| da New Scientist/Inovação Tecnológica | |
![]() Este gráfico mostra as interconexões entre o grupo de 1.318 empresas transnacionais que formam o núcleo da economia mundial. O tamanho de cada ponto representa o tamanho da receita de cada uma. A reportagem é da revista New Scientist, 22-10-2011 e reproduzida pelo sítio Inovação Tecnológica. Além das ideologias Conforme os protestos contra o capitalismo se espalham pelo mundo, os manifestantes vão ganhando novos argumentos. Uma análise das relações entre 43.000 empresas transnacionais concluiu que um pequeno número delas - sobretudo bancos - tem um poder desproporcionalmente elevado sobre a economia global. A conclusão é de três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça. Este é o primeiro estudo que vai além das ideologias e identifica empiricamente essa rede de poder global. "A realidade é complexa demais, nós temos que ir além dos dogmas, sejam eles das teorias da conspiração ou do livre mercado," afirmou James Glattfelder, um dos autores do trabalho. "Nossa análise é baseada na realidade." Rede de controle econômico mundial A análise usa a mesma matemática empregada há décadas para criar modelos dos sistemas naturais e para a construção de simuladores dos mais diversos tipos. Agora ela foi usada para estudar dados corporativos disponíveis mundialmente. O resultado é um mapa que traça a rede de controle entre as grandes empresas transnacionais em nível global. Estudos anteriores já haviam identificado que algumas poucas empresas controlam grandes porções da economia, mas esses estudos incluíam um número limitado de empresas e não levavam em conta os controles indiretos de propriedade, não podendo, portanto, ser usados para dizer como a rede de controle econômico poderia afetar a economia mundial - tornando-a mais ou menos instável, por exemplo. O novo estudo pode falar sobre isso com a autoridade de quem analisou uma base de dados com 37 milhões de empresas e investidores. A análise identificou 43.060 grandes empresas transnacionais e traçou as conexões de controle acionário entre elas, construindo um modelo de poder econômico em escala mundial. Poder econômico mundial Refinando ainda mais os dados, o modelo final revelou um núcleo central de 1.318 grandes empresas com laços com duas ou mais outras empresas - na média, cada uma delas tem 20 conexões com outras empresas. Mais do que isso, embora este núcleo central de poder econômico concentre apenas 20% das receitas globais de venda, as 1.318 empresas em conjunto detêm a maioria das ações das principais empresas do mundo - as chamadas blue chips nos mercados de ações. Em outras palavras, elas detêm um controle sobre a economia real que atinge 60% de todas as vendas realizadas no mundo todo. E isso não é tudo. Super-entidade econômica Quando os cientistas desfizeram o emaranhado dessa rede de propriedades cruzadas, eles identificaram uma "super-entidade" de 147 empresas intimamente inter-relacionadas que controla 40% da riqueza total daquele primeiro núcleo central de 1.318 empresas. "Na verdade, menos de 1% das companhias controla 40% da rede inteira," diz Glattfelder. E a maioria delas são bancos. Os pesquisadores afirmam em seu estudo que a concentração de poder em si não é boa e nem ruim, mas essa interconexão pode ser. Como o mundo viu durante a crise de 2008, essas redes são muito instáveis: basta que um dos nós tenha um problema sério para que o problema se propague automaticamente por toda a rede, levando consigo a economia mundial como um todo. Eles ponderam, contudo, que essa super-entidade pode não ser o resultado de uma conspiração - 147 empresas seria um número grande demais para sustentar um conluio qualquer. A questão real, colocam eles, é saber se esse núcleo global de poder econômico pode exercer um poder político centralizado intencionalmente. Eles suspeitam que as empresas podem até competir entre si no mercado, mas agem em conjunto no interesse comum - e um dos maiores interesses seria resistir a mudanças na própria rede. As 50 primeiras das 147 empresas transnacionais super conectadas Barclays plc Capital Group Companies Inc FMR Corporation AXA State Street Corporation JP Morgan Chase & Co Legal & General Group plc Vanguard Group Inc UBS AG Merrill Lynch & Co Inc Wellington Management Co LLP Deutsche Bank AG Franklin Resources Inc Credit Suisse Group Walton Enterprises LLC Bank of New York Mellon Corp Natixis Goldman Sachs Group Inc T Rowe Price Group Inc Legg Mason Inc Morgan Stanley Mitsubishi UFJ Financial Group Inc Northern Trust Corporation Société Générale Bank of America Corporation Lloyds TSB Group plc Invesco plc Allianz SE 29. TIAA Old Mutual Public Limited Company Aviva plc Schroders plc Dodge & Cox Lehman Brothers Holdings Inc* Sun Life Financial Inc Standard Life plc CNCE Nomura Holdings Inc The Depository Trust Company Massachusetts Mutual Life Insurance ING Groep NV Brandes Investment Partners LP Unicredito Italiano SPA Deposit Insurance Corporation of Japan Vereniging Aegon BNP Paribas Affiliated Managers Group Inc Resona Holdings Inc Capital Group International Inc China Petrochemical Group Company Bibliografia: The network of global corporate control Stefania Vitali, James B. Glattfelder, Stefano Battiston arXiv 19 Sep 2011 http://arxiv.org/abs/1107.5728 |
MARINA
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Matemáticos revelam rede capitalista que domina o mundo
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Sociólogo norte-americano antecipa que ‘o capitalismo chegou ao fim da linha’
Aos 81 anos, o sociólogo norte-americano Immanuel Wallerstein acredita que o capitalismo chegou ao fim da linha: já não pode mais sobreviver como sistema. Mas – e aqui começam as provocações – o que surgirá em seu lugar pode ser melhor (mais igualitário e democrático) ou pior (mais polarizado e explorador) do que temos hoje em dia.
Por Redação, com IHU - de Washington/CORREIO DO BRASIL
Estamos, pensa este professor da Universidade de Yale e personagem assíduo dos Fóruns Sociais Mundiais, em meio a uma bifurcação, um momento histórico único nos últimos 500 anos. Ao contrário do que pensava Karl Marx, o sistema não sucumbirá num ato heróico. Desabará sobre suas próprias contradições. Mas atenção: diferentemente de certos críticos do filósofo alemão, Wallerstein não está sugerindo que as ações humanas são irrelevantes.
Ao contrário: para ele, vivemos o momento preciso em que as ações coletivas, e mesmo individuais, podem causar impactos decisivos sobre o destino comum da humanidade e do planeta. Ou seja, nossas escolhas realmente importam. “Quando o sistema está estável, é relativamente determinista. Mas, quando passa por crise estrutural, o livre-arbítrio torna-se importante.”
É no emblemático 1968, referência e inspiração de tantas iniciativas contemporâneas, que Wallerstein situa o início da bifurcação. Lá teria se quebrado “a ilusão liberal que governava o sistema-mundo”. Abertura de um período em que o sistema hegemônico começa a declinar e o futuro abre-se a rumos muito distintos, as revoltas daquele ano seriam, na opinião do sociólogo, o fato mais potente do século passado – superiores, por exemplo, à revolução soviética de 1917 ou a 1945, quando os EUA emergiram com grande poder mundial.
As declarações foram colhidas no dia 4 de outubro pela jornalista Sophie Shevardnadze, que conduz o programa Interview na emissora de televisão russa RT. A transcrição e a tradução para o português são iniciativas do sítio Outras Palavras, 15-10-2011.
Leia aqui a entrevista, na íntegra:
– Há exatamente dois anos, você disse ao RT que o colapso real da economia ainda demoraria alguns anos. Esse colapso está acontecendo agora?
– Não, ainda vai demorar um ano ou dois, mas está claro que essa quebra está chegando.
– Quem está em maiores apuros: Os Estados Unidos, a União Europeia ou o mundo todo?
– Na verdade, o mundo todo vive problemas. Os Estados Unidos e União Europeia, claramente. Mas também acredito que os chamados países emergentes, ou em desenvolvimento – Brasil, Índia, China – também enfrentarão dificuldades. Não vejo ninguém em situação tranquila.
– Você está dizendo que o sistema financeiro está claramente quebrado. O que há de errado com o capitalismo contemporâneo?
– Essa é uma história muito longa. Na minha visão, o capitalismo chegou ao fim da linha e já não pode sobreviver como sistema. A crise estrutural que atravessamos começou há bastante tempo. Segundo meu ponto de vista, por volta dos anos 1970 – e ainda vai durar mais uns 20, 30 ou 40 anos. Não é uma crise de um ano, ou de curta duração: é o grande desabamento de um sistema. Estamos num momento de transição. Na verdade, na luta política que acontece no mundo — que a maioria das pessoas se recusa a reconhecer — não está em questão se o capitalismo sobreviverá ou não, mas o que irá sucedê-lo. E é claro: podem existir duas pontos de vista extremamente diferentes sobre o que deve tomar o lugar do capitalismo.
– Qual a sua visão?
– Eu gostaria de um sistema relativamente mais democrático, mais relativamente igualitário e moral. Essa é uma visão, nós nunca tivemos isso na história do mundo – mas é possível. A outra visão é de um sistema desigual, polarizado e explorador. O capitalismo já é assim, mas pode advir um sistema muito pior que ele. É como vejo a luta política que vivemos. Tecnicamente, significa é uma bifurcação de um sistema.
– Então, a bifurcação do sistema capitalista está diretamente ligada aos caos econômico?
– Sim, as raízes da crise são, de muitas maneiras, a incapacidade de reproduzir o princípio básico do capitalismo, que é a acumulação sistemática de capital. Esse é o ponto central do capitalismo como um sistema, e funcionou perfeitamente bem por 500 anos. Foi um sistema muito bem sucedido no que se propõe a fazer. Mas se desfez, como acontece com todos os sistemas.
– Esses tremores econômicos, políticos e sociais são perigosos? Quais são os prós e contras?
– Se você pergunta se os tremores são perigosos para você e para mim, então a resposta é sim, eles são extremamente perigosos para nós. Na verdade, num dos livros que escrevi, chamei-os de “inferno na terra”. É um período no qual quase tudo é relativamente imprevisível a curto prazo – e as pessoas não podem conviver com o imprevisível a curto prazo. Podemos nos ajustar ao imprevisível no longo prazo, mas não com a incerteza sobre o que vai acontecer no dia seguinte ou no ano seguinte. Você não sabe o que fazer, e é basicamente o que estamos vendo no mundo da economia hoje. É uma paralisia, pois ninguém está investindo, já que ninguém sabe se daqui a um ano ou dois vai ter esse dinheiro de volta. Quem não tem certeza de que em três anos vai receber seu dinheiro, não investe – mas não investir torna a situação ainda pior. As pessoas não sentem que têm muitas opções, e estão certas, as opções são escassas.
– Então, estamos nesse processo de abalos, e não existem prós ou contras, não temos opção, a não ser estar nesse processo. Você vê uma saída?
– Sim! O que acontece numa bifurcação é que, em algum momento, pendemos para um dos lados, e voltamos a uma situação relativamente estável. Quando a crise acabar, estaremos em um novo sistema, que não sabemos qual será. É uma situação muito otimista no sentido de que, na situação em que nos encontramos, o que eu e você fizermos realmente importa. Isso não acontece quando vivemos num sistema que funciona perfeitamente bem. Nesse caso, investimos uma quantidade imensa de energia e, no fim, tudo volta a ser o que era antes. Um pequeno exemplo. Estamos na Rússia. Aqui aconteceu uma coisa chamada Revolução Russa, em 1917. Foi um enorme esforço social, um número incrível de pessoas colocou muita energia nisso. Fizeram coisas incríveis, mas no final, onde está a Rússia, em relação ao lugar que ocupava em 1917? Em muitos aspectos, está de volta ao mesmo lugar, ou mudou muito pouco. A mesma coisa poderia ser dita sobre a Revolução Francesa.
– O que isso diz sobre a importância das escolhas pessoais?
– A situação muda quando você está em uma crise estrutural. Se, normalmente, muito esforço se traduz em pouca mudança, nessas situações raras um pequeno esforço traz um conjunto enorme de mudanças – porque o sistema, agora, está muito instável e volátil. Qualquer esforço leva a uma ou outra direção. Às vezes, digo que essa é a “historização” da velha distinção filosófica entre determinismo e livre-arbítrio. Quando o sistema está relativamente estável, é relativamente determinista, com pouco espaço para o livre-arbítrio. Mas, quando está instável, passando por uma crise estrutural, o livre-arbítrio torna-se importante. As ações de cada um realmente importam, de uma maneira que não se viu nos últimos 500 anos. Esse é meu argumento básico.
– Você sempre apontou Karl Marx como uma de suas maiores influências. Você acredita que ele ainda seja tão relevante no século XXI?
– Bem, Karl Marx foi um grande pensador no século XIX. Ele teve todas as virtudes, com suas ideias e percepções, e todas as limitações, por ser um homem do século XIX. Uma de suas grandes limitações é que ele era um economista clássico demais, e era determinista demais. Ele viu que os sistemas tinham um fim, mas achou que esse fim se dava como resultado de um processo de revolução. Eu estou sugerindo que o fim é reflexo de contradições internas. Todos somos prisioneiros de nosso tempo, disso não há dúvidas. Marx foi um prisioneiro do fato de ter sido um pensador do século XIX; eu sou prisioneiro do fato de ser um pensador do século XX.
– Do século 21, agora…
– É, mas eu nasci em 1930, eu vivi 70 anos no século XX, eu sinto que sou um produto do século XX. Isso provavelmente se revela como limitação no meu próprio pensamento.
– Quanto – e de que maneiras – esses dois séculos se diferem? Eles são realmente tão diferentes?
– Eu acredito que sim. Acredito que o ponto de virada deu-se por volta de 1970. Primeiro, pela revolução mundial de 1968, que não foi um evento sem importância. Na verdade, eu o considero o evento mais significantes do século XX. Mais importante que a Revolução Russa e mais importante que os Estados Unidos terem se tornado o poder hegemônico, em 1945. Porque 1968 quebrou a ilusão liberal que governava o sistema mundial e anunciou a bifurcação que viria. Vivemos, desde então, na esteira de 1968, em todo o mundo.
– Você disse que vivemos a retomada de 68 desde que a revolução aconteceu. As pessoas às vezes dizem que o mundo ficou mais valente nas últimas duas décadas. O mundo ficou mais violento?
– Eu acho que as pessoas sentem um desconforto, embora ele talvez não corresponda à realidade. Não há dúvidas de que as pessoas estavam relativamente tranquilas quanto à violência em 1950 ou 1960. Hoje, elas têm medo e, em muitos sentidos, têm o direito de sentir medo.
– Você acredita que, com todo o progresso tecnológico, e com o fato de gostarmos de pensar que somos mais civilizados, não haverá mais guerras? O que isso diz sobre a natureza humana?
– Significa que as pessoas estão prontas para serem violentas em muitas circunstâncias. Somos mais civilizados? Eu não sei. Esse é um conceito dúbio, primeiro porque o civilizado causa mais problemas que o não civilizado; os civilizados tentam destruir os bárbaros, não são os bárbaros que tentam destruir os civilizados. Os civilizados definem os bárbaros: os outros são bárbaros; nós, os civilizados.
– É isso que vemos hoje? O Ocidente tentando ensinar os bárbaros de todo o mundo?
– É o que vemos há 500 anos.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
O RIO DA MINHA INFÂNCIA
O RIO DA MINHA INFÂNCIA 
Porquê será que toda criança tem um rio com o qual identifica-se?Certo é, que nem sempre é um rio, mas um ribeirão, um coricho, um regato, um igarapé sei lá, mas a verdade é que adota-se um fio d’água com todo seu fascínio.Especulemos. Será porquê a pureza da infância identifica-se com o curso d’água igualmente puro?Ou então, que ele transporta segredos e novidades que apreendeu nas cabeceiras e leva lépido e fagueiro para os ribeirinhos rio-abaixo e aguça nossa curiosidade?Mas a verdade é que, por um motivo ou por outro sempre tivemos o rio dos sonhos da nossa infância.Ah! Você não teve?Então, sua infância passou e você não viu.O meu do qual não me envergonho era pequenino igual meu mundo, mas grande à medida dos meus sonhos e para lá eu ia e em suas margens ficava imaginando quantas aventuras passavam-se em suas margens e meu rio era testemunha disto.Silencioso e nada podendo fazer viu atinos e desatinos, que eu ficava imaginando, construindo castelos nas espumas límpidas de suas águas, que imaginava sempre seriam as mesmas.Hoje, lá não volto. Tenho medo de não encontrar o rio que lá deixei.Mudei tanto, que o rio também deve ter mudado, pois sempre senti seu palpitar de ente vivo que como eu cresceu e perdeu a inocência.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
THRILLER
REPRISE DA COLUNA DO SARDINHA 07/2009
Luiz Bosco Sardinha Machado
Confiança da indústria cai 1,6% em setembro e atinge menor nível desde agosto de 2009
Repórter da Agência Brasil
São Paulo - O Índice de Confiança da Indústria (ICI), medido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), caiu 1,6% de agosto para setembro, ao passar de 102,7 para 101,1 pontos. É a nona queda consecutiva e o menor índice desde agosto de 2009 (100,2). De acordo com os dados, o Índice de Expectativas (IE) recuou 2,6%, para 99,2 pontos, e o Índice da Situação Atual (ISA) caiu 0,6%, para 102,9 pontos,
Segundo a FGV, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) atingiu o menor patamar desde novembro de 2009 (82,9%) e ficou em 83,6% em setembro. Com o resultado, a média do terceiro trimestre de 2011 ficou em 83,8%, a menor desde o quarto trimestre de 2009 (83,1%).
Entre os componentes do IE, o emprego industrial atingiu o menor indicador desde junho de 2009 (98) e registrou 105,1 pontos. Das 1.241 empresas consultadas, 17,7% preveem aumentar o efetivo de mão de obra nos três meses seguintes (contra 22,6% em agosto), enquanto 12,6% pretendem diminuí-lo (contra 11,9% do mês anterior).
Já no ISA houve estabilidade nos itens que medem a satisfação com a situação dos negócios e o nível dos estoques, e queda no indicador do nível atual da demanda, que atingiu 102,3 pontos, o menor patamar desde setembro de 2009 (100,5). A proporção de empresas que consideram forte o nível atual de demanda diminuiu de 14,9% para 14%, enquanto a parcela das que o avaliam como fraco aumentou de 10,6% para 11,7%.
Edição: Juliana Andrade
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Revendo joias do pensamento liberal que tanto alvoroçaram Alvarossauro e a mim
Por Tom Capri
Acabo de receber, de Álvaro Pedreira de Cerqueira, a quem chamo de Alvarossauro, uma coleção de joias do pensamento liberal, aforismos de gente de peso como Locke, Tocqueville, Churchill e outros. Chamo de Alvarossauro porque, apesar de ilustrado, com altos conhecimentos em todos os campos ---- a exemplo de gentis mortais como Diogo Mainardi, Luiz Felipe Pondé, Daniel Piza etc. ----, é mais um que se tornou infenso à razão e fossilizou-se numa visão dinossáurica de tudo. Tal qual seus colegas de grupo, como Rivadávia Rosa, Antonio “Sepulcrão” Sepulveda, Delmar Phillipsen, Gerhard Boehme, entre outros. Todos ainda se mostram incapazes da menor autocrítica. Pois não é que também fiquei fascinado com os aforismos liberais, pela precisão e presteza? Como aquela gente acertou na mosca! Bem ao contrário do que a ala mais rasa e burra da esquerda (maioria) tanto propala e do que se imagina por aí. Um belo ajuste de contas com a sabedoria! Apreciei e aprendi muito lendo esses aforismos. Alvarossauro os havia recebido de um amigo, Márcio Chila Freyesleben, a quem agradecera, comovido, pelo envio. E fez questão de repassar essas joias liberais aos amigos (e inimigos). Não entendi até agora como Alvarossauro abraçou todos os aforismos, se alguns vão frontalmente contra o que ele pensa. Talvez por isso os aforismos tenham me comovido também. Atrevi-me a analisar e a comentar um por um. Aí vão, em nova tentativa de levar uma luz aos Alvarossauros que aí estão e se tornaram infensos às verdades. E não adianta pinçar um aqui, outro ali, para ler, pois aí é que você não vai mesmo entender: minha análise de cada um é sequencial e nexológica, isto é, o que digo sobre o primeiro aforismo é parte essencial do que digo sobre o segundo, e assim por diante (em suma, todas as minhas análises estão imbricadas). Portanto, é preciso ler todos e na ordem em que estão, para entender. Confira.
Os governos existem para proteger os legítimos direitos à vida, à liberdade e à propriedade. (John Locke).
Temos aqui essa brilhante percepção de Locke, ainda muito pouco entendida, principalmente pelos seus admiradores, como Alvarossauro. Locke tem razão quando diz que os governos existem e sempre existiram para proteger oslegítimos (legítimos no sentido de “previstos em lei”) direitos à vida, à liberdade e à propriedade. Até aí, perfeito. O ponto falho e obscuro de Locke não está nesse aforismo, mas fora dele. Os governos realmente existem para proteger os legítimosdireitos (que Locke menciona) à vida, à liberdade e à propriedade, mas das classes dominantes, não da sociedade em geral. E são as classes dominantes que criam e aprovam as leis que tornam legítimos esses seus próprios direitos. Sempre foi assim desde que os gregos e romanos inventaram as leis, o estado de direito, a democracia.
Locke nunca enxergou as classes, na sociedade, e imaginava que os direitos legítimos à vida, à liberdade e à propriedade, das classes dominantes, eram os mesmos direitos garantidos e estendidos a todos. Para Locke, não existiam as classes, e a sociedade de sua época era uma coisa só, unificada em torno dos ideais que ele, o mesmo Locke, tinha na cabeça e preconizava.
E se você ainda é ingênuo a ponto de não acreditar que os governos, a democracia e o Estado aí estão para proteger os legítimos (no sentido de “previstos em lei”) direitos à vida, à liberdade e à propriedade, porém das classes dominantes, volte a ler e a estudar o tema. Aprofunde-se nele. Mas vá aos clássicos que escreveram sobre isso, não aos intérpretes, que só raramente são precisos. Leia os gregos, cheque a verdadeira origem do Estado, da democracia, do poder, dos governos. Tente entender por que a democracia é, na verdade, segundo alguns sábios gregos, o “regime do diabo”, ou, como eu costumo chamar, ademoniocracia.
Devemos dizer ao povo o que ele precisa saber e não o que ele gostaria de ouvir. (J. F. Kennedy).
John Kennedy tinha razão. Mas, por desconhecer o fato de que os governos existem para proteger os legítimos direitos (legítimos porque previstos em lei) das classes dominantes e não do povo, foi lá e disse o que o povo precisava saber e, por causa disso, tomou aquela bala na testa, até hoje não sabe que morreu e por que morreu.
O maior cuidado de um governo deveria ser o de habituar, pouco a pouco, os povos a dele não precisar. (Alexis de Tocqueville).
Genial. Aqui o melhor de Tocqueville, que tanto estudei na Faculdade (Escola de Sociologia e Política de São Paulo, anos de 1970), onde fiz também o mestrado. Como os governos existem para proteger os legítimos (legítimos porque previstos em lei) direitos das classes dominantes, nada melhor para estas classes do que habituar os povos a não precisar nunca dos governos.
As leis abundam em Estados corruptos. (Tácito).
Aqui, o que mais abunda é a sabedoria de Tácito. Não só os governos, mas os Estados e as leis também existem, desde que foram criados no período clássico (pelos gregos, romanos etc.), para proteger os legítimos direitos das classes dominantes, fazendo-os passar por direitos de todos.
Como diz Bastiat, em aforismo que Alvarossauro também recebeu de seu amigo Márcio Chila Freyesleben e analisarei mais adiante, a lei não é o refúgio do oprimido, mas a arma do opressor. Por isso, as leis abundam em todos os governos e Estados, pois são regidos, sem exceção, pelas forças (classes) dominantes. E quanto mais corrupto for o Estado, mais abundam as leis, posto que as individualidades pertencentes às classes dominantes brigam muito entre si e não medem esforços para se proteger nas leis, na política, na polícia e, principalmente, pela couraça do Estado.
O POÇO DAS SURPRESAS
A partir de hoje reprisaremos os artigos inesquecíveis da Coluna do Sardinha.Sejam bem-vindos a nos acompanhar!!
Marina.
O POÇO DAS SURPRESAS
05/2009
Monteiro Lobato foi talvez, um dos maiores escritores do Brasil. Leitura obrigatória para crianças de 0 a 100 anos, poucos são os brasileiros e mesmo sul-americanos que não ouviram falar nele. (Lobato foi traduzido para o espanhol e publicado na Argentina).
O Sitio do Pica-pau Amarelo, Pedrinho, Narizinho, a boneca Emilia (ah! Quantas Emilias ainda há até hoje) – com sua verve, inteligência e perspicácia – e o Visconde de Sabugosa povoaram e ainda povoam as mentes de gerações.
Nacionalista, esse paulista de Taubaté no Vale do Paraíba, adotou a campanha d’O Petróleo é Nosso, publicando um livro antológico denominado O Poço do Visconde.
A empreitada vitoriosa culminou com a criação, em 1953, da Petróleo Brasileiro S.A. pelo então presidente Vargas.
Temos uma dileta leitora que por certo é fã de tão ilustre patrício, que diz: Em terra de cego, que tem olho é inimigo do rei.
Lobato com sua mente privilegiada teria dois olhos e por certo se ainda vivo fosse estaria escrevendo estarrecido, ao invés de livros, colunas de críticas severas ao governo e arrependido por ter ajudado a criar uma estatal que é um poço de eventuais irregularidades e que viria a ser a Petrobras.
Por certo ficaria imaginando, como uma empresa idealizada para servir ao povo lhe fornece uma das gasolinas mais caras do mundo e de péssima qualidade? E o senhor presidente da república com sua proverbial sabedoria vem a público dizer que enquanto a Petrobras não conseguir recompor seu caixa, não poderá reduzir o preço dos combustíveis.
O que será que o ilustre entende por recompor seu caixa. Será que a Petrobras tem problemas de caixa? Não parece.
Quem negocia um contrato de patrocínio com a Fórmula 1 no valor bem barato de injustificáveis US$7 milhões de dólares, pode estar com problemas de caixa? Quem compra a Petroquímica Suzano (para que?) por um preço quatro vezes maior que o real pode estar em dificuldades? Quem faz operações com ACC’s (antecipação de contratos de cambio) no valor de ditos 19 bilhões de dólares, com bilionários prejuízos para nós brasileiros, teria qualquer tipo de problema, a não ser com o Tribunal de Contas da União?
O presidente quando fala em recompor o caixa, deve estar referindo-se ao Tesouro Nacional, o BNDES, a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil que estão aí para socorrer patrioticamente a estatal.
Comprovadamente, parece que a estatal não precisa recompor seu caixa, pois há dias, contrariando parecer do Tribunal anunciou o pagamento de milhões de reais em dividendos aos seus acionistas.
Ora, até no Sitio do Pica Pau Amarelo, tão bem administrado por dona Benta, sabe-se que só distribui dividendos a empresa que está bem de saúde financeira, o que não parece muito ser o caso da estatal.
É interessante, que para o pessoal do governo, quem critica e aponta os mal explicados negócios da direção da estatal, que é propositalmente confundida com a própria empresa, é taxado de inimigo do país, antipatriótico e outros epítetos. Certamente, Lobato estaria entre estes.
Para eles a direção da Petrobras seria intocável e a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito seria coisa que o governo nunca poderia imaginar e que agora foi conseguida graças ao Senador Mozarildo Cavalcante (PTB RR). Esta foi a grata surpresa de 2009 e esperamos que dê os resultados esperados, trazendo a estatal para o mundo real, onde existem recompensa para os bons e castigo para os ímprobo dos quais a estatal está cheia.
Em homenagem a uma verdade histórica e para lavar a alma do autor do Poço do Visconde sugeriríamos batizar a CPI de Monteiro Lobato, num tributo a aquele que batalhou para a criação deste, hoje, monstro de sete tentáculos que tornou-se um poder autônomo dentro do Estado, já tendo sido chamado e com razão de República da Petrobras.
Luiz Bosco Sardinha
terça-feira, 2 de agosto de 2011
No - 208 – COLUNA DO SARDINHA
O DÓLAR AZUL E A MOEDA FURADA
“Washington DC – Há rumores nesta capital de que o governo prepara a maior
reforma monetária da história mundial. Embora não confirmada, há indícios
cada vez mais fortes de que algo deverá ocorrer, haja vista as declarações do
Secretário do Tesouro de que “só voltando às origens e a nossa infância, a
moeda americana será salva da bancarrota”.
Esta declaração coincide com os fundamentos dos boatos.
A bicentenária moeda americana que desde Bretton Woods em 1.947, cúpula
que criou o Fundo Monetário Internacional, é usada como padrão e reserva de
todas as moedas do globo, vem sofrendo uma enorme corrosão pricipalmente
nos ultimos dez anos, pela emissão descontrolada da moeda e o aumento da
dívida pública.
Diz-se que há hoje em circulação cerca de 70 trilhões de dólares em papel
moeda, números que não podem ser comprovados por tratar-se de verdadeiro
segredo de Estado, que somados a outros papéis atrelados à moeda
americana perfariam a extraordinária e planetária quantia de 140 trilhões, sobre
os quais Washington perdera o controle.
Não é para menos, o déficit público americano que está nas alturas dos 14
trilhões de dólares, cerca de 20 por cento do meio circulante, sistematicamente
empurrado com a barriga nestas ultimas décadas, é em grande parte
financiado pela emissão de moeda nova, que empanturra o mercado e a
desvaloriza a níveis preocupantes, arrastando consigo todos os ativos a ela
atrelados.
A crise de 2.008 foi um primeiro alerta de que algo está errado no sistema
financeiro mundial, que vive essencialmente de bolhas de vida curta,
financiadas pelo capital especulativo e não-produtivo.
Ao combatê-la o presidente Obama optou por usar um remédio que mais atiçou
o fogo do dragão da especulação e que apenas jogou a solução para um
futuro incerto, ao investir bilhões de dolares em empresas que lucraram rios de
dinheiro apostando contra o próprio dólar.
Um país que encareceu em demasia a produção de bens, levando os donos do
capital produtivo a investi-lo nos países asiáticos e particularmente na China,
agora vê-se em dificuldades para reverter este quadro pelas vias normais.
Somente uma reforma monetária profunda, que trouxesse de volta o capital
produtivo, traria novos horizontes para a economia americana e por extensão
mundial.
OPINIÃO
Privatização não é sempre solução
Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco
![]() |
Passados quase 20 anos desde o inicio das privatizações das distribuidoras de energia elétrica, já se pode fazer um balanço do que foi prometido; e realmente do que esta ocorrendo no país, com um primeiro semestre batendo recorde em falhas no fornecimento de energia elétrica em diversas regiões metropolitanas.
domingo, 24 de julho de 2011
No 207 – COLUNA DO SARDINHA
LHULLA RELOADED (LULA, O RETORNO)
Depois de quase sete meses, o ex-presidente Lula retorna à cena política nacional. Como todo fato e notícia, isto traz duas consequências, uma boa e uma má.
sábado, 23 de julho de 2011
O DRAMA AMERICANO (CORREIO DO BRASIL)
Diante da quebra iminente, EUA param para avaliar teto de endividamento
Por Redação, com agências internacionais - de Washington
O presidente norte-americano, BarackObama, suspendeu as negociações orçamentárias, para dar aos parlamentares uma chance de chegar a um acordo para um “plano de ação” sobre como evitar um default.
Obama, que prometeu reunir-se diariamente com os parlamentares até que um acordo sobre a elevação do teto da dívida seja alcançado, deu aos democratas e republicanos até sábado de manhã para reconsiderarem suas posições nas negociações. As negociações sobre a dívida devem ser retomadas no fim de semana.
Assinar:
Postagens (Atom)






