MARINA

Má li esse poema umas dez vezes. Foi a coisa mais bonita que já fiz. Andei trocando umas palavras, corrigindo vou mandar de novo prá vc montar um slide vou mandar imprimir e mando p/ vc pelo correio MARINA No ambiente amplo Paredes brancas, Iluminado por uma Réstia de luz Qu’escapava esguia Por cortina balouçante, Uma marina deslumbrante, Com mares azuis, tal Olhos de uma diva. O píer branco qual Espumas das ondas O conjunto enfeitando. Barcos que partiam E chegavam Se quem ia ou voltava Não sei se ria Ou só chorava. Ah! como amava Esta marina que, De amor minha Vida povoava 22.03.09 LUIZ BOSCO SARDINHA MACHADO ........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................ QUEM SOU EU MARINA SILVEIRA- PROFESSORA, TECNÓLOGA AMBIENTAL E ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL

sábado, 26 de setembro de 2009

MUITO ALÉM DA CPI DA PETROBRAS - JOÃO VINHOSA

RETIRADO DE PAUTA POR ORDEM JUDICIAL

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A FARSA DO CASO NELSINHO/BRIATORE E DO FURO DO REGINALDO LEME


Tom Capri

Veja também por que há muito tempo a Fórmula 1 está sob suspeita, enganando fãs como eu e você.

Mais denúncia: conheça também as razões que levaram boa parte da mídia especializada, tanto no Brasil quanto no Exterior, a não fazer mais jornalismo na Fórmula 1, apenas a trabalhar para proteger a categoria, por ser ela hoje seu maior ganha-pão. Daí agir dessa forma suspeita, como se fosse contratada para ser omissa.

Não resta a menor dúvida: as denúncias contra o ex-diretor geral da Renault, Flávio Briatore --- segundo as quais ele aliciou Nelsinho Piquet para que simulasse aquele acidente, permitindo a seu companheiro de equipe, Fernando Alonso, vencer o GP de Cingapura em 2008 ---, não passam de farsa. Não que o acidente não tenha sido arquitetado por Briatore nem que a insidiosa armação não tenha ocorrido. De fato, tudo aconteceu. Mas trata-se aqui, claramente, de um mal menor que a própria Fórmula 1 denunciou e agora usa para esconder sua maracutaia maior: a podridão reinante na categoria e que faz dela jogo de cartas marcadas travestido de competição esportiva, em que os maiores enganados acabam sendo fãs como eu e você. É fácil entender. Acompanhe.

Primeiro, é preciso entender por que a Fórmula 1 é jogo de cartas marcadas. Ela o é basicamente por duas razões. Primeiro, porque só ganham Grandes Prêmios os pilotos que têm os melhores carros da temporada, o que restringe as conquistas de títulos às equipes em melhor condição financeira, elitizando a categoria. Isto já fecha as portas para a maioria das escuderias que disputam o Mundial, as quais apenas concorrem sem chances.

Além disso, o piloto número um de cada equipe --- e aqui está o mais grave --- não é o melhor nas pistas, mas sim aquele que a escuderia elege para ser o favorecido. Normalmente, o indicado --- que acabará recebendo maior apoio e melhor carro --- é aquele que ou garante à equipe mais patrocinadores ou já definiu antes por contrato que só corre na condição de número um, como aconteceu por várias temporadas, por exemplo, com Michael Schumacher na Ferrari. Aqui reside a maior maracutaia.

Durante anos, Schumacher foi o número um por contrato na Ferrari. Rubinho Barrichello teve de se contentar em ser seu ‘escada’ e até chegou a dar passagem ao piloto alemão, certa feita, para que este ganhasse corrida, escândalo na época. Já percebeu o que isto de fato significa? Que a Fórmula 1 pode forjar, nos bastidores e no tapetão, o campeão que ela deseja para cada temporada. Pode até errar o alvo, mas a margem de erro é pequena, e geralmente dá o campeão que ela prevê. Desde a morte de Ayrton Senna, está decidido, por exemplo, que brasileiro não ganha mais títulos, exceção feita recentemente a Rubinho, para que ele não abra mais a boca. É que brasileiro campeão afasta público da Fórmula 1, campeonato essencialmente europeu. Vamos a mais exemplos.

Dos sete títulos mundiais que conquistou, pelo menos três Schumacher conseguiu fazendo uso dessa ardilosa armação existente na Fórmula 1. E sempre às custas do ‘escada’ Rubinho. Sem chances, Barrichello nunca pôde fazer nada e pagou caro por isso: chegou a perder um GP do Brasil que estava quase nas mãos, por ser mero “escada”, e até ganhou a fama de pé-de-chinelo, a ponto de ter se transformado em símbolo de fracasso no Brasil. Um crime que a mídia cometeu com o brasileiro, quase enterrando sua carreira.

Outra vítima dessa armação é Felipe Massa, hoje o melhor piloto da Fórmula 1 (talvez Rubinho se equipare a ele ou seja até melhor). Apesar de ter sido aquele com maiores chances de se tornar novo mito do automobilismo mundial, Massa nunca teve oportunidades reais dentro da Ferrari: seu companheiro de equipe, Kimi Raikkonen, foi o número um por decreto e o maior favorecido nos dois primeiros anos de Massa.

Massa teve de lutar muito para superar o companheiro, e quando conseguiu já era tarde: a Ferrari não veio bem este ano e, no ano que vem, o brasileiro terá de derrubar outra fera dentro da própria equipe, Fernando Alonso. Em miúdos, podemos dizer que Massa não tem mais chances na carreira, a não ser que a bomba estoure também nas mãos do espanhol, envolvido no acidente simulado por Briatore, e ele acabe não indo para a Ferrari.

Não precisava dizer que Nelsinho Piquet --- que não pode ser perdoado por ter aceitado provocar um acidente de propósito --- foi outra vítima desse jogo: sem o saber, ingressou na Renault só para ser “escada” de Fernando Alonso, a ponto de ter sido levado a provocar o acidente em Cingapura para permitir a vitória do espanhol.

E o jogo de cartas marcadas não pára por aí: na atual temporada, depois que a Brawn surpreendeu com seis vitórias de Button nas sete primeiras corridas e podia ter sido campeã mundial com muita antecedência, a Fórmula 1 obviamente armou esquema para que a equipe tirasse o pé. Só agora, na reta final do Mundial, a Brawn voltou a ser equipe de ponta. Você acha que foi só coincidência?

Não é preciso ser esperto para saber que a Brawn já é a campeã de 2009 e que mais essa maracutaia, de dar um “descanso” à equipe, foi armada para garantir a sobrevivência da Fórmula 1. Dá para calcular o prejuízo que teria a Fórmula 1 se o campeonato tivesse terminado na primeira metade da temporada?

Acontece que todos aqueles que estão dentro da categoria, do mais simples mecânico ao pior piloto, sabem que o jogo é assim. Sabem que, se abrirem a boca, perdem o emprego. Mas sabem também que, se botarem a boca no trombone, podem levar a F-1 a fechar as portas. Portanto, cada um é bomba pronta para explodir, basta acioná-la.

Até a mídia brasileira especializada nas corridas da categoria vive desse expediente e está sob suspeita. Desde a morte de Ayrton Senna, ela não faz mais jornalismo, no que se refere à Fórmula 1. Isto porque a F-1 é seu maior ganha-pão. Se a categoria fechar as portas, nosso jornalista especializado perde o emprego. Assim, em vez de denunciar as mazelas da F-1, ele faz de tudo para protegê-la, omitindo até a mais simples denúncia.

Por conta disso, rola um fenômeno curioso na mídia brasileira. A Fórmula 1 é a galinha dos ovos de ouro da Rede Globo. O Grupo na verdade é partícipe do famoso Cirquinho e se alimenta dessa seiva, por deter os direitos de transmissão das corridas. Por isso, não pode, por força de tal contrato, criticar a organização da Fórmula 1.

Daí que seus comentaristas e repórteres especializados na categoria sempre omitem as grandes mazelas. Afinal, vale repetir, também ganham com esse grande negócio. O mesmo ocorre com os jornalistas especializados que trabalham nos demais veículos: são igualmente omissos porque têm sempre um pé no Grupo Globo e não podem atacar os verdadeiros patrões. É o caso, por exemplo, de Lívio Oricchio, do Estadão, e Fábio Seixas, da Folha e da UOL. Tenho certeza de que a direção desses veículos desconhece isso.

Assim é que há muito tempo ninguém mais cobre Fórmula 1 para valer no País. Hoje, penso diferente a respeito desses jornalistas: antes, vinha mantendo uma postura moralista de condenação, atualmente acho que estão na deles, agindo corretamente em lutar para preservar o emprego. São milhões no mercado brasileiro em busca de um lugar ao Sol nas redações, bobinho é o jornalista que não luta para preservar seu porto-seguro. E vou mais longe: a Globo também está certa em preservar esse filão que é a F-1, pois tem dívidas e está perdendo a concorrência para Edir Macedo, não pode brincar.

Mas eis que surge de repente, emanada dos próprios bastidores da Fórmula 1, essa denúncia contra Flávio Briatore. O autor da denúncia --- a qual foi ao ar durante o último Grande Prêmio da Itália (Monza) --- é Reginaldo Leme, da Globo, com quem tive o prazer de trabalhar no Estadão por 14 anos na mesma seção de esportes, hoje Caderno.

Simpatizo com Reginaldo e o defendo, não tenho nada contra ele, mas preciso respeitar a verdade. Ele é da Globo e escreve sobre F-1 para o Estadão. Reginaldo e seu companheiro Galvão Bueno, como todos os nossos jornalistas que estão no meio, precisam proteger a categoria, como vimos, daí que nunca fazem denúncia de peso. São quase que funcionários da F-1. E estão corretos em agir assim, repito, pois são trabalhadores como outro qualquer, que precisam preservar o emprego. Assim é a vida sob o capitalismo, para usarmos o velho jargão, tá todo mundo careca de saber.

Dessa maneira, se o “furo de reportagem” envolvendo Briatore foi de Reginaldo, que é pago para ficar de bico calado sobre qualquer coisa mais quente na Fórmula 1, obviamente é porque o escândalo já estava devidamente armado há muito tempo para só vir à tona agora. Parece evidente que Reginaldo já sabia desde o ano passado que Nelsinho havia simulado o acidente a mando de Briatore. Se já estava com o furo nas mãos desde então, por que esperou todo esse tempo para dá-lo? Não tenho notícias de jornalista que segurou furo por tanto tempo, a não ser que tivesse motivos suficientes para omiti-lo.

Também já sabemos, pelo próprio Nelsinho, que a Fórmula 1 e a FIA haviam tomado conhecimento no ano passado da simulação do acidente, pois o piloto já havia contado a história aos papas do automobilismo mundial, como acaba de revelar. Se Reginaldo é pago para omitir as grandes mazelas, e nunca faz denúncias, parece óbvio que só deu o furo de Briatore depois de ter recebido o aval de todo o Cirquinho da F-1 e da FIA.

Conclusão óbvia: estou convencido de que nos encontramos de novo diante de armação minuciosamente urdida dentro da Fórmula 1 e da FIA, para ser usada como novo ato de moralização da categoria, escudo mesmo. Nelsinho e Briatore entraram nessa na qualidade de inocente-útil, e até mesmo o próprio Reginaldo pode ter se envolvido no caso sem ter consciência de estar sendo usado dessa maneira.

Já está claro que rolaram, antes do “furo jornalístico”, todos os tipos de acordos entre Nelsinho/Briatore e a organização da Fórmula 1 e a FIA, e que a direção de ambas só agora “autorizaram” Reginaldo a disparar a notícia, o que comprova o prestígio de que goza o jornalista na categoria. Está claro também que o próprio Reginaldo só entrou nessa para defender um brasileiro, Nelsinho, e incriminar Briatore, por razões que só ele conhece.

Aqui, um parêntese, pois tenho de deixar isto bem marcado: ao aceitar provocar o acidente de propósito, Nelsinho se colocou como o maior culpado, na história, e não pode mais ser respeitado como piloto. Por muito menos, Lewis Hamilton quase foi escorraçado da Fórmula 1. Olhe eu de novo moralista, condenando Nelsinho por algo que já foi muito comum na Fórmula 1, o acidente provocado. Não podemos esquecer que muitos dos grandes --- inclusive, Ayrton Senna --- provocaram acidentes nas pistas para ganhar o título. Portanto, não é preciso ser inteligente para perceber, como eu disse no começo, que estamos diante do típico caso do mal menor usado para encobrir o mal maior.

A Fórmula 1 começa a arrotar aos fãs o seguinte: “Aí está a prova, lavamos a roupa suja aqui dentro e não deixamos que a categoria se perverta e se corrompa. Solucionamos o problema, Briatore e mesmo Nelsinho já pagam pelos erros que cometeram, a Fórmula 1 está limpa de novo.” Assim, o futuro de Nelsinho e de Briatore já parece traçado.

Por ter feito a denúncia no ano passado, Nelsinho nem punição sofreu e voltará dizendo-se arrependido, pronto para começar tudo de novo. E Briatore pagará pelo que fez, mas também voltará um dia como aquele que errou uma vez e promete não errar mais. E o Cirquinho ganha assim sobrevida, enganando novamente fãs como eu e você, até quando não sei.

Devemos ter calma nesta hora. É fato, todos são arquivos vivos na Fórmula 1. Se a categoria frita, por exemplo, um chefe de equipe, um mecânico ou um piloto, ele pode pôr a boca no trombone e denunciar esse lado podre da categoria, levando-a a ficar totalmente desacreditada e a eventualmente ter de fechar as portas. Ora, a Fórmula 1 transformou-se num grande negócio, por nada neste mundo seus partícipes vão deixar a peteca cair. Ninguém que está dentro quer ver o circo pegar fogo e a F-1 fechar as portas.

Um que é arquivo vivo, e poderoso, é Flávio Briatore. Se contar um pouco do que sabe, pode acabar com a Fórmula 1 em vinte segundos. Por isso, eu disse que o entrevero Nelsinho/Briatore não deve se alongar. Briatore e seu diretor de engenharia, Pat Symonds, acabam de ser demitidos da Renault, mas não deverão ser maltratados por muito tempo e já, já, voltarão a ser acariciados. Mesmo Fernando Alonso, que tem tudo para sair também chamuscado do episódio, ficará ileso: é outro que, se contar um milésimo do que sabe, enterra a Fórmula 1. A categoria precisa tratar bem todos os que estão dentro do Cirquinho: uma ovelha desgarrada e pisoteada pode abrir a boca e pôr tudo a perder.

Outro que é arquivo vivo é Rubinho Barrichello. No final do ano passado, já fora da Fórmula 1 e em fim de carreira, deu entrevista à TV Globo, em que ameaçou contar tudo em livro, mostrando o que Ross Brawn fizera com ele nos tempos de Schumacher. Prometeu mostrar por que a Fórmula 1 é na verdade esse jogo sujo. Rapidinho, a categoria tratou de arrumar um lugar para ele, e Rubinho conseguiu livrar-se da aposentadoria.

Acontece que --- na Brawn do mesmo Ross que tanto o humilhara na Ferrari --- Rubinho voltou a ser preterido e a servir de novo de “escada”, e desta vez de maneira ainda mais acintosa: o brasileiro só veio a perceber muito tempo depois que a equipe já havia escolhido Button como número um bem antes de a temporada de 2009 começar. Rubinho ameaçou outra vez abrir a boca, rapidinho sua equipe solucionou o problema, e ele voltou a vencer, podendo até mesmo vir a ser campeão do mundo pela primeira vez este ano (se bem que acho já estar tudo arrumado para dar Button, mas...).

Grandes negócios como a Fórmula 1 sempre “arranjam” finais felizes para suas investidas. Ninguém quer perder a boquinha. E, em todo grande negócio, a casa precisa estar sempre bem arrumada para que tudo funcione a contento. Não é assim que as coisas caminham no capitalismo? Não estão aí o Estado, a política, o Direito, as religiões, o jornalismo e todas as instituições para azeitar as engrenagens e não deixar que esta sua capa protetora se corrompa e o próprio capital se destrua? Abraços a todos, Tom Capri
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terça-feira, 22 de setembro de 2009

No - 125 – COLUNA DO SARDINHA

A TEORIA DO SUBJUGO NACIONAL (1ª. Parte)

Nosso país levou 388 anos para libertar-se da escravidão que subjugava os negros, que eram forçados a trabalhar e pior que isso, eram tratados como animais. O tratamento dispensado aos escravos é por demais conhecido, tendo sido cantado em prosa e verso e, portanto, desnecessário repetir.
No entanto, se 388 anos é muito, o que dizer então, de quase 510 anos de subjugo econômico, onde os interesses nacionais ficaram à mercê de decisões tomadas no exterior, quase sempre em nosso prejuízo. Situação igual ou pior que a escravatura.
Nestes quase 510 anos foi assim. Empresas estrangeiras, por si mesmas ou por maus patriotas, os ditos laranjas, impuseram-nos políticas asfixiantes, que davam às multinacionais o privilégio da exploração do mercado nacional e de nosso sub-solo, com as riquezas sendo transferidas para o exterior na forma de royalties ou mesmo de minérios e até por contrabando.
Toda tentativa de ter autonomia econômica e ditar políticas que correspondessem aos nossos interesses era abortada. Além do que, incutia-se a idéia de que o que era nacional não “prestava” e só o importado era bom. É assim até hoje.
No século XIX, Delmiro Gouveia teve a ousadia de fundar a primeira fábrica de linhas de costura no Brasil, às margens do Rio São Francisco para aproveitar o excelente algodão Codó produzido no nordeste. A inglesa Cotton Machine fez de tudo para asfixiar a Fábrica da Pedra. Conseguiu.
Delmiro Gouveia falido vendeu a fábrica para os ingleses, que desmontaram e atiraram-na no São Francisco. Com as máquinas foi para o fundo do rio a pujança de uma indústria nacional que florescia.
Engana-se quem pensa que esta situação mudou muito nos últimos tempos.

Na metade do século passado, JK do Brasil endividado, suspendeu os pagamentos ao FMI e começou a emitir dinheiro gerando uma inflação jamais vista no país. A Kubistchek sucederam Janio e João Goulart, que não se preocuparam nem com a inflação, nem com a monstruosa divida externa.
Com a revolução de março/64, os militares retomaram as negociações com o Fundo, que nos custaram o fim da indústria de mecânica pesada nacional – Bardella, Villares, Matarazzo, Dedini e outras. Da mesma forma, a indústria de alimentos sentiu o baque e as multinacionais passaram a dominar o setor, entre elas Bunge, Unilever, Cargill (Rockefeller) e outras.
As médias e pequenas empresas, simplesmente quebraram e as estratégicas foram internacionalizadas. Para completar, o Estatuto da Terra desmontou o setor produtivo rural, favorecendo os latifúndios e a monocultura principalmente de soja e milho e a pastagem extensiva.
Salvaram-se da degringolada geral, as estatais, verdadeiras gigantes das comunicações, da siderurgia, do petróleo e da mineração.
Mas, a festa durou pouco. Por imposição do FMI, novamente, fomos instados a nos livrarmos das estatais. Pronto! Liquidou-se com o que restava das grandes empresas nacionais de telecomunicações, metalurgia, mecânica, mineração entre outras.
A coisa foi tão absurda, que Collor presidente incumbiu-se de transferir a estratégica ACESITA (Aços Especiais de Itabira) única fabricante nacional de aço inox laminado em bobinas e extinguir o Lloyd Brasileiro, empresa de navegação, cujo maior patrimônio eram linhas regulares para os maiores portos do globo e que foram transferidas para empresas multinacionais e seus testas de ferro brasileiros.
Já no governo FHC, este transferiu a TELEBRAS, que era responsável pela transmissão de dados sigilosos, inclusive os atinentes à segurança nacional, via satélite. Assim, a segurança nacional não nos diz respeito somente, sendo de conhecimento de países estrangeiros capazes de ditar apenas o que lhes interessa.
E a coisa não pára aí. Vamos prosseguir.
CONTINUA – fim da 1ª. Parte

Luiz Bosco Sardinha Machado



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FANTASTICO!!!
JA LESTE O LIVRO "O MUNDO SEGUNDO A MONSANTO"?
VISTE O FILME "ZEITGEIST"?
COMO TEU ARTIGO, TAMBEM SAO JANELAS A NOS REVELAREM "MATRIX".
Um abracao Schess

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Boa noite!
Como é bom ler os seus escritos. Não sou puxa saco, detesto-os, mas é uma nova maneira de ler as verdades não ditas por aí. Tenho 53 anos, não tão velho assim, pouca cultura, embora formado, não exerço a profissão por incompatibilidade com a função que exerço, mas enxergo as verdades, não tenho argumentos para um assunto tão assustador, que, na verdade, se fosse na época de chumbo, tanto o senhor como eu talvez estaríamos dentro de um buraco negro. São tantas mentiras que nos foram inculcados que já se torna difícil saber quem mente, quem não mente, se existe ou apenas somos uma miragem da realidade (talvez um pouco platonista). Fico a pensar: será que estou vivo ou morri e as mentiras ficaram ou se estou no limbo de uma verdade tão longínqua? O que é a verdade? o que é a mentira? a mentira que me passaram será que é a verdade que nunca existiu ou então eu mesmo sou uma mentira.Vivo mas não estou vivo. Meu caro, quando a força de quem tem o poder nas mãos resolve cizaniar a verdade, no que poderemos crer e esperar? Essa espera será uma verdadeira mentira ou a falácia é a verdade que nos engana?

Jurandir Tomazelli

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Fantástico o texto, parabéns !!!
ALEXANDRE AUGUSTO DE JESUS


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Obrigada pelo email com a Teoria do Subjugo Nacional. Que tristeza. Quando isso vai acabar e ficarmos realmente livres dessa situação que é contínua.

Heloisa

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Caro Luis Bosco, concordo em parte (e em parte, discordo).

Primeiramente, qual a vantagem em termos empresas estatais gigantescas?

A vantagem é somente para a elite dominante do serviço púiblico, que emprega seus parentes com salários totalmente irreais para um país de terceiro mundo (é exatamente isto que somos).

Qual a vantagem da existência da Petrobras, por exemplo, para MIM?

resposta: nenhuma, pois pago cerca de US$ 1,20 por litro de gasolina, quando o preço nos EUA é de cerca de US$ 2,00 o galão de cerca de quatro litros (portanto, pago o dobro do que paga um americano, que tem uma renda per capita de US$ 33.000, ou cerca de 10 VEZES a renda per capita de um brazuca (eu, por exemplo).

Caso TELEFONIA;

Veio em boa (em verdade, ótima) a privatização. Imagine você que, antes da privatização, o prazo para se conseguir um telefone na cidade de São Paulo era de 4 ANOS (isto mesmo).

Realmente, hoje em dia o serviço está mais caro; no entanto, eu posso pagar e -na verdade-, não me importa muito que outros não possam; afinal, é problema deles e não meu.

Com relação a ser um "setor estratégico", porque lida com "informações", lhe pergunto? Será que você mesmo acredita honestamente no que afirma, ou o faz apenas para angariar simpatia dos comunistazinhas de plantão?

Ora, nos EUA, maior e mais rico país do mundo, a comunicação (assim como a aviação, a indústria bélica e outras coisas consideradas "estratégicas" ) é tocada pela iniciativa privada e mais: há competição entre as empresas de telefonia, exatamente o que acontece na telefonia celular no Brasil, hoje (é é por isto que ela funciona).

A menos que você tivesse um parente empregado numa estatal e regiamente pago pelos cofres públicos para não fazer nada (porque é exatamente isto o que fazem tais p essoas: nada), você NADA PERDEU com as privatizações. Aliás, ganhou, pois hoje consegue um telefone em dois dias úteis.

Sabe o que está faltando? Privatizar o Banco do Brasil, a Caixa Federal e a Aviação Civil (cuja administração é pública e militarizada). Imagine você quanto custaria uma passagem São Paulo-Fortaleza, se por exemplo Delta Airlines ou United Airlines pudessem explorar os vôos domésticos: aposto que o mesmo que MIA-NYC, ou cerca de US$ 100.

Um dia, este povinho mané vai descobrir que este é o melhor (na verdade o único) caminho para desenvolver este Gigante Adormecido, preguiçoso e corrupto que chamamos Brasil

É isto.

Max F. Ribas- Advogado

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Sardinha, antes de comprar um carro novo, dê uma olhada nesses cálculos.
Em 10 anos, é possível economizar mais de R$ 100.000,00 deixando de comprar um carro novo, os quais 40% é puro imposto e deixando de pagar IPVA que não é devido no caso de carros com mais de 10 anos de uso em GO.

Grande abraço e parabéns por suas teorias.
Precisando de um contador, entre em contato conosco.

Atenciosamente,

Heber Arantes

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Até que enfim citaram meu ídolo.
Conte detalhes da vida dele tbm
Quando ficava na varanda...e como foi morto...
O Brasil precisa saber....Até que enfim alguém.....Mas escreva com o estômago....não relatando fatos que não geram discussões ou comentários...Escreva......
Delmiro Gouveia

Maria Tereza Penna

sábado, 19 de setembro de 2009

SERIA MAIS COERENTE INDICAR CARLOS ZÉFIRO PARA A ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS

stf plenário
Com a morte de Menezes Direito, ministro do Supremo Tribunal Federal,cabe a Lula indicar o substituto. De novo! O seu preferido é o atual advogado geral da União, José Antônio Dias Toffoli, de 42 anos. Já comentei isso aqui. O que não está suficientemente claro é que Toffoli ainda não está intelectualmente prepa rado para o cargo, não tendo também, entendo, condições políticas de exercê-lo.
Por quê? Porque ele foi reprovado não uma, mas duas vezes em concursos públicos para juiz de primeiro grau em São Paulo. Ele já esteve antes no governo, a primeira vez servindo a José Dirceu, na Casa Civil. Entre aquela experiência e a AGU, voltou à advocacia privada.


Advogados, nessas circunstâncias, encontram clientes que são verdadeiros aviões. Eles podem até lhes robustecer o currículo e o cofre sem qualquer ilação maliciosa aqui , mas podem lhes comprometer certas aspirações legítimas, mas tornadas impróprias. Calma, leitor. Não fique aflito.


Farei como o redivivo Belchior na música Medo de Avião: pegarei na sua mão. Tenho a certeza de que você entenderá. Primeiro aos concursos.

Toffoli foi reprovado no 165º e no 166º concursos para juiz de primeiro grau em São Paulo, nos anos de 1994 e 1995, respectivamente. Nas duas vezes, bombou na primeira fase do concurso, naquela de Conhecimentos Gerais e noções básicas, muito básicas, de direito. Tempo para estudar não lhe faltou, não é? Ele se formou em 1990.


Ora, o que se exige de um ministro do Supremo? Notório saber jurídico. A rigor, qualquer um pode ser ministro, até Lula. Não precisa de diploma nem mesmo de torneiro mecânico. Basta ter o tal notório saber. e não ficar com sono quando lê um livro.


Goste-se ou não dos concursos, o fato é que são reconhecidos pela justiça como um dos critérios de acesso para grupo tão seleto. E Toffoli levou pau duas vezes. Não é assim porque eu quero. É assim porque ele não passou nas provas de Conhecimentos Gerais.

Ora, dirá alguém, e daí? Daí que, até onde acompanho, as coisas começariam a ficar bem esquisitas para ele além da suspeita óbvia de que as reprovações indicam insuficiência. Como ministro do Supremo, uma de suas tarefas seria, inclusive, julgar recursos originários de um tribunal de São Paulo, onde foi reprovado. Não dá.


Ele é novo ainda: tem apenas 42 anos. Se quer mesmo chegar ao Supremo, deve trilhar o caminho das leis. Ocorre que ele escolheu o da política. Há 14 anos, em 1995, era um jovem de apenas 28. Em vez de continuar a rachar o coco para ser juiz, optou por ser assessor parlamentar da liderança do PT na Câmara Federal, onde ficou até 2000. Vale dizer: desistiu de ser juiz. Só voltou a pensar no assunto quando começaram a surgir vagas no Supremo.

Com a devida vênia: sem ser bom o bastante para a primeira instância, Toffoli quer logo a última instância? É preciso mais prudência e menos vaidade, não é mesmo? Ah, Reinaldo, Einstein teve problemas nas aulas de matemática, e Mozart era tido como idiota. Tá bom. Então a gente nomeia Toffoli depois que ele entregar a sua Teoria da Relatividade ou a sua Flauta Mágica.

Só para você terem uma idéia: a OAB exclui de sua lista de indicações para a formação do quinto constitucional profissionais que tenham sido reprovados nesses concursos. Acreditam que a reprovação é evidência de falta do notório saber jurídico.

A questão óbvia que se coloca é esta: alguém reprovado no concurso para juiz de primeira instância vai se tornar logo desembargador?


E há o aspecto político. Vamos ver.

Cartilhas sumidas. Vocês se lembram daquela história das cartilhas impressas pela Secom, quando Luiz Gushiken era o titular da área, que o Tribunal de Contas da União jamais conseguiu encontrar? Pois é… A íntegra da história está aqui, em link aberto. Segue um trecho da reportagem de VEJA, de setembro de 2006, para que vocês lembrem do que se trata.


Por quase um ano os desdobramentos do escândalo do mensalão ofuscaram um mistério envolvendo as contas de publicidade da Presidência da República. No calor da CPI dos Correios, em outubro de 2005, uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) notou que faltava a comprovação de 11 milhões de reais dos gastos da Secretaria de Comunicação (Secom), subordinada diretamente à Presidência.


O tribunal apontou superfaturamento na aquisição de materiais gráficos e não encontrou provas da manufatura e distribuição de quase 2 milhões de exemplares de um total de 5 milhões de revistas e encartes que a Secom mandou produzir.


Os folhetos continham propaganda do governo e críticas à administração anterior. A Secom não reconheceu o diagnóstico de superfaturamento e pediu mais prazo para fornecer os comprovantes dos encartes desaparecidos, alegando que eles não haviam sido guardados pelas agências de publicida de encarregadas de encomendar a execução dos serviços gráficos.

Muito bem. Depois de ter pedido prazo, a Secom compareceu com uma justificativa no mínimo estranha, que poderia ter sido dada logo de cara.. Em vez de entregar as cartilhas à secretaria, as duas agências de publicidade as teriam repassado diretamente ao PT, que logo as entregou ao povo. Huuummm… E quais eram as agências que cuidavam do assunto?

Informo com um trecho daquela mesma reportagem: A primeira delas, a Duda Mendonça & Associados, leva o nome do célebre marqueteiro baiano especialista em rinhas de galo, caixa dois e contas não declaradas no exterior. A segunda é a Matisse, originalmente de Campinas, onde atuava como empresa de médio porte até conquistar, para surpresa geral, a conta da Presidência da República.


A Matisse pertence a Paulo de Tarso Santos, publicitário amigo do presidente e marqueteiro das d uas primeiras campanhas fracassadas de Lula ao Planalto, em 1989 e 1994.

E Toffoli nisso tudo? Ele foi o advogado da Matisse nesse caso e defendeu a tese de que não haveria nada de errado em material impresso com dinheiro público ser distribuído por um partido se ficasse provado que ele era mais eficiente nessa distribuição do que o próprio governo. Imaginem uma tese como essa iluminando uma Corte Suprema.!!


Você paga imposto, leitor? Deixe de pagar e prove ao governo que você é mais eficiente em transformar aquela grana em benefício aos pobres.
Dada a argumentação de Toffli, a exemplo do partido, você também é um ente privado distribuindo o que pertence ao público. A diferença, creio, é que o dinheiro que você paga pode ser comprovado. A existência daquele lote de cartilhas? Bem, isso nunca ninguém conseguiu provar.

Como já vimos, Toffoli começou a trabalhar para o PT em 1995, ano da sua segunda reprovação no concurso para juiz de primeira instância.


Depois, foi advogado de Lula nas campanhas eleitorais de 1998, 2002 e 2006 sim, há menos de três anos. Estava naquele intervalo entre a Casa Civil e a AGU. Foi quando teve clientes privados, como a Matisse. Como já escrevi, advogados com essa bagagem conseguem clientes privados que são verdadeiros aviões do mundo dos negócios. Não tenho dúvida de que Toffoli tem uma brilhante carreira na advocacia privada.

Ademais, até onde alcanço, seria a primeira vez que um presidente da República indicaria para o Supremo alguém que tenha sido seu advogado pessoal. Sim, Toffoli trabalhava para o petismo, mas ele era advogado de Lula: em 1998, em 2002 e em 2006.

Nem aí
Lula é quem é. Já desenvolvi aqui a minha tese sobre a sua falta de superego. Ou vocês se esquecem de que ele fez a concessão de uma rádioao filho de Renan Calheiros no auge da crise do Senado? Até poderia tê-lo feito depois, esperando baixar a poeira. Mas vocês sabem como ele é movido pelo espírito ninguém manda ni mim, não é?

O presidente pode indicar Toffoli apesar desses óbices todos? Pode. Toffoli é que deveria, a esta altura, ter um pouco de simancol. Dado o seu currículo, jovem ainda, ele tem uma brilhante carreira pela frente no mundo privado, é um verdadeiro avião. Não tem por que ser o Renan Calheiros de Lula no Supremo.

Sempre restaria a suspeita de que ele só teria passado nesse concurso porque o examinador de Conhecimentos Gerais era Lula…

Reinaldo Azevedo

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O SOCIALISMO DE INVENÇÃO (parte 3)




Mario Drumond

Uma anedota do folclore político da Venezuela conta que o Panteão dos Libertadores, mausoléu construído em Caracas, em 1876, para sepulcro e homenagem permanente a Bolívar e seus companheiros de luta antiimperialista, foi feito para que a oligarquia venezuelana o visitasse uma vez por ano, sempre na data de aniversário do falecimento de Bolívar, para conferir e ter certeza de que ele de fato está morto.

Liberdade, independência e união dos povos, palavras-chave de todo ideário socialista, incluindo o de Bolívar, só causam temor aos impérios - que querem subjugar, colonizar e fragmentar as nações que exploram -, quando são para valer, isto é, se se concretizam em realidades revolucionárias e capazes de ameaçar o statu quo capitalista.

Entre as ideologias socialistas das mais diversas tendências que brotaram durante o século 19 em contraposição aos avanços capitalistas e imperialistas, desde as que propunham práticas comunistas ou anarquistas, ou as que se manifestaram apenas teórica ou filosoficamente, a mais temida e a que de fato ameaçou e ameaça o statu quo capitalista, em nível mundial, é a de Bolívar. Daí a ocultação de sua obra, de suas idéias, de sua história, de sua saga, de sua épica que, em conjunto ou separadamente, quando não superam, se igualam em grandeza geográfica e magnitude histórica aos grandes acontecimentos que se deram durante aquele século em qualquer parte do mundo.

O século 20 olvidou completamente Bolívar na vigência do socialismo científico, que se estabeleceu como sistema de poder para quase metade da população do mundo, e que acabou por fortalecer a hegemonia capitalista e a unipolaridade do poder mundial, coisa que nunca havia ocorrido em tal intensidade. A própria revolução cubana se salvou pelo retorno de Bolívar na Venezuela, com a eleição de Hugo Chávez, e pela capacidade dialética e de autocrítica que demonstraram seus líderes durante o chamado “período especial” (entre a queda da URSS, em 1989, e a posse de Chávez, em 1999).

Para se entender o que ocorre hoje na Venezuela após dez anos de bolivarianismo, fenômeno que já se alastra por toda a América Latina, incluindo o Brasil (mesmo que não nos demos conta disso), é fundamental conhecer a obra de Bolívar. O sucesso indiscutível do processo revolucionário que está causando admiração em todo o planeta, a partir daquele país, antes um obscuro posto-de-gasolina exclusivo dos EUA, se deve à aplicação sistemática, inventiva e atualizadora da ideologia bolivariana, da qual Hugo Chávez é agora o principal teórico, professor e líder.

Uma notável mudança geopolítica está se verificando na América. Graças à internacionalização das duas maiores conquistas da revolução cubana - educação e saúde pública -, Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua rapidamente se tornaram territórios livres do analfabetismo e suas populações estão tendo acesso, em massa, ao conhecimento e a uma qualidade de vida nunca antes experimentada. Os índices de pobreza e miséria despencam nesses países e a participação popular nas decisões do poder real aumenta significativamente, e com um nível espantoso de consciência política e de cidadania. Em contrapartida, Cuba recebe de todos esses países a força da união concretizada na ALBA, Aliança Bolivariana para as Américas, à qual outros países do Caribe e América Central se juntaram, entre eles, Honduras, cuja oligarquia em desespero promoveu uma quartelada que está colocando o Império numa saia justa difícil de resolver-se. O contágio bolivariano já alcança o Paraguai e a Argentina, e afeta Brasil, Chile e Uruguai, estes últimos ainda num meio-de-campo “moderado”, blasé, mas não podem ficar fora de um processo com tamanha grandeza e repercussão no continente. Apenas Peru e Colômbia, cujos governos se dissociaram de tal forma de seus povos, e parecem implorar a condição de protetorados do Império, fingem que não vêem a avassaladora maré bolivariana.

E o que é mais novo em tudo isso, até para o pensamento bolivariano, é que se trata, pela primeira vez na história, de uma revolução pacífica e vitoriosa.

Estudemo-la para apoiá-la, pois. E nela participarmos.


Mario Drumond


Visite o blog da Gazeta: http://blogdagazeta.blogspot.com

Revisão: Frederico de Oliveira (para quem curte textos bons e bem escritos, recomendo o blog de Frederico – O Apito - no endereço http://www.thetweet.blogspot
.com)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

No - 124 – COLUNA DO SARDINHA






MARCO REGULATÓRIO (O PRÉ-SAL E OS MARES DE MINAS)

Para nós foi surpresa esta abrupta retomada do sonho ufanístico do presidente Lula com relação ao pré-sal, isto porquê em setembro do ano passado, por ocasião da crise financeira mundial a Petrobras fora pega no contra-pé, especulando com Antecipação de Contratos de Câmbio (ACC’s), que segundo o mercado, deram um prejuízo à empresa à época que ultrapassava a cifra astronômica de dezenove bilhões de dólares!
Daí, com tal prejuízo-monstro, a ordem seria, como ocorre até com o boteco da esquina, cortar despesas.
Mas, não com a Petrobras. Uma empresa que nasceu estatal, com nosso rico dinheirinho dos impostos, foi-se transformando aos poucos numa entidade anômala, com duas faces. Uma, verdadeiro urrah! ao neo-liberalismo, com os lucros e vantagens vindos em benefício da empresa e de seus acionistas; na outra face todos os prejuízos e investimentos pesados sendo carreados ao Estado, que inclusive dá-lhe um tratamento diferenciado, abrindo-lhe os cofres do Tesouro Nacional e blindando a empresa com um escudo que a protege de tentativas de auditoria por parte de quem quer que seja.
No caso dos prejuízos de setembro, a petrolífera foi socorrida pelo Tesouro Nacional, BNDES, CAIXA e Banco do Brasil e teria quebrado, se não fosse a generosidade do governo, que estranhamente injeta bilhões na empresa sem questionar para que ralo vai o dinheiro.
Em administração pública atitudes estranhas são um mau sinal, denotando que se quer encobrir algo muito sério.
A braços com uma CPI para investigar irregularidades na empresa, o governo Lula desencadeou uma verdadeira guerra-relâmpago para abafar qualquer tentativa de denúncia e de apuração.
O lançamento do marco regulatório do pré-sal foi uma dessas atitudes estranhas com os nítidos contornos de uma operação-abafa, da qual participou metade dos ministérios, com seus titulares fazendo declarações esdrúxulas, criando falsas polêmicas sobre algo que está literalmente no terreno das hipóteses e especulações.
O ministro Minc especula, num exercício de futurologia, que a produção de petróleo em águas profundas será excessivamente poluidora! Então, deveria ser proibida, não é ministro?
O ministro Lobão das Minas e Energia (o homem do Sarney dono de mineradora no ministério Lula), já vaticina que daqui 10 ou 15 anos quando e se o pré-sal começar a produzir, o combustível não vai baixar. Um exercício de imaginação um tanto lógico e certo, pois talvez, até lá, seremos um dos maiores produtores do planeta, o que só beneficiará meia-dúzia e o povo continuará pagando o pior e mais caro combustível do mundo. Como sempre.
Além da ação dos ministros, o presidente Lula como é de praxe, também participou, tendo o desplante de anunciar que a eventual compra de caças franceses serviria para defender o pré-sal. Será? De quem? E por aí foram.
Mas, o mais estranho e digno de nota é que o governo Lula é avesso a marcos regulatórios, tipo o do pré-sal, bem lembrando-se a Lei Geral de Telecomunicações que foi alterada, permitindo cartéis, para beneficiar a Brasil/Telecom (sempre ela), vendida à OI!
Então, por que a pressa?
Mais urgente para resolver-se do que o marco regulatório do pré-sal, é o desastre ambiental de que Minas Gerais é palco pela ação das mineradoras, todas elas multinacionais, que estão arrasando o sub-solo mineiro, criando crateras lunares e tudo por falta de um marco regulatório, que discipline a extração predatória e o beneficiamento do minério. Situação que começou com a privatização de FHC e continua na mesma no governo atual, que não moveu uma palha para modificar tal estado de coisas.
Mas a questão é: o que é prioritário para Lula? Por certo, não serão as crateras e os mares de Minas, que não estão para peixe e nem para petróleo; e que não resolvem o problema das irregularidades na Petrobras, nem estão na onda da mídia e nem possibilitam a criação de um cabide de empregos em uma nova estatal, coisas que o pré-sal certamente fará.
Minas, quando muito, conseguirá o que por si só não é suficiente para que as atenções se voltem para ela, modificar a paisagem da China e do Japão com as montanhas artificiais de minério de ferro, por ela exportado a preço de banana.

Luiz Bosco Sardinha Machado

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Eu há 30 anos só voto no melhor Partido. Vote você também. É só digitar 00 (zero zero) para tudo e todos.Um outro partido muito bom também que você pode votar é o 99.Eu "lhe agaranto" que você nunca mais irá sustentar esses vagabundos, corruptos, furtadores do erário público.Em 2010 vote 00 para Presidente, 00 para governador, 00 para senador, 00 deputado feral, 00 para deputado estadual.O Brasil agradece.
Julio

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A verdade é essa, o que existe é um bando de parlamentares, todos corruptos, usurpadores do dinheiro público, leia-se, dinheiro do pobre, porque os grandes não pagam impostos e nem recolhem contribuição de qualquer natureza. Nenhum deles está lá pra defender o direito e buscar benefícios p/ o cidadão e sim, legislar em causa própria e enriquecer ilicitamente.
Para mim não passa de uma grande vergonha, uma grande decepção.

N. Batista - Advogado/RN


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Prezado Amigo, Fico feliz que existam pessoas que compartilham com idéias sadias e que repudiam essa podridão que anda nossos político, tem a minha solidariedade.
Abraço
Edmilton de Almeida

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Prezados senhores,

O que temos é uma camarilha que não quer largar a teta.
Da forma como está montado o Estado Brasileiro, sempre, quem estiver mamando vai fazer tudo para não largar.

Vejamos: a) o Presidente da República nomeia os ministros do Supremo Tribunal Federal, claro está que não vai nomear inimigos ou adversários políticos. b) Nomeia, também, os ministros de todos os tribunais superiores, inclusive os do TCU. Assim, quando será que vamos ter um controle, uma transparência digna de ser mostrada? c) O mesmo acontece a nivel estadual, os governadores são os que escolhem os desembargadores e os conselheiros de contas dos tribunais de contas estaduais e dos conselhos de contas dos municípios. Novamente quem eles vão escolher?
Não advogamos a escolha de adversários ou inimigos, mas tão somente de técnicos para os aqueles cargos técnicos e uma outra forma de indicação que não tenha de passar pela escolha do presidente, pois só assim haveria, ao meu ver, independência e transparência.

Brasília DF, 11/09/2009

José Perez


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Caro Luís Bosco Sardinha Machado
Como pobre mortal e vivendo nesse grande país, pois diante de tantos embrulhos ainda somos um povo ordeiro e grandioso, acredito isso sim, que mais dia menos dia veremos os nossos sonhos aos poucos sendo realizados.
O Senado Federal não está sozinho nessa de Graduar, Pós-Graduar e Doutorar homens que estão acima da Lei, do Povo e do País, vejamos o caso do STF, onde teve aquele bate boca e mais uma vez o povo não pode fazer nada.
O Tempo, no entanto, não perdoa esses homens que querem perpetuar-se ditando as regras de ultima hora e conveniências do momento, vêem surgir no caldeirão das periferias, organizações transgressoras da lei, onde vale o que esses chefes de facções acham o que está certo e vale tudo. Nota-se que essa massa está avançando e assim como no vale tudo da política e da justiça, vale tudo também nessas periferias.
Perguntar não ofende: Qual a diferença que existe entre as milícias suburbanas e a Chefia política nos estados, ou mais especificamente no Maranhão? É bem simples, na periferia as milícias controlam o gás, telefones, comércio, etc....Nesse ultimo para se instalar ou trabalhar precisa antes conversar, pois só e somente só dessa forma as coisas andam.
No ultimo ano vi a MPX querendo se instalar no MA e as coisas não andavam, a ponto de processos que normalmente levam 30 dias para serem resolvidos, ficarem mofando nas gavetas. Certo dia em um noticiário do horário nobre, passou a reportagem da visita ao Presidente do Senado do Sr Eike Bastista e coincidência ou não no outro dia os processos foram aprovados.
É assim que funciona hoje.
Pois bem o que queremos para o futuro:
Um país grandioso, onde o povo realmente possa eleger seus representantes e esses não fiquem a mercê do governo para se reelegerem?
Um estado nação, onde possamos ser visto mundialmente como o exemplo a ser seguido, não sendo a maior, mas sendo a melhor democracia do mundo?Um estado corrupto, onde tudo para ser resolvido precisa do por fora para ser executado e dessa forma criar a cultura do ser assim com os poderes e os namorados, netos e filhos se perpetuarem nas benesses dos cargos?
Um estado mafioso, onde vale tudo para se perpetuar no poder e tudo passa pelos subterrâneos desse para se concretizar?
Nosso povo é ordeiro, fraterno, amigo, solidário e vale a pena ser honesto, vale a pena ser digno, se hoje colocam a lama no ventilador para comparar todos os Senadores na mesma panela e como sendo farinha do mesmo saco, tenho certeza que o povo não vai deixar passar essa situação e saberá separar o joio do trigo.
Tenho certeza que logo, logo teremos as mudanças eleitorais que precisam ser feitas. Acredito que nós somos vitoriosos e dentro em breve teremos bons e notaveis representantes.Em outra oportunidade quero falar também na judicialização. Tudo está sendo levado para justiça, nada se resolve mais normalmente, tudo é justiça, isso é um péssimo sinal.
ALTHA CONSTRUÇÕES LTDA
Eng Edman Rodrigues Nóbrega Diretor

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CONFIRME.
CLARO QUE NAO DEVEMOS ALTERAR O TEXTO, MAS, POR FAVOR NADA TAMBEM DE DENGOS COM ESSES BANDIDOS.
TEM QUE DAR E MUITA PORRADA E PARA VALER. NAO SE TIRA NINGUEM DA POLITICA PELO VOTO.
TAI TODO MUNDO DO MENSALAO RINDO E QUE VOLTARAM PARA SEUS RESPECTIVOS POSTOS PÉLO VOTO DO POVO. PORTANTO SÓ PORRADA POIS A NOSSA POLITICA E ALTAMENTE E EXTREMAMENTE CORRUPTA E BANDIDA.
PORTANTO SEM COMPLACÊNCIA. VAMOS GRITAR SAIR ÀS RUAS E TIRAR TODOS ESSES BANDIDOS CORRUPTOS. CONHECE-SE O HOMEM LHE DANDO PODER PORTANTO, TENTEMOS TIRAR ESSE PODER. OS PARTIDOS TODOS, MAS PRINCIPALMENTE O PT DO SR LULALAU ADORAM....O PODER E NAO VAI SER FACIL TIRAR.
TAI SOBREVIVENDO A TODA CORRUPCAO E ENVOLVENDOS TERCEIROS OUTROS LARANJAS E AMIGOS ALOPRADOS BEM FEITO A ESSE POVINHO. MERECEMOS O GOVERNINHO QUE TEMOS.OBRIGADO.

Ronaldo

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Você atira para todos os lados(...) o seu alvo é quem? não me diga que é o PT, a maior experiência democrática desse país. Lute, para preservar o único partido que ainda temos, atacá-lo, frontalmente é inaceitável, por tudo o que ele representa na história contemporânea desse país. Posições maniqueistas não vão melhorar nosso país.
Saudações socialistas, de uma pessoa que ajudou a construir esse partido, e que não vai abandonar o barco, feito alguns covardes de plantão. Até breve, cidadão.
Bote


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O senado é uma câmara revisora e burguesa. PORTANTO necessita de eleições majoritárias, assim como presidente governadores e prefeitos. LOGO não representam a propocionalidade da população de cada estado por ex.
a população de SP É IGUAL A DO AC? Porém possui mesma quantidade de senadores. Portanto FIM DO SENADO, POR UMA CÂMARA ÚNICA QUE REPRESENTE À PROPOCIONALIDADE DA POPULAÇÃO BRASILEIRA.
Ivanildo


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Meu caro Sardinha: para quem já foi charmoso líder estudantil à la
Con-Bendit, caso de José Dirceu, e encontra-se onde está - trabalhando em
prol de Daniel Dantas e distribuindo cartões de visita em porta-cartões de
ouro 24 quilates - nada surpreende.

A única dúvida que resta é se eram oportunistas na esquerda à espera de uma
vaga à direita, ou se assim se tornaram.
Tudo bem que colunas vertebrais sejam flexíveis exatamente para não quebrar,
mas manter a coluna ereta ainda é mais do que mera letra de música. Pelo
menos para quem sabe o que significa a palavra "ética".

Abs, Marcelo Agnelli

domingo, 13 de setembro de 2009

O SOCIALISMO DE INVENÇÃO - parte 2


Simon Bolívar não se propunha um teórico e nem escreveu uma teoria estruturada metodologicamente.

Suas idéias foram produzidas na dialética do conhecimento, na observação inteligente da realidade sul-americana e nas experiências políticas e militares em que se envolveu de corpo e alma, a partir de uma intuição muito aguda e da vasta cultura que adquiriu ao longo da sua vida. Produziu, assim, uma obra extensa que se espalha em mais de dez mil documentos escritos, de toda espécie: cartas, jornalismo, manifestos, mensagens, discursos, doutrinas militares e políticas, legislações, decretos, projetos constitucionais, etc.

Em todos, até em cartas de amor, jamais deixou de incluir pensamentos inovadores e originais que, coligidos, formam o corpus de um pensamento de enorme importância universal, sob os aspectos político, econômico, social, humanista e, antes de tudo, socialista, revolucionário, libertário, e de tal maneira visionário que só agora, no século 21, no bicentenário de sua autoria, é que começa a ser de fato entendido e aproveitado em favor da realidade americana e mundial.

É bastante a leitura de alguns de seus textos mais célebres para perceber que Bolívar é o precursor do que aqui chamamos Socialismo de Invenção, que já demonstra superar o socialismo científico, e promete ser o que logrará, enfim, alicerçar a revolução socialista de que a Humanidade necessita para se safar da autodestruição capitalista e conquistar a harmonia existencial com o planeta Terra, e, portanto, a própria sobrevivência nele pelo tempo em que o destino cósmico do nosso sistema solar o permitir.

“Uma importante espécie biológica está em risco de desaparecer pela rápida e progressiva liquidação de suas condições de vida: o homem” – advertia Fidel Castro num pronunciamento na ONU, em 1992.

Bolívar começou cedo, aos doze anos de idade, como discípulo de Simon Rodriguez, sábio historiador e professor que, como pensador, pode ser classificado entre os socialistas utópicos, ainda que desiludido: “Quis fazer da terra um paraíso para todos, e a fiz um inferno para mim”, sentenciou ao fim de sua longa vida. Neste “paraíso para todos” estava a sua ilha de utopia.
Ainda assim, Simon Rodriguez e sua obra foram de fundamental importância para o processo libertário latino-americano em particular quando demonstrou, com pioneirismo, a necessidade de sermos originais em nossa América: “Veja a Europa, como inventa; veja a América, como imita. Por que só não imitamos o que da Europa se deve imitar: a originalidade”. Ou inventamos ou erramos, era o seu lema, que também foi o título de uma de suas obras mais decisivas e mais influentes na formação de seu discípulo Bolívar.

A partir das lições do mestre, Bolívar estruturou seu pensamento e ação revolucionária para o propósito da “criação de uma sociedade inteira” na América; porém, o fez sem aquele idealismo utópico que iludira o mestre, mas, sim, com uma leitura crítica da Humanidade, cujo ceticismo - de quem não aceita de forma alguma mentir, nem para si mesmo -, o aproxima das análises críticas de Maquiavel e de Tucídides:

“A natureza, para falar a verdade, nos dota, ao nascer, do incentivo da liberdade; mas seja por negligência, seja por uma propensão inerente à humanidade, a verdade é que ela repousa tranquila, ainda que presa às amarras que lhe são impostas. Ao contemplá-la neste estado de prostituição, parece que temos motivos para nos persuadirmos de que a maioria dos homens tem por verdadeira aquela humilhante máxima, que mais custa manter o equilíbrio da liberdade do que suportar o peso da tirania. Oxalá esta máxima contrária à moral da natureza fosse falsa! Oxalá esta máxima não estivesse sancionada pela indolência dos homens em relação aos seus direitos mais sagrados!”

Se não caiu na ilusão utópica que estimulou os anseios de felicidade e igualdade social e, portanto, o pensamento socialista que o antecedeu, tampouco Bolívar embarcou no cientificismo que começava a entrar em moda entre os pensadores de sua época, e que acabou predominando até há poucos anos, quando ruiu junto com o muro de Berlim: “difícil apreciar onde termina a arte e principia a ciência”, pensava. Não encampou a idéia, que começava a vicejar, redutora dos processos libertários a fatores meramente econômicos, ainda que não desprezasse tais fatores, nem cogitou que para conquistar a vitória revolucionária era bastante a apropriação dos meios de produção pela luta armada contra a burguesia capitalista. Seu pensamento ia muito mais longe; para ele, a liberdade haveria de ser, antes de tudo, uma conquista do saber, ou seja, uma conquista cultural e moral:

“Dominaram-nos pelo engano mais que pela força; e pelo vício degradaram-nos mais que pela superstição. A escravidão é filha das trevas; um povo ignorante é um instrumento cego de sua própria destruição; a ambição, a intriga, abusa da credulidade e da inexperiência dos homens alheios de todo conhecimento político, econômico ou civil: adotam como realidades as que são puras ilusões, tomam a licenciosidade pela liberdade, a traição pelo patriotismo, a vingança pela justiça”.

Com argumentos demolidores contra a escravidão e a ignorância dos povos, fatores que, desde a antiguidade até a sua época ainda eram aceitos como “fatores naturais”, uma vez que “os homens nascem diferentes”, Bolívar começou pela libertação dos escravos e focou no acesso das massas populares à educação, ao conhecimento e à cultura a sua estratégia revolucionária. Em pouco tempo, suas idéias, e a prática libertária que delas se seguiam, desesperavam os impérios europeus que haviam “descoberto”, na América Latina, a mais suculenta fonte de saqueio de todos os tempos: o espanhol, contra o qual lutou diretamente e que expulsou em definitivo; o inglês, que, através dos Estados Unidos, retrucou com a Doutrina Monroe; e é bem provável que o “aventureiro” a que D. João VI se referira a Pedro I em seu célebre conselho de pai para filho, teria sido Bolívar, que, na época, já descia pelo cone sul criando e libertando nações, temido pelas elites e oligarquias coloniais como se fosse um novo Napoleão, figura histórica que já escaldara o assustadiço império português.

Bolívar tratava de inventar a Gran Pátria, americana por excelência, com personalidade própria e diferente dos modelos de República então conhecidos. Pensava e punha em prática idéias inovadoras e proto-socialistas através de inflamada oratória e de artigos jornalísticos, a que acompanhavam manifestos, legislações e projetos constitucionais que se balizavam por um estado laico e respeitoso das liberdades religiosas, de plena e efetiva igualdade democrática e racial, sem escravidão, sem despotismos, sem corrupção, estruturado em um forte e prioritário investimento público em educação de qualidade para todos, independente de berço, credo, raça ou classe social.

“Ser culto para ser livre”, sintetizou assim a ideologia de Bolívar um dos mais célebres bolivarianos históricos, aquele que se tornaria o gênio libertador de Cuba: o poeta, escritor, pensador e guerrilheiro José Martí. Bolívar lutava pelo direito de cada nação, cada povo, construir a sua própria pátria socialista, criando e inventando, com base em suas culturas e costumes, o verdadeiro Estado nacional, que nunca seria o ideal, mas o real, o mais próximo da verdade endógena que se gesta numa nacionalidade. “Cada povo, cada nação, tem o direito de inventar e construir a sua própria pátria; e, se o fizer, esta pátria será uma pátria socialista e democrática” – costuma dizer Hugo Chávez, citando Bolívar.

Ou inventamos ou erramos.

A obra de Bolívar não cabe avaliar nem analisar em profundidade em nosso minúsculo espaço de comunicação, que, nestes artigos, se propõe apenas a divulgá-la. Mesmo assim, chamamos para uma terceira e última parte, a seguir, na próxima Gazeta, onde comentamos algumas de suas conseqüências históricas e atuais.



Mario Drumond

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

METAMORVOTO


Carminha Fortuna*


Ano que vem temos eleições, e o melhor de tudo, é começar a se preparar desde já: escolher com consciência, ver antecedentes, precedentes, e todos os "entes", incluindo parentes daqueles que querem governar a nossa vida.

Por isso, lembrei-me de uma síndrome que acomete muitos eleitos: o metamorvoto.É isso mesmo! O metamorvoto acontece em todas as eleições. Posso dar mil exemplos, posso citar mil pessoas e ainda é pouco.

Vou antes de tudo explicar que significa este neologismo político-frustrador-engabelativo: quando chega a época das eleições acontece um fenômeno estranho com os candidatos, principalmente depois que saem os resultados, os eleitos se transformam e os não eleitos somem por aproximadamente um ano e meio. Para os que somem, não posso dizer que tipo de transformação eles passam, mas os que são eleitos sofrem um grande metamorvoto.

Fiz uma vasta pesquisa e descobri que pouquíssimos conseguem fugir desta síndrome, altamente contagiosa e aparentemente sem vacina ou tratamento. Então procurei pessoas que foram contagiadas por esta síndrome, ninguém quis falar sobre o assunto, segundo especialistas, mesmo com o diagnóstico confirmado, os pacientes não aceitam nem assumem a doença.

Antes que me esqueça, são tantos os sintomas que só os especialistas conseguem diagnosticar com precisão a “Síndrome do Metomorvoto”.

Então, em minha pesquisa, procurei pessoas vítimas do ataque destes enfermos, ops, esqueci de dizer que entre os sintomas, os piores de todos são a compulsão ao esquecimento, à ambição e a síndrome da autoridade constituída (popularmente conhecida por “subiu no tijolo e já quer fazer discurso”).Nesta pesquisa descobri frases célebres que reproduzo aqui:– Votei num terapeuta e elegi um político!– Pensei que estava votando num um operário e elegi um viajante!– Esperei que um sociólogo pudesse dar jeito na nossa vida, mas mostrou o quanto político ele era!– Votei em dois engenheiros para minha cidade, e ela tem mais buracos que queijo suíço!Então nesta pesquisa, cheguei à seguinte conclusão: que não importa em quem se vota, mas o simples fato de estar eleita, se a pessoa contrai a “Síndrome do Metamorvoto”, o importante agora é descobrir em que momento há o contágio, seria na diplomação ou quando se senta na cadeira de autoridade?

Mais uma pesquisa a ser feita.E na sequência desta síndrome, existe outra mais grave e ainda não muito bem diagnosticada, a “Síndrome da Amnéleiçãosia”, esta, certamente que contribui muito para a disseminação da “Síndrome do Metamorvoto”. Bom, isto é assunto para outro artigo cientílitico, não é?


*Carminha Fortuna é jornalista

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

OS DESAFIOS DO SÉCULO XXI



Por Susan George*



Acredito que os organizadores dessa série de palestras da La Casa Encendida não imaginavam que os desafios do século XXI fossem tão grandes. Outro mundo certamente é necessário. Acredito que, com as múltiplas crises que temos diante de nós, também podemos observar grandes oportunidades, mas esta janela pode não ficar aberta por muito tempo.

Claro que a eleição de Barack Obama é um enorme sinal de esperança e acho que na Europa as pessoas, certamente, também se alegraram com a notícia. Eu chorei quando ele foi eleito e só consegui dormir às quatro e meia da manhã, quando estava absolutamente certa do que estava acontecendo. Nesse caso, onde houve a mobilização popular, das minorias, dos jovens, a democracia se estabeleceu. Mas neste encontro não vou me aprofundar na questão da democracia, prefiro falar sobre as três grandes crises que vejo ameaçar, não apenas a cidadania e a própria democracia, mas também a continuidade da vida na Terra. Você pode pensar que estou exagerando, mas espero convencê-lo de que não estou sendo “alarmista”.

Em primeiro lugar vou nomear essas crises e, em seguida, falar um pouco sobre como podemos escapar delas afinal, também penso que estamos em um momento de esperança.

A primeira é a crise social. Fato é que não faltam riquezas no mundo, posso assegurar isso, então não há desculpa para entrar século XXI com tanta pobreza e desigualdade. Em outras palavras, é perfeitamente possível dar a todo mundo uma vida decente e digna.

A segunda crise é a crise financeira. Desde que ela começou, vemos os governos mobilizando centenas de bilhões de dólares para socorrer os bancos, arcando como custo do seu comportamento estúpido e ganancioso. Até agora, as vítimas dessa crise não receberam nada. A bagunça financeira foi limpa a favor dos ricos e poderosos, retirando das agendas quase todos os demais assuntos, o que é um grande erro, porque temos de olhar para toda a fotografia da crise, não apenas parte dela.

Isso me leva à terceira crise, em minha opinião a mais grave e urgente de todas, que é a crise ambiental. Aquecimento global, alterações climáticas, destruição da biodiversidade, tudo isso está acontecendo muito mais rápido que a maioria dos governos acreditava. E por que essa é a crise mais urgente? Porque podemos voltar atrás no caso da injusta distribuição de riqueza ou do colapso financeiro. Mas isso não é verdade com o clima: uma vez que a questão climática saia do controle, não temos nenhuma chance de voltar atrás e recomeçar. Temo em dizer que apenas agora a liderança mundial começou a entender o que as conseqüências das mudanças climáticas significarão para a produção de alimentos, para os recursos hídricos, a subsistência, a educação ou para o grande número de refugiados procurando abrigo. Então, o que podemos fazer em relação à tripla crise [social, financeira e ambiental]? O que podemos fazer para construir um mundo melhor, mais justo, ecológico e mais democrático? Acredito que a mudança só será possível se os cidadãos se mobilizarem e demandarem essa mudança profunda, que é necessária em todo o sistema.

Vou desenvolver meu pensamento sobre cada uma dessas crises de forma mais detalhada. Primeiro: desigualdade social e pobreza. Na Europa, 15% da população, ou seja, cerca de 72 milhões de pessoas são oficialmente classificados como pobres, mas eles [Europa] poderiam eliminar a pobreza em seu próprio solo, e contribuir enormemente para acabar a pobreza em outros lugares do mundo. Poderíamos ser a liderança dos países da OCDE, mas não estamos fazendo isso, não estamos propondo sequer as pequenas e óbvias soluções que implicariam em mudanças no estilo de vida e de gestão dos bancos e empresas transnacionais. Não é preciso perguntar mais se é possível, a resposta é sim: é possível.

Vamos parar de falar sobre pobreza por um momento e falar sobre riqueza. Acho que a crise é realmente uma crise onde o dinheiro é real. Podemos nesse caso exemplificar citando a “poderosa” corretora Merrill Lynch. Recentemente a empresa entrou em apuros e foi comprada pelo Bank of America, salvando-se da falência. Todos os anos, a Merrill Lynch publica um relatório sobre a riqueza mundial. A 11ª edição desse relatório fala que há cerca de 10 milhões de pessoas classificadas como “indivíduos de alta renda”. Em outras palavras, são pessoas que têm um monte de dinheiro para investir sem contar os imobilizados como as casas, iates, coleções de arte, de vinhos. Fato é que esses 10 milhões de indivíduos ricos, com alto patrimônio líquido, acumulam mais de US$ 41 trilhões em ativos para investimentos. É um número bastante incompreensível, mas vamos tentar entendê-lo dizendo que esse valor significa três vezes o PIB dos Estados Unidos ou da Europa, dezenas de vezes o PIB da Índia, algo em torno de vinte vezes o PIB da Espanha.

Essa é claramente uma riqueza que não foi distribuída porque vivemos os últimos 20 anos no âmbito das políticas neoliberais, em que a tributação aos indivíduos ricos não aconteceu ou houve redução de impostos de forma sistemática. A teoria era de que, ao se reduzir os impostos para os ricos, eles teriam mais recursos para investir na geração de empregos, mas isso não aconteceu de fato. A Merrill Lynch afirma que, até 2012, esses ricos indivíduos acumularão não US$ 41 trilhões, mas US$ 59 trilhões. Podemos olhar para as porcentagens e ver que uma a cada 700 pessoas faz parte dessa categoria.

A boa notícia é que embora quase todos os países tenham crescido de forma desigual nos últimos 25 anos, a França e a Espanha, apresentaram números um pouco menos desiguais. Isso não quer dizer que eles são nações igualitárias, longe disso, mas essas nações não seguiram a tendência dos EUA e Grã-Bretanha.

Os EUA são provavelmente a referência de uma nação socialmente desigual, com exceção talvez do Brasil, Paraguai e outros países latino-americanos. Os 10% mais ricos dos Estados Unidos tem uma renda média de 93 mil dólares por ano. Os 10% mais pobres, sobrevivem com uma renda inferior a 5.800 mil dólares ano, o que pode significar a fome literal.

Existem outras maneiras de medir a riqueza. A revista Forbes faz anualmente uma lista de bilionários ao redor do mundo. Este ano houve mais de 1.100 pessoas elencadas. Juntos, têm cerca de cinco vezes mais riqueza que a renda bruta total nacional da África. É muito preocupante comparar as desigualdades no mundo e por isso gostaria apenas de dizer mais uma ou duas coisas sobre a riqueza.

A Universidade das Nações Unidas fez um estudo inovador, publicado há dois anos. Eles constataram que 2% dos das pessoas têm mais da metade das riquezas mundiais enquanto os 50% mais pobres concentram menos de 1%. É incrível como o mundo é desigual. Se você quer estar na metade rica da humanidade, tudo que você precisa é de 2.200 dólares em ativos, incluindo a sua casa, seu carro e roupas. Acho que a maioria de nós ainda se sente muito pobre, com apenas 2.200 dólares em ativos. Há o suficiente para todos, temos trabalhado para fora dos números. Se você divide tudo igualmente, o que é impossível e provavelmente sequer desejável, todos no mundo teriam 26 mil dólares em ativos.

Vamos passar agora para a crise financeira. Como vocês sabem , tudo começou com as hipotecas subprime nos Estados Unidos. Isso significa que os bancos estavam à procura de clientes, independente da possibilidade financeira desses correntistas. Por fim, quando esses empréstimos começaram a ir mal, o Federal Reserve e seus economistas oficiais pensaram que a crise do subprime era isolada e que eles poderiam conter a sua propagação.

O que eles não levaram em conta era o que tinha acontecido desde a gestão de Alan Greenspan, que durante 19 anos ficou à frente do Federal Reserve. Ele era considerado uma espécie de santo, não se podia dizer nada contra Greenspan. Mas foi o “santo” que presidiu a maior desregulamentação na história. E, claro, uma vez que os bancos foram autorizados a prosseguir, eles se fundiram e adquiriram outras empresas, tornando-se “grandes demais para quebrar”. Pior que observar que eles não eram tão grandes assim, foi presenciar o socorro financeiro governamental a essas instituições. Podemos citar a Lehman Brothers, que não foi capaz de pagar a dívida de tais títulos tóxicos ou as fatias dela, e faliu. Muitas outras instituições financeiras estavam segurando o papel da Lehman Brothers, que não valia mais nada. Houve pânico e, na sequencia, o socorro financeiro.
A terceira crise, como se tudo isso não fosse ruim o bastante, é a que me preocupa mais e a que me mantém acordada à noite: a crise ambiental. Você provavelmente conhece o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC). Este é o grupo de cientistas das Nações Unidas que estuda a ciência do clima, os impactos das alterações climáticas e a melhor forma para se adaptar a esses efeitos.

Antes da publicação oficial e divulgação pública, esses cientistas apresentam seus relatórios em uma grande reunião da ONU, com representantes de todos os governos dos países membros. Ainda que descritas de forma muito conservadora, os dados dos cientistas climáticos são extremamente alarmantes. Já sabemos, por exemplo, que as regiões mais pobres do mundo vão ser as mais atingidas e as áreas tropicais realmente sofrerão duras consequencias. Talvez a pior notícia seja que, mesmo estes cientistas pareciam não prever a rapidez com todos estes acontecimentos tomariam lugar. Inicialmente, eles estavam falando sobre o ano de 2100. Agora nós sabemos que o gelo, no verão do Ártico, está derretendo rapidamente e pode desaparecer de três a sete anos a partir de agora.O derretimento dessa calota polar afetará uma área para além de 1500 km de toda a região do permafrost, como na Sibéria.

Na Sibéria há centenas de milhares de quilômetros quadrados de permafrost que ao derreter, liberará enormes quantidades de metano, e metano pode ser 20 vezes mais destrutivo que o dióxido de carbono. O outro fator preocupante, por exemplo, é que o Ártico agora é branco, mas quando o gelo derreter, ele se tornará escuro, o que significa que irá absorve mais calor. Assim, o risco não se resume em um maior volume de água nos oceanos, mas a terra também absorverá mais calor em um tempo muito curto.

Ao mesmo tempo, sabemos sobre os outros efeitos naturais, como tempestades e furacões - que estão se tornando mais intensos. Eu gostaria de chamar a atenção para a urgência da crise, pois não estou ciente se os governos têm noção sobre ela. Obama tem dito que “sim”, que irá se juntar ao mundo e aderir ao Protocolo de Quioto. Este seria um grande anúncio se tivesse sido feito 15 ou 20 anos atrás.

Eu espero ter provocado vocês com essas informações, esse era meu objetivo. Eu não quero desanimar ninguém que trabalha por mudanças, mas de forma individual. Isso é bom e necessário, mas não é suficiente e não está ao nível do que é necessário. Nós precisamos é de um salto qualitativo, e isso é algo que só as grandes entidades políticas são capazes de realizar. Por isso, vamos pensar nas três crises em conjunto e fazer exame holístico do mundo e do sistema mundial. Como poderíamos ressurgir disso?Bem, pelo menos em parte, por meio de um sistema de energia limpa.

Os bancos têm recebido centenas de bilhões de dólares, mas o que os cidadãos têm recebido em troca? Absolutamente nada. Eu estou um pouco surpresa que não estamos nas ruas aos milhares, dizendo: “e quanto a nós?”. A conta, aos milhões continua sendo paga pelo cidadão comum. Vamos aproveitar esta oportunidade para manter os bancos sob controle. Vamos dizer a eles que em troca de todo esse dinheiro que receberam, terão que investir ‘X’ por cento de sua carteira em conversão energética. Existem capitalistas de risco, na Califórnia, que dizem que esta é a maior oportunidade do século.

Temos que considerar que o dinheiro e o crédito são bens sociais e devem ser utilizado para as necessidades públicas. Isso não significa virar comunista, ou qualquer coisa do tipo. Isso significa que os governos têm que ser capazes de controlar o sistema financeiro, e que uma parte significativa dos investimentos sejam usados tanto para empréstimos às empresas, quanto para pessoas - que querem colocar painéis solares em seus telhados. Alguns edifícios na Grã-Bretanha, país que tem um dos piores climas do mundo, são abastecidos somente com energia limpa.

Então, manter os bancos sob controle é o primeiro ponto. Segundo ponto é o cancelamento da dívida dos países pobres e em compensação, esses países também teriam que participar do esforço ecológico: reflorestar, salvar a sua biodiversidade, cuidar de seus solos e de seus animais.

Outro ponto é acabar com os paraísos fiscais. Há várias dezenas desses paraísos no mundo e vinte e alguns deles estão na Europa. Especialistas dizem que há 12 bilhões de dólares acumulados nesses lugares. Se eles forem fechados, significa dizer que, pelo menos, 250 bilhões de dólares de impostos poderiam ser aplicados em benefícios públicos e não para enriquecer representantes das mega-corporações transnacionais.

Metade do financiamento para o comércio internacional passa, em algum momento, por um paraíso fiscal. Isso significa receber de volta os 400 bilhões de dólares que as elites africanas roubaram de seu povo.

Investigações na África Subsaariana mostram que desde a década de 1970, 420 bilhões de dólares foram retirados do país e colocados em contas privadas. Se você contar os juros, isso teria sido 600 bilhões de dólares que roubado da África. Como a Attac vem dizendo a uma década, precisamos de tributação internacional. Em outras palavras, o que precisamos é de um controlo democrático sobre o sistema financeiro e considerar que o dinheiro não é apenas uma questão privada, mas também um bem público. Podemos dizer que há uma abundância de dinheiro, a questão é utilizá-lo corretamente.

Acredito que enfrentar o keynesianismo com soluções “verdes” seria uma situação ganha-ganha, tanto para o cidadão comum - porque criaria uma enorme gama de novos e bons empregos - quanto para os políticos, se eles entendem que isso é o que é necessário - eles iriam receber os agradecimentos dos cidadãos. Seria uma situação boa até para os próprios bancos, que iriam além destas situações horríveis. Então, quem não se beneficiaria com isso? Bem, isso significaria lucros ligeiramente mais baixos para alguns, mas os lucros obscenos aconteceram recentemente. Os lucros da Exxon Mobil no ano passado foram 140 bilhões de dólares, isto é completamente obsceno. Estamos executando a economia mundial em benefício dos acionistas, e não em benefício dos cidadãos. Isso tem que parar.

Eu gostaria de terminar dizendo que sim, outro mundo é possível. Temos diante de nós uma oportunidade muito clara e temos que aproveitá-la agora, uma vez que esse momento não vai durar para sempre. Precisamos ajudar os governos a compreender que podem salvar os bancos, mas eles também devem trabalhar pela biodiversidade e pelas pessoas. É importante criar zonas de acordos e trabalhar fortemente para chegar a práticos consensos nas mais diferentes esferas sociais e econômicas. Espero que eu tenha convencido alguns de vocês a também fazer alguma coisa para melhorar o planeta.

Obrigada pela atenção,

* Susan George é licenciada em filosofia pela Sorbonne e doutora em política pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris). Autora de diversos livros, é dirigente da ATTAC-França (Associação pela Taxação das Transações Financeiras em Apoio aos Cidadãos) e presidente do conselho de administração do Transnacional Institute (Amsterdã).

(Discurso proferido em mesa redonda organizada por La Casa Encendida - Madrid, Espanha -, em novembro de 2008)


(Envolverde/Mercado Ético)
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O SOCIALISMO DE INVENÇÃO (parte I)

Mario Drumond



Os teóricos do socialismo, apesar das inumeráveis divergências ideológicas que, não raro, chegam ao antagonismo, parecem unânimes em classificá-lo historicamente em duas únicas fases ou ciclos em que se tenha manifestado, como pensamento, ao longo dos tempos, tal como Oswald de Andrade, em A Marcha das Utopias, assim os define:

“(...) o chamado Socialismo Utópico, aberto com a obra de Morus e que, superado, chega, no entanto, até o século XIX, quando o francês Cabet publica a sua Viagem à Icária, último país onde o puro sonho igualizante encontrou guarida e afago. (...) Com o Manifesto de Marx e Engels anuncia-se o novo ciclo - o do chamado Socialismo Científico.

Nessa série de textos, Oswald pugnava por um reconhecimento da contribuição dos “utópicos”, que, apesar de teoricamente superados, são equivocadamente vistos com preconceito por parte dos “científicos”. Para ele, as utopias são "uma consequência da descoberta do Novo Mundo e, sobretudo, a descoberta do novo homem, do homem diferente encontrado nas Américas".

“A geografia das utopias situa-se na América. É um nauta português que descreve para Morus a gente, os costumes descobertos do outro lado da terra. Um século depois, Campanella, na Cidade do Sol, se reportaria a um armador genovês, lembrando Cristóvão Colombo. E mesmo Francisco Bacon (possivelmente Shakespeare), que escrevia A Nova Atlântida em pleno século XVII, faz partir a sua expedição do Peru”.

A não ser A República de Platão, que é um estado inventado, todas as utopias, que vinte séculos depois apontam no horizonte do mundo moderno e profundamente o impressionaram, “são geradas da descoberta da América; o Brasil não fez má figura nas conquistas sociais do Renascimento”, deduzia.

Assim, até Oswald, que pensava e escrevia à contracorrente das ideologias dominantes, de “direita” ou “esquerda”, participava da unanimidade aqui assinalada. Chama a atenção o fato de que ambos os ciclos se originam no pensamento europeu, aliás, única região do globo de onde se origina todo e qualquer pensamento aceito como válido e digno de estudo pelas elites da inteligentzia européia e de suas colônias.

Mas a verdade é que o socialismo científico está superado também, e, se o socialismo utópico nos deixou o legado de suas elucubrações humanistas, igualitárias, poéticas, além de muitas boas idéias, o científico, se bem peneirado, não logrou ser tão fértil em enriquecer de idéias a Humanidade. E a Europa, hoje, é vazia de proposições.

Se vivesse mais tempo, Oswald teria alcançado seu alvo; estava bem perto disso: o caminho ideológico do novo mundo, que ele conheceu e trilhou enquanto pensamento cultural e filosófico, desde jovem, isto é, o do pensamento europeu que veio para a América, aqui se fundiu ao socialismo e à cultura autóctones, milenares ambos, e, ao receber a imensa contribuição africana, tornou-se o pensamento socialista americano, por excelência (não confundir com pensamento norte-americano, que é o mesmo pensamento europeu, sem tirar nem por – não há nada menos americano nas Américas, atualmente, do que os EUA e o Canadá). Darcy Ribeiro trilharia esse caminho.

Há o que se tem chamado de Socialismo do Século 21 ou Socialismo no Século 21, termo tido por confuso ou indefinido pelos que pensam sob a égide do socialismo científico e, como tal, exigente de classificações e definições precisas, “exatas”, para tudo, como se isto fosse possível quando se trata de estudar seres humanos e sociedades.

Erroneamente, este Socialismo do (ou no) Século 21 é atribuído a Hugo Chávez, mas Chávez, se até se refere a ele em certas passagens de sua oratória, jamais se postulou como autor da expressão, a qual não pode ser dada como nome de uma escola de pensamento; quando muito, poderia titular um projeto político para o novo século que apenas se inicia. O socialismo a que Chávez se propõe está relacionado com o momento histórico a que acima nos referimos, e seus fundamentos na saga de Bolívar e dos seguidores de sua doutrina libertária em toda a América Latina. Que Bolívar era um pensador socialista, disso não pode haver dúvidas, mas a questão é que não é possível classificá-lo nem como socialista utópico nem como socialista científico.

Modestamente, a Gazeta propõe a designação de Socialismo de Invenção a este que, desde Bolívar até Chávez é o que se vem realmente desenvolvendo, entre marchas e contra-marchas, na América Latina, e que tem por precursor regional a Inconfidência Mineira, mesmo que estudiosos acadêmicos não tenham se preocupado em estudá-lo, classificá-lo ou designá-lo enquanto sequência de fenômenos sociais e históricos de natureza ideológica, muito menos de uma ideologia socialista.

Oswald debruçou-se brilhantemente sobre a Inconfidência Mineira com o enfoque ideológico, já da luta de classes e da opressão imperialista, e excluiu George Washington (“um senhor de escravos que proclamou a liberdade dos senhores de escravos”) da classe dos “libertadores”. Como ele, uma plêiade de pensadores latino-americanos desprezados pelo pensamento colonizado e colonizador tratou os movimentos libertários em suas respectivas regiões e nações deixando-nos importantíssimos legados. Mas na mesma América Latina, na América do Norte e na Europa, a questão ideológica e o processo histórico da Nuestra América sequer são considerados nas elites acadêmicas e pelo pensamento submisso ao ideário imperialista.




Visite o blog da Gazeta: http://blogdagazeta.blogspot.com/

Revisão: Frederico de Oliveira (para quem curte textos bons e bem escritos, recomendo o blog de Frederico – O Apito - no endereço http://www.thetweet.blogspot.com/)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

No – 123 – COLUNA DO SARDINHA




VALE?

Estávamos seriamente pensando em abolir a letra “p” de nosso dicionário. O primeiro impulso que nos veio, foi sugerir à comissão mista Brasil-Portugal que o fizesse, quando da reforma ortográfica. Mas, lembramo-nos que a pátria lusa começa com a malfadada letra. Desistimos provisoriamente.
Nossa luta deveria continuar, nem que fosse para bancarmos os Quixotes, lutando solitários como doidos, desta vez em lutas reais e não contra moinhos de vento.
Vamos contar nossas razões e acreditamos que, se não forem infundadas, encontraremos não um só Sancho Pança, fiel escudeiro do famoso filho de Castela, mas talvez dúzias deles, prontos a defender a idéia.
Já perceberam que as grandes mazelas que o Brasil enfrenta começam com letra “P”? Vejam, o que começa com “P” que incomoda-lhes e logo lhes vem à cabeça? Pernilongo, que mais? papagaio falador, sim talvez, mas o que mais? Gripe suína? Ah! Não começa com “P”, mas tem uma palavra que lhe é antecedente, que começa – politicagem; mas, isto é uma outra história; e, aí vai.
Não esqueçamos dos grandes entraves para o país: Políticos e politicagem, parlamento e parlamentares, partidos políticos e presidente da República, todos começando com “P”.
O Poder Judiciário com Gilmar Mendes, depois da absolvição do Palocci, bem poderia estar no rol dos “P’s” descartáveis, mas devido aos serviços prestados, ainda tem um pouco de crédito em seu cartão.
Justa ou não, a nossa reivindicação?
(Vamos abrir um parêntesis. Os nossos críticos, que não são poucos devem estar dizendo, “esses caras deveriam pegar mais leve, pois a coisa não é tão séria assim.” então, ouçam esta: há mais ou menos um mês os arautos das notícias tendenciosas apregoavam que os luminares do Planalto estavam com tanta bola, que iriam emprestar ao Fundo Monetário Internacional, a módica importância de dez bilhões de reais. Agora o FMI anuncia que fará um aporte no Tesouro Nacional de quatro bilhões de dólares! Ué, onde estamos? Cadê nossos políticos? E nós somos mais uns P’s de palhaços?)
Mas analisando bem, o “P” não pode ser culpado de tudo o que de ruim nos acontece e merece um pouco de comiseração. Veja o que dá para fazer com o “P”.
“Pobre Pedro Pintor, perfeito pateta, pintou parede de político paquistanês, parecia peruano, paraguaio, polonês, porém piscava parado, com as pálpebras paralisadas, pescando peixes parecidos, puxa! Papagaio! Parei.” E milhares de outras combinações em que o eclético “P” comparece.
Se é Papa, Padre, Pastor, Polícia, pais, país, píncaros, pináculos, picaretas, é tudo com “P”, parecendo-nos que tal letrinha é importante e imprescindível e livrar-se dela não seria tarefa muito fácil para simples escribas e troca-tintas. Seria menos dificultoso escalar o Himalaia, que na tela de entrada do computador ocupa todo o espaço, iluminando o dia quando é acionado ou ainda livrar-nos dos políticos que nos fazem patinar por pistas perigosas.
Êta letrinha arretada o tal de “P”!
Entre os políticos e a letra “P” ficamos com ela mesma, pois tem uma serventia inconteste, o que já não acontece com os referidos. Políticos como Sarney e outros não valem “P” nenhum.
Definitivamente decididos, ficamos com a letra “P” e o fazemos depois de muito pensar, esquentar a cachola e queimar muitos neurônios, só uma coisa merecemos: efusivos
Parabéns!

Luiz Bosco Sardinha Machado


EM 2.O1O VOTE POR VOCÊ


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

EM 2.010 VOTE POR VOCÊ!


Um momento, cidadão!



A espera diz-se sábia

Embora nem sempre seja assim

Já vi quem é bom de lábia

Enganar gente sem fim



Conversa é sempre preciso

Propicia o entendimento

Mas temo pelo juízo

Que anda tão fraudulento



Acredite ainda existe

Quem valoriza o que pode

Tendo como verdade

Um mero fio de bigode



Quanto à morte, está enganado

Vivem os bons, certamente

Apenas assistem calados

Episódios deprimentes!



E se brada retumbante

A Pátria no anseio da sorte

Os tiranos triunfantes

Enfraquecem até o forte...



É dia de avivar a memória

Com prudência e seriedade

Vamos mudar a história

Exercendo a liberdade!



Que se faça novo tempo

Um tempo que nunca se viu

Mas estejamos atentos

Aos que sabotam o Brasil!









Priscila de Loureiro Coelho.

EM 2.O1O VOTE POR VOCÊ



(Uma campanha da COLUNA DO SARDINHA e de seus blogs )

domingo, 6 de setembro de 2009

Pesquisa Industrial Mensal Produção Física – Brasil – Fonte IBGE


Base: Julho de 2009

Produção industrial cresce 2,2% de junho para julho

Em julho, a produção industrial cresceu 2,2% em relação a junho, na série livre de influências sazonais, sétima expansão consecutiva nessa comparação. Frente a julho de 2008, a atividade fabril registrou recuo de 9,9%, menor queda desde abril. Com isso, o indicador acumulado no ano passou de -13,4%, em junho, para -12,8%, em julho. O índice acumulado nos últimos doze meses manteve trajetória decrescente, passando de -6,5%, em junho para -8,0%, em julho.

Em relação a junho, 23 dos 27 ramos pesquisados registram crescimento

Com o avanço de 2,2%, observado no total da indústria entre junho e julho, o patamar de produção do setor ficou 10,6% abaixo do nível recorde atingido em setembro de 2008. Esse aumento no ritmo de atividade, em julho, foi disseminado entre os setores industriais, atingindo 23 dos 27 ramos pesquisados. O desempenho de maior importância para o resultado global veio de máquinas e equipamentos (8,9%), que após forte ajuste na produção, no final do ano passado, acumulou ganho de 11,6% entre abril e julho. Também merece destaque o avanço de 4,5% na metalurgia básica, que mostra crescimento por quatro meses consecutivos, influenciado, neste mês, pelo retorno a operação de alguns alto fornos, seguido por alimentos (1,9%), máquinas para escritório e equipamentos de informática (12,1%), borracha e plástico (5,6%), minerais não metálicos (3,6%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (4,5%). Por outro lado, as principais influências negativas vieram de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-6,3%) e refino de petróleo e produção de álcool (-1,1%). A atividade de veículos automotores, após acumular um ganho de 69,2% de janeiro a junho, fica praticamente estável em julho (0,1%).

Entre as categorias de uso, ainda na comparação mês/mês anterior, o setor de bens de consumo duráveis (4,6%) sustentou o maior ritmo de crescimento, na passagem de junho para julho, seguido por bens intermediários (2,0%) com ritmo próximo ao do total da indústria (2,2%), enquanto bens de capital (1,4%) e bens de consumo semi e não duráveis (1,0%) cresceram abaixo da média.

O comportamento positivo da atividade industrial, em julho, confirmou a trajetória ascendente do índice de média móvel trimestral nos últimos cinco meses. Na indústria geral, o acréscimo observado neste indicador, entre junho e julho, foi de 1,3%, acelerando o ritmo frente ao mês anterior (1,0%), com bens de consumo duráveis exibindo o maior incremento (3,6%), vindo a seguir, bens de capital (1,5%) e bens intermediários (1,4%). O setor de bens de consumo semi e não duráveis registrou a segunda taxa negativa consecutiva (-0,2%).

Na comparação com julho de 2008, 23 dos 27 setores reduzem a produção

Em relação a julho de 2008, o setor industrial recuou 9,9%, com perfil generalizado de queda, atingindo 23 das 27 atividades investigadas. A principal contribuição negativa veio de veículos automotores (-21,5%), seguido por máquinas e equipamentos (-20,2%), metalurgia básica (-19,2%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (-28,1%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-25,4%), produtos de metal (-20,0%) e indústrias extrativas (-10,1%). Entre esses ramos, os itens de destaques foram: automóveis e caminhão-trator; rolamento de esferas para equipamentos industrial e aparelhos elevadores e transportadores; ferronióbio e lingotes, blocos, tarugos ou placas de aço; telefones celulares e aparelhos de comutação para telefonia; transformadores; estruturas de ferro e aço e telas metálicas; e minérios de ferro. Por outro lado, o impacto positivo mais relevante veio da indústria farmacêutica (8,6%).

Entre as categorias de uso, ainda na comparação com julho de 2008, o segmento de bens de capital permanece registrando o recuo mais elevado (-23,9%), sustentado por reduções na produção de todos os seus grupamentos, com destaque para bens de capital para transporte (-19,1%), pressionado principalmente pela menor fabricação de caminhões; seguido por bens de capital para uso industrial (-34,7%), para uso misto (-15,5%), para energia elétrica (-44,7%) e para construção (-51,9%). O desempenho de bens intermediários ficou 11,6% abaixo do de julho de 2008 e também foi negativamente influenciado por todos os seus subsetores, com destaque para os produtos associados às atividades de metalurgia básica (-19,2%), veículos automotores (-28,0%), indústrias extrativas (-10,3%), outros produtos químicos (-7,2) e borracha e plástico (-12,9%), pressionados principalmente pela redução nos itens: ferronióbio e lingotes, blocos, tarugos e placas de aço; peças e acessórios para indústria automobilística; minérios de ferro; herbicidas para uso na agricultura; e pneus e peças de plástico e borracha para indústria automobilística. Ressaltam-se, ainda, os índices negativos observados em insumos para construção civil (-10,0%) e embalagens (-6,3%).

Ainda na comparação com julho de 2008, recuando em menor ritmo que a média da indústria (-9,9%), bens de consumo duráveis (-6,7%) registrou a menor queda desde outubro do ano passado, impulsionado sobretudo pelo comportamento positivo da produção de eletrodomésticos (12,5%), que cresce pelo terceiro mês consecutivo, especialmente influenciada pela “linha branca” (38,2%), já que a “linha marrom” recuou 26,2%. A produção de automóveis (-10,1%) e de celulares (-17,6%) permaneceram apontando taxas negativas. O setor de bens de consumo semi e não duráveis recuou 3,2%, refletindo sobretudo o comportamento negativo de carburantes (-13,6%) e de semiduráveis (-12,1%), onde a redução nos itens gasolina e álcool, no primeiro subsetor, e calçados de couro, no segundo, exerceram os principais impactos. A única pressão positiva foi registrada pelo grupamento de alimentos e bebidas elaborados para consumo doméstico (0,6%), explicada, em grande parte, pelo avanço na produção de cervejas, chopes e refrigerantes.

Produção recuou 12,8% no acumulado janeiro a julho de 2009

O indicador acumulado para o período janeiro-julho recuou 12,8%, refletindo as quedas observadas em 23 dos 27 ramos industriais, com os impactos negativos mais importantes vindos de veículos automotores (-23,3%), máquinas e equipamentos (-27,7%), metalurgia básica (-26,5%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (-38,3%), outros produtos químicos (-13,1%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-25,1%) e indústrias extrativas (-13,2%). Por outro lado, os setores farmacêutico (10,0%) e de outros equipamentos de transporte (13,0%) exerceram os impactos positivos mais significativos. Entre as categorias de uso, os resultados foram: bens de consumo semi e não duráveis (-3,1%), com queda abaixo da média da indústria (-12,8%), seguido por bens intermediários (-15,1%), bens de consumo duráveis (-17,3%) e bens de capital (-23,1%).

Em síntese, a elevação do ritmo da atividade industrial em julho (2,2%) teve perfil generalizado, atingindo a maioria (23) dos 27 setores industriais, e contribuiu para o setor registrar 12,0% de expansão ao longo de 2009. As comparações com o ano de 2008 são negativas mas decrescentes nos últimos quatro meses. No índice mensal, que recua 9,9%, observa-se redução no ritmo de queda, em relação à média do primeiro semestre do ano (-13,4%). Este movimento foi acompanhado por 21 dos 27 setores investigados, com destaque para: máquinas e equipamentos (de -29,0% para -20,2%), veículos automotores (de -23,6% para -21,5%), metalurgia básica (de -27,8% para -19,2%), borracha e plástico (de -19,6% para -12,5%), outros produtos químicos (de -14,2% para -7,6%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (de -40,1% para -28,1%) e máquinas para escritório e equipamentos de informática (de -20,6% para -2,9%). O comportamento deste conjunto de setores, que representa cerca de 40% do total da indústria, sintetiza os efeitos positivos sobre a atividade industrial das medidas de desoneração fiscal, da retomada do crédito, da manutenção do emprego e da massa salarial, com reflexo direto no nível de consumo interno.

Arquivos oficiais do governo estão disponíveis aos leitores.


Ricardo Bergamini