve saber.
Isto é apenas o começo. Veja mais. O sistema de concessão de estradas para exploração por particulares, contraria toda a lógica possível e em muito se parece com os tempos feudais em que Robin Hood lavou a alma da clientela explorada, roubando dos ricos senhores de feudo, que cobravam lautas importâncias para que os camponeses pudessem circular pelas suas estradas e repassando á clientela o resultado da pilhagem.

Os absurdos continuam, se você conseguir “furar” o pedágio, passando sem pagar a concessionária, quem vai obrigar a fazê-lo é um agente público e portanto, “nosso” empregado, que vai adverti-lo e multá-lo para não fazer mais isso - deixar de pagar seu “vizinho” que te explora.
O pedágio é mais uma prova de que o brasileiro tem paixão mórbida por pagar impostos, pois não chiam quando as empresas produtoras de bens embutem nos seus preços as tarifas de pedágio e fraternalmente as divide entre todos os consumidores do Oiapoque ao Chuí.
Isto é justiça tributária ao contrário e a dano do contribuinte, que se dana.
Pena que os tempos românticos de Robin Hood, o justiceiro da floresta, infelizmente foram-se, pois naquele tempo havia justiça fiscal e não é o que vemos no Brasil do século XXI, onde aprendizes de príncipe João (ou Zé, com certeza, Manés não são) continuam governando soberanos sem serem molestados pelos amantes do samba, do futebol, do carnaval, da cerveja e dos impostos.

Luiz Bosco Sardinha Machado


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura – Fonte IBGE



Base: 2008



Entre 2007 e 2008, produção de madeira caiu 5,04%
O valor da produção da silvicultura1 e do extrativismo vegetal2 totalizou R$ 12,7 bilhões em 2008. A participação percentual da silvicultura no valor da produção florestal passou de 68,7% para 69,3% entre 2007 e 2008, somando R$ 8,8 bilhões, enquanto a participação do extrativismo vegetal caiu de 31,34% para 30,7% no mesmo período, menor percentual desde 1990. O valor do extrativismo totalizou R$ 3,9 bilhões no ano passado, dos quais R$ 3,3 bilhões provenientes da produção madeireira, que apresentou queda. Estas e outras informações fazem parte da Pesquisa da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura 2008.


A extração vegetal não-madeireira somou apenas R$ 635,7 milhões. Os produtos não-madeireiros que se destacaram foram coquilhos de açaí (R$ 133,7 milhões), amêndoas de babaçu (R$ 115,6 milhões), fibras de piaçava (R$ 104,1 milhões), erva-mate nativa (R$ 102,6 milhões), pó cerífero de carnaúba (R$ 62,3 milhões), castanha-do-pará (R$ 45,7milhões) e cera de carnaúba (R$ 18,5 milhões). Em conjunto, eles somaram 91,7% do valor total da produção extrativista vegetal não-madeireira do país.


Na participação regional da produção desses sete principais itens, destaque para a Região Norte, com 92,2% da produção nacional de açaí (fruto), 95,4% da produção de castanha-do-pará e 12,4% da produção de fibras de piaçava. Já o Nordeste respondeu por 7,8% da produção de açaí (fruto), 99,6% da produção de amêndoas de babaçu, 87,6% da produção de fibras de piaçava e 100% das produções de pó cerífero e de cera de carnaúba. O Sul, por sua vez, teve como principal item do extrativismo vegetal não-madeireiro a erva-mate, com 99,9% da produção nacional. As regiões Sudeste e Centro-Oeste não apresentaram participação expressiva em nenhum desses itens.


No segmento da silvicultura, a produção de resina (oleorresina de pinus e de outras espécies florestais) somou 58.061 toneladas e a de cascas de acácia-negra, 158.548 toneladas. A produção de folhas de eucalipto, usada na fabricação de óleo essencial (eucaliptol), somou 58.326 toneladas, com o Sudeste respondendo por 76,7% do total, o Sul por 4,9% e o Centro-Oeste por 18,4%.


No grupo Alimentícios, apenas açaí (fruto) (11,9%), castanha-do-pará (1,3%) e umbu (fruto) (7,5%) tiveram aumento na produção. No grupo das Fibras, houve acréscimo nas produções de buriti (22,0%), carnaúba (2,0%) e outras fibras (52,6%); e no grupo dos Oleaginosos, de amêndoas de pequi (3,1%), tucum (0,5%) e outros oleaginosos (58,0%). A quantidade de carvão e as produções de lenha e de madeira em tora do extrativismo vegetal recuaram -12,2%, -4,1% e -13,8%, respectivamente.


Acréscimos em carvão vegetal, folhas de eucalipto e lenha


Entre os sete produtos florestais investigados no segmento das florestas plantadas (silvicultura), três tiveram ascensão: carvão vegetal (4,4%), folhas de eucalipto (9,9%) e lenha (7,5%). As produções de madeira em tora para papel e celulose, de madeira em tora para outras finalidades, de cascas de acácia-negra e de resina, apresentaram quedas de 4,6%, 2,5%, 7,9% e 11,6%, respectivamente.


O Pará concentrou 88,5% da produção de açaí


A produção nacional de frutos ou coquilhos de espécimes nativos da palmeira açaí em 2008 somou 120.890 toneladas, 11,9 % a mais que em 2007. O principal produtor é o Pará, que concentrou 88,5% da produção nacional. No estado estão 17 dos 20 maiores municípios produtores de frutos de açaizeiros nativos do país: Limoeiro do Ajuru, Ponta de Pedras, São Sebastião da Boa Vista, Muaná, Oeiras do Pará, Igarapé-Miri, Mocajuba, Afuá, São Miguel do Guamá, Inhangapi, Magalhães Barata, Barcarena, Cachoeira do Arari, São Domingos do Capim, Marapanim, Irituia e Santa Luzia do Pará. No Maranhão estão outros importantes centros produtores, como Luís Domingues, Carutapera e Amapá do Maranhão. Em conjunto, os 20 maiores municípios produtores responderam por 83,3% da produção nacional.


A concentração também foi grande na coleta de amêndoas de babaçu, que somou 110.636 toneladas em 2008: no Maranhão se concentrou 94,4% desse total. O segundo estado produtor foi o Piauí, com 5.070 toneladas; seguido pelo Ceará (359 toneladas), Tocantins (345 toneladas) e Bahia (341 toneladas). Os 20 maiores municípios produtores são maranhenses e detiveram 53,3% da produção nacional. O primeiro colocado é Vargem Grande, com 5.805 toneladas (5,2% da produção nacional).


A quantidade coletada de fibras de piaçava somou 78.167 toneladas no país em 2008, 4,8% abaixo da obtida em 2007 (82.096 toneladas). A Bahia foi responsável por 87,6% da produção nacional, e o Amazonas por 12,4%.


Paraná produziu 70,4% de erva-mate


Em 2008, foram colhidas 219.773 toneladas de folhas nos ervais nativos do país, recuo de 2,7% em relação ao obtido em 2007. O maior produtor foi o Paraná, com 154.701 toneladas (70,4% do total nacional). Seguem-no Santa Catarina (39.637 toneladas), Rio Grande do Sul (25.156 toneladas) e Mato Grosso do Sul (279.toneladas). No ranking dos 20 maiores municípios produtores, 16 são paranaenses e o primeiro colocado é São Mateus do Sul, que deteve 14,5% da produção nacional.


A produção de pó cerífero de carnaúba em 2008 somou 18.468 toneladas, menor em 805 toneladas que a do ano anterior (19.273 toneladas). O maior produtor nacional foi o Piauí, com 12.454 toneladas (67,4% do total nacional); seguido do Ceará (5.492 toneladas). Entre os maiores municípios produtores, 11 eram piauienses, oito cearenses e um maranhense. Ocupam a primeira e terceira colocações os municípios piauienses de Campo Maior (1.339 toneladas) e de Piripiri (876 toneladas), respectivamente.
Já a produção de cera de carnaúba somou 3.044 toneladas, queda de 4,6% na comparação com 2007. O Ceará foi o principal produtor nacional, com 81,4% do total nacional. Na segunda posição, o Rio Grande do Norte (17,2%). Maranhão e Amazonas completam a relação dos estados produtores, respondendo por apenas 1,4% do total produzido no país. Os maiores produtores no Ceará foram Russas, Granja, Morada Nova, Aracati, Cariré, Santana do Acaraú e Itarema.

Em 2008, a produção nacional de castanha-do-pará somou 30.815 toneladas, acréscimo de 1,3% em relação às 30.406 toneladas obtidas em 2007. O principal estado produtor foi o Acre, com 37,4% do total. Seguiram-no Amazonas (29,6%), Pará (20,1%) e Rondônia (6,2%).


Entre os 20 maiores municípios produtores, Rio Branco (AC) deteve 7,0% da produção nacional, seguido por Brasiléia (6,9%), Xapuri (6,7%) e Sena Madureira (6,3%).


Produção de carvão da silvicultura manteve crescimento, iniciado em 2002


A produção de carvão proveniente da silvicultura manteve sua trajetória de crescimento, iniciada em 2002. Entre 2007 e 2008, a alta ficou em 4,4%, somando 3.975.393 toneladas. Já o carvão oriundo do extrativismo teve sua produção reduzida em 12,2% no mesmo período, somando 2.221.990 toneladas em 2008. No total, a produção de carvão vegetal ficou em 6.197.383 toneladas no ano passado, 2,2% abaixo que a de 2007 (6.336.469 toneladas).


Em 2008, os principais estados produtores de carvão vegetal de florestas cultivadas foram Minas Gerais (78,3% da produção nacional), Maranhão (9,4%), Bahia (3,4%), Espírito Santo (2,0%) e São Paulo (1,9%). Quanto aos municípios produtores, destacam-se Curvelo (MG), com 173.598 toneladas (4,4% da produção nacional) e no Maranhão o município de Açailândia, com 132.172 toneladas (3,3% do total nacional). Em Minas Gerais, também foram destaques Araguari (168.676 toneladas), Felixlândia (161.313 toneladas), Pompéu (151.738 toneladas), Três Marias (136.460 toneladas) e João Pinheiro (132.967 toneladas).


Já os principais produtores do carvão obtido com material lenhoso da extração vegetal foram Maranhão (23,9% da produção nacional), Mato Grosso do Sul (18,7%), Minas Gerais (18,0%), Paraná (7,6%) e Piauí (7,6%). Entre os municípios, o maior produtor nacional em 2008 foi Bom Jardim, no Maranhão, com 74.618 toneladas (3,4% da produção nacional); no Paraná foi Cruz Machado com 61.620 toneladas; e em Minas Gerais, Felixlândia, com 55.738 toneladas.


Entre 2007 e 2008, a participação da lenha da silvicultura cresceu 2,9 pontos percentuais. No ano passado, a produção nacional ficou em 42.037.848 m³ de lenha da silvicultura e 42.117.639 m³ de lenha oriunda do extrativismo vegetal. No total, o país produziu 84.155.487 m³ de lenha, ou 1,4% mais que em 2007.


Na produção de lenha da silvicultura, os principais estados produtores foram o Rio Grande do Sul (33,9% dos 42.037.848 m³ produzidos no país), São Paulo (16,4%), Paraná (15,6%), Santa Catarina (13,3%) e Minas Gerais (12,7%). Na produção de lenha do extrativismo vegetal, os principais produtores foram a Bahia (23,4% dos 42.117.639 m³ coletados), Ceará (10,8%), Pará (8,6%), Maranhão (6,8%), Amazonas (6,5%) e Paraná (5,3%).


Os três maiores municípios produtores de lenha da silvicultura no país foram Araguari (MG), com 1.233.958 m³; Butiá (RS), com 830.000 m³; e Santa Cruz do Sul (RS), com 767.823 m³. Destaque ainda para o município paulista de Itapetininga, cuja produção somou 660.490 m³. Para a lenha oriunda do extrativismo vegetal, os maiores produtores são Euclides da Cunha (BA), com 680.000 m³; Xique-Xique (BA), com 668.739 m³; e Serra do Ramalho (BA), com 570.773 m³.


Fiscalização é responsável por queda da produção de madeira extrativa


Quanto à madeira em tora, a produção nacional de 2008 ficou aquém da de 2007 (121.520.350 m³), somando 115.389.259 m³. Destes, 87,8% foram provenientes de florestas cultivadas e 12,2% coletadas em vegetações nativas. A produção de madeira na atividade extrativista somou 14.127.359 m³, 13,8% abaixo da registrada em 2007. No segmento das florestas plantadas ou cultivadas, a produção somou 101.261.900 m³, decréscimo de 3,7% no mesmo período. A produção de madeira para papel e celulose ficou em 58.181.842 m³, e a de madeira para outras finalidades (construção civil, movelaria, construção naval, etc.) 43.080.058 m³. Em relação a 2007, a produção de madeira para papel e celulose caiu 4,6%, e a de madeira para outras finalidades apresentou declínio de 2,5%.


Os maiores produtores de madeira do segmento extrativista são Pará, com produção de 7.618.912 m³ (53,9% da coleta nacional); Mato Grosso, com 1.469.083 m³ (10,4%); Bahia, com 1.076.820 m³ (7,6%); Amazonas, com 1.102.976 m³ (7,8%); e Rondônia, com 834.946 m³ (5,9%). Os cinco municípios maiores produtores estão localizados no Pará: Tailândia, com 900.000 m³ (6,4% da produção nacional); Portel (750.000 m³), Baião (629.923 m³), Almeirim (595.760 m³), e Paragominas (546.620 m³).


Na produção de madeira de florestas plantadas para fabricação de papel e celulose, os principais estados produtores em 2008 foram São Paulo, com 14.485.708 m³ (24,9% dos 58.181.842 m³ produzidos no país); Bahia, com 11.924.025 m³ (20,5%); Paraná, com 8.504.978 m³ (14,6%); Santa Catarina, com 6.525.163 m³ (11,2%); Espírito Santo, com 5.876.628 m³ (10,1%); Minas Gerais, com 5.590.394 m³ (9,6%); Rio Grande do Sul, com 2.912.226 m³ (5,0%); e Pará, com 1.126.400 m³ (1,9%).


Entre os municípios, destaque para Conceição da Barra (ES), com produção de 2.615.561 m³; Nova Viçosa (BA), com 2.350.058 m³; Itapetininga (SP), com 2.080.730 m³; Aracruz (ES), com 1.799.511 m³; e Mucuri (BA), com 1.728.489 m³.


Já na produção de madeira para outras finalidades, os destaques foram o Paraná, com 13.838.196 m³ (32,1% dos 43.080.058 m³ produzidos no país); São Paulo, com 8.681.581 m³ (20,2%); Santa Catarina, com 7.954.808 m³ (18,5%); e Rio Grande do Sul, com 5.350.374 m³ (12,4%).


Os maiores municípios produtores são Itapetininga (SP), com 1.580.950 m³ (3,7% da total nacional); General Carneiro (PR), com 1.380.000 m³; Porto Grande (AP), com 1.320.178 m³; Cerro Azul (PR), com 924.630 m³; e Lençóis Paulista (SP), com 901.320 m³.


Notas:


1 Silvicultura é a atividade que se ocupa do estabelecimento, desenvolvimento e da reprodução de florestas, visando a múltiplas aplicações, tais como: a produção de madeira, carvão, a produção de resinas, a proteção ambiental, etc.


2 Extrativismo vegetal é o processo de exploração dos recursos vegetais nativos que compreende a coleta ou apanha de produtos como madeiras, látex, sementes, fibras, frutos e raízes, entre outros, de forma racional, permitindo a obtenção de produções sustentadas ao longo do tempo, ou de modo primitivo e itinerante, possibilitando, geralmente, apenas uma única produção.

Arquivos oficiais do governo estão disponíveis aos leitores.


Ricardo Bergamini