MARINA

Má li esse poema umas dez vezes. Foi a coisa mais bonita que já fiz. Andei trocando umas palavras, corrigindo vou mandar de novo prá vc montar um slide vou mandar imprimir e mando p/ vc pelo correio MARINA No ambiente amplo Paredes brancas, Iluminado por uma Réstia de luz Qu’escapava esguia Por cortina balouçante, Uma marina deslumbrante, Com mares azuis, tal Olhos de uma diva. O píer branco qual Espumas das ondas O conjunto enfeitando. Barcos que partiam E chegavam Se quem ia ou voltava Não sei se ria Ou só chorava. Ah! como amava Esta marina que, De amor minha Vida povoava 22.03.09 LUIZ BOSCO SARDINHA MACHADO ........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................ QUEM SOU EU MARINA SILVEIRA- PROFESSORA, TECNÓLOGA AMBIENTAL E ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

CARTA A JUCA KFOURI "URGENTE"



Esta longa missiva é dedicada a Emir Sader e a J. A. Dias Lopes, o primeiro porque sei que acompanha Juca Kfouri com admiração e respeito como eu e Lopes porque, ainda que me considere muito radical tal qual Romeu Chap Chap, diz que não deixa de me ler.

E mais: as ilusões e os equívocos de nossa crônica esportiva a respeito de tudo, da leitura do menino cravado de agulhas à do Dilermando que matou Euclides da Cunha.


(Veja também por que temos tudo para dar novo vexame histórico na Copa da África do Sul e organizar em 2014 a pior Copa da história. Saiba também por que nossa crônica esportiva é responsável pela atual decadência do futebol brasileiro e por que são mínimas as perspectivas de solução para todos esses problemas)


Olá, Juca. Sou seu admirador, você sabe. Já pus isso até em livro. Também tenho dito que de vez em quando você me irrita. Nesta carta urgente, pretendo explicar isto e avançar um pouco no debate, expondo criticamente o que rola no nosso futebol. Eis o que mais me irrita no colega: sociólogo como eu, você ainda tem essa visão rasa e superficial da violência (como, por exemplo, a dos estádios). Custo a entender por que não adquiriu noção científica e correta ainda. Sem ofensa, o que houve com você na Faculdade?


A ciência autêntica já provou, e você com certeza entrou em contato com essa visão de mundo na sociologia, que todas as formas de violência, inclusive a dos estádios de futebol, são meros resultados de múltiplas causas. São apenas a parte que aparece do problema, nunca todo o problema. E que não adianta atacar o problema pelo que aparece dele (pela aparência). É preciso ir à sua essência e chegar às verdadeiras causas. Ou você vai à usina que gera a violência, e que normalmente está na sociabilidade, para extirpá-la com sucesso, ou fracassa e não soluciona o problema.


Não é possível que você ainda não se tenha dado conta disso, Juca. Na escola de sociologia, você com certeza aprendeu que nunca (NUNCA, mesmo) a individualidade do assassino ou do criminoso é responsável pelo assassinato ou crime que cometeu. Que o indivíduo é sempre levado pelas circunstâncias, com quase nada de arbítrio, ao crime ou às variadas formas de violência. Que ele é, sim, parte dessas circunstâncias, na medida em que é o executor do ato de violência, mas nunca a sua fonte geradora verdadeira, sua causa essencial.


Por exemplo, no caso do bebê que foi espetado por mais de 30 agulhas, os autores dessa terrível façanha é que são as maiores vítimas. Eles são o resultado de uma sociedade que, no dizer de Michael Jackson, está enferma e vem produzindo essas formas de loucura e de violência (a barbárie que aí está) em número cada vez maior e assustador. Culpar o autor de um crime, punindo-o às vezes até com a pena de morte, é o mesmo que culpar o sofá quando se flagra uma traição. Não entendo como você não tenha visto isto ainda.


E eu sei que o establishment condena (e até pune) quem tem uma visão esclarecida e se deixa guiar unicamente pela razão. Enfim, quem adota pontos de vista científicos e já comprovados pela ciência. Acabo de ler que os herdeiros de Euclides da Cunha querem processar a historiadora Mary Del Priore. A autora demonstra em seu livro Matar para Não Morrer que Dilermando de Assis, o ‘assassino’ de Euclides, reagira em legítima defesa a ataque do jornalista e escritor. Apesar disso, passou para a história como vilão e assassino, rótulos que o perseguiram até morrer e o perseguem até hoje.


Tudo isso para chegar à violência nos estádios e à sua postura (sua, de Juca Kfouri), diante de episódios como a invasão do Couto Pereira pela torcida do Coxa. Toda violência (TODA) é sempre insuflada e provocada por múltiplas determinações que normalmente se encontram fora das mentes que a urdiram e a executaram. A violência que vimos no estádio do Coxa, em Curitiba, não é exceção.


É muito raso, superficial e equivocado responsabilizar e condenar os jovens invasores do estádio ou as torcidas organizadas. É muito raso, superficial e equivocado analisar esse episódio (e todas as cenas de violência nos estádios) pelo que aparece dele. É muito raso, superficial e equivocado dizer “basta de impunidade, é preciso punir exemplarmente esses vândalos”, como fez quase toda a nossa mídia esportiva, em coro com o sociólogo Juca Kfouri. Dá para aceitar esse ‘entusiasmo-pela-aparência’ quando ele emana dos que não têm o preparo que você tem, Juca. Não de você.


Com toda sua experiência e a história que tem, já era para você ter superado esse seu vício de sucumbir às aparências. Algo me diz --- e isto é fácil de comprovar com os dados concretos que vimos rolar --- que os grandes responsáveis pela violência no Couto Pereira foram o comando da CBF e do nosso futebol e nossa mídia esportiva. A CBF e o comando do nosso futebol porque não vêm fazendo nada de concreto para levantar os clubes, à beira da falência, e ainda porque mantêm impunes a manipulação de resultados pela arbitragem e a eterna ‘proteção’ a alguns clubes amigos, como o Fluminense (e você sabe disso). A mídia esportiva porque grita aqui e ali contra, mas não leva mais nenhuma luta adiante, como fazia nos saborosos tempos de João Saldanha e Nélson Rodrigues que você viveu muito bem.


Dez dias antes de o Coxa ter sido rebaixado, nossa mídia esportiva inteira reconhecera que o Fluminense voltara a ser beneficiado pela CBF. Você mesmo, ao ver aquela anulação do gol legítimo do Palmeiras pelo árbitro Simon, disse que entendia a revolta do presidente Belluzzo. Com certeza, você disse aquilo porque também estava desconfiado de que havia alguma coisa de errado e de suspeito naquela ação de Simon. Mas sua revolta e compreensão pararam por aí.


Cerca de dez dias depois, insuflada desse jeito pelo comando do futebol brasileiro, com o silêncio parcial da mídia, era de esperar que a torcida do Coxa no mínimo fizesse o que fez, ao ver seu clube ser rebaixado daquele jeito no ano do centenário. É óbvio que aquele gol anulado do Simon funcionara como gota d’água para insuflar a torcida do Coritiba. Não só tirara a possibilidade de título do Palmeiras e o afastara da Libertadores, como também rebaixara o Coxa.


É inegável que houve clara ascensão do Fluminense na reta final do Brasileirão, mas não fosse aquela mão amiga do Simon e hoje o Flu é que estaria agora rebaixado, o Palmeiras na Libertadores (se não campeão) e o Coxa ainda na elite do futebol brasileiro. E o que fez você, Juca Kfouri? Teve uma visão abrangente e lúcida, quando Simon despertou a cólera de Belluzzo, mas caiu na leitura rasa e superficial, quando viu as cenas de violência da torcida do Coxa. Dois pesos e duas medidas.


A aparência (aquilo que você vê) é sempre enganadora, Juca. Sempre! Lembra-se de Galileu? Na época, a aparência provava cabalmente que a Terra estava parada e que o Sol girava em torno dela. O sujeito achava isso porque acordava pela manhã e via que o Sol nascia na janela do lado direito e desaparecia no final do dia na janela do lado oposto. Tal movimento aparente o levava a concluir, equivocadamente, que a Terra estava parada e que o Sol girava em torno dela todos os dias.


Aí veio o louco do Galileu e demonstrou o contrário: que a Terra é que se move e gira ao redor do Sol. O problema é que esta comprovação colocava em xeque a noção de Deus, pois até então a Terra e o homem, este feito à imagem de Deus, eram o centro do Universo, e ao redor deles tudo girava. Imediatamente, a Igreja (o establishment) se rebelou e tratou logo de obrigar Galileu a desdizer aquilo. Do contrário, seria queimado na fogueira. Galileu desdisse, desdisse a ciência, mas consta que, antes de morrer, reafirmou o que havia descoberto cientificamente.


É óbvio, portanto, que Juca Kfouri também seria condenado hoje, e até eventualmente punido, se assumisse postura assim esclarecida, deixando-se levar pela ciência que, não sei por que, você não assimilou direito na Faculdade. Veja, o medo de punição (como perder o emprego etc.) não pode levar você a insistir nessa inconsciência e obscuridade, a ponto de abandonar as verdades deste mundo. Ou seja, não pode em hipótese alguma tolher Juca Kfouri. Estou errado?


É por ter essa visão rasa e equivocada de tudo, adstrita às aparências, que você e nossa mídia esportiva em geral têm errado muito nas análises. Enumero a seguir alguns erros que você e a mídia esportiva em geral cometem, por estarem presos a essa visão de mundo rasa e obscura, que se limita à aparência e nunca vai à essência.


1 – Por exemplo, vocês nunca buscaram as verdadeiras causas da violência nos estádios. Apenas responsabilizaram os autores protagonistas dela, pedindo punição exemplar e cadeia a todos. Não perceberam que a usina da violência ainda está funcionando a todo vapor aí fora, na sociabilidade, e que ela continuará gerando em progressão geométrica novos atos como os que vimos no Couto Pereira, em Curitiba. Ao nunca enxergar as verdadeiras causas da violência, você e a mídia esportiva, na sua inconsciência e na sua inocência, colocam-se sempre, em boa parte, como cúmplices e como responsáveis por tais acontecimentos.


2 – Outro exemplo: ao ficarem adstritos unicamente às aparências, vocês estão sempre escolhendo o goleador artilheiro (ou aquele que faz os gols mais bonitos) como o melhor jogador da temporada. Ainda não perceberam que, na maioria das vezes, o goleador se torna artilheiro e autor dos mais belos gols porque seu time foi armado com inteligência e equilíbrio. Babam com os lindos gols, esquecendo-se do coletivo que preparou aquelas jogadas (isto é ficar preso à aparência e depois errar nas análises).


Por ser rasa assim, a mídia esportiva brasileira apontou Adriano como o melhor do Brasileirão-2009. E a argentina continua criticando Messi por ele não jogar na seleção como joga no Barcelona. Quer superficialidade maior?


Ninguém enxergou que Adriano não fez nada de novo, em 2009, e que só se destacou e voltou a fazer gols porque atuou no time mais inteligente e equilibrado do País, naquele momento. Mas Adriano não foi o melhor do Brasileirão nem o Flamengo jogou lá essas coisas. Ao mesmo tempo em que contou com um centroavante enfiado, Adriano, teve também o futebol eficiente e poderoso de Juan, Maldonado, Kléberson, Petkovic e tantos outros que, estes sim, fizeram a diferença, o que fez do Flamengo “o menos ruim” e “o melhor” entre os “ruins”.


Além disso, o Flamengo teve a sorte de enfrentar um Grêmio já rendido em seu último jogo, impedido de ganhar porque assim daria o título ao Internacional, seu arqui-rival. Isto sem contar com o fato de que, no Brasil, a maioria dos clubes joga dentro desse mesmo padrão tático, com centroavante enfiado, à la Adriano, o que nivelou os clubes por baixo e facilitou tudo para o time da Gávea.


Quer ver como é rasa e superficial essa sua forma de pensar e também de nossa mídia esportiva? Com queimadura no pé, Adriano não atuou num dos últimos jogos do Flamengo. Zé Roberto, que nunca foi centroavante de ofício como Adriano e o substituiu, deu conta do recado e o Flamengo foi bem naquela partida. Quando Adriano voltou, o time caiu de produção e não foi bem, como por exemplo contra o Goiás. Se, por todas essas razões, o Fla não tivesse ganhado o título do Brasileirão, é óbvio que Adriano não teria sido escolhido pela mídia como o melhor jogador do torneio. Ou seja, mesmo tendo jogado as mesmas partidas e atuado da mesma forma que atuou, sem tirar nem pôr, Adriano não teria sido considerado o melhor do campeonato se o Fla não tivesse sido campeão. Isto não é raso e superficial?


O mesmo acontece com a mídia esportiva da Argentina. Os hermanos argentinos não conseguem entender que Messi joga bem no Barcelona e não na seleção porque o time espanhol é inteligente e equilibrado, ao contrário do selecionado argentino. E que todo craque só se apresenta como craque, e é de fato craque em campo, quando o coletivo vai bem. Cristiano Ronaldo também não consegue ser o craque do Manchester United e agora do Real Madri quando joga na seleção portuguesa. Já perdeu de quatro do Brasil, desapareceu em campo. Com Maradona acontecia o mesmo. Em 1982, perdeu de três do Brasil quando foi anulado por Telê Santana/Batista.


3 – Por ficarem presos assim às aparências, você e nossa mídia esportiva também não conseguem perceber para onde caminha o futebol. Não realizaram ainda que tudo flui (está em movimento) e, portanto, em mutação, inclusive o futebol. Não viram que hoje se dá melhor o time que mescla juventude com experiência e contrata jogadores completos e versáteis, que fazem tudo em campo e bem: defendem, armam, atacam e finalizam, à la Maldonado e Petkovic (até goleiros como Rogério Ceni), armando um conjunto equilibrado e eficiente.


O futebol brasileiro, ao contrário, continua caminhando em direção oposta. Ainda trabalha com especialistas em cada posição e, como Tostão, acha que “quem deve atacar é o atacante e, defender, o defensor”. Até Dunga, que deu um jeito na Seleção, pensa dessa forma antiquada, embora esteja mais avançado que Tostão. Insiste em jogar com um centroavante enfiado, quando conta com três dos mais versáteis e completos atacantes do mundo, Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Robinho. Não percebeu que, se trouxer de volta Zé Roberto e passar a jogar com os três craques no ataque, mantendo o restante do time que vem jogando, a Seleção se torna imbatível.


É quando o time investe num coletivo assim que aparece o futebol-arte do craque, como aconteceu no Corinthians de Ronaldo, no primeiro semestre. O time tinha só jogadores versáteis, lépidos e ágeis, jogando ao mesmo tempo como defensores, armadores, atacantes e finalizadores, todos em função de Ronaldo. Por causa disso, o Fenômeno voltou a mostrar seu futebol-arte. Já no segundo semestre, sem esse coletivo eficiente e equilibrado, voltamos ao Fenômeno acima do peso e não tão eficaz.


É por pensarem dessa forma --- e por estarem, na sua inconsciência, impotentes para impor as necessárias mudanças --- que você e nossa crônica esportiva são responsáveis pela atual decadência do futebol brasileiro. Nisto, se somam à CBF e ao comando do futebol, tão rasos e inconscientes quanto. E são mínimas as perspectivas de solução, razão pela qual, se nada for feito, caminharemos para dar novo vexame histórico na Copa da África do Sul e para organizar em 2014 a pior Copa da história.


Urge que você se supere --- e passe por cima desse mundo enganador das aparências --- para ficar em condições de ajudar a resolver os problemas aqui apontados. Afinal, para quê você se tornou jornalista? E sociólogo? Foi para isso, não?


Não temos mais com quem contar a não ser com consciências como a sua. Conhecendo você como conheço, tenho certeza de que abraçará mais esta causa, mesmo que a um preço muito alto, e que fará dela seu maior desafio e vencerá. Por estar assim preparado, você é a consciência possível de nossa crônica esportiva. Mas só a tirará do atual marasmo se abraçar a causa e avançar. Só a verdade é revolucionária e ela está em suas mãos. Você não tem muito tempo para fazê-la vingar.
Tom Capri.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

"UM CIDADÃO SOB SUSPEITA - THRILLER

“Cidadão Boilesen” aborda a Operação Bandeirantes por meio de um de seus maiores entusiastas: um executivo do Grupo Ultragás


Dafne Melo


À primeira vista, Hennig Boilesen era um cidadão acima de qualquer suspeita. Um “cidadão do bem”. Dinamarquês de origem humilde, imigrou para o Brasil no final de década de 1930. Aqui, identificou-se com a cultura brasileira e decidiu ficar. Fixou-se em São Paulo e logo iniciou sua bem sucedida carreira de administrador de empresas.
No olhar dos amigos, era uma pessoa falante, alegre, extrovertida. Seu filho comenta sua adoração por futebol: ia ao estádio com frequência misturar-se em meio ao povo para torcer pelo Palmeiras, e metia-se em brigas se preciso fosse. Como um bom cidadão, tinha também preocupações sociais. Fundou o Centro de Integração Empresa Escola (Ciee) e ajudava em diversas entidades que atuavam junto a adolescentes e crianças com deficiência física, talvez motivado pelo fato de um de seus filhos ter uma deficiência visual. Na década de 1960, chegou à presidência do Grupo Ultragás, consolidando sua posição de alto executivo.


“Ele era um cara muito bacana e pensava como a gente”. “Era puro e íntegro”. Estas frases reforçariam a boa imagem de Boilesen. Mas elas saem das bocas do militar reformado Erasmo Dias (coronel que comandou a invasão na PUC-SP, em 1977), e de Paulo Egídio Martins (governador de São Paulo escolhido por Ernesto Geisel), respectivamente. Como a esmagadora maioria dos empresários, Henning apoiava a ditadura instaurada em 1964 e aprovava a repressão a organizações revolucionárias. Mas, ao que tudo indica, Boilesen foi bem mais além do apoio político.


Empresários & militares
Henning é o personagem principal do documentário “Cidadão Boilensen”, dirigido por Chaim Litewsi, atualmente em cartaz nos cinemas brasileiros. O interesse do cineasta, porém, não foi o carisma ou sua carreira bem sucedida exatamente, mas sua participação ativa na Operação Bandeirantes (Oban), uma estrutura ilegal do Exército que tinha como objetivo investigar e reprimir organizações e militantes de esquerda durante a ditadura.
A Oban contou com participação ativa de setores do empresariado brasileiro – sobretudo o paulista, área de abrangência do operativo – que, inclusive, financiava suas atividades. Tendo o empresário dinamarquês como gancho, o filme apresenta como tema central, na realidade, a relação entre a elite econômica e o setor militar. “Sempre me interessei em entender a relação entre aparelhos de repressão e empresários, o que não ocorreu só no Brasil. Mais do que entender a relação entre os dois setores, que todos sabem que existia, quis entender como eram os mecanismos. Não me interessava apenas dizer que existia, mas como dava essa relação simbiótica entre governos e empresários”, revela Litewski.
Boilesen não chegava a ser o empresário de maior peso e importância, mas possuía um papel de articulador, entrando em contato com outros donos de empresas para que participassem da “caixinha” destinada ao financiamento da Oban. Um dos depoimentos é do empresário e bibliófilo José Mindlin, que afirma ter sido abordado por Boilesen pessoalmente, mas que declinou o convite. Antônio Ermírio de Moraes também teria se recusado. Muitos outros, como a família Frias – dona da Folha de S. Paulo –, o grupo Camargo Corrêa, Ford e General Motors, aceitaram.


Sadismo
No caso de Boilesen, a participação foi ainda mais além. Diversas fontes, da direita e da esquerda, confirmam no documentário que o empresário da Ultragás chegou a assistir e participar de algumas sessões de tortura. Mais: ele teria trazido, dos Estados Unidos, um aparelho de eletrochoque com um teclado que emitia descargas crescentes e que foi apelidada pelos torturadores de “pianola Boilesen”.
O dinamarquês teria, portanto, infringido uma das regras básicas para um integrante da elite econômica: a discrição. Em depoimento, Erasmo Dias afirma que Boilesen não era tão importante assim, mas que, ao se expor, correu riscos. “Eu citaria mais uns dez [empresários]”, diz o coronel.
Carlos Eugênio da Paz, ex-militante do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), aponta no filme que alguns companheiros começaram a juntar os boatos da presença de Boilesen em torturas com o fato de que em diversas ações da polícia contra militantes havia caminhões da Ultragás por perto.
Após algumas pesquisas, e confirmada a participação do Grupo Ultragás, o MRT, juntamente com a Aliança Libertadora Nacional (ALN), elaborou um plano para justiçar Henning Boilesen. No dia 15 de abril de 1971, ele foi encurralado próximo a sua casa em São Paulo e morto a tiros na alameda Casa Branca, mesma rua em que cerca de um ano e meio antes Carlos Marighella foi assassinado em uma operação comandada pelo delegado do Doi-Codi Sérgio Fleury – amigo pessoal de Boilensen
Trhiller

PESQUISA NACIONAL DA SAÚDE DO ESCOLAR




Base: Ano de 2009


IBGE revela hábitos, costumes e riscos vividos pelos estudantes das capitais brasileiras


A Pesquisa Nacional da Saúde do Escolar (Pense) apresenta informações sobre as condições de vida do estudante, em investigação inédita no IBGE sobre o tema e, também, a primeira na história do Instituto em que os próprios entrevistados responderam ao questionário diretamente no computador de mão.


Essa forma de coleta de informações deu privacidade aos informantes para responderem questões sobre família, saúde, violência, uso de álcool e drogas e comportamento sexual. As informações mostram que mais da metade dos 618,5 mil estudantes de escolas particulares e públicas, que frequentam o 9º ano do ensino fundamental, nas capitais e no Distrito Federal - a maioria na faixa de 13 a 15 anos - são inativos ou insuficientemente ativos1 em relação à prática da atividade física.


Considerando somente as alunas, o percentual chega a quase 70%. Aproximadamente 80% deles assiste TV por duas horas ou mais por dia, quando duas horas é o limite recomendado pela Organização Mundial de Saúde. Já o consumo de guloseimas2 e de refrigerantes superou o de frutas frescas. O consumo de frutas frescas foi de 31,5%, enquanto a proporção de alunos que consumiram guloseimas, em cinco dias ou mais na semana anterior à coleta da pesquisa, foi de 50,9%, e o percentual de estudantes que consumiram refrigerantes foi de 37,2%.


Dos estudantes pesquisados, 24,2% já experimentaram o cigarro alguma vez na vida e 6,3% o consumiram alguma vez nos 30 dias anteriores à pesquisa. O consumo de bebida alcoólica era mais disseminado do que o fumo: 71,4% já haviam experimentado álcool alguma vez, sendo que 27,3% disseram ter consumido no mês anterior à pesquisa. Quase 20% declararam ter obtido a bebida em supermercados ou bares e 12,6 % deles na própria casa.


Já haviam se embriagado 22,1% dos escolares. A Pense verificou, ainda, que 8,7% dos estudantes já usaram alguma droga ilícita3. A Pesquisa mostra, também, que já tiveram relação sexual 30,5% dos estudantes, sendo 43,7% adolescentes do sexo masculino e 18,7% do sexo feminino.


Embora a maioria (87,5% dos alunos da rede pública e 89,4% da rede privada) tivesse informações sobre AIDS ou outras doenças sexualmente transmissíveis, 24,1% dos estudantes não havia usado preservativo na última relação sexual.


Os dados sobre violência mostram que quase um terço dos alunos (30,8%) respondeu ter sofrido bullying4 alguma vez, cuja ocorrência foi verificada em maior proporção entre os alunos de escolas privadas (35,9%) do que entre os de escolas públicas (29,5%). Nos 30 dias anteriores à pesquisa, 12,9% dos estudantes se envolveram em alguma briga com agressão física, chegando a 17,5% entre os meninos e 8,9% entre as meninas, inclusive com o uso de armas brancas (6,1% dos estudantes) ou arma de fogo, declarado por 4% deles.


Viviam na companhia do pai e da mãe 58,3% dos estudantes, sendo que 31,9% moravam apenas com a mãe, 4,6% somente com o pai e 5,2% sem a presença da mãe e nem do pai. Quase 10% dos alunos declararam ter sofrido agressão por algum adulto da família.


A Pesquisa Nacional da Saúde do Escolar (Pense) estimou em 618.555 o número de escolares do 9º ano do ensino fundamental frequentando a escola nas capitais brasileiras e Distrito Federal. Desse total, 293.596 (47,5%) são do sexo masculino e 324.958 (52,5%), do sexo feminino. Quase 80% dos alunos (489.865) estudavam em escolas públicas, enquanto 20,8% (128.690) frequentavam escolas privadas. Os menores percentuais de alunos de escolas públicas foram verificados em Vitória (61,9%), Natal (62,2%), Aracaju (66,2%) e Teresina (66,5%).


A amostra incluiu 60.973 alunos do 9º ano do ensino fundamental, em 1.453 escolas públicas e privadas, de todas as capitais e do Distrito Federal (DF).


A estrutura etária observada entre os participantes da pesquisa revelou que 89,1% dos estudantes freqüentando o 9º ano tinham idade entre 13 e 15 anos, segmento considerado pela OMS como referência para os estudos de adolescentes escolares. Cabe ressaltar que 47,1% tinham 14 anos de idade. Entre todas as capitais e Distrito Federal, 10,2% dos alunos apresentaram idade igual ou superior a 16 anos, sendo Salvador (21,8%), Aracaju (19,3%) e Maceió (18,8%) as que tiveram os maiores percentuais.


Mais da metade dos estudantes são inativos ou insuficientemente ativos em termos de atividade física
No conjunto das capitais e do Distrito Federal, 56,9% dos estudantes eram inativos ou insuficientemente ativos em termos de prática de atividade física. As meninas inseridas nas categorias inativo e insuficientemente ativo chegaram a 68,7% do total, enquanto os meninos somaram 43,8%. A porcentagem observada nessas categorias entre alunos da rede pública (57,4%) foi maior que a verificada na rede privada (54,9%).


Os maiores percentuais de estudantes inativos ou insuficientemente ativos ocorreram em São Luís (65,8%) e Maceió (64,5%). Já os menores percentuais foram constatados em Florianópolis (48,5%) e Curitiba (49,0%).
A freqüência de alunos que tiveram dois dias ou mais de aulas de educação física na escola nos últimos sete dias no conjunto das capitais e o Distrito Federal foi 49,2%. A menor proporção foi observada em Macapá (16,6%) e a maior em Florianópolis (83,2%).


Estudantes da rede pública declararam faltar mais às aulas sem autorização dos pais ou responsáveis
A pesquisa revelou que 20,7% dos alunos de escolas públicas das capitais brasileiras e do Distrito Federal faltaram às aulas sem autorização dos pais ou responsáveis, nos 30 dias anteriores à pesquisa, enquanto nas escolas privadas foram 10,1%. O comportamento, para o total das capitais e DF, somou 18,5% dos escolares, em ambos tipos de escola.


A capital onde maior percentual de alunos faltou à escola sem o consentimento dos responsáveis foi Cuiabá (23,4%) e a menor ocorrência foi constatada em Teresina (12,4%).


Consumo de guloseimas supera o de frutas frescas
Consumiram refrigerantes 37,2% dos escolares, em cinco ou mais dias na semana anterior à investigação, variando de 25,3% em São Luís a 47,0% em Cuiabá. Em todas as capitais e Distrito Federal, o consumo de guloseimas (50,9%) superou o consumo de frutas frescas (31,5%), e o mesmo ocorreu com o consumo de refrigerante (37,2%). O consumo de guloseimas em cinco dias ou mais da semana anterior à pesquisa foi maior entre os escolares do sexo feminino (58,3%) do que entre os escolares do sexo masculino (42,6%).


Já o consumo de batata frita em cinco dias ou mais na semana foi de 4,7% e o de salgados fritos, 12,5% no total das capitais e no Distrito Federal. Nos dois casos, não foram observadas diferenças significativas entre os sexos. Porém, para os salgados fritos, constatou-se maior consumo entre os escolares de escolas privadas (14,3%) do que entre os estudantes das escolas públicas (12,0%).


Os embutidos foram consumidos por 18,8% dos escolares do sexo feminino e, 19,5%, dos estudantes das escolas privadas. Os biscoitos doces (35,8%) e salgados (38,2%) foram mais consumidos por escolares do sexo feminino e, também, foi maior esse consumo por alunos das escolas públicas (biscoito salgado: 37,5%; biscoito doce: 34,6%) ante às escolas privadas (31,4 e 29,7 %).


Feijão é o alimento saudável mais consumido entre os estudantes
Dentre os marcadores de alimentação saudável foram verificados maiores percentuais de consumo para o feijão (62,6%), sendo mais elevado entre os escolares do sexo masculino (68,3%) que do feminino (57,4%) e entre alunos das escolas públicas (65,8%) em comparação aos das escolas privadas (50,1 %).


A maioria dos estudantes nas capitais brasileiras e Distrito Federal tinha o costume de fazer cinco ou mais refeições na semana com a presença da mãe ou responsável, chegando a 62,6% do total, sendo a menor freqüência observada em Salvador (54,3%) e a maior, em Florianópolis (72,7%).


No consumo de hortaliças em cinco dias ou mais na última semana, a diferença maior ficou entre os alunos das escolas privadas (34,3%) diante os das escolas públicas (30,4%). Não foram observadas diferenças significativas entre os sexos (feminino: 31,3% e masculino: 31,2%) para o total da pesquisa.


As frutas frescas foram consumidas em cinco dias ou mais, na semana anterior à investigação, por 31,5% dos escolares, não havendo diferença significativa por sexo ou dependência administrativa da escola para o total das capitais e do Distrito Federal. Já o consumo de leite foi maior entre os escolares do sexo masculino (58,3%), do que entre os do sexo feminino (49,4%), assim como foi maior entre alunos de escolas privadas (60,7%) do que entre os de escolas públicas (51,7%).


41,7% dos estudantes não viviam com o pai e a mãe, no conjunto das capitais e DF
Considerando todas as capitais e o Distrito Federal, 58,3% dos estudantes viviam com o pai e mãe, com o menor frequência em Rio Branco (48,3%) e com maior presença dos pais em Curitiba (62,8%). Os que residiam apenas com as mães eram 31,9% do total, variando entre 25,6% em Teresina e 38,1% em Rio Branco. Apenas 4,6% dos escolares viviam somente com o pai. Neste caso, o menor percentual foi observado em Fortaleza (3,1%) e o maior (7,6%), em Porto Velho. A freqüência dos escolares que viviam sem a presença da mãe e do pai na residência foi de 5,2% para o conjunto das capitais, sendo observada em menor porcentagem em Belo Horizonte (3,5%) e em maior, em São Luís (10,5%).


1/4 das mães de estudantes não tinha qualquer grau de ensino ou tinham fundamental incompleto
O percentual de escolares cujas mães não tinham qualquer grau de ensino ou tinham somente o ensino fundamental incompleto foi de 25,9%. No outro extremo, a proporção de escolares com mães que tinham o nível superior completo foi de 16,1%. A proporção de escolares cujas mães não tinham qualquer grau de ensino ou tinham somente o ensino fundamental incompleto foi mais elevada em Maceió (37,7%) e menor em Vitória (19,2%). Esta capital e o Distrito Federal apresentaram os maiores percentuais de escolares que tinham mães com ensino superior completo (26,9% e 20,9%, respectivamente). 18,5% dos escolares não sabiam informar a escolaridade materna.


A freqüência de escolares da rede privada cujas mães tinham ensino superior completo foi quase seis vezes maior que a dos escolares da rede pública de ensino, respectivamente 46,9% e 8,0%. Quando a análise abordou as mães que não terminaram o ensino fundamental, a proporção de estudantes da rede pública foi de 27,6% diante 4,7% da rede privada.
Quase ¼ dos estudantes já experimentou cigarro
Já experimentaram o cigarro alguma vez na vida 24,2% dos estudantes. Curitiba é a capital com maior índice (35%), seguida de Campo Grande (32,7%) e Porto Alegre (29,6%). Não houve diferença significativa quanto ao sexo: dos escolares do sexo masculino, 24,4% já experimentaram cigarro alguma vez na vida; do sexo feminino, 24,0%. Os estudantes das escolas públicas estiveram mais expostos (25,7%) do que os das escolas privadas (18,3%).


Já o uso atual de cigarros foi medido entre aqueles que o consumiram alguma vez nos 30 dias anteriores à pesquisa, independente da freqüência e intensidade do consumo: 6,3% dos escolares haviam fumado cigarro. Curitiba e Campo Grande apareceram novamente em primeiro e segundo lugares entre as capitais, respectivamente 9,9% 9,3%. Maceió (3,8%) e Vitória (3,9%) foram as capitais com as menores freqüências.


A Pense mostra que 31% dos escolares tinham ao menos um responsável fumante. Em Porto Alegre, a freqüência atingia 39,8%, e em Salvador 22,6%. O número de escolares de escolas públicas que tinham pelo menos um dos pais ou responsáveis fumantes era maior que a dos da rede privada, respectivamente 32,9% e 23,6%. Questionados sobre qual seria a reação de sua família se soubesse que eles estavam fumando cigarro, 95,5% dos escolares declararam que sua família se importaria muito caso soubesse que eles fumavam. Apenas 1,3 % respondeu que os pais não se importariam.


Quase 20% dos jovens que consumiram álcool adquiriram em supermercados ou bar e 12,6% na própria casa
Responderam ter experimentado bebida alcoólica 71,4% dos escolares. O percentual variou de 55,1% (Macapá) a 80,7% (Curitiba). A maior freqüência de experimentação de bebida alcoólica ocorreu no sexo feminino (73,1%), mesmo que a proporção entre os do sexo masculino também fosse elevada (69,5%). A proporção também era maior entre os alunos das escolas privadas (75,7%), na comparação com os das escolas públicas (70,3%).


Declararam ter consumido bebida alcoólica, nos 30 dias anteriores à pesquisa, 27,3% dos estudantes para o conjunto das 26 capitais e o Distrito Federal. A menor proporção foi verificada em Rio Branco (16,0%), e os maiores em Curitiba e Porto Alegre 36,4%. A forma mais comum para aquisição de bebidas alcoólicas foi em festas (36,6%), seguido da compra em mercado, loja, supermercado ou bar (19,3%). Outros 15,8% dos estudantes haviam adquirido com amigos, e 12,6% restantes obtiveram na própria casa.


Já haviam se embriagado 22,1% dos escolares. Fortaleza (15,7%) foi a capital com o menor percentual de episódios de embriaguez relatados, e Curitiba (30,0%) a maior freqüência. A proporção de alunos das escolas públicas que beberam até ficarem embriagados foi 22,8%, e de escolares das escolas privadas 19,4%. Questionados sobre a reação da família caso chegassem em casa bêbados, 93,8% afirmaram que seus pais se importariam muito. Os percentuais superaram 90% em todas as capitais.


Pense verificou que 8,7% dos escolares já usaram alguma droga ilícita
A Pense verificou que 8,7% dos escolares já usaram alguma droga como maconha, cocaína, crack, cola, loló, lança perfume e ecstasy. O maior percentual foi encontrado em Curitiba (13,2%), e o menor em Macapá (5,3%). Os homens foram mais freqüentes no uso de drogas ilícitas (10,6%) que as mulheres (6,9%).


Cerca de 24% não haviam usado preservativo na última relação sexual
A Pense revelou que 30,5% dos escolares já tiveram relação sexual. O percentual é maior entre os homens (43,7%). Entre as mulheres, 18,7% já haviam tido relação sexual. Salvador e Boa Vista foram as capitais com as maiores proporções de alunas que declararam ter tido relações sexuais, enquanto Boa Vista foi onde se observou o maior percentual para os alunos. A variação entre as capitais foi de 25,3% (Vitória) a 40,4% (Boa Vista). Nas escolas públicas foram constatados mais escolares que já iniciaram a sua vida sexual (33,1%), quando comparados aos das escolas privadas (20,8%).


Disseram ter usado preservativo na última relação sexual 75,9%. A menor freqüência de uso preservativo foi observada em São Luís (68,3%), e a maior em Rio Branco (82,1%). A Pense indica que 87,5% dos alunos da rede pública e 89,4% da rede privada haviam recebido informações sobre AIDS ou outras doenças sexualmente transmissíveis. Já a orientação para prevenção da gravidez havia atingido 82,1% dos estudantes das escolas privadas e 81,1% das escolas públicas. A pesquisa revela, ainda, que 71,4% e 65,4% dos estudantes receberam informações sobre a aquisição gratuita de preservativos, respectivamente, nas escolas públicas e privadas.


Insegurança atingia quase 10% dos alunos da rede pública
A Pense investigou temas relacionados à segurança no deslocamento para a escola e na escola, à agressão física, ao uso de arma de fogo e branca, bullying, e à segurança no trânsito. A proporção de estudantes que deixaram de ir à escola por não se sentirem seguros no caminho de casa para a escola ou da escola para casa, nos 30 dias anteriores à pesquisa, foi de 6,4%. Os maiores percentuais ocorreram em Belém (7,8%) e Maceió (7,7%), e o menor em Florianópolis (4,3%). Nos alunos de escolas públicas (9,7%), o percentual foi 76% superior aos alunos das escolas privadas (5,5%). Já a proporção de alunos que deixaram de ir à escola porque não se sentiam seguros no estabelecimento escolar alcançou 5,5%, tendo variado de 3,4% (Porto Velho) a 7,3% (Macapá).


A Pense investigou o bullying através da seguinte pergunta: “Nos últimos 30 dias, com que freqüência algum dos seus colegas de escola te esculachou, zoou, mangou, intimidou ou caçoou tanto que você ficou magoado/incomodado/aborrecido?” Os resultados mostraram que quase um terço dos alunos (30,8%) disserem ter sofrido bullying. O percentual dos que foram vítimas deste tipo de violência, raramente ou às vezes, foi de 25,4% e a proporção dos que disseram ter sofrido bullying na maior parte das vezes ou sempre foi de 5,4%.


O fenômeno atingia mais os estudantes do sexo masculino (32,6%) que os do sexo feminino (28,3%). Quando comparada a dependência administrativa das escolas, a ocorrência de bullying foi verificada em maior proporção entre os alunos de escolas privadas (35,9%) do que entre os de escolas públicas (29,5%).


12,9% dos estudantes declararam ter se envolvido em alguma briga no mês anterior à coleta da pesquisa
Os dados sobre a violência também revelaram que 12,9% dos estudantes se envolveram em alguma briga, nos 30 dias anteriores à pesquisa, na qual alguém foi agredido fisicamente. Este tipo de violência foi de 17,5% entre os homens, quase o dobro do percentual observado entre as mulheres (8,9%). A capital com maior proporção de estudantes que estiveram envolvidos em briga em que houve agressão física foi Curitiba (18,1%), e a com a menor, Teresina (8,4%).


No que se refere às brigas com arma branca, 6,1% dos escolares declararam envolvimento, nos últimos 30 dias, sendo mais freqüente em alunos do sexo masculino (9,0%), do que nos do sexo feminino (3,4%). As maiores proporções ocorreram em Boa Vista (9,5%), e a menor em Porto Velho (4,1%). O envolvimento em brigas com arma de fogo foi declarado por 4% dos escolares, sendo mais freqüente em alunos do sexo masculino (6,0%), do que no sexo feminino (2,3%). Boa Vista (9,4%) e Curitiba (9,2%) apresentaram as maiores freqüências de estudantes do sexo masculino envolvidos em brigas com arma de fogo. A menor freqüência foi observada em Teresina (4,0%). Também foi investigada a ocorrência de agressão física por um adulto da família: 9,5% dos escolares sofreram agressão por algum adulto da família. Os percentuais variaram de 6,6% (Florianópolis) a 11,7% (Recife).


Os dados da Pense mostraram, também, que 18,7% dos alunos foram transportados, nos últimos 30 dias anteriores à pesquisa, em veículos dirigidos por motoristas que consumiram bebida alcoólica. Em Goiânia, o percentual desse fato atingiu 23,4% e, em Manaus, 14,4%. Os estudantes de escolas privadas estiveram mais expostos a esse risco (23,8%), do que os das escolas públicas (17,3%).


Percentual de adolescentes do sexo feminino que escovavam os dentes era superior aos do sexo masculino
Na Pense, a proporção que declarou escovar os dentes três ou mais vezes ao dia foi de 73,6%, variando de 82,8% (Macapá) a 65,5% (Distrito Federal). O hábito era maior entre as mulheres (76,9%) que entre os homens (69,8%). Já os percentuais neste indicador foram de 74,4% para os estudantes de escolas públicas e 70,2%, para os da rede privada. Dos entrevistados, 16,2% tiveram dor de dente nos últimos seis meses, tendo variado de 12,4% (Vitória) a 20,6% (Boa Vista). As alunas (18,3%) foram mais acometidas de dor de dente que os alunos (13,8%). Em relação à dependência administrativa das escolas, a maior freqüência de escolares com dor de dente nos últimos 6 meses foi observada nas escolas públicas (17,3%). O percentual entre os estudantes das escolas privadas atingiu 11,7%.


O número de alunos se achando magros era maior que o de se achando gordos
A Pense avaliou a percepção dos alunos sobre sua própria imagem corporal, nas categorias: magro ou muito magro, normal, gordo ou muito gordo. Achavam-se magros ou muito magros 22,1%. A proporção de escolares do sexo masculino que se perceberam magros ou muito magros foi de 23,0%, enquanto no sexo feminino foi de 21,4%. Já 17,7% disseram estar gordos ou muito gordos. Os escolares do sexo feminino observaram-se desta forma em 21,3% dos casos.


Estavam fazendo alguma coisa seja para perder, ganhar ou manter o peso 62,8% dos alunos. O percentual era maior entre as mulheres (65,0%). Porém, chama a atenção que um terço das alunas (33,3%) estava fazendo alguma coisa com a intenção de perder peso. Para o sexo masculino, a freqüência encontrada foi de 60,2%. Esse percentual foi distribuído da seguinte forma: perder peso (20,9%), ganhar peso (17,9) e manter peso (21,4%). Por fim, 6,9% relataram que vomitaram e/ou ingeriram medicamentos ou fórmulas para controle do peso sendo o menor percentual encontrado em Florianópolis (4,7%) e o maior em Boa Vista (9,8%).


Notas:


1 São considerados não ativos indivíduos que praticam de 1 a 149 minutos de atividade física por semana; insuficientemente ativos aqueles que praticam de 150 a 299 minutos/semana de atividade física; e ativo aqueles com mais de 300 minutos/semana de atividade física com deslocamento para a escola a pé ou de bicicleta, aulas de educação física na escola e outras atividades físicas extra-escolares.


2 São consideradas guloseimas balas, bombons, chicletes, doces, chocolates e pirulitos.


3 Foi perguntado sobre o consumo de maconha, cocaína, crack, cola, loló, lança perfume e ecstasy
4 O bullying (do inglês bully = valentão, brigão) compreende comportamentos com diversos níveis de violência que vão desde chateações inoportunas ou hostis até fatos francamente agressivos, sob forma verbal ou não, intencionais e repetidas, sem motivação aparente, provocado por um ou mais alunos em relação a outros, causando dor, angústia, exclusão, humilhação, discriminação, entre outros. Na literatura especializada adota-se também o termo de vitimização


Arquivos oficiais do governo estão disponíveis aos leitores.


Ricardo Bergamini

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

No - 137 – COLUNA DO SARDINHA



A ERA DO BLEFE"


Blefe é o aportuguesamento de uma palavra – bluff - largamente utilizada nas mesas de poker dos Estados Unidos e significa dissimulação, logro, engodo, etc.
Note que bluff não significa obrigatoriamente trapaça, mas uma forma de levar o adversário a acreditar naquilo que você o induz a fazê-lo.
O blefe é uma verdadeira instituição americana, que adora poker e leva tão a sério a arte de blefar, que o bluffer, o blefador, é venerado, copiado e imitado.
Quando Barack Obama iniciou sua campanha vitoriosa à Casa Branca, cujo slogan era “We can” (nós podemos), sua plataforma diferia da água para o vinho do governo de seu antecessor e basicamente, no plano externo fundava-se: na aproximação com todos os países indistintamente, inclusive os denominados por Bush como eixo do mal; fim das intervenções armadas no Afeganistão e no Iraque; desmobilização da base de Guantánamo em Cuba.
Prometia enfim, um governo de “esquerda”, onde as minorias teriam voz e vez e as questões sensíveis, que dizem respeito ao humanismo seriam prioridade.
À braços com uma crise mundial, Obama tinha créditos de sobra para enfrentá-la e saiu-se vitorioso, mas a imprensa não diz, essa vitória custou-lhe caro, politicamente e o tempo irá provar.
Um ano após eleito, o presidente americano parece que descobriu que entre a teoria e a prática existe um Mississipi de distância. Obama parece que encontrou a “direita”.
Se vale o dito “uma pessoa, um voto”, vale a contrapartida “um dólar é um dólar”. Afeganistão, já não é bem aquilo e lá vão mais setenta mil soldados. O Iraque precisa ainda ser “pacificado” e os prisioneiros de Guantánamo, ninguém os quer no quintal.
Na questão climática, o chamado mercado de carbono que envolve os valiosos dólares, as informações da presença americana num eventual protocolo de Copenhagen mudam de direção aos ventos do clima e das informações desencontradas e a assinatura americana é tão incerta quanto a quantificação dos números de CO2 retirados do meio ambiente pelo Brasil, por exemplo.
Pais que vai a Copenhagen levando na bagagem a ambiciosa meta de seqüestro , diminuição das emissões, em 40% do gás carbônico que despeja na atmosfera até 2.020, ao mesmo tempo em que denota um absurdo descomprometimento com questões ambientais internas.
Aliás, a todos os países em desenvolvimento interessa a imposição de altas metas de retirada de gás carbônico do meio ambiente, por que mercê da incipiente industrialização, sobrar-lhes-ão excedentes que poderão ser vendidos a países do primeiro mundo, gerando com isso milhões de dólares em receitas.
Seria interessante que se aproveitasse Copenhagen, onde Lula está posando de defensor do clima do planeta e se mostrasse a realidade dos desastres ambientais praticados por este governo e se exigisse dele uma explicação satisfatória, para intuir-se a sua real intenção.
Enumeraríamos algumas questões que vão muito além da conversa vazia, como a transposição do São Francisco, as hidrelétricas do rio Madeira e de Belo Monte, a reforma extemporânea do Código Florestal e o mais recente absurdo, a autorização para plantio de cana de açúcar, uma cultura que causa degradação ambiental irreversível, no santuário ecológico do pantanal matogrossense.
Ao preterir o ministro do Meio Ambiente e nomear a ministra-chefe da Casa Civil como a representante do Governo em Copenhagen para a Conferência do Clima, Lula sinalizou com quais critérios utiliza nas coisas que dizem respeito à sobrevivência na Terra: midiático e político.
Escolha infeliz e equivocada, que demonstra apenas o interesse da permanência no poder, pois no currículo da ministra consta, que além de ser candidata à sucessão de Lula, foi Ministra das Minas e Energia e é atualmente membro do Conselho Diretor da não muito ecológica Petrobrás.



Luiz Bosco Sardinha Machado

OBAMA É NEGRO, MAS A CASA É BRANCA. DILMA É PT O OUTRO NÃO. LULA É SOCIAL DEMOCRATA E REFORMISTA MÃE DOS RICOS E PAI DOS POBRES. Ivanildo


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acho ok, protestar contra o governo e suas burradas cotidianas, mas sinto que nada se falam por exemplo de governos de esfera municipal do aumento de salários para deputados, vereadores e prefeito do aumento do IPTU, das enchentes na capital paulista da falta de limpeza da cidade do cegueira da nova luz, da propaganda mentirosa, de mentira de que limparam os “noias” da cidade e que limparam o leito do rio tiete, que o “estuprador de hipocondríacos aposentados” só criou os remédios genéricos a base de fubá para beneficiar a própria classe já que dizem que ele ou alguém da família dele é sócio de laboratório. As vezes eu sinto que as pessoas que protestam parecem de plantão a serviço de algum oposicionista, diante de toda esta sujeira só da para afirmar uma coisa políticos e fraldas tem que ser trocado todos os dias e pelos mesmos motivos.


Luiz Calanca


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Até baixarem um FTP no meu computador, eu sempre votei por mim. Aliás, eu sempre anulei meu voto, pois acho que político nenhum presta, alguns até dão para o gasto.


Mas não perco meu voto quando voto. Sempre voto consciente e não culpada pelos políticos que estão lá. Não fui eu quem os coloquei. A VOZ DO POVO É A VOZ DE DEUS, Coitado, Deus anda meio desajeitado. Pode ter consciência que eu saberei em quem votar.
Um grande abraço.
Fique com Deus e que ele te abençoe.
Ana Cláudia

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SERA QUE O MUNDO MUDOU, OU NóS É QUE COLOCAMOS óCULOS?


Um abração Schess










DIOGO MAINARDI E SEU "ENCARAR DE FRENTE



"Dedicado a Romeu Chap Chap. Sempre que me lê, acha que sou radical demais."

O articulista deixou escapar recentemente um triste ‘encarar de frente’ no programa Manhattan Connection, mas não é por desconhecer o português que deve ser criticado. Há algo mais sério em jogo, que faz de Mainardi apenas a ponta visível do iceberg. Por exemplo, nessa discussão sobre o superaquecimento do Planeta que tomou vulto em Copenhage, Mainardi se perdeu completamente com avaliações grosseiras e pseudocientíficas, ficou como sempre do lado errado, ao defender o ponto de vista de seus veículos, e parece não saber mais o que está dizendo.


“Ele precisa encarar isso de frente”, disse Diogo Mainardi em recente Manhattan Connection. Quase furou meus tímpanos. Perguntei à companheira: “Ouvi direito?” “Ouviu”, respondeu. Aí, me lembrei que, no português, tenho mais telhado de vidro que Mainardi. Volta e meia, esqueço a grafia correta, cometo cada barbaridade. Além disso, falho nos dados. Esses dias, coloquei Orson Welles numa relação de cineastas judeus que fizeram de Hollywood algo mais importante do que uma simples cidade de entretenimento. Ora, Welles não era judeu, e eu sabia. Acontece. Meus leitores alertaram, pedi desculpas.


Veja, não é porque erro que Mainardi pode errar também e não ser criticado. Há algo mais sério em jogo, nos textos dele --- os destinos da humanidade ---, e seria superficial e raso demais combatê-lo por aí, como faz habitual e preconceituosamente a direita brasileira. Exemplo recente: quando Caetano Veloso desprezou Lula, por considerá-lo “analfabeto e brega”. Há que combater Diogo Mainardi, sim, mas pelo mal que ele e seus veículos como a Veja e o programa Manhattan Connection fazem à humanidade.


Que fique claro, não defendo quem erra o português. Todo comunicador precisa dominar a língua. Se não domina, não consegue se comunicar direito. Um simples erro no emprego da vírgula pode levar à morte, como naquele clássico exemplo do rei. Coube a ele dar a sentença final, se livraria ou não o condenado da pena de morte. Em telegrama (ops, hoje seria e-mail), o rei o perdoou, pedindo para que não o matassem. Só que dividiu a sentença com uma vírgula (escreveu: “Não, matem”) e o condenado foi sacrificado.


Há males maiores pelos quais Diogo Mainardi e seus veículos precisam ser criticados e combatidos. O principal deles está nas posições equivocadas e pseudocientíficas que defendem, e que tanto mal fazem à humanidade. Quais são elas? A maior é ainda não ter identificado corretamente os verdadeiros responsáveis pela devastação ambiental e pela destruição da vida no Planeta.


Como Mainardi e a mídia em geral, a maioria acredita que é o homem, identificado equivocadamente como “predador por natureza”, o grande responsável por tudo isso. A maioria não sabe que o pai da criança --- mesmo durante a Guerra Fria e na China de hoje, atravessando a história contemporânea --- é na verdade o capital.


Sim, o homem é o executor das ações do capital. Obviamente, são mãos humanas que conduzem a vida capitalista. Mas a humanidade não tem muita escolha nesse processo: a vida regida pelo capital globalizou-se e se tornou dominante no Planeta, independentemente da vontade humana. Os povos condicionaram-se aos desígnios do capital e têm sido forçados a seguir o curso por ele ditado. E é impensável, inviável e utópico tentar deter esse processo nos dias de hoje.


Mas não podemos ficar indiferentes aos males que a vida capitalista nos tem causado, como fazem Mainardi e a mídia em geral, da mesma forma que nunca ficamos indiferentes aos benefícios que o capital nos trouxe. É preciso fazer alguma coisa já para conter esse terrível rolo compressor que nos atinge todos os dias, sob pena de a destruição trazida pelo capital tornar-se algo avassalador e irreversível, a ponto de pôr fim ao que resta de vida na Terra. Alguns cientistas já preveem que a vida, inclusive a humana, não dure um século no Planeta, se continuarmos em meio a essa destruição e a essa barbárie.


É nesse sentido que preconizo ser hoje necessário, a cada indivíduo, tornar-se demolidor. Urge que encontremos formas de desconstruir essas estruturas arcaicas que ainda dominam a sociedade, mesmo que isto seja muito difícil. É a vida no Planeta que está próxima de acabar, temos de continuar tentando. Indiferentes às reais causas da destruição e da barbárie, Mainardi e os veículos de comunicação, ao contrário, procuram, não importa a que preço, conservar as forças do capital, para que a estrada continue livre e nada detenha a atual devastação. Contra isto, é preciso ser radical, entendendo-se por radical ir à raiz do problema, para extirpar o mal a partir de suas causas.


Outro deslize de Diogo Mainardi e da mídia em geral é não ter percebido ainda qual a verdadeira finalidade dos meios de comunicação. Não sabem que os veículos nasceram justamente para fiscalizar, defender e proteger, como guardiões, a vida regida pelo capital. Até porque são corporações capitalistas também, e é fácil perceber que os jornalistas aí estão para fiscalizar, proteger e defender os interesses delas, embora a maioria dos quais não tenha a menor consciência disso. Mainardi não é exceção.


Em texto recente de Veja, sob o título “Eu e o urso canibal”, Mainardi põe a nu toda a sua ignorância a respeito. Ele se diz indiferente ao aparecimento de ursos canibais na calota polar ártica, como acaba de descobrir a ciência. O degelo na calota, que seria resultado do superaquecimento global, estaria levando os ursos a se tornarem canibais, na luta pela sobrevivência. Diz Mainardi: “O que eu sei sobre o assunto é que, nos tempos de Giorgione e de William Shakespeare, talvez houvesse menos CO2, mas nós brasileiros já comíamos uns aos outros.” Quer raciocínio mais tosco, comparação mais rasa?


Diogo Mainardi e nossos veículos de comunicação ainda não perceberam que o capital transformou a Terra num imenso shopping center. Não existe nada mais autoritário do que o capital, ainda que ele nos tenha garantido todo esse valioso progresso. O avanço tecnológico de responsabilidade do capital acabou queimando etapas e permitido que nossa espécie sobrevivesse e avançasse, salvando a humanidade.


Mas, ao mesmo tempo, o capital responde por toda a destruição a que estamos assistindo, no Planeta e até fora dele. As palavras-de-ordem do capital são: “Temos de vender de qualquer jeito, não sobrevivemos sem a venda”. E isto depende de outra palavra-de-ordem, ainda mais autoritária: “Para vendermos, você precisa comprar”. Eis a sina.



Não importa se o que você vai comprar destruirá recursos naturais e concorrerá para acabar com a vida no Planeta. Também não importa se o produto seja cancerígeno ou se irá levar você à obesidade e ao enfarte, quando não à depressão e ao suicídio. O capital não vê cara nem coração, está pouco se lixando para a destruição que provoca. Quanto mais vender, melhor. Metade da população dos EUA sofre hoje de obesidade (inclusive, mórbida) e quase ninguém sabe que é a vida regida pelo capital a causadora disso. O capital vitaminou os alimentos, jogou no mercado os transgênicos, deixou tudo mais barato, mas também provocou os distúrbios (hormonais etc.) que acabaram engordando a América.


O capital age como o viciado em cocaína: diz que vai fazer isto ou aquilo para sair dessa (o papo da sustentabilidade, da defesa do ecossistema etc.), mas o que sempre prevalece é a lógica da venda, pois é ela que comanda a acumulação. E o povo permanece alienado, sem saber a origem dos males que o atingem.


A vida regida pelo capital quer apenas garantir as vendas e não mede esforços para tanto. Ninguém sobrevive no Planeta se não comprar. Mesmo que você se recuse, foi a vida inteira condicionado a comprar e não consegue se libertar. Pode até ter se tornado consumista compulsivo, e aí fica mais difícil ainda.


Se você tenta se livrar, logo percebe que não dá. Se chega perto de conseguir, é imediatamente amordaçado de novo, quando não assassinado, e não tem saída senão voltar à rotina do consumo. Ou você consome, pois precisa ter as coisas para poder usufruir e sobreviver, ou morre. Ainda não achei um único produto que, por mais benefícios que traga à humanidade, não contribua para a destruição de recursos naturais e para a poluição e a devastação ambientais.


É preciso fazer alguma coisa. Obviamente, não tem sentido tentar acabar com a produção industrial como solução para essa questão. Também já vimos que não há como deter todo esse progresso que nos garantiu a vida capitalista e que tantos benefícios trouxe à humanidade. Mas há que estar consciente, para não perder o fio da meada. E também que se posicionar do lado certo, antes que tarde.


As discussões sobre o superaquecimento global de Copenhage, por exemplo, são decisivas para o futuro da humanidade, ainda que possam significar apenas um grão de areia nessa dura batalha. É criminoso o veículo --- bem como o jornalista, a exemplo de Diogo Mainardi --- indiferente à devastação provocada pelo capital, assumindo postura conservadora de quem, com antolhos, só enxerga o que deve ser feito para salvaguardar as forças que regem a vida capitalista. Há uma verdade absoluta aí: ou o homem dirime e detém a voracidade destrutiva da vida sob o capital ou esta acaba com a vida no Planeta, e em menos tempo do que se imagina.
Tom Capri.

O PAC DESTROI A AMAZÔNIA

Pe. Edilberto


O capitalismo mundial gerou o neo liberalismo, que gerou o IIRSA (iniciativa de integração regional sul americana), que gerou o PAC (programa de aceleração do crescimento), que ajuda a destruir a
Amazônia e seus povos. Tudo isso em nome do tal progresso econômico.

Diante dos altares desses deuses malditos, se curvam de joelhos, ministros, juizes, deputados, senadores e o próprio presidente da República. Quando um funcionário público graduado se recusa, por dever ético, a queimar incenso no altar do PAC é considerado herege e logo, expulso das fileiras dos servidores devotos.

Foi o que aconteceu recentemente com toda a equipe do IBAMA, responsável pela liberação ou não, do licenciamento ambiental para o desastre anunciado da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu. Como seu dever ético sabia que havia pontos incompletos, não liberaram a licença e foram exonerados.

Os deuses do capital exigem sangue dos povos da Amazônia, já que o Olimpo neo liberal carece de riquezas que só aqui existem em abundância. Por isso, os dirigentes do PAC planejam rodovias,
hidrelétricas, hidrovias, portos modernos, estimulam o agro negócio, entre outras grandiosas obras. Não importa se povos indígenas serão expulsos de seu habitat, se áreas de preservação serão violadas, se a
floresta é desmatada, não importa se as populações tradicionais são prejudicadas. Todos esses, segundo o próprio presidente da República, são entraves ao crescimento do Brasil.

Depois, os deuses enviam sacerdotes e acólitos à grande romaria em Copenhagen, a grande assembléia de adoração ao capital, que está um
pouco incomodado com a ameaça da natureza de se rebelar e exterminar os seres vivos, caso continuem sacrificando vidas no altar maldito. Os arautos do PAC estão lá anunciando ao mundo que estão preocupados com o aquecimento global, que estão protegendo a Amazônia e que os culpados do aquecimento global são os outros.

Por isso exigem mais milhões, ou melhor, bilhões de euros para “salvar” a Amazônia. Quanto as hidrelétricas e Belo Monte, Jarí, Tapajós elas serão construídas, com todo o cuidado, assim como Deus
criou o paraíso. Para isso, vão utilizar o modelo plataformas da Petrobrás em alto mar. Vejam só, tecnologia de ponta para europeus e gringos apaudirem, ou melhor, para inglês ver. Não é impressionante essa gente adoradora dos deuses do capital? Amém, aleluia.


http://www.radioruraldesantarem.com.b

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

FUNDAÇÃO AME - CONVOCAÇÃO





Esta é uma convocação dirigida aos que não perderam as últimas esperanças de que somos capazes de reorganizar o País, de baixo para cima, como pregava o professor e geógrafo Milton Santos. Reforma política de gabinete é luxúria, assalto aos cofres públicos, de que a população está cansada!

Orçamento Participativo e Autogoverno

Modelo de fusão para felicidade dos povos,

que poderá erradicar a corrupção no País!

A lei federal n.10257, de 10/7/2001 (Estatuto da Cidade) tem por objetivo “estabelecer normas de ordem pública e interesse social que regulam o uso da propriedade urbana, em prol do bem coletivo, da segurança e do bem-estar dos cidadãos, bem como do equilíbrio ambiental.”

Isto não é tudo! Os mecanismos republicanos, até hoje, decorridos mais de 120 anos da quartelada que derrubou o Império do Brasil, têm elaborado leis, normas e regulamentos que oprimem o município, impedindo que ele exerça plenamente sua liberdade administrativa.

O que estamos propondo é o cumprimento total da Declaração Universal dos Direitos Humanos, bem como das recomendações emanadas da RIO-92 e da Declaração de Joanesburgo (2002), para que a comunidade tenha poderes de colaborar na elaboração do Orçamento Comunitário e, ainda, passe a gerenciar o dinheiro público, infelizmente dilapidado por alguns espertalhões.

Tudo começa no município, evidentemente. Daí o apropriado nome de célula-máter da nação, pois nem Estado nem Federação podem existir sem o município.

Estado ou Província nada mais é do que a reunião dos municípios sob o manto de uma constituição definidora dos limites geográficos que se entendem sob uma administração globalizada, enquanto que Federação é a forma de governo que define os rumos políticos e econômicos da nação.

Na organização político-administrativa cada ente tem vida própria, define suas prioridades espaciais, mas não há liberdade suficiente para que os municípios possam se autogovernar. Nos casos de limites territoriais há, sempre, a injunção estatal, enquanto que nos limites tributários estas mesma injunções são repartidas entre Estado e Federação, cabendo à célula-máter apenas quireras do que arrecada, não mais do que 10%, o que impede assim o pleno exercício da autonomia municipal.

O Orçamento Participativo veio quebrar um tabu secular, no que diz respeito às alocações de recursos; permitiu este programa que as comunidades fossem ouvidas e apontada a distribuição orçamentária diretamente junto às principais carências, sempre sugeridas por moradores, em reuniões com grupos técnicos das próprias prefeituras.
Não resta dúvida que o grande passo proporcionado pelo Orçamento Participativo provou como é vital a comunidade nas questões administrativas, porém, o programa, por si só, não avançou ainda em direção de buscar o autogoverno municipal, já que vivemos ainda sob a tutela do velho modelo econômico neoliberal do século XIX.
Países como Alemanha, Letônia, na Europa, e China e Cingapura, na Ásia, correm em direção oposta ao neoliberalismo, doutrina que pressupõe a felicidade dependendo do mercado, enquanto que o Butão (na Ásia), e Itália (Europa) propõem um modelo mais fraterno, mais voltado para as aspirações populares, que atendam plenamente as recomendações da Declaração Universal dos Direitos Humanos e possa virar uma página da história, buscando equacionar a felicidade, independentemente da questão econômica.
Desenvolvimento é ser feliz, diz o governo do Butão, caso contrário não é desenvolvimento. É preciso articular em conjunto o bem-estar psicológico, o uso do tempo, a vitalidade da comunidade, a cultura, saúde, educação, diversidade do meio ambiente, o padrão de vida e a governabilidade”, explica o primeiro-ministro.
A região veneta (norte da Itália) está seriamente empenhada na independência das províncias (estados) da região, de vez que houve provável usurpação por parte do governo central italiano, quando da unificação do país.
Autogoverno é a forma ou modelo político que mais se aproxima da Ecodemocracia, ou seja, uma democracia igualitária, solidária, que não vê nos negócios governamentais apenas fluxo econômico, mas, antes de tudo, a completa harmonização dos seres humanos com o meio ambiente.
Desde a recomendação da RIO-92: “pensar globalmente, agir localmente”, não se conseguiu chegar a um consenso mais ecológico do que este, ratificado na conferência de Joanesburgo, em 2002, e firmemente arraigada nos compêndios que planejam governos autenticamente populares, gerenciados pelos moradores citadinos.
AME aplaude e recomenda o Orçamento Participativo, mas acrescenta que é preciso trabalhar duro para que cheguemos ao autogoverno municipal, se quisermos, realmente, apresentar um modelo de sustentação e equilíbrio ecopolítico no planeta que nos hospeda transitoriamente.
AME-Fundação Mundial de Ecologia – www.ecologia.org.br E-mails: amefundacao@uol.com.br e amefundacao@gamil.com
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Profecia de Edgar Cayce:

Antes de falecer, em 1945, Cayce profetizou:

“Haverá uma nova ordem social e também haverá nova ordem econômica... Não que tudo tenha que vir a ser possuído em comum, como nos regimes comunistas, mas deve ser constituída aquela unidade, aquela associação de idéias, de atividades, de influências por meio das experiências de todos... Cada pessoa, por sua própria atividade, deve ter a oportunidade de expressão, de trabalho, de produção ... Todos devem entender que os que possuem mais devem dar mais ...”
Cidades independentes
Letônia:

Aizkraukle - Aluksne – Balvi – Bauska – Cesis – Daugavpils – Daugavpils (cidade) – Dobele – Gulbene – Jekabpils – Jelgava – Jelgava (cidade) – Jurmala (cidade) Kraslava –Kuldiga – Leiepaja – Liepaja (cidade) Limbazi – Ludza – Madona – Ogre – Preili – Rezekne – Rezekne (cidade) –Riga – Riga (cidade) – Saldus – Talsi – Tukums – Valka – Valmiera – Ventspils – Ventspils (cidade)
Outras cidades independentes
Alemanha: Berlin, Bremen, Hamburgo, Kiel, Munich, Magdeburgo e Baviera (112 cidades independentes “kreisfreie Städte”.
Lívia, território espanhol junto à França
San Marino, Vaticano, Mônaco, Sardegna
Lesoto (África) – Gâmbia (Senegal) – Brunei (Malásia) –
Ásia: Hong Kong, Shangai, Macau, Singapura
Portugal: Ilha da Madeira, Açores
Kosovo, Liechenstein
Groenlândia