MARINA

Má li esse poema umas dez vezes. Foi a coisa mais bonita que já fiz. Andei trocando umas palavras, corrigindo vou mandar de novo prá vc montar um slide vou mandar imprimir e mando p/ vc pelo correio MARINA No ambiente amplo Paredes brancas, Iluminado por uma Réstia de luz Qu’escapava esguia Por cortina balouçante, Uma marina deslumbrante, Com mares azuis, tal Olhos de uma diva. O píer branco qual Espumas das ondas O conjunto enfeitando. Barcos que partiam E chegavam Se quem ia ou voltava Não sei se ria Ou só chorava. Ah! como amava Esta marina que, De amor minha Vida povoava 22.03.09 LUIZ BOSCO SARDINHA MACHADO ........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................ QUEM SOU EU MARINA SILVEIRA- PROFESSORA, TECNÓLOGA AMBIENTAL E ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

INVESTIMENTO DIRETO ESTRANGEIRO DIMINUI 42,41% EM 2,009

Do Diário Indústria e Comércio

O investimento estrangeiro direto (IED) no setor produtivo somou US$ 25,949 bilhões no ano passado, 42,41% abaixo do recorde histórico de US$ 45,06 bilhões contabilizados em 2008, como mostra o Relatório do Setor Externo, divulgado hoje (20) pelo chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes.



BRASIL - BALANÇO DE PAGAMENTOS


 Fonte BCB


Base: De Janeiro de 2003 até Dezembro de 2009

Balança Comercial

Série história de nossa balança comercial com base na média/ano foi como segue: 85/89 (superávit de US$ 13,5 bilhões = 4,57% do PIB); 90/94 (superávit de US$ 12,1 bilhões = 2,70% do PIB); 95/02 (déficit de US$ 1,1 bilhão = -0,15% do PIB). De janeiro de 2003 até dezembro de 2009 (superávit de US$ 34,2 bilhões = 3,13% do PIB).

Necessidade de Financiamento do Balanço de Pagamentos

Série histórica de nossa necessidade de financiamento de balanço de pagamentos com base na média/ano foi como segue: 85/89 (US$ 13,4 bilhões = 4,56% do PIB); 90/94 (US$ 17,4 bilhões = 3,89% do PIB); 95/02 (US$ 50,9 bilhões = 7,26% do PIB). De janeiro de 2003 até dezembro de 2009 (US$ 33,3 bilhões = 3,05% do PIB).

Investimentos Externos Líquidos (Diretos e Indiretos)

Série histórica dos investimentos externos líquidos (diretos e indiretos) com base na média/ano foi como segue: 85/89 (negativo de US$ 6,3 bilhões = -2,14% do PIB); 90/94 (positivo de US$ 7,0 bilhões = 1,57% do PIB); 95/02 (positivo de US$ 24,3 bilhões = 3,46% do PIB). De janeiro de 2003 até dezembro de 2009 (positivo de US$ 28,3 bilhões = 2,59% do PIB).

Arquivos oficiais do governo estão disponíveis aos leitores.

Ricardo Bergamini

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

COLUNA DO SARDINHA





DECRETOS E DOAÇÕES

Contava-se nos tempos da “Guerra Fria” – briga de propaganda e marketing urdida por Estados Unidos e a União Soviética para demarcar áreas de influência e que teve no Senador Mc Carty o mais ardoroso defensor – a seguinte piada: nos tempos de Stalin havia carência muito grande de moradias, o que obrigava duas ou três famílias (de dez a quinze pessoas) dividirem um cubículo de trinta metros quadrados. Insatisfeitos e cansados de penar, os cidadãos foram reclamar ao “Comissário do Povo”, que ouviu atentamente os reclamos e prometeu tomar providências.

O MACACO NÃO SOUBE ESCONDER O RABO



DIREITOS HUMANOS




Fábio Konder Comparato*




Há algo surpreendente (para dizer o mínimo), com todo esse estardalhaço a respeito do III Programa Nacional de Direitos Humanos, que o governo Lula acaba de apresentar. Quase todos os pontos acerbamente criticados por militares, latifundiários e donos de empresas de comunicação, já constavam dos dois programas anteriores, elaborados e aprovados pelos sucessivos governos de Fernando Henrique Cardoso.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

VIDA E DESENVOLVIMENTO PESSOAL

Luiz Bosco Sardinha Machado Jr*


Nascer, tornar-se criança, adolescente, adulto, envelhecer e falecer. O percurso da existência parece simples ao ser resumido dessa maneira. Entretanto, se pensamos um pouco a respeito, chegamos rapidamente à conclusão de que esse percurso não segue em linha reta como parece.




O desenvolvimento humano não segue um simples padrão de “amadurecimento”, como se fosse uma fruta, ou como uma planta que cresce quase sem que o jardineiro se dê conta. Trabalhamos, nos comunicamos, cantamos, praticamos esportes - em resumo, somos o que somos não somente por

sábado, 16 de janeiro de 2010

"CARTEL DO OXIGENIO" VERSUS CADE










Por João Vinhosa*



Encontra-se tramitando no CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica – o Processo Administrativo n°. 08012.009888/2003-70, no qual cinco empresas produtoras de oxigênio são acusadas de formar o chamado “Cartel do Oxigênio”.

Como se sabe, os processos de formação de cartel tramitam primeiramente na Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (SDE), que autua, intima, recebe defesa e, ao final, propõe ao CADE a penalidade ou a absolvição dos envolvidos. O CADE, então, julga o processo, aceitando, ou não, a proposta da SDE.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

HAITI - CONTAR OS MORTOS RESOLVE?



Foto do NY Times
Tom Capri

Haiti: desastre não foi

natural. Hoje, mortes e
destruição têm sempre a
varinha mágica do capital.

(E Caetano Veloso está coberto de razão: o Haiti é aqui e não é aqui)

Surpreso? Então, constate. Não existe mais tragédia causada por desastre natural. Todas elas têm por trás a varinha mágica do capital, mesmo maremotos, tsunamis, tufões, furacões e até terremotos como esse que matou e destruiu no Haiti. Quando tentei explicar isto a um leitor, outro dia, ele foi logo dizendo: “Pronto, lá vem você de novo com seu marxismo. E, desta vez, passou da conta!” Não houve jeito de fazê-lo entender que o capital está por trás de todas as tragédias decorrentes de desastres ditos naturais.

Não é mesmo fácil nem simples entender isso. Exige certo preparo teórico e um mínimo de acuidade, o que a maioria no Planeta, hoje alienada, inclusive intelectuais e sábios de renome, lamentavelmente não tem. Não é marxismo nem socialismo e muito menos comunismo. É constatação científica, algo amplamente comprovado pela ciência autêntica.

PETROBRAS FAZ TERRORISMO MORAL CONTRA FUNCIONÁRIOS


Por Edilene Farias de Oliveira (Leninha)


A história de sucessos da Petrobras é motivo de orgulho nacional. A empresa, ao longo dos seus cinqüenta e seis anos de existência, investiu pesadamente em pessoal e em tecnologia, a ponto de hoje operar em 27 países nas áreas de exploração, produção, refino, comercialização e derivados de petróleo. É a quarta maior petrolífera do mundo, a quinta em valor de mercado e a terceira maior empresa do continente americano. Sem a menor dúvida, um sucesso.

PROTESTO BEM-HUMORADO MOVIMENTA BH




Praia na Praça da Estação de Belo Horizonte contra o decreto do prefeito Marcio Lacerda



CMIBrasil

Venha curtir o sol de verão e se divertir na PRAIA NA PRAÇA DA ESTAÇÃO.

O DECRETO Nº 13.798 DE 09 DE DEZEMBRO DE 2009 do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, proibe que aconteça qualquer tipo de evento na Praça da Estação. A pergunta permanece: a quem interessa que os espaços públicos sejam apenas pontos de passagem e consumo?

Se nos é negado o direito de permanecer em qualquer espaço público da cidade, ocuparemos esses espaços de maneira divertida, lúdica e aparentemente despretensiosa.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

COLUNA DO SARDINHA

PARA QUE SERVE O ESTADO?




Causou-nos certo constrangimento ver o governador Serra, vestido em um nada fashion colete azul-amarelo da Defesa Civil de São Paulo, visitando a região alagada de São Luis do Paraitinga, que teve oitenta por cento dos prédios históricos arrasados pela força das águas dos últimos temporais que castigaram esta região do interior de São Paulo.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

CHILIQUES DA ALA RASA E BURRA DA ESQUERDA

 Questionando a Comissão Nacional da Verdade.


Dedicado a Mário Bortolotto, que se recuperou, e a Luis Fernando Verissimo, que pede, em sua última crônica, para que escrevamos sempre como propõe uma personagem de Nabokov, “à beira da paródia, mas tendo do outro lado um abismo de seriedade”, e eu não sei como fazer isso.
clic em mais informações para ler o restante

LEVANTAMENTO SISTEMÁTICO DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA


Base: Dezembro de 2009


IBGE estima safra 5,2% maior em 2010


O IBGE realizou, em dezembro, o terceiro prognóstico de área e produção para a safra de 2010, nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste e nos estados de Rondônia, Maranhão, Piauí e Bahia. A produção de cereais, leguminosas e oleaginosas1, para 2010 é estimada em 140,7 milhões de toneladas2, 5,2% maior que a obtida em 2009. Já a área a ser colhida, de 48,1 milhões de hectares, apresenta crescimento de 2,0%. As informações da pesquisa do prognóstico representam 73,5% da produção nacional prevista, e as projeções respondem por 26,5% do total estimado para 2010.


Variação positiva para sete produtos

AOS CEM ANOS FALECE MIEP GIES






Miep Gies, a mulher que encontrou e guardou os diários de Anne Frank, faleceu ontem à noite, aos 100 anos de idade. Miep Gies ficou famosa mundialmente por ter escondido os diários dos nazistas, mas ela mesma nunca procurou reconhecimento por isso. A prova: quando, após a guerra, entregou os escritos de Anne a seu pai, Otto Frank, ela nem sequer os tinha lido.


A família Frank foi traída em 1944, último ano da guerra, e encontrada pelos nazistas em seu esconderijo. Depois que os alemães deportaram a família, Miep Gies guardou os diários de Anne em uma gaveta, e eles permaneceram ali até que ela os pudesse entregar ao único sobrevivente da família.


”Eu então levantei, abri a gaveta da minha escrivaninha, peguei todos os diários, com folhas soltas e tudo, e dei ao senhor Frank... Com as palavras: esta é a herança de sua filha Anne...”





Miep Gies Nasceu na Áustria e veio em 1920, depois da Primeira Guerra Mundial, para a Holanda, junto com milhares de outras crianças subnutridas. A ideia era que ela se fortalecesse e depois voltasse para a Áustria, mas a pequena Miep foi adotada por uma família de Leiden.


Quando tinha 24 anos, ela começou a trabalhar como secretária para a Opekta, a empresa de Otto Frank, que havia fugido para a Holanda em 1933.


De 6 de julho de 1942 até 4 de agosto de 1944, ela fez parte do grupo de ajudantes que tornaram possível a permanência da família Frank em seu esconderijo. No mesmo prédio em que os Frank se escondiam, no Prinsengracht 263, em Amsterdã, Miep Gies continuou a trabalhar no escritório de Otto Frank.


Vidas interligadas
Teresien da Silva é chefe do departamento de coleções da Fundação Anne Frank, conheceu Miep Gies pessoalmente e tinha sempre contato com ela. Ela conta que a história da família Frank perpassa toda a vida de Miep Gies.


”Todo dia 4 de agosto, o dia em que a família Frank foi delatada, as cortinas na casa de Miep Gies se fechavam. Ela ficava muito triste e não queria falar com ninguém. E isso até o fim de sua vida. Ela recebia diariamente cartas de pessoas do mundo inteiro que queriam saber como tudo aconteceu, como ela tinha encontrado os diários, como era Anne e como ela pôde fazer o trabalho que fez. Muitas cartas começavam dizendo “a senhora é minha heroína” e ela tinha muita dificuldade com isso, pois ela mesma não se via desta forma.”


De acordo com Teresien da Silva, Miep Gies respondia todas as cartas. Lia com atenção e tentava dar a todos as respostas que pediam.


Diferença
Miep Gies recebeu muitas condecorações por seus atos, na Holanda e em outros países. Recebeu, entre outros, o prêmio Yad Vashem, que tem este nome em referência ao monumento oficial de Israel em memória dos judeus mortos no holocausto.


A Fundação Anne Frank irá dar especial atenção ao falecimento de Miep Gies. ”Vamos fazer um website especialmente para ela e daremos atenção a sua história pessoal, a sua personalidade, também no museu.”


No website haverá um registro digital de condolências onde todos que desejarem poderão se despedir de Miep Gies.


www.rnw.nl

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

REGALO DE ANO NOVO






Sistema Nacional de Orquestras Juvenis e Infantis da Venezuela já se destacava pela nobreza, qualidade e importância da iniciativa desde que foi assumido pelo maestro José Antonio Abreu, há 35 anos. Nos últimos dez anos, recebeu da Revolução Bolivariana um impulso de tal ordem que o transformou em fenômeno mundial.

Segundo o site do Sistema (http://www.fesnojiv.gob.ve), atualmente participam 350 mil jovens e crianças que frequentam seus 180 núcleos de formação musical distribuídos em todo o país. No concerto de estréia do primeiro Centro de Ação Social pela Música, um portentoso edifício de 11 andares inaugurado ano passado em Caracas, que abriga uma enorme sala de concertos super bem equipada e especialmente projetada para execução de performances orquestrais, o presidente Hugo Chávez autorizou recursos para a construção de edifícios semelhantes em cada uma das 24 capitais dos Estados (nove deles já com obras iniciadas), a ampliação da capacidade para até um milhão de jovens e crianças e a criação de tantos núcleos quanto sejam necessários. A formação artística e musical é inteiramente gratuita e aberta a toda criança ou jovem com inclinação para a arte, e, à medida que evolui e se integra no processo, o aluno vai recebendo vários incentivos, como bolsas de estudo, instrumentos musicais, inclusão em conjuntos locais e regionais, colocações profissionais, etc... 

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

VIVER A VIDA, A PIOR NOVELA




(Confira o quanto a nova novela da Globo é mentirosa e criminosa)

Se Caminho das Índias é a melhor novela que a Globo já fez, Viver a Vida é a pior. Além disso, é mentirosa e criminosa. A Globo e Manuel Carlos deveriam ser condenados e punidos por tê-la posto no ar.


A maior qualidade de Caminho das Índias estava em desnudar toda a irracionalidade da sociedade de classes. Mostrava-nos que, por estar assentada no roubo diário de força de trabalho, a sociabilidade que aí está nos vem desfigurando e descaracterizando há séculos, trazendo fome, criminalidade, doenças e barbárie a bilhões enquanto distribui privilégios somente a alguns.

Já Viver a Vida é uma ode a toda essa irracionalidade. Procura nos fazer engolir que a vida de hoje é assim mesmo, difícil, não tem jeito, e que se você tiver forças para se superar, acaba vencendo as piores adversidades e se dando bem. E, mesmo que não consiga se superar, a novela nos mostra que você ainda pode contar com a religião, capaz de fazer milagres e garantir, enfim, a superação... E a felicidade (no céu, é claro).

É a mensagem enganadora de esperança que já virou clichê nas novelas e tem ludibriado e iludido milhões no Planeta, inclusive jornalistas como Eugênio Bucci (ver artigo dele, “Feliz ano-novo, segundo a novela”, louvando Viver a Vida na página A2 do Estadão de 31 de dezembro, em Espaço Aberto, Primeiro Caderno).

Esta novela simplesmente põe um véu na história contemporânea, tentando apagar tudo de tal maneira que você não enxergue as verdadeiras causas das tragédias e as tome apenas como coisas do destino ingrato. E pede às personagens para que lutem buscando a superação, pois, com perseverança, qualquer um consegue superar esse mundo cruel.

Com personagens mal urdidas e até chatas, às vezes, a novela passa assim ao espectador ainda não atingido (mas que poderá vir a ser) essa mensagem ilusória de superação. Mostra-lhe que, com luta e perseverança, ele também pode dar a volta por cima, se um dia for igualmente atingido. Mas você e eu sabemos que, de cada mil que enfrentam tragédias para valer, apenas meia dúzia consegue reunir forças para chegar à superação.


Todas as personagens de destaque de Viver a Vida vivem um drama ou passaram por uma tragédia e são estimuladas a superá-los. A superação é o tema central da novela. Ao final de cada capítulo, assistimos ao depoimento de alguém que, na vida real, passou por tragédia tal qual as personagens, e conseguiu vencê-la, num exemplo de superação.


A novela esqueceu dos pobres coitados (a maioria da população do Planeta) que --- vítimas das agruras impostas pela sociedade de classes, especialmente a de talhe capitalista em que vivemos hoje ---, sucumbiram às tragédias e tornaram-se impotentes e completamente sem forças para alcançar a superação. E aqueles que enlouqueceram, perderam o juízo, não têm mais mobilidade ou perderam a voz, a audição, estão em coma permanente, e que nem a religião faz milagres para salvá-los ou empurrá-los à superação?

Eu também acho lindo transmitir mensagens de esperança à humanidade, principalmente neste período de festas. Mas com base na verdade. O que Viver a Vida e a Globo fazem, amparados na religião, é mentir e iludir o espectador, no que cometem crime tão atroz quanto os genocídios a que temos assistido.

Tais mentiras vão se disseminando e se fazendo passar por verdades, das novelas ao jornalismo, anestesiando as pessoas. E o resultado é a apologia direta e indireta da sociabilidade que aí está, obscurecendo mentes e obstaculizando o caminho para a verdade e para as mudanças. É isto o que a Globo mais quer. Afinal, ela existe --- e também suas novelas --- para potencializar as vendas, nos comerciais que exibe, daí precisar louvar sempre a vida regida pelo capital, como volta a fazer com maestria em Viver a Vida, pois é isto o que a mantém de pé.


A Globo não é mero guardião protetor do capital, é o capital em uma de suas facetas mais poderosas, e precisa aplicar-lhe diariamente injeções de cânfora, para sobreviver. Esta, sim, é a maior tragédia contemporânea e a que mais precisa de superação, e novelas como Viver a Vida nos impedem de chegar lá. 
 Tom Capri.

CRISE MILITAR: SEU NOME É DILMA ROUSSEFF


BLOG REINALDO AZEVEDO



Reinaldo Azevedo

Ainda que eu tivesse cometido algumas injustiças com Lula, coisa de que discordo, de uma certamente eu o teria poupado: jamais o considerei um idiota. Nunca! Até aponto a sua notável inteligência política, coisa que não deve ser confundida, obviamente, com cultura. O governo vive, a despeito das negativas, uma crise militar. Que é muito mais grave do que se nota à primeira vista. Ela foi originalmente pensada nas mentes travessas de Tarso Genro, ministro da Justiça, e Paulo Vanucchi, titular da Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Mas tomou consistência e corpo nos cérebros não menos temerários da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), candidata do PT à Presidência, e de Franklin Martins, ministro da Comunicação Social, hoje e cada vez mais o Rasputin deste rascunho de czarina que pretende suceder Lula.

O imbróglio não deixa de ser um ensaio geral do que pode ser um governo Dilma. Se vocês acham que a ópera, com o tenor Lula, tem lá seus flertes com o desastre, vocês ainda não sabem do que é capaz a soprano. A crise atual mistura temperamento macunaímico, sordidez e trapaça. Dilma, Franklin e Vanucchi, a turma da pesada que, no passado, optou pelo terrorismo e hoje ocupa posições no alto e no altíssimo escalões da República resolveu dar um beiço nos três comandantes militares. O tiro, tudo indica, saiu pela culatra. E sobrou uma lição aos soldados. Vamos devagar.

Tratemos um pouco do que vocês certamente já sabem e um tanto do que talvez não saibam. Na semana passada, a Secretaria Nacional de Direitos Humanos publicou um decreto, devidamente assinado pelo presidente Lula. Entre outras providências, instituía uma tal Comissão Nacional da Verdade para investigar crimes contra os direitos humanos cometidos durante o regime militar.

Pois bem. A questão havia sido negociada com os comandos militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. E olhem que estes senhores tinham ido bastante longe - e fica a lição: com essa gente, ceder um braço corresponde a ceder os dois, mais as duas pernas e também a cabeça. Os militares aceitaram a criação da tal comissão desde que o texto não restringisse a apuração de violações ao governo militar: também as organizações terroristas de esquerda teriam sua atuação devidamente deslindada.

É preciso dizer com clareza, não? Dilma Rousseff pertenceu a uma organização terrorista, homicida mesmo: a Vanguarda Popular Revolucionária. Franklin Martins também praticou terrorismo. O seu MR-8 seqüestrava e matava. Vanucchi foi da Ação Libertadora Nacional, o que significa dizer que era um servo do Manual da Guerrilha, de Carlos Marighella, um verdadeiro manual de terrorismo, que pregava até ataques a hospitais e dizia por que os bravos militantes deviam matar os soldados.

Pois bem. Quiseram os fatos que estes três se juntassem, com o conhecimento de Tarso Genro, para redigir - alguém redigiu a estrovenga; falo de aliança política -, aquele decreto. E o combinado com os militares não foi cumprido: além de especificar que a Comissão da Verdade investigaria apenas um lado da batalha, há propostas singelas como estas:


- determina que as leis aprovadas entre 1964 e 1985 sejam simplesmente revogadas caso se considere que elas atentam contra a tal "verdade".


- determina que os logradouros públicos e monumentos que tenham sido batizados com nome de pessoas ligada ao "regime" sejam rebatizados.

Vocês entenderam direito: Lula assinou um decreto que não só dá um pé no traseiro do alto comando como, ainda, anuncia, na prática, a EXTINÇÃO DA LEI DA ANISTIA - para um dos lados, é óbvio. É isto: eles tentaram rever a tal lei. Viram que isso não é possível. Decidiram, então, dar uma de Daniel Ortega, que mandou suprimir trechos da Constituição de que ele não gosta.

LULA SABIA


Já disse: não tomo Lula por idiota - porque só um idiota não saberia. Mas admito: muita coisa tem as digitais do presidente sem que ele tenha a menor idéia do que vai lá. Isso é possível, sim. É por isso que existe uma CASA CIVIL. Não há - NOTEM BEM: NÃO HÁ - decreto presidencial que não tenha a chancela desse ministério. É uma de suas funções - a rigor, é uma de suas principais tarefas.

Logo, funcionalmente, a responsável pelo texto é Dilma Rousseff. Que já se manifestou a favor da revisão da Lei da Anistia, ainda que dê outro nome ao que quer fazer. A questão é saber se Lula se comportou como um cretino ou como um irresponsável: se assinou algo dessa gravidade na inocência, sem ter sido advertido pela Casa Civil, então foi feito de bobo e tem de demitir Dilma. Se, como imagino, sabia muito bem o que ia lá e decidiu testar a elasticidade ou complacência dos militares, agiu como um irresponsável.

Demissão


Trapaceados, os três comandantes militares decidiram pedir demissão. Os generais de quatro estrelas se reuniram para tratar de um assunto não ligado à profissão pela primeira vez em muitos anos. A tal Comissão da Verdade terá de redigir um projeto de lei para ser enviado ao Congresso dando forma e caráter à tal investigação. Lula tem quatro opções:


1 - deixa o texto como está e negocia com os militares um projeto de lei que contemple a investigação dos dois lados;
2 - muda o decreto e o devolve ao que havia sido negociado;
3 - simplesmente recua do texto na íntegra;
4 - a quarta opção é dizer o famoso "ninguém manda nimim" e deixar tudo como está. Pois é. Só que o "tudo como está" pode significar uma crise sem precedentes, grave mesmo, com possíveis atos de indisciplina.

A Lei da Anistia é um conquista do povo brasileiro, é seu patrimônio. E de milhares de pessoas que lutaram pela democracia. Por isso, mudá-la, na forma como querem fazer alguns, ou extingui-la é um atentado contra a própria democracia. É constrangedor assistirmos a cenas como essa, afirma o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), presidente da Frente Parlamentar de Defesa Nacional.

Terão os comandantes militares se esquecido do modo como operam as esquerdas, de sua vocação para o ato sorrateiro, para as ações solertes? Só isso pode explicar aquela primeira concordância com a tal Comissão da Verdade. Do conjunto da obra, resta, pois, essa lição. E também há uma outra: em matéria eleitoral e nessa política que precisa de voto, Dilma é uma teleguiada de Lula: sem ele, ela não existe. Mas Dilma é quem é. E também quem foi. Com um simples decreto, que passou por sua mesa de ministra da Casa Civil, criou-se o mais grave incidente militar do governo Lula. O projeto é tê-la agora na Presidência. Vimos como agem com quem tem armas. Dá para imaginar do que são capazes com quem não tem.

Encerro


O nome da comissão - "da Verdade" - só pode ser coisa de algum piadista infiltrado no grupo. Como não pensar imediatamente em 1984, de George Orwell. Essa gente tem um perfil totalitário de manual; são stalinistas do calcanhar rachado. Querem até rever o batismo de logradouros públicos, num daqueles atos típicos de reescritura da história.

Eis um país com Dilma Rousseff no topo. E com Franklin Martins no topo do topo.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

COLUNA DO SARDINHA





CRONOLOGIA DE UM FRACASSO ANUNCIADO



Os menos de quinze dias da Conferência do Clima de Copenhagen, deram bem o tom do que será o século XXI, que prenuncia-se como sendo o reinado da manipulação da informação, com a mentira e as meia-verdades campeando soltas e o homem caminhando para um futuro que é uma incógnita.



O que podemos esperar do que vem lá? Sabe-se lá!



Um dia antes do início da COP 15 a mídia propagou a todo o mundo a notícia nitidamente plantada, de que o cientista que anunciara o aquecimento global, maquiara os dados para ganhar notoriedade e pressionar o mundo a adotar medidas severas e consequentemente alocar mais verbas para detê-lo. E mais, a mídia divulgou ainda, que ao contrário do que se disse, a Terra até esfriara.



Interessante que esta “barriga” foi comida por grande parte da mídia dita séria e pôs em risco até o Prêmio Nobel de Al Gore, ex-vice-presidente norte-americano e ativista ambiental.



Em seguida, já no início da Conferência, “vazou” um rascunho de um eventual documento, que seria assinado pelos chefes de Estado que estariam na Dinamarca, que adiaria para 2.050 a assinatura de um novo protocolo, com força de lei, com bases para a redução da emissão de CO2 na atmosfera. Novamente a mídia inundou o mundo com tal informação, nitidamente absurda, que tinha a finalidade única de exacerbar os ânimos dos que iriam pressionar os líderes mundiais na capital dinamarquesa.



Barack Obama, contribuiu de maneira incisiva à contradição em que está enterrado o mundo, ao comparecer à Academia Sueca para receber um prêmio Nobel da paz que lhe tinha sido outorgado, por não se sabe quais méritos, justamente na semana em que anunciava o envio de mais de setenta mil soldados ao Afeganistão. Obama foi a Estocolmo e defendeu a guerra!



No capítulo das contradições, podemos por num dos pódios, a ministra-chefe da Casa Civil e chefe da delegação brasileira à Copenhagen, que disse às quatro mídias que o Brasil era um país pobre e que não teria a obrigação de aplicar num “Fundo Verde”, um bla-bla-blá, que não ia dar em nada.



Milhões riram da mancada da ministra e bastou, para que no dia seguinte inventassem que o governo iria por 5 bilhões no tal fundo. Pronto! A mídia espalhou, para alegria dos áulicos, que tal montanha de dinheiro iria para o nosso combalido clima.



Lula, mais comedido, mas nem um pouco modesto arriscou uns passos no mesmo sentido, mas sem falar em números e também sem deixar claro se as questões do clima eram responsabilidade de ricos ou pobres.



Ainda em Copenhagen, a secretária Hillary Clinton apostou em oníricos cem bilhões de dólares, até 2.020, para sossegar os que viam as vacas dos protestos irem rapidamente para o brejo nos braços da polícia. Conversa de quem não tinha nada a oferecer, além de promessas.



O fracasso da Conferência não foi coisa de todo inesperada. Já se sabia pelas declarações do Secretário Geral da ONU, do Presidente da França Sarkozy, das evasivas de Obama e do esperneio de muitos, como da pequena e paradisíaca Tuvalu, que pouco podia-se esperar de efetivo. Foi o que aconteceu.



Mas a reunião desesperada dos cinco países (EUA, Brasil, Índia, China e Índia) para produzir um documento, que foi rejeitado pela plenária, foi uma verdadeira empulhação, só possível no momento de ambigüidades em que vivemos.



Não foi só o clima, nem a qualidade de vida, nem o futuro no planeta que perdeu na batalha que Copenhagen representou. Mas, muito mais a verdade, a mídia respeitável e a liberdade de decidir-se o futuro sem sermos manipulados, saíram feridos mortalmente, demonstrando que o mundo está rodando fora dos eixos e vivendo uma falsa realidade disseminada eletronicamente pela mídia.



Antigamente, dizia-se que a mentira tinha perna curta; hoje ela tem milhões de bytes que a impulsiona e quando ela é descoberta, o estrago já foi feito. Reconstruir a verdade, efetivamente dá muito mais trabalho do que rechaçar a mentira e isto nem sempre é possível.



Luiz Bosco Sardinha Machado


domingo, 27 de dezembro de 2009

PRODUTO INTERNO BRUTO DOS MUNICÍPIOS



Fonte IBGE
Base: Ano de 2007

Administração pública é responsável por mais de um terço da economia em quase 34% dos municípios brasileiros



Em 2007, entre os 5.564 municípios do país, São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG) e Curitiba (PR) eram, nessa ordem, os de maior Produto Interno Bruto municipal, e respondiam, juntos, por quase um quarto da economia brasileira. Os cinco menores PIB eram, em ordem decrescente, de Olho D´Água do Piauí (PI), São Luís do Piauí (PI), Areia de Baraúnas (PB), São Miguel da Baixa Grande (PI) e Santo Antônio dos Milagres (PI). Somados, eles representavam cerca de 0,001% do PIB do País.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

No – 138 – COLUNA DO SARDINHA








THE COPS AND THE COP







A Conferência do Clima, patrocinada pelas Nações Unidas, que na sua 15ª versão teve por sede a cidade de Copenhagen, capital da Dinamarca iniciou-se coberta de boa expectativa, frustrada pelo desenrolar dos acontecimentos.



Os que apostaram no fracasso da Conferência, parece que acertaram.



O primeiro desaponto partiu da constatação de que, o que fora acordado em Kyoto (COP3, 1992) pouco de efetivo foi implementado, o que por si só, já justificaria um enfoque mais conclusivo dos países participantes na atual Conferência.

CARTA A JUCA KFOURI "URGENTE"



Esta longa missiva é dedicada a Emir Sader e a J. A. Dias Lopes, o primeiro porque sei que acompanha Juca Kfouri com admiração e respeito como eu e Lopes porque, ainda que me considere muito radical tal qual Romeu Chap Chap, diz que não deixa de me ler.

E mais: as ilusões e os equívocos de nossa crônica esportiva a respeito de tudo, da leitura do menino cravado de agulhas à do Dilermando que matou Euclides da Cunha.


(Veja também por que temos tudo para dar novo vexame histórico na Copa da África do Sul e organizar em 2014 a pior Copa da história. Saiba também por que nossa crônica esportiva é responsável pela atual decadência do futebol brasileiro e por que são mínimas as perspectivas de solução para todos esses problemas)


Olá, Juca. Sou seu admirador, você sabe. Já pus isso até em livro. Também tenho dito que de vez em quando você me irrita. Nesta carta urgente, pretendo explicar isto e avançar um pouco no debate, expondo criticamente o que rola no nosso futebol. Eis o que mais me irrita no colega: sociólogo como eu, você ainda tem essa visão rasa e superficial da violência (como, por exemplo, a dos estádios). Custo a entender por que não adquiriu noção científica e correta ainda. Sem ofensa, o que houve com você na Faculdade?


A ciência autêntica já provou, e você com certeza entrou em contato com essa visão de mundo na sociologia, que todas as formas de violência, inclusive a dos estádios de futebol, são meros resultados de múltiplas causas. São apenas a parte que aparece do problema, nunca todo o problema. E que não adianta atacar o problema pelo que aparece dele (pela aparência). É preciso ir à sua essência e chegar às verdadeiras causas. Ou você vai à usina que gera a violência, e que normalmente está na sociabilidade, para extirpá-la com sucesso, ou fracassa e não soluciona o problema.


Não é possível que você ainda não se tenha dado conta disso, Juca. Na escola de sociologia, você com certeza aprendeu que nunca (NUNCA, mesmo) a individualidade do assassino ou do criminoso é responsável pelo assassinato ou crime que cometeu. Que o indivíduo é sempre levado pelas circunstâncias, com quase nada de arbítrio, ao crime ou às variadas formas de violência. Que ele é, sim, parte dessas circunstâncias, na medida em que é o executor do ato de violência, mas nunca a sua fonte geradora verdadeira, sua causa essencial.


Por exemplo, no caso do bebê que foi espetado por mais de 30 agulhas, os autores dessa terrível façanha é que são as maiores vítimas. Eles são o resultado de uma sociedade que, no dizer de Michael Jackson, está enferma e vem produzindo essas formas de loucura e de violência (a barbárie que aí está) em número cada vez maior e assustador. Culpar o autor de um crime, punindo-o às vezes até com a pena de morte, é o mesmo que culpar o sofá quando se flagra uma traição. Não entendo como você não tenha visto isto ainda.


E eu sei que o establishment condena (e até pune) quem tem uma visão esclarecida e se deixa guiar unicamente pela razão. Enfim, quem adota pontos de vista científicos e já comprovados pela ciência. Acabo de ler que os herdeiros de Euclides da Cunha querem processar a historiadora Mary Del Priore. A autora demonstra em seu livro Matar para Não Morrer que Dilermando de Assis, o ‘assassino’ de Euclides, reagira em legítima defesa a ataque do jornalista e escritor. Apesar disso, passou para a história como vilão e assassino, rótulos que o perseguiram até morrer e o perseguem até hoje.


Tudo isso para chegar à violência nos estádios e à sua postura (sua, de Juca Kfouri), diante de episódios como a invasão do Couto Pereira pela torcida do Coxa. Toda violência (TODA) é sempre insuflada e provocada por múltiplas determinações que normalmente se encontram fora das mentes que a urdiram e a executaram. A violência que vimos no estádio do Coxa, em Curitiba, não é exceção.


É muito raso, superficial e equivocado responsabilizar e condenar os jovens invasores do estádio ou as torcidas organizadas. É muito raso, superficial e equivocado analisar esse episódio (e todas as cenas de violência nos estádios) pelo que aparece dele. É muito raso, superficial e equivocado dizer “basta de impunidade, é preciso punir exemplarmente esses vândalos”, como fez quase toda a nossa mídia esportiva, em coro com o sociólogo Juca Kfouri. Dá para aceitar esse ‘entusiasmo-pela-aparência’ quando ele emana dos que não têm o preparo que você tem, Juca. Não de você.


Com toda sua experiência e a história que tem, já era para você ter superado esse seu vício de sucumbir às aparências. Algo me diz --- e isto é fácil de comprovar com os dados concretos que vimos rolar --- que os grandes responsáveis pela violência no Couto Pereira foram o comando da CBF e do nosso futebol e nossa mídia esportiva. A CBF e o comando do nosso futebol porque não vêm fazendo nada de concreto para levantar os clubes, à beira da falência, e ainda porque mantêm impunes a manipulação de resultados pela arbitragem e a eterna ‘proteção’ a alguns clubes amigos, como o Fluminense (e você sabe disso). A mídia esportiva porque grita aqui e ali contra, mas não leva mais nenhuma luta adiante, como fazia nos saborosos tempos de João Saldanha e Nélson Rodrigues que você viveu muito bem.


Dez dias antes de o Coxa ter sido rebaixado, nossa mídia esportiva inteira reconhecera que o Fluminense voltara a ser beneficiado pela CBF. Você mesmo, ao ver aquela anulação do gol legítimo do Palmeiras pelo árbitro Simon, disse que entendia a revolta do presidente Belluzzo. Com certeza, você disse aquilo porque também estava desconfiado de que havia alguma coisa de errado e de suspeito naquela ação de Simon. Mas sua revolta e compreensão pararam por aí.


Cerca de dez dias depois, insuflada desse jeito pelo comando do futebol brasileiro, com o silêncio parcial da mídia, era de esperar que a torcida do Coxa no mínimo fizesse o que fez, ao ver seu clube ser rebaixado daquele jeito no ano do centenário. É óbvio que aquele gol anulado do Simon funcionara como gota d’água para insuflar a torcida do Coritiba. Não só tirara a possibilidade de título do Palmeiras e o afastara da Libertadores, como também rebaixara o Coxa.


É inegável que houve clara ascensão do Fluminense na reta final do Brasileirão, mas não fosse aquela mão amiga do Simon e hoje o Flu é que estaria agora rebaixado, o Palmeiras na Libertadores (se não campeão) e o Coxa ainda na elite do futebol brasileiro. E o que fez você, Juca Kfouri? Teve uma visão abrangente e lúcida, quando Simon despertou a cólera de Belluzzo, mas caiu na leitura rasa e superficial, quando viu as cenas de violência da torcida do Coxa. Dois pesos e duas medidas.


A aparência (aquilo que você vê) é sempre enganadora, Juca. Sempre! Lembra-se de Galileu? Na época, a aparência provava cabalmente que a Terra estava parada e que o Sol girava em torno dela. O sujeito achava isso porque acordava pela manhã e via que o Sol nascia na janela do lado direito e desaparecia no final do dia na janela do lado oposto. Tal movimento aparente o levava a concluir, equivocadamente, que a Terra estava parada e que o Sol girava em torno dela todos os dias.


Aí veio o louco do Galileu e demonstrou o contrário: que a Terra é que se move e gira ao redor do Sol. O problema é que esta comprovação colocava em xeque a noção de Deus, pois até então a Terra e o homem, este feito à imagem de Deus, eram o centro do Universo, e ao redor deles tudo girava. Imediatamente, a Igreja (o establishment) se rebelou e tratou logo de obrigar Galileu a desdizer aquilo. Do contrário, seria queimado na fogueira. Galileu desdisse, desdisse a ciência, mas consta que, antes de morrer, reafirmou o que havia descoberto cientificamente.


É óbvio, portanto, que Juca Kfouri também seria condenado hoje, e até eventualmente punido, se assumisse postura assim esclarecida, deixando-se levar pela ciência que, não sei por que, você não assimilou direito na Faculdade. Veja, o medo de punição (como perder o emprego etc.) não pode levar você a insistir nessa inconsciência e obscuridade, a ponto de abandonar as verdades deste mundo. Ou seja, não pode em hipótese alguma tolher Juca Kfouri. Estou errado?


É por ter essa visão rasa e equivocada de tudo, adstrita às aparências, que você e nossa mídia esportiva em geral têm errado muito nas análises. Enumero a seguir alguns erros que você e a mídia esportiva em geral cometem, por estarem presos a essa visão de mundo rasa e obscura, que se limita à aparência e nunca vai à essência.


1 – Por exemplo, vocês nunca buscaram as verdadeiras causas da violência nos estádios. Apenas responsabilizaram os autores protagonistas dela, pedindo punição exemplar e cadeia a todos. Não perceberam que a usina da violência ainda está funcionando a todo vapor aí fora, na sociabilidade, e que ela continuará gerando em progressão geométrica novos atos como os que vimos no Couto Pereira, em Curitiba. Ao nunca enxergar as verdadeiras causas da violência, você e a mídia esportiva, na sua inconsciência e na sua inocência, colocam-se sempre, em boa parte, como cúmplices e como responsáveis por tais acontecimentos.


2 – Outro exemplo: ao ficarem adstritos unicamente às aparências, vocês estão sempre escolhendo o goleador artilheiro (ou aquele que faz os gols mais bonitos) como o melhor jogador da temporada. Ainda não perceberam que, na maioria das vezes, o goleador se torna artilheiro e autor dos mais belos gols porque seu time foi armado com inteligência e equilíbrio. Babam com os lindos gols, esquecendo-se do coletivo que preparou aquelas jogadas (isto é ficar preso à aparência e depois errar nas análises).


Por ser rasa assim, a mídia esportiva brasileira apontou Adriano como o melhor do Brasileirão-2009. E a argentina continua criticando Messi por ele não jogar na seleção como joga no Barcelona. Quer superficialidade maior?


Ninguém enxergou que Adriano não fez nada de novo, em 2009, e que só se destacou e voltou a fazer gols porque atuou no time mais inteligente e equilibrado do País, naquele momento. Mas Adriano não foi o melhor do Brasileirão nem o Flamengo jogou lá essas coisas. Ao mesmo tempo em que contou com um centroavante enfiado, Adriano, teve também o futebol eficiente e poderoso de Juan, Maldonado, Kléberson, Petkovic e tantos outros que, estes sim, fizeram a diferença, o que fez do Flamengo “o menos ruim” e “o melhor” entre os “ruins”.


Além disso, o Flamengo teve a sorte de enfrentar um Grêmio já rendido em seu último jogo, impedido de ganhar porque assim daria o título ao Internacional, seu arqui-rival. Isto sem contar com o fato de que, no Brasil, a maioria dos clubes joga dentro desse mesmo padrão tático, com centroavante enfiado, à la Adriano, o que nivelou os clubes por baixo e facilitou tudo para o time da Gávea.


Quer ver como é rasa e superficial essa sua forma de pensar e também de nossa mídia esportiva? Com queimadura no pé, Adriano não atuou num dos últimos jogos do Flamengo. Zé Roberto, que nunca foi centroavante de ofício como Adriano e o substituiu, deu conta do recado e o Flamengo foi bem naquela partida. Quando Adriano voltou, o time caiu de produção e não foi bem, como por exemplo contra o Goiás. Se, por todas essas razões, o Fla não tivesse ganhado o título do Brasileirão, é óbvio que Adriano não teria sido escolhido pela mídia como o melhor jogador do torneio. Ou seja, mesmo tendo jogado as mesmas partidas e atuado da mesma forma que atuou, sem tirar nem pôr, Adriano não teria sido considerado o melhor do campeonato se o Fla não tivesse sido campeão. Isto não é raso e superficial?


O mesmo acontece com a mídia esportiva da Argentina. Os hermanos argentinos não conseguem entender que Messi joga bem no Barcelona e não na seleção porque o time espanhol é inteligente e equilibrado, ao contrário do selecionado argentino. E que todo craque só se apresenta como craque, e é de fato craque em campo, quando o coletivo vai bem. Cristiano Ronaldo também não consegue ser o craque do Manchester United e agora do Real Madri quando joga na seleção portuguesa. Já perdeu de quatro do Brasil, desapareceu em campo. Com Maradona acontecia o mesmo. Em 1982, perdeu de três do Brasil quando foi anulado por Telê Santana/Batista.


3 – Por ficarem presos assim às aparências, você e nossa mídia esportiva também não conseguem perceber para onde caminha o futebol. Não realizaram ainda que tudo flui (está em movimento) e, portanto, em mutação, inclusive o futebol. Não viram que hoje se dá melhor o time que mescla juventude com experiência e contrata jogadores completos e versáteis, que fazem tudo em campo e bem: defendem, armam, atacam e finalizam, à la Maldonado e Petkovic (até goleiros como Rogério Ceni), armando um conjunto equilibrado e eficiente.


O futebol brasileiro, ao contrário, continua caminhando em direção oposta. Ainda trabalha com especialistas em cada posição e, como Tostão, acha que “quem deve atacar é o atacante e, defender, o defensor”. Até Dunga, que deu um jeito na Seleção, pensa dessa forma antiquada, embora esteja mais avançado que Tostão. Insiste em jogar com um centroavante enfiado, quando conta com três dos mais versáteis e completos atacantes do mundo, Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Robinho. Não percebeu que, se trouxer de volta Zé Roberto e passar a jogar com os três craques no ataque, mantendo o restante do time que vem jogando, a Seleção se torna imbatível.


É quando o time investe num coletivo assim que aparece o futebol-arte do craque, como aconteceu no Corinthians de Ronaldo, no primeiro semestre. O time tinha só jogadores versáteis, lépidos e ágeis, jogando ao mesmo tempo como defensores, armadores, atacantes e finalizadores, todos em função de Ronaldo. Por causa disso, o Fenômeno voltou a mostrar seu futebol-arte. Já no segundo semestre, sem esse coletivo eficiente e equilibrado, voltamos ao Fenômeno acima do peso e não tão eficaz.


É por pensarem dessa forma --- e por estarem, na sua inconsciência, impotentes para impor as necessárias mudanças --- que você e nossa crônica esportiva são responsáveis pela atual decadência do futebol brasileiro. Nisto, se somam à CBF e ao comando do futebol, tão rasos e inconscientes quanto. E são mínimas as perspectivas de solução, razão pela qual, se nada for feito, caminharemos para dar novo vexame histórico na Copa da África do Sul e para organizar em 2014 a pior Copa da história.


Urge que você se supere --- e passe por cima desse mundo enganador das aparências --- para ficar em condições de ajudar a resolver os problemas aqui apontados. Afinal, para quê você se tornou jornalista? E sociólogo? Foi para isso, não?


Não temos mais com quem contar a não ser com consciências como a sua. Conhecendo você como conheço, tenho certeza de que abraçará mais esta causa, mesmo que a um preço muito alto, e que fará dela seu maior desafio e vencerá. Por estar assim preparado, você é a consciência possível de nossa crônica esportiva. Mas só a tirará do atual marasmo se abraçar a causa e avançar. Só a verdade é revolucionária e ela está em suas mãos. Você não tem muito tempo para fazê-la vingar.
Tom Capri.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

"UM CIDADÃO SOB SUSPEITA - THRILLER

“Cidadão Boilesen” aborda a Operação Bandeirantes por meio de um de seus maiores entusiastas: um executivo do Grupo Ultragás


Dafne Melo


À primeira vista, Hennig Boilesen era um cidadão acima de qualquer suspeita. Um “cidadão do bem”. Dinamarquês de origem humilde, imigrou para o Brasil no final de década de 1930. Aqui, identificou-se com a cultura brasileira e decidiu ficar. Fixou-se em São Paulo e logo iniciou sua bem sucedida carreira de administrador de empresas.
No olhar dos amigos, era uma pessoa falante, alegre, extrovertida. Seu filho comenta sua adoração por futebol: ia ao estádio com frequência misturar-se em meio ao povo para torcer pelo Palmeiras, e metia-se em brigas se preciso fosse. Como um bom cidadão, tinha também preocupações sociais. Fundou o Centro de Integração Empresa Escola (Ciee) e ajudava em diversas entidades que atuavam junto a adolescentes e crianças com deficiência física, talvez motivado pelo fato de um de seus filhos ter uma deficiência visual. Na década de 1960, chegou à presidência do Grupo Ultragás, consolidando sua posição de alto executivo.


“Ele era um cara muito bacana e pensava como a gente”. “Era puro e íntegro”. Estas frases reforçariam a boa imagem de Boilesen. Mas elas saem das bocas do militar reformado Erasmo Dias (coronel que comandou a invasão na PUC-SP, em 1977), e de Paulo Egídio Martins (governador de São Paulo escolhido por Ernesto Geisel), respectivamente. Como a esmagadora maioria dos empresários, Henning apoiava a ditadura instaurada em 1964 e aprovava a repressão a organizações revolucionárias. Mas, ao que tudo indica, Boilesen foi bem mais além do apoio político.


Empresários & militares
Henning é o personagem principal do documentário “Cidadão Boilensen”, dirigido por Chaim Litewsi, atualmente em cartaz nos cinemas brasileiros. O interesse do cineasta, porém, não foi o carisma ou sua carreira bem sucedida exatamente, mas sua participação ativa na Operação Bandeirantes (Oban), uma estrutura ilegal do Exército que tinha como objetivo investigar e reprimir organizações e militantes de esquerda durante a ditadura.
A Oban contou com participação ativa de setores do empresariado brasileiro – sobretudo o paulista, área de abrangência do operativo – que, inclusive, financiava suas atividades. Tendo o empresário dinamarquês como gancho, o filme apresenta como tema central, na realidade, a relação entre a elite econômica e o setor militar. “Sempre me interessei em entender a relação entre aparelhos de repressão e empresários, o que não ocorreu só no Brasil. Mais do que entender a relação entre os dois setores, que todos sabem que existia, quis entender como eram os mecanismos. Não me interessava apenas dizer que existia, mas como dava essa relação simbiótica entre governos e empresários”, revela Litewski.
Boilesen não chegava a ser o empresário de maior peso e importância, mas possuía um papel de articulador, entrando em contato com outros donos de empresas para que participassem da “caixinha” destinada ao financiamento da Oban. Um dos depoimentos é do empresário e bibliófilo José Mindlin, que afirma ter sido abordado por Boilesen pessoalmente, mas que declinou o convite. Antônio Ermírio de Moraes também teria se recusado. Muitos outros, como a família Frias – dona da Folha de S. Paulo –, o grupo Camargo Corrêa, Ford e General Motors, aceitaram.


Sadismo
No caso de Boilesen, a participação foi ainda mais além. Diversas fontes, da direita e da esquerda, confirmam no documentário que o empresário da Ultragás chegou a assistir e participar de algumas sessões de tortura. Mais: ele teria trazido, dos Estados Unidos, um aparelho de eletrochoque com um teclado que emitia descargas crescentes e que foi apelidada pelos torturadores de “pianola Boilesen”.
O dinamarquês teria, portanto, infringido uma das regras básicas para um integrante da elite econômica: a discrição. Em depoimento, Erasmo Dias afirma que Boilesen não era tão importante assim, mas que, ao se expor, correu riscos. “Eu citaria mais uns dez [empresários]”, diz o coronel.
Carlos Eugênio da Paz, ex-militante do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), aponta no filme que alguns companheiros começaram a juntar os boatos da presença de Boilesen em torturas com o fato de que em diversas ações da polícia contra militantes havia caminhões da Ultragás por perto.
Após algumas pesquisas, e confirmada a participação do Grupo Ultragás, o MRT, juntamente com a Aliança Libertadora Nacional (ALN), elaborou um plano para justiçar Henning Boilesen. No dia 15 de abril de 1971, ele foi encurralado próximo a sua casa em São Paulo e morto a tiros na alameda Casa Branca, mesma rua em que cerca de um ano e meio antes Carlos Marighella foi assassinado em uma operação comandada pelo delegado do Doi-Codi Sérgio Fleury – amigo pessoal de Boilensen
Trhiller