MARINA

Má li esse poema umas dez vezes. Foi a coisa mais bonita que já fiz. Andei trocando umas palavras, corrigindo vou mandar de novo prá vc montar um slide vou mandar imprimir e mando p/ vc pelo correio MARINA No ambiente amplo Paredes brancas, Iluminado por uma Réstia de luz Qu’escapava esguia Por cortina balouçante, Uma marina deslumbrante, Com mares azuis, tal Olhos de uma diva. O píer branco qual Espumas das ondas O conjunto enfeitando. Barcos que partiam E chegavam Se quem ia ou voltava Não sei se ria Ou só chorava. Ah! como amava Esta marina que, De amor minha Vida povoava 22.03.09 LUIZ BOSCO SARDINHA MACHADO ........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................ QUEM SOU EU MARINA SILVEIRA- PROFESSORA, TECNÓLOGA AMBIENTAL E ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O SOCIALISMO DE INVENÇÃO (parte 3)




Mario Drumond

Uma anedota do folclore político da Venezuela conta que o Panteão dos Libertadores, mausoléu construído em Caracas, em 1876, para sepulcro e homenagem permanente a Bolívar e seus companheiros de luta antiimperialista, foi feito para que a oligarquia venezuelana o visitasse uma vez por ano, sempre na data de aniversário do falecimento de Bolívar, para conferir e ter certeza de que ele de fato está morto.

Liberdade, independência e união dos povos, palavras-chave de todo ideário socialista, incluindo o de Bolívar, só causam temor aos impérios - que querem subjugar, colonizar e fragmentar as nações que exploram -, quando são para valer, isto é, se se concretizam em realidades revolucionárias e capazes de ameaçar o statu quo capitalista.

Entre as ideologias socialistas das mais diversas tendências que brotaram durante o século 19 em contraposição aos avanços capitalistas e imperialistas, desde as que propunham práticas comunistas ou anarquistas, ou as que se manifestaram apenas teórica ou filosoficamente, a mais temida e a que de fato ameaçou e ameaça o statu quo capitalista, em nível mundial, é a de Bolívar. Daí a ocultação de sua obra, de suas idéias, de sua história, de sua saga, de sua épica que, em conjunto ou separadamente, quando não superam, se igualam em grandeza geográfica e magnitude histórica aos grandes acontecimentos que se deram durante aquele século em qualquer parte do mundo.

O século 20 olvidou completamente Bolívar na vigência do socialismo científico, que se estabeleceu como sistema de poder para quase metade da população do mundo, e que acabou por fortalecer a hegemonia capitalista e a unipolaridade do poder mundial, coisa que nunca havia ocorrido em tal intensidade. A própria revolução cubana se salvou pelo retorno de Bolívar na Venezuela, com a eleição de Hugo Chávez, e pela capacidade dialética e de autocrítica que demonstraram seus líderes durante o chamado “período especial” (entre a queda da URSS, em 1989, e a posse de Chávez, em 1999).

Para se entender o que ocorre hoje na Venezuela após dez anos de bolivarianismo, fenômeno que já se alastra por toda a América Latina, incluindo o Brasil (mesmo que não nos demos conta disso), é fundamental conhecer a obra de Bolívar. O sucesso indiscutível do processo revolucionário que está causando admiração em todo o planeta, a partir daquele país, antes um obscuro posto-de-gasolina exclusivo dos EUA, se deve à aplicação sistemática, inventiva e atualizadora da ideologia bolivariana, da qual Hugo Chávez é agora o principal teórico, professor e líder.

Uma notável mudança geopolítica está se verificando na América. Graças à internacionalização das duas maiores conquistas da revolução cubana - educação e saúde pública -, Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua rapidamente se tornaram territórios livres do analfabetismo e suas populações estão tendo acesso, em massa, ao conhecimento e a uma qualidade de vida nunca antes experimentada. Os índices de pobreza e miséria despencam nesses países e a participação popular nas decisões do poder real aumenta significativamente, e com um nível espantoso de consciência política e de cidadania. Em contrapartida, Cuba recebe de todos esses países a força da união concretizada na ALBA, Aliança Bolivariana para as Américas, à qual outros países do Caribe e América Central se juntaram, entre eles, Honduras, cuja oligarquia em desespero promoveu uma quartelada que está colocando o Império numa saia justa difícil de resolver-se. O contágio bolivariano já alcança o Paraguai e a Argentina, e afeta Brasil, Chile e Uruguai, estes últimos ainda num meio-de-campo “moderado”, blasé, mas não podem ficar fora de um processo com tamanha grandeza e repercussão no continente. Apenas Peru e Colômbia, cujos governos se dissociaram de tal forma de seus povos, e parecem implorar a condição de protetorados do Império, fingem que não vêem a avassaladora maré bolivariana.

E o que é mais novo em tudo isso, até para o pensamento bolivariano, é que se trata, pela primeira vez na história, de uma revolução pacífica e vitoriosa.

Estudemo-la para apoiá-la, pois. E nela participarmos.


Mario Drumond


Visite o blog da Gazeta: http://blogdagazeta.blogspot.com

Revisão: Frederico de Oliveira (para quem curte textos bons e bem escritos, recomendo o blog de Frederico – O Apito - no endereço http://www.thetweet.blogspot
.com)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

No - 124 – COLUNA DO SARDINHA






MARCO REGULATÓRIO (O PRÉ-SAL E OS MARES DE MINAS)

Para nós foi surpresa esta abrupta retomada do sonho ufanístico do presidente Lula com relação ao pré-sal, isto porquê em setembro do ano passado, por ocasião da crise financeira mundial a Petrobras fora pega no contra-pé, especulando com Antecipação de Contratos de Câmbio (ACC’s), que segundo o mercado, deram um prejuízo à empresa à época que ultrapassava a cifra astronômica de dezenove bilhões de dólares!
Daí, com tal prejuízo-monstro, a ordem seria, como ocorre até com o boteco da esquina, cortar despesas.
Mas, não com a Petrobras. Uma empresa que nasceu estatal, com nosso rico dinheirinho dos impostos, foi-se transformando aos poucos numa entidade anômala, com duas faces. Uma, verdadeiro urrah! ao neo-liberalismo, com os lucros e vantagens vindos em benefício da empresa e de seus acionistas; na outra face todos os prejuízos e investimentos pesados sendo carreados ao Estado, que inclusive dá-lhe um tratamento diferenciado, abrindo-lhe os cofres do Tesouro Nacional e blindando a empresa com um escudo que a protege de tentativas de auditoria por parte de quem quer que seja.
No caso dos prejuízos de setembro, a petrolífera foi socorrida pelo Tesouro Nacional, BNDES, CAIXA e Banco do Brasil e teria quebrado, se não fosse a generosidade do governo, que estranhamente injeta bilhões na empresa sem questionar para que ralo vai o dinheiro.
Em administração pública atitudes estranhas são um mau sinal, denotando que se quer encobrir algo muito sério.
A braços com uma CPI para investigar irregularidades na empresa, o governo Lula desencadeou uma verdadeira guerra-relâmpago para abafar qualquer tentativa de denúncia e de apuração.
O lançamento do marco regulatório do pré-sal foi uma dessas atitudes estranhas com os nítidos contornos de uma operação-abafa, da qual participou metade dos ministérios, com seus titulares fazendo declarações esdrúxulas, criando falsas polêmicas sobre algo que está literalmente no terreno das hipóteses e especulações.
O ministro Minc especula, num exercício de futurologia, que a produção de petróleo em águas profundas será excessivamente poluidora! Então, deveria ser proibida, não é ministro?
O ministro Lobão das Minas e Energia (o homem do Sarney dono de mineradora no ministério Lula), já vaticina que daqui 10 ou 15 anos quando e se o pré-sal começar a produzir, o combustível não vai baixar. Um exercício de imaginação um tanto lógico e certo, pois talvez, até lá, seremos um dos maiores produtores do planeta, o que só beneficiará meia-dúzia e o povo continuará pagando o pior e mais caro combustível do mundo. Como sempre.
Além da ação dos ministros, o presidente Lula como é de praxe, também participou, tendo o desplante de anunciar que a eventual compra de caças franceses serviria para defender o pré-sal. Será? De quem? E por aí foram.
Mas, o mais estranho e digno de nota é que o governo Lula é avesso a marcos regulatórios, tipo o do pré-sal, bem lembrando-se a Lei Geral de Telecomunicações que foi alterada, permitindo cartéis, para beneficiar a Brasil/Telecom (sempre ela), vendida à OI!
Então, por que a pressa?
Mais urgente para resolver-se do que o marco regulatório do pré-sal, é o desastre ambiental de que Minas Gerais é palco pela ação das mineradoras, todas elas multinacionais, que estão arrasando o sub-solo mineiro, criando crateras lunares e tudo por falta de um marco regulatório, que discipline a extração predatória e o beneficiamento do minério. Situação que começou com a privatização de FHC e continua na mesma no governo atual, que não moveu uma palha para modificar tal estado de coisas.
Mas a questão é: o que é prioritário para Lula? Por certo, não serão as crateras e os mares de Minas, que não estão para peixe e nem para petróleo; e que não resolvem o problema das irregularidades na Petrobras, nem estão na onda da mídia e nem possibilitam a criação de um cabide de empregos em uma nova estatal, coisas que o pré-sal certamente fará.
Minas, quando muito, conseguirá o que por si só não é suficiente para que as atenções se voltem para ela, modificar a paisagem da China e do Japão com as montanhas artificiais de minério de ferro, por ela exportado a preço de banana.

Luiz Bosco Sardinha Machado

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Eu há 30 anos só voto no melhor Partido. Vote você também. É só digitar 00 (zero zero) para tudo e todos.Um outro partido muito bom também que você pode votar é o 99.Eu "lhe agaranto" que você nunca mais irá sustentar esses vagabundos, corruptos, furtadores do erário público.Em 2010 vote 00 para Presidente, 00 para governador, 00 para senador, 00 deputado feral, 00 para deputado estadual.O Brasil agradece.
Julio

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A verdade é essa, o que existe é um bando de parlamentares, todos corruptos, usurpadores do dinheiro público, leia-se, dinheiro do pobre, porque os grandes não pagam impostos e nem recolhem contribuição de qualquer natureza. Nenhum deles está lá pra defender o direito e buscar benefícios p/ o cidadão e sim, legislar em causa própria e enriquecer ilicitamente.
Para mim não passa de uma grande vergonha, uma grande decepção.

N. Batista - Advogado/RN


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Prezado Amigo, Fico feliz que existam pessoas que compartilham com idéias sadias e que repudiam essa podridão que anda nossos político, tem a minha solidariedade.
Abraço
Edmilton de Almeida

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Prezados senhores,

O que temos é uma camarilha que não quer largar a teta.
Da forma como está montado o Estado Brasileiro, sempre, quem estiver mamando vai fazer tudo para não largar.

Vejamos: a) o Presidente da República nomeia os ministros do Supremo Tribunal Federal, claro está que não vai nomear inimigos ou adversários políticos. b) Nomeia, também, os ministros de todos os tribunais superiores, inclusive os do TCU. Assim, quando será que vamos ter um controle, uma transparência digna de ser mostrada? c) O mesmo acontece a nivel estadual, os governadores são os que escolhem os desembargadores e os conselheiros de contas dos tribunais de contas estaduais e dos conselhos de contas dos municípios. Novamente quem eles vão escolher?
Não advogamos a escolha de adversários ou inimigos, mas tão somente de técnicos para os aqueles cargos técnicos e uma outra forma de indicação que não tenha de passar pela escolha do presidente, pois só assim haveria, ao meu ver, independência e transparência.

Brasília DF, 11/09/2009

José Perez


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Caro Luís Bosco Sardinha Machado
Como pobre mortal e vivendo nesse grande país, pois diante de tantos embrulhos ainda somos um povo ordeiro e grandioso, acredito isso sim, que mais dia menos dia veremos os nossos sonhos aos poucos sendo realizados.
O Senado Federal não está sozinho nessa de Graduar, Pós-Graduar e Doutorar homens que estão acima da Lei, do Povo e do País, vejamos o caso do STF, onde teve aquele bate boca e mais uma vez o povo não pode fazer nada.
O Tempo, no entanto, não perdoa esses homens que querem perpetuar-se ditando as regras de ultima hora e conveniências do momento, vêem surgir no caldeirão das periferias, organizações transgressoras da lei, onde vale o que esses chefes de facções acham o que está certo e vale tudo. Nota-se que essa massa está avançando e assim como no vale tudo da política e da justiça, vale tudo também nessas periferias.
Perguntar não ofende: Qual a diferença que existe entre as milícias suburbanas e a Chefia política nos estados, ou mais especificamente no Maranhão? É bem simples, na periferia as milícias controlam o gás, telefones, comércio, etc....Nesse ultimo para se instalar ou trabalhar precisa antes conversar, pois só e somente só dessa forma as coisas andam.
No ultimo ano vi a MPX querendo se instalar no MA e as coisas não andavam, a ponto de processos que normalmente levam 30 dias para serem resolvidos, ficarem mofando nas gavetas. Certo dia em um noticiário do horário nobre, passou a reportagem da visita ao Presidente do Senado do Sr Eike Bastista e coincidência ou não no outro dia os processos foram aprovados.
É assim que funciona hoje.
Pois bem o que queremos para o futuro:
Um país grandioso, onde o povo realmente possa eleger seus representantes e esses não fiquem a mercê do governo para se reelegerem?
Um estado nação, onde possamos ser visto mundialmente como o exemplo a ser seguido, não sendo a maior, mas sendo a melhor democracia do mundo?Um estado corrupto, onde tudo para ser resolvido precisa do por fora para ser executado e dessa forma criar a cultura do ser assim com os poderes e os namorados, netos e filhos se perpetuarem nas benesses dos cargos?
Um estado mafioso, onde vale tudo para se perpetuar no poder e tudo passa pelos subterrâneos desse para se concretizar?
Nosso povo é ordeiro, fraterno, amigo, solidário e vale a pena ser honesto, vale a pena ser digno, se hoje colocam a lama no ventilador para comparar todos os Senadores na mesma panela e como sendo farinha do mesmo saco, tenho certeza que o povo não vai deixar passar essa situação e saberá separar o joio do trigo.
Tenho certeza que logo, logo teremos as mudanças eleitorais que precisam ser feitas. Acredito que nós somos vitoriosos e dentro em breve teremos bons e notaveis representantes.Em outra oportunidade quero falar também na judicialização. Tudo está sendo levado para justiça, nada se resolve mais normalmente, tudo é justiça, isso é um péssimo sinal.
ALTHA CONSTRUÇÕES LTDA
Eng Edman Rodrigues Nóbrega Diretor

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CONFIRME.
CLARO QUE NAO DEVEMOS ALTERAR O TEXTO, MAS, POR FAVOR NADA TAMBEM DE DENGOS COM ESSES BANDIDOS.
TEM QUE DAR E MUITA PORRADA E PARA VALER. NAO SE TIRA NINGUEM DA POLITICA PELO VOTO.
TAI TODO MUNDO DO MENSALAO RINDO E QUE VOLTARAM PARA SEUS RESPECTIVOS POSTOS PÉLO VOTO DO POVO. PORTANTO SÓ PORRADA POIS A NOSSA POLITICA E ALTAMENTE E EXTREMAMENTE CORRUPTA E BANDIDA.
PORTANTO SEM COMPLACÊNCIA. VAMOS GRITAR SAIR ÀS RUAS E TIRAR TODOS ESSES BANDIDOS CORRUPTOS. CONHECE-SE O HOMEM LHE DANDO PODER PORTANTO, TENTEMOS TIRAR ESSE PODER. OS PARTIDOS TODOS, MAS PRINCIPALMENTE O PT DO SR LULALAU ADORAM....O PODER E NAO VAI SER FACIL TIRAR.
TAI SOBREVIVENDO A TODA CORRUPCAO E ENVOLVENDOS TERCEIROS OUTROS LARANJAS E AMIGOS ALOPRADOS BEM FEITO A ESSE POVINHO. MERECEMOS O GOVERNINHO QUE TEMOS.OBRIGADO.

Ronaldo

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Você atira para todos os lados(...) o seu alvo é quem? não me diga que é o PT, a maior experiência democrática desse país. Lute, para preservar o único partido que ainda temos, atacá-lo, frontalmente é inaceitável, por tudo o que ele representa na história contemporânea desse país. Posições maniqueistas não vão melhorar nosso país.
Saudações socialistas, de uma pessoa que ajudou a construir esse partido, e que não vai abandonar o barco, feito alguns covardes de plantão. Até breve, cidadão.
Bote


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O senado é uma câmara revisora e burguesa. PORTANTO necessita de eleições majoritárias, assim como presidente governadores e prefeitos. LOGO não representam a propocionalidade da população de cada estado por ex.
a população de SP É IGUAL A DO AC? Porém possui mesma quantidade de senadores. Portanto FIM DO SENADO, POR UMA CÂMARA ÚNICA QUE REPRESENTE À PROPOCIONALIDADE DA POPULAÇÃO BRASILEIRA.
Ivanildo


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Meu caro Sardinha: para quem já foi charmoso líder estudantil à la
Con-Bendit, caso de José Dirceu, e encontra-se onde está - trabalhando em
prol de Daniel Dantas e distribuindo cartões de visita em porta-cartões de
ouro 24 quilates - nada surpreende.

A única dúvida que resta é se eram oportunistas na esquerda à espera de uma
vaga à direita, ou se assim se tornaram.
Tudo bem que colunas vertebrais sejam flexíveis exatamente para não quebrar,
mas manter a coluna ereta ainda é mais do que mera letra de música. Pelo
menos para quem sabe o que significa a palavra "ética".

Abs, Marcelo Agnelli

domingo, 13 de setembro de 2009

O SOCIALISMO DE INVENÇÃO - parte 2


Simon Bolívar não se propunha um teórico e nem escreveu uma teoria estruturada metodologicamente.

Suas idéias foram produzidas na dialética do conhecimento, na observação inteligente da realidade sul-americana e nas experiências políticas e militares em que se envolveu de corpo e alma, a partir de uma intuição muito aguda e da vasta cultura que adquiriu ao longo da sua vida. Produziu, assim, uma obra extensa que se espalha em mais de dez mil documentos escritos, de toda espécie: cartas, jornalismo, manifestos, mensagens, discursos, doutrinas militares e políticas, legislações, decretos, projetos constitucionais, etc.

Em todos, até em cartas de amor, jamais deixou de incluir pensamentos inovadores e originais que, coligidos, formam o corpus de um pensamento de enorme importância universal, sob os aspectos político, econômico, social, humanista e, antes de tudo, socialista, revolucionário, libertário, e de tal maneira visionário que só agora, no século 21, no bicentenário de sua autoria, é que começa a ser de fato entendido e aproveitado em favor da realidade americana e mundial.

É bastante a leitura de alguns de seus textos mais célebres para perceber que Bolívar é o precursor do que aqui chamamos Socialismo de Invenção, que já demonstra superar o socialismo científico, e promete ser o que logrará, enfim, alicerçar a revolução socialista de que a Humanidade necessita para se safar da autodestruição capitalista e conquistar a harmonia existencial com o planeta Terra, e, portanto, a própria sobrevivência nele pelo tempo em que o destino cósmico do nosso sistema solar o permitir.

“Uma importante espécie biológica está em risco de desaparecer pela rápida e progressiva liquidação de suas condições de vida: o homem” – advertia Fidel Castro num pronunciamento na ONU, em 1992.

Bolívar começou cedo, aos doze anos de idade, como discípulo de Simon Rodriguez, sábio historiador e professor que, como pensador, pode ser classificado entre os socialistas utópicos, ainda que desiludido: “Quis fazer da terra um paraíso para todos, e a fiz um inferno para mim”, sentenciou ao fim de sua longa vida. Neste “paraíso para todos” estava a sua ilha de utopia.
Ainda assim, Simon Rodriguez e sua obra foram de fundamental importância para o processo libertário latino-americano em particular quando demonstrou, com pioneirismo, a necessidade de sermos originais em nossa América: “Veja a Europa, como inventa; veja a América, como imita. Por que só não imitamos o que da Europa se deve imitar: a originalidade”. Ou inventamos ou erramos, era o seu lema, que também foi o título de uma de suas obras mais decisivas e mais influentes na formação de seu discípulo Bolívar.

A partir das lições do mestre, Bolívar estruturou seu pensamento e ação revolucionária para o propósito da “criação de uma sociedade inteira” na América; porém, o fez sem aquele idealismo utópico que iludira o mestre, mas, sim, com uma leitura crítica da Humanidade, cujo ceticismo - de quem não aceita de forma alguma mentir, nem para si mesmo -, o aproxima das análises críticas de Maquiavel e de Tucídides:

“A natureza, para falar a verdade, nos dota, ao nascer, do incentivo da liberdade; mas seja por negligência, seja por uma propensão inerente à humanidade, a verdade é que ela repousa tranquila, ainda que presa às amarras que lhe são impostas. Ao contemplá-la neste estado de prostituição, parece que temos motivos para nos persuadirmos de que a maioria dos homens tem por verdadeira aquela humilhante máxima, que mais custa manter o equilíbrio da liberdade do que suportar o peso da tirania. Oxalá esta máxima contrária à moral da natureza fosse falsa! Oxalá esta máxima não estivesse sancionada pela indolência dos homens em relação aos seus direitos mais sagrados!”

Se não caiu na ilusão utópica que estimulou os anseios de felicidade e igualdade social e, portanto, o pensamento socialista que o antecedeu, tampouco Bolívar embarcou no cientificismo que começava a entrar em moda entre os pensadores de sua época, e que acabou predominando até há poucos anos, quando ruiu junto com o muro de Berlim: “difícil apreciar onde termina a arte e principia a ciência”, pensava. Não encampou a idéia, que começava a vicejar, redutora dos processos libertários a fatores meramente econômicos, ainda que não desprezasse tais fatores, nem cogitou que para conquistar a vitória revolucionária era bastante a apropriação dos meios de produção pela luta armada contra a burguesia capitalista. Seu pensamento ia muito mais longe; para ele, a liberdade haveria de ser, antes de tudo, uma conquista do saber, ou seja, uma conquista cultural e moral:

“Dominaram-nos pelo engano mais que pela força; e pelo vício degradaram-nos mais que pela superstição. A escravidão é filha das trevas; um povo ignorante é um instrumento cego de sua própria destruição; a ambição, a intriga, abusa da credulidade e da inexperiência dos homens alheios de todo conhecimento político, econômico ou civil: adotam como realidades as que são puras ilusões, tomam a licenciosidade pela liberdade, a traição pelo patriotismo, a vingança pela justiça”.

Com argumentos demolidores contra a escravidão e a ignorância dos povos, fatores que, desde a antiguidade até a sua época ainda eram aceitos como “fatores naturais”, uma vez que “os homens nascem diferentes”, Bolívar começou pela libertação dos escravos e focou no acesso das massas populares à educação, ao conhecimento e à cultura a sua estratégia revolucionária. Em pouco tempo, suas idéias, e a prática libertária que delas se seguiam, desesperavam os impérios europeus que haviam “descoberto”, na América Latina, a mais suculenta fonte de saqueio de todos os tempos: o espanhol, contra o qual lutou diretamente e que expulsou em definitivo; o inglês, que, através dos Estados Unidos, retrucou com a Doutrina Monroe; e é bem provável que o “aventureiro” a que D. João VI se referira a Pedro I em seu célebre conselho de pai para filho, teria sido Bolívar, que, na época, já descia pelo cone sul criando e libertando nações, temido pelas elites e oligarquias coloniais como se fosse um novo Napoleão, figura histórica que já escaldara o assustadiço império português.

Bolívar tratava de inventar a Gran Pátria, americana por excelência, com personalidade própria e diferente dos modelos de República então conhecidos. Pensava e punha em prática idéias inovadoras e proto-socialistas através de inflamada oratória e de artigos jornalísticos, a que acompanhavam manifestos, legislações e projetos constitucionais que se balizavam por um estado laico e respeitoso das liberdades religiosas, de plena e efetiva igualdade democrática e racial, sem escravidão, sem despotismos, sem corrupção, estruturado em um forte e prioritário investimento público em educação de qualidade para todos, independente de berço, credo, raça ou classe social.

“Ser culto para ser livre”, sintetizou assim a ideologia de Bolívar um dos mais célebres bolivarianos históricos, aquele que se tornaria o gênio libertador de Cuba: o poeta, escritor, pensador e guerrilheiro José Martí. Bolívar lutava pelo direito de cada nação, cada povo, construir a sua própria pátria socialista, criando e inventando, com base em suas culturas e costumes, o verdadeiro Estado nacional, que nunca seria o ideal, mas o real, o mais próximo da verdade endógena que se gesta numa nacionalidade. “Cada povo, cada nação, tem o direito de inventar e construir a sua própria pátria; e, se o fizer, esta pátria será uma pátria socialista e democrática” – costuma dizer Hugo Chávez, citando Bolívar.

Ou inventamos ou erramos.

A obra de Bolívar não cabe avaliar nem analisar em profundidade em nosso minúsculo espaço de comunicação, que, nestes artigos, se propõe apenas a divulgá-la. Mesmo assim, chamamos para uma terceira e última parte, a seguir, na próxima Gazeta, onde comentamos algumas de suas conseqüências históricas e atuais.



Mario Drumond

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

METAMORVOTO


Carminha Fortuna*


Ano que vem temos eleições, e o melhor de tudo, é começar a se preparar desde já: escolher com consciência, ver antecedentes, precedentes, e todos os "entes", incluindo parentes daqueles que querem governar a nossa vida.

Por isso, lembrei-me de uma síndrome que acomete muitos eleitos: o metamorvoto.É isso mesmo! O metamorvoto acontece em todas as eleições. Posso dar mil exemplos, posso citar mil pessoas e ainda é pouco.

Vou antes de tudo explicar que significa este neologismo político-frustrador-engabelativo: quando chega a época das eleições acontece um fenômeno estranho com os candidatos, principalmente depois que saem os resultados, os eleitos se transformam e os não eleitos somem por aproximadamente um ano e meio. Para os que somem, não posso dizer que tipo de transformação eles passam, mas os que são eleitos sofrem um grande metamorvoto.

Fiz uma vasta pesquisa e descobri que pouquíssimos conseguem fugir desta síndrome, altamente contagiosa e aparentemente sem vacina ou tratamento. Então procurei pessoas que foram contagiadas por esta síndrome, ninguém quis falar sobre o assunto, segundo especialistas, mesmo com o diagnóstico confirmado, os pacientes não aceitam nem assumem a doença.

Antes que me esqueça, são tantos os sintomas que só os especialistas conseguem diagnosticar com precisão a “Síndrome do Metomorvoto”.

Então, em minha pesquisa, procurei pessoas vítimas do ataque destes enfermos, ops, esqueci de dizer que entre os sintomas, os piores de todos são a compulsão ao esquecimento, à ambição e a síndrome da autoridade constituída (popularmente conhecida por “subiu no tijolo e já quer fazer discurso”).Nesta pesquisa descobri frases célebres que reproduzo aqui:– Votei num terapeuta e elegi um político!– Pensei que estava votando num um operário e elegi um viajante!– Esperei que um sociólogo pudesse dar jeito na nossa vida, mas mostrou o quanto político ele era!– Votei em dois engenheiros para minha cidade, e ela tem mais buracos que queijo suíço!Então nesta pesquisa, cheguei à seguinte conclusão: que não importa em quem se vota, mas o simples fato de estar eleita, se a pessoa contrai a “Síndrome do Metamorvoto”, o importante agora é descobrir em que momento há o contágio, seria na diplomação ou quando se senta na cadeira de autoridade?

Mais uma pesquisa a ser feita.E na sequência desta síndrome, existe outra mais grave e ainda não muito bem diagnosticada, a “Síndrome da Amnéleiçãosia”, esta, certamente que contribui muito para a disseminação da “Síndrome do Metamorvoto”. Bom, isto é assunto para outro artigo cientílitico, não é?


*Carminha Fortuna é jornalista

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

OS DESAFIOS DO SÉCULO XXI



Por Susan George*



Acredito que os organizadores dessa série de palestras da La Casa Encendida não imaginavam que os desafios do século XXI fossem tão grandes. Outro mundo certamente é necessário. Acredito que, com as múltiplas crises que temos diante de nós, também podemos observar grandes oportunidades, mas esta janela pode não ficar aberta por muito tempo.

Claro que a eleição de Barack Obama é um enorme sinal de esperança e acho que na Europa as pessoas, certamente, também se alegraram com a notícia. Eu chorei quando ele foi eleito e só consegui dormir às quatro e meia da manhã, quando estava absolutamente certa do que estava acontecendo. Nesse caso, onde houve a mobilização popular, das minorias, dos jovens, a democracia se estabeleceu. Mas neste encontro não vou me aprofundar na questão da democracia, prefiro falar sobre as três grandes crises que vejo ameaçar, não apenas a cidadania e a própria democracia, mas também a continuidade da vida na Terra. Você pode pensar que estou exagerando, mas espero convencê-lo de que não estou sendo “alarmista”.

Em primeiro lugar vou nomear essas crises e, em seguida, falar um pouco sobre como podemos escapar delas afinal, também penso que estamos em um momento de esperança.

A primeira é a crise social. Fato é que não faltam riquezas no mundo, posso assegurar isso, então não há desculpa para entrar século XXI com tanta pobreza e desigualdade. Em outras palavras, é perfeitamente possível dar a todo mundo uma vida decente e digna.

A segunda crise é a crise financeira. Desde que ela começou, vemos os governos mobilizando centenas de bilhões de dólares para socorrer os bancos, arcando como custo do seu comportamento estúpido e ganancioso. Até agora, as vítimas dessa crise não receberam nada. A bagunça financeira foi limpa a favor dos ricos e poderosos, retirando das agendas quase todos os demais assuntos, o que é um grande erro, porque temos de olhar para toda a fotografia da crise, não apenas parte dela.

Isso me leva à terceira crise, em minha opinião a mais grave e urgente de todas, que é a crise ambiental. Aquecimento global, alterações climáticas, destruição da biodiversidade, tudo isso está acontecendo muito mais rápido que a maioria dos governos acreditava. E por que essa é a crise mais urgente? Porque podemos voltar atrás no caso da injusta distribuição de riqueza ou do colapso financeiro. Mas isso não é verdade com o clima: uma vez que a questão climática saia do controle, não temos nenhuma chance de voltar atrás e recomeçar. Temo em dizer que apenas agora a liderança mundial começou a entender o que as conseqüências das mudanças climáticas significarão para a produção de alimentos, para os recursos hídricos, a subsistência, a educação ou para o grande número de refugiados procurando abrigo. Então, o que podemos fazer em relação à tripla crise [social, financeira e ambiental]? O que podemos fazer para construir um mundo melhor, mais justo, ecológico e mais democrático? Acredito que a mudança só será possível se os cidadãos se mobilizarem e demandarem essa mudança profunda, que é necessária em todo o sistema.

Vou desenvolver meu pensamento sobre cada uma dessas crises de forma mais detalhada. Primeiro: desigualdade social e pobreza. Na Europa, 15% da população, ou seja, cerca de 72 milhões de pessoas são oficialmente classificados como pobres, mas eles [Europa] poderiam eliminar a pobreza em seu próprio solo, e contribuir enormemente para acabar a pobreza em outros lugares do mundo. Poderíamos ser a liderança dos países da OCDE, mas não estamos fazendo isso, não estamos propondo sequer as pequenas e óbvias soluções que implicariam em mudanças no estilo de vida e de gestão dos bancos e empresas transnacionais. Não é preciso perguntar mais se é possível, a resposta é sim: é possível.

Vamos parar de falar sobre pobreza por um momento e falar sobre riqueza. Acho que a crise é realmente uma crise onde o dinheiro é real. Podemos nesse caso exemplificar citando a “poderosa” corretora Merrill Lynch. Recentemente a empresa entrou em apuros e foi comprada pelo Bank of America, salvando-se da falência. Todos os anos, a Merrill Lynch publica um relatório sobre a riqueza mundial. A 11ª edição desse relatório fala que há cerca de 10 milhões de pessoas classificadas como “indivíduos de alta renda”. Em outras palavras, são pessoas que têm um monte de dinheiro para investir sem contar os imobilizados como as casas, iates, coleções de arte, de vinhos. Fato é que esses 10 milhões de indivíduos ricos, com alto patrimônio líquido, acumulam mais de US$ 41 trilhões em ativos para investimentos. É um número bastante incompreensível, mas vamos tentar entendê-lo dizendo que esse valor significa três vezes o PIB dos Estados Unidos ou da Europa, dezenas de vezes o PIB da Índia, algo em torno de vinte vezes o PIB da Espanha.

Essa é claramente uma riqueza que não foi distribuída porque vivemos os últimos 20 anos no âmbito das políticas neoliberais, em que a tributação aos indivíduos ricos não aconteceu ou houve redução de impostos de forma sistemática. A teoria era de que, ao se reduzir os impostos para os ricos, eles teriam mais recursos para investir na geração de empregos, mas isso não aconteceu de fato. A Merrill Lynch afirma que, até 2012, esses ricos indivíduos acumularão não US$ 41 trilhões, mas US$ 59 trilhões. Podemos olhar para as porcentagens e ver que uma a cada 700 pessoas faz parte dessa categoria.

A boa notícia é que embora quase todos os países tenham crescido de forma desigual nos últimos 25 anos, a França e a Espanha, apresentaram números um pouco menos desiguais. Isso não quer dizer que eles são nações igualitárias, longe disso, mas essas nações não seguiram a tendência dos EUA e Grã-Bretanha.

Os EUA são provavelmente a referência de uma nação socialmente desigual, com exceção talvez do Brasil, Paraguai e outros países latino-americanos. Os 10% mais ricos dos Estados Unidos tem uma renda média de 93 mil dólares por ano. Os 10% mais pobres, sobrevivem com uma renda inferior a 5.800 mil dólares ano, o que pode significar a fome literal.

Existem outras maneiras de medir a riqueza. A revista Forbes faz anualmente uma lista de bilionários ao redor do mundo. Este ano houve mais de 1.100 pessoas elencadas. Juntos, têm cerca de cinco vezes mais riqueza que a renda bruta total nacional da África. É muito preocupante comparar as desigualdades no mundo e por isso gostaria apenas de dizer mais uma ou duas coisas sobre a riqueza.

A Universidade das Nações Unidas fez um estudo inovador, publicado há dois anos. Eles constataram que 2% dos das pessoas têm mais da metade das riquezas mundiais enquanto os 50% mais pobres concentram menos de 1%. É incrível como o mundo é desigual. Se você quer estar na metade rica da humanidade, tudo que você precisa é de 2.200 dólares em ativos, incluindo a sua casa, seu carro e roupas. Acho que a maioria de nós ainda se sente muito pobre, com apenas 2.200 dólares em ativos. Há o suficiente para todos, temos trabalhado para fora dos números. Se você divide tudo igualmente, o que é impossível e provavelmente sequer desejável, todos no mundo teriam 26 mil dólares em ativos.

Vamos passar agora para a crise financeira. Como vocês sabem , tudo começou com as hipotecas subprime nos Estados Unidos. Isso significa que os bancos estavam à procura de clientes, independente da possibilidade financeira desses correntistas. Por fim, quando esses empréstimos começaram a ir mal, o Federal Reserve e seus economistas oficiais pensaram que a crise do subprime era isolada e que eles poderiam conter a sua propagação.

O que eles não levaram em conta era o que tinha acontecido desde a gestão de Alan Greenspan, que durante 19 anos ficou à frente do Federal Reserve. Ele era considerado uma espécie de santo, não se podia dizer nada contra Greenspan. Mas foi o “santo” que presidiu a maior desregulamentação na história. E, claro, uma vez que os bancos foram autorizados a prosseguir, eles se fundiram e adquiriram outras empresas, tornando-se “grandes demais para quebrar”. Pior que observar que eles não eram tão grandes assim, foi presenciar o socorro financeiro governamental a essas instituições. Podemos citar a Lehman Brothers, que não foi capaz de pagar a dívida de tais títulos tóxicos ou as fatias dela, e faliu. Muitas outras instituições financeiras estavam segurando o papel da Lehman Brothers, que não valia mais nada. Houve pânico e, na sequencia, o socorro financeiro.
A terceira crise, como se tudo isso não fosse ruim o bastante, é a que me preocupa mais e a que me mantém acordada à noite: a crise ambiental. Você provavelmente conhece o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC). Este é o grupo de cientistas das Nações Unidas que estuda a ciência do clima, os impactos das alterações climáticas e a melhor forma para se adaptar a esses efeitos.

Antes da publicação oficial e divulgação pública, esses cientistas apresentam seus relatórios em uma grande reunião da ONU, com representantes de todos os governos dos países membros. Ainda que descritas de forma muito conservadora, os dados dos cientistas climáticos são extremamente alarmantes. Já sabemos, por exemplo, que as regiões mais pobres do mundo vão ser as mais atingidas e as áreas tropicais realmente sofrerão duras consequencias. Talvez a pior notícia seja que, mesmo estes cientistas pareciam não prever a rapidez com todos estes acontecimentos tomariam lugar. Inicialmente, eles estavam falando sobre o ano de 2100. Agora nós sabemos que o gelo, no verão do Ártico, está derretendo rapidamente e pode desaparecer de três a sete anos a partir de agora.O derretimento dessa calota polar afetará uma área para além de 1500 km de toda a região do permafrost, como na Sibéria.

Na Sibéria há centenas de milhares de quilômetros quadrados de permafrost que ao derreter, liberará enormes quantidades de metano, e metano pode ser 20 vezes mais destrutivo que o dióxido de carbono. O outro fator preocupante, por exemplo, é que o Ártico agora é branco, mas quando o gelo derreter, ele se tornará escuro, o que significa que irá absorve mais calor. Assim, o risco não se resume em um maior volume de água nos oceanos, mas a terra também absorverá mais calor em um tempo muito curto.

Ao mesmo tempo, sabemos sobre os outros efeitos naturais, como tempestades e furacões - que estão se tornando mais intensos. Eu gostaria de chamar a atenção para a urgência da crise, pois não estou ciente se os governos têm noção sobre ela. Obama tem dito que “sim”, que irá se juntar ao mundo e aderir ao Protocolo de Quioto. Este seria um grande anúncio se tivesse sido feito 15 ou 20 anos atrás.

Eu espero ter provocado vocês com essas informações, esse era meu objetivo. Eu não quero desanimar ninguém que trabalha por mudanças, mas de forma individual. Isso é bom e necessário, mas não é suficiente e não está ao nível do que é necessário. Nós precisamos é de um salto qualitativo, e isso é algo que só as grandes entidades políticas são capazes de realizar. Por isso, vamos pensar nas três crises em conjunto e fazer exame holístico do mundo e do sistema mundial. Como poderíamos ressurgir disso?Bem, pelo menos em parte, por meio de um sistema de energia limpa.

Os bancos têm recebido centenas de bilhões de dólares, mas o que os cidadãos têm recebido em troca? Absolutamente nada. Eu estou um pouco surpresa que não estamos nas ruas aos milhares, dizendo: “e quanto a nós?”. A conta, aos milhões continua sendo paga pelo cidadão comum. Vamos aproveitar esta oportunidade para manter os bancos sob controle. Vamos dizer a eles que em troca de todo esse dinheiro que receberam, terão que investir ‘X’ por cento de sua carteira em conversão energética. Existem capitalistas de risco, na Califórnia, que dizem que esta é a maior oportunidade do século.

Temos que considerar que o dinheiro e o crédito são bens sociais e devem ser utilizado para as necessidades públicas. Isso não significa virar comunista, ou qualquer coisa do tipo. Isso significa que os governos têm que ser capazes de controlar o sistema financeiro, e que uma parte significativa dos investimentos sejam usados tanto para empréstimos às empresas, quanto para pessoas - que querem colocar painéis solares em seus telhados. Alguns edifícios na Grã-Bretanha, país que tem um dos piores climas do mundo, são abastecidos somente com energia limpa.

Então, manter os bancos sob controle é o primeiro ponto. Segundo ponto é o cancelamento da dívida dos países pobres e em compensação, esses países também teriam que participar do esforço ecológico: reflorestar, salvar a sua biodiversidade, cuidar de seus solos e de seus animais.

Outro ponto é acabar com os paraísos fiscais. Há várias dezenas desses paraísos no mundo e vinte e alguns deles estão na Europa. Especialistas dizem que há 12 bilhões de dólares acumulados nesses lugares. Se eles forem fechados, significa dizer que, pelo menos, 250 bilhões de dólares de impostos poderiam ser aplicados em benefícios públicos e não para enriquecer representantes das mega-corporações transnacionais.

Metade do financiamento para o comércio internacional passa, em algum momento, por um paraíso fiscal. Isso significa receber de volta os 400 bilhões de dólares que as elites africanas roubaram de seu povo.

Investigações na África Subsaariana mostram que desde a década de 1970, 420 bilhões de dólares foram retirados do país e colocados em contas privadas. Se você contar os juros, isso teria sido 600 bilhões de dólares que roubado da África. Como a Attac vem dizendo a uma década, precisamos de tributação internacional. Em outras palavras, o que precisamos é de um controlo democrático sobre o sistema financeiro e considerar que o dinheiro não é apenas uma questão privada, mas também um bem público. Podemos dizer que há uma abundância de dinheiro, a questão é utilizá-lo corretamente.

Acredito que enfrentar o keynesianismo com soluções “verdes” seria uma situação ganha-ganha, tanto para o cidadão comum - porque criaria uma enorme gama de novos e bons empregos - quanto para os políticos, se eles entendem que isso é o que é necessário - eles iriam receber os agradecimentos dos cidadãos. Seria uma situação boa até para os próprios bancos, que iriam além destas situações horríveis. Então, quem não se beneficiaria com isso? Bem, isso significaria lucros ligeiramente mais baixos para alguns, mas os lucros obscenos aconteceram recentemente. Os lucros da Exxon Mobil no ano passado foram 140 bilhões de dólares, isto é completamente obsceno. Estamos executando a economia mundial em benefício dos acionistas, e não em benefício dos cidadãos. Isso tem que parar.

Eu gostaria de terminar dizendo que sim, outro mundo é possível. Temos diante de nós uma oportunidade muito clara e temos que aproveitá-la agora, uma vez que esse momento não vai durar para sempre. Precisamos ajudar os governos a compreender que podem salvar os bancos, mas eles também devem trabalhar pela biodiversidade e pelas pessoas. É importante criar zonas de acordos e trabalhar fortemente para chegar a práticos consensos nas mais diferentes esferas sociais e econômicas. Espero que eu tenha convencido alguns de vocês a também fazer alguma coisa para melhorar o planeta.

Obrigada pela atenção,

* Susan George é licenciada em filosofia pela Sorbonne e doutora em política pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris). Autora de diversos livros, é dirigente da ATTAC-França (Associação pela Taxação das Transações Financeiras em Apoio aos Cidadãos) e presidente do conselho de administração do Transnacional Institute (Amsterdã).

(Discurso proferido em mesa redonda organizada por La Casa Encendida - Madrid, Espanha -, em novembro de 2008)


(Envolverde/Mercado Ético)
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O SOCIALISMO DE INVENÇÃO (parte I)

Mario Drumond



Os teóricos do socialismo, apesar das inumeráveis divergências ideológicas que, não raro, chegam ao antagonismo, parecem unânimes em classificá-lo historicamente em duas únicas fases ou ciclos em que se tenha manifestado, como pensamento, ao longo dos tempos, tal como Oswald de Andrade, em A Marcha das Utopias, assim os define:

“(...) o chamado Socialismo Utópico, aberto com a obra de Morus e que, superado, chega, no entanto, até o século XIX, quando o francês Cabet publica a sua Viagem à Icária, último país onde o puro sonho igualizante encontrou guarida e afago. (...) Com o Manifesto de Marx e Engels anuncia-se o novo ciclo - o do chamado Socialismo Científico.

Nessa série de textos, Oswald pugnava por um reconhecimento da contribuição dos “utópicos”, que, apesar de teoricamente superados, são equivocadamente vistos com preconceito por parte dos “científicos”. Para ele, as utopias são "uma consequência da descoberta do Novo Mundo e, sobretudo, a descoberta do novo homem, do homem diferente encontrado nas Américas".

“A geografia das utopias situa-se na América. É um nauta português que descreve para Morus a gente, os costumes descobertos do outro lado da terra. Um século depois, Campanella, na Cidade do Sol, se reportaria a um armador genovês, lembrando Cristóvão Colombo. E mesmo Francisco Bacon (possivelmente Shakespeare), que escrevia A Nova Atlântida em pleno século XVII, faz partir a sua expedição do Peru”.

A não ser A República de Platão, que é um estado inventado, todas as utopias, que vinte séculos depois apontam no horizonte do mundo moderno e profundamente o impressionaram, “são geradas da descoberta da América; o Brasil não fez má figura nas conquistas sociais do Renascimento”, deduzia.

Assim, até Oswald, que pensava e escrevia à contracorrente das ideologias dominantes, de “direita” ou “esquerda”, participava da unanimidade aqui assinalada. Chama a atenção o fato de que ambos os ciclos se originam no pensamento europeu, aliás, única região do globo de onde se origina todo e qualquer pensamento aceito como válido e digno de estudo pelas elites da inteligentzia européia e de suas colônias.

Mas a verdade é que o socialismo científico está superado também, e, se o socialismo utópico nos deixou o legado de suas elucubrações humanistas, igualitárias, poéticas, além de muitas boas idéias, o científico, se bem peneirado, não logrou ser tão fértil em enriquecer de idéias a Humanidade. E a Europa, hoje, é vazia de proposições.

Se vivesse mais tempo, Oswald teria alcançado seu alvo; estava bem perto disso: o caminho ideológico do novo mundo, que ele conheceu e trilhou enquanto pensamento cultural e filosófico, desde jovem, isto é, o do pensamento europeu que veio para a América, aqui se fundiu ao socialismo e à cultura autóctones, milenares ambos, e, ao receber a imensa contribuição africana, tornou-se o pensamento socialista americano, por excelência (não confundir com pensamento norte-americano, que é o mesmo pensamento europeu, sem tirar nem por – não há nada menos americano nas Américas, atualmente, do que os EUA e o Canadá). Darcy Ribeiro trilharia esse caminho.

Há o que se tem chamado de Socialismo do Século 21 ou Socialismo no Século 21, termo tido por confuso ou indefinido pelos que pensam sob a égide do socialismo científico e, como tal, exigente de classificações e definições precisas, “exatas”, para tudo, como se isto fosse possível quando se trata de estudar seres humanos e sociedades.

Erroneamente, este Socialismo do (ou no) Século 21 é atribuído a Hugo Chávez, mas Chávez, se até se refere a ele em certas passagens de sua oratória, jamais se postulou como autor da expressão, a qual não pode ser dada como nome de uma escola de pensamento; quando muito, poderia titular um projeto político para o novo século que apenas se inicia. O socialismo a que Chávez se propõe está relacionado com o momento histórico a que acima nos referimos, e seus fundamentos na saga de Bolívar e dos seguidores de sua doutrina libertária em toda a América Latina. Que Bolívar era um pensador socialista, disso não pode haver dúvidas, mas a questão é que não é possível classificá-lo nem como socialista utópico nem como socialista científico.

Modestamente, a Gazeta propõe a designação de Socialismo de Invenção a este que, desde Bolívar até Chávez é o que se vem realmente desenvolvendo, entre marchas e contra-marchas, na América Latina, e que tem por precursor regional a Inconfidência Mineira, mesmo que estudiosos acadêmicos não tenham se preocupado em estudá-lo, classificá-lo ou designá-lo enquanto sequência de fenômenos sociais e históricos de natureza ideológica, muito menos de uma ideologia socialista.

Oswald debruçou-se brilhantemente sobre a Inconfidência Mineira com o enfoque ideológico, já da luta de classes e da opressão imperialista, e excluiu George Washington (“um senhor de escravos que proclamou a liberdade dos senhores de escravos”) da classe dos “libertadores”. Como ele, uma plêiade de pensadores latino-americanos desprezados pelo pensamento colonizado e colonizador tratou os movimentos libertários em suas respectivas regiões e nações deixando-nos importantíssimos legados. Mas na mesma América Latina, na América do Norte e na Europa, a questão ideológica e o processo histórico da Nuestra América sequer são considerados nas elites acadêmicas e pelo pensamento submisso ao ideário imperialista.




Visite o blog da Gazeta: http://blogdagazeta.blogspot.com/

Revisão: Frederico de Oliveira (para quem curte textos bons e bem escritos, recomendo o blog de Frederico – O Apito - no endereço http://www.thetweet.blogspot.com/)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

No – 123 – COLUNA DO SARDINHA




VALE?

Estávamos seriamente pensando em abolir a letra “p” de nosso dicionário. O primeiro impulso que nos veio, foi sugerir à comissão mista Brasil-Portugal que o fizesse, quando da reforma ortográfica. Mas, lembramo-nos que a pátria lusa começa com a malfadada letra. Desistimos provisoriamente.
Nossa luta deveria continuar, nem que fosse para bancarmos os Quixotes, lutando solitários como doidos, desta vez em lutas reais e não contra moinhos de vento.
Vamos contar nossas razões e acreditamos que, se não forem infundadas, encontraremos não um só Sancho Pança, fiel escudeiro do famoso filho de Castela, mas talvez dúzias deles, prontos a defender a idéia.
Já perceberam que as grandes mazelas que o Brasil enfrenta começam com letra “P”? Vejam, o que começa com “P” que incomoda-lhes e logo lhes vem à cabeça? Pernilongo, que mais? papagaio falador, sim talvez, mas o que mais? Gripe suína? Ah! Não começa com “P”, mas tem uma palavra que lhe é antecedente, que começa – politicagem; mas, isto é uma outra história; e, aí vai.
Não esqueçamos dos grandes entraves para o país: Políticos e politicagem, parlamento e parlamentares, partidos políticos e presidente da República, todos começando com “P”.
O Poder Judiciário com Gilmar Mendes, depois da absolvição do Palocci, bem poderia estar no rol dos “P’s” descartáveis, mas devido aos serviços prestados, ainda tem um pouco de crédito em seu cartão.
Justa ou não, a nossa reivindicação?
(Vamos abrir um parêntesis. Os nossos críticos, que não são poucos devem estar dizendo, “esses caras deveriam pegar mais leve, pois a coisa não é tão séria assim.” então, ouçam esta: há mais ou menos um mês os arautos das notícias tendenciosas apregoavam que os luminares do Planalto estavam com tanta bola, que iriam emprestar ao Fundo Monetário Internacional, a módica importância de dez bilhões de reais. Agora o FMI anuncia que fará um aporte no Tesouro Nacional de quatro bilhões de dólares! Ué, onde estamos? Cadê nossos políticos? E nós somos mais uns P’s de palhaços?)
Mas analisando bem, o “P” não pode ser culpado de tudo o que de ruim nos acontece e merece um pouco de comiseração. Veja o que dá para fazer com o “P”.
“Pobre Pedro Pintor, perfeito pateta, pintou parede de político paquistanês, parecia peruano, paraguaio, polonês, porém piscava parado, com as pálpebras paralisadas, pescando peixes parecidos, puxa! Papagaio! Parei.” E milhares de outras combinações em que o eclético “P” comparece.
Se é Papa, Padre, Pastor, Polícia, pais, país, píncaros, pináculos, picaretas, é tudo com “P”, parecendo-nos que tal letrinha é importante e imprescindível e livrar-se dela não seria tarefa muito fácil para simples escribas e troca-tintas. Seria menos dificultoso escalar o Himalaia, que na tela de entrada do computador ocupa todo o espaço, iluminando o dia quando é acionado ou ainda livrar-nos dos políticos que nos fazem patinar por pistas perigosas.
Êta letrinha arretada o tal de “P”!
Entre os políticos e a letra “P” ficamos com ela mesma, pois tem uma serventia inconteste, o que já não acontece com os referidos. Políticos como Sarney e outros não valem “P” nenhum.
Definitivamente decididos, ficamos com a letra “P” e o fazemos depois de muito pensar, esquentar a cachola e queimar muitos neurônios, só uma coisa merecemos: efusivos
Parabéns!

Luiz Bosco Sardinha Machado


EM 2.O1O VOTE POR VOCÊ


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

EM 2.010 VOTE POR VOCÊ!


Um momento, cidadão!



A espera diz-se sábia

Embora nem sempre seja assim

Já vi quem é bom de lábia

Enganar gente sem fim



Conversa é sempre preciso

Propicia o entendimento

Mas temo pelo juízo

Que anda tão fraudulento



Acredite ainda existe

Quem valoriza o que pode

Tendo como verdade

Um mero fio de bigode



Quanto à morte, está enganado

Vivem os bons, certamente

Apenas assistem calados

Episódios deprimentes!



E se brada retumbante

A Pátria no anseio da sorte

Os tiranos triunfantes

Enfraquecem até o forte...



É dia de avivar a memória

Com prudência e seriedade

Vamos mudar a história

Exercendo a liberdade!



Que se faça novo tempo

Um tempo que nunca se viu

Mas estejamos atentos

Aos que sabotam o Brasil!









Priscila de Loureiro Coelho.

EM 2.O1O VOTE POR VOCÊ



(Uma campanha da COLUNA DO SARDINHA e de seus blogs )

domingo, 6 de setembro de 2009

Pesquisa Industrial Mensal Produção Física – Brasil – Fonte IBGE


Base: Julho de 2009

Produção industrial cresce 2,2% de junho para julho

Em julho, a produção industrial cresceu 2,2% em relação a junho, na série livre de influências sazonais, sétima expansão consecutiva nessa comparação. Frente a julho de 2008, a atividade fabril registrou recuo de 9,9%, menor queda desde abril. Com isso, o indicador acumulado no ano passou de -13,4%, em junho, para -12,8%, em julho. O índice acumulado nos últimos doze meses manteve trajetória decrescente, passando de -6,5%, em junho para -8,0%, em julho.

Em relação a junho, 23 dos 27 ramos pesquisados registram crescimento

Com o avanço de 2,2%, observado no total da indústria entre junho e julho, o patamar de produção do setor ficou 10,6% abaixo do nível recorde atingido em setembro de 2008. Esse aumento no ritmo de atividade, em julho, foi disseminado entre os setores industriais, atingindo 23 dos 27 ramos pesquisados. O desempenho de maior importância para o resultado global veio de máquinas e equipamentos (8,9%), que após forte ajuste na produção, no final do ano passado, acumulou ganho de 11,6% entre abril e julho. Também merece destaque o avanço de 4,5% na metalurgia básica, que mostra crescimento por quatro meses consecutivos, influenciado, neste mês, pelo retorno a operação de alguns alto fornos, seguido por alimentos (1,9%), máquinas para escritório e equipamentos de informática (12,1%), borracha e plástico (5,6%), minerais não metálicos (3,6%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (4,5%). Por outro lado, as principais influências negativas vieram de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-6,3%) e refino de petróleo e produção de álcool (-1,1%). A atividade de veículos automotores, após acumular um ganho de 69,2% de janeiro a junho, fica praticamente estável em julho (0,1%).

Entre as categorias de uso, ainda na comparação mês/mês anterior, o setor de bens de consumo duráveis (4,6%) sustentou o maior ritmo de crescimento, na passagem de junho para julho, seguido por bens intermediários (2,0%) com ritmo próximo ao do total da indústria (2,2%), enquanto bens de capital (1,4%) e bens de consumo semi e não duráveis (1,0%) cresceram abaixo da média.

O comportamento positivo da atividade industrial, em julho, confirmou a trajetória ascendente do índice de média móvel trimestral nos últimos cinco meses. Na indústria geral, o acréscimo observado neste indicador, entre junho e julho, foi de 1,3%, acelerando o ritmo frente ao mês anterior (1,0%), com bens de consumo duráveis exibindo o maior incremento (3,6%), vindo a seguir, bens de capital (1,5%) e bens intermediários (1,4%). O setor de bens de consumo semi e não duráveis registrou a segunda taxa negativa consecutiva (-0,2%).

Na comparação com julho de 2008, 23 dos 27 setores reduzem a produção

Em relação a julho de 2008, o setor industrial recuou 9,9%, com perfil generalizado de queda, atingindo 23 das 27 atividades investigadas. A principal contribuição negativa veio de veículos automotores (-21,5%), seguido por máquinas e equipamentos (-20,2%), metalurgia básica (-19,2%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (-28,1%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-25,4%), produtos de metal (-20,0%) e indústrias extrativas (-10,1%). Entre esses ramos, os itens de destaques foram: automóveis e caminhão-trator; rolamento de esferas para equipamentos industrial e aparelhos elevadores e transportadores; ferronióbio e lingotes, blocos, tarugos ou placas de aço; telefones celulares e aparelhos de comutação para telefonia; transformadores; estruturas de ferro e aço e telas metálicas; e minérios de ferro. Por outro lado, o impacto positivo mais relevante veio da indústria farmacêutica (8,6%).

Entre as categorias de uso, ainda na comparação com julho de 2008, o segmento de bens de capital permanece registrando o recuo mais elevado (-23,9%), sustentado por reduções na produção de todos os seus grupamentos, com destaque para bens de capital para transporte (-19,1%), pressionado principalmente pela menor fabricação de caminhões; seguido por bens de capital para uso industrial (-34,7%), para uso misto (-15,5%), para energia elétrica (-44,7%) e para construção (-51,9%). O desempenho de bens intermediários ficou 11,6% abaixo do de julho de 2008 e também foi negativamente influenciado por todos os seus subsetores, com destaque para os produtos associados às atividades de metalurgia básica (-19,2%), veículos automotores (-28,0%), indústrias extrativas (-10,3%), outros produtos químicos (-7,2) e borracha e plástico (-12,9%), pressionados principalmente pela redução nos itens: ferronióbio e lingotes, blocos, tarugos e placas de aço; peças e acessórios para indústria automobilística; minérios de ferro; herbicidas para uso na agricultura; e pneus e peças de plástico e borracha para indústria automobilística. Ressaltam-se, ainda, os índices negativos observados em insumos para construção civil (-10,0%) e embalagens (-6,3%).

Ainda na comparação com julho de 2008, recuando em menor ritmo que a média da indústria (-9,9%), bens de consumo duráveis (-6,7%) registrou a menor queda desde outubro do ano passado, impulsionado sobretudo pelo comportamento positivo da produção de eletrodomésticos (12,5%), que cresce pelo terceiro mês consecutivo, especialmente influenciada pela “linha branca” (38,2%), já que a “linha marrom” recuou 26,2%. A produção de automóveis (-10,1%) e de celulares (-17,6%) permaneceram apontando taxas negativas. O setor de bens de consumo semi e não duráveis recuou 3,2%, refletindo sobretudo o comportamento negativo de carburantes (-13,6%) e de semiduráveis (-12,1%), onde a redução nos itens gasolina e álcool, no primeiro subsetor, e calçados de couro, no segundo, exerceram os principais impactos. A única pressão positiva foi registrada pelo grupamento de alimentos e bebidas elaborados para consumo doméstico (0,6%), explicada, em grande parte, pelo avanço na produção de cervejas, chopes e refrigerantes.

Produção recuou 12,8% no acumulado janeiro a julho de 2009

O indicador acumulado para o período janeiro-julho recuou 12,8%, refletindo as quedas observadas em 23 dos 27 ramos industriais, com os impactos negativos mais importantes vindos de veículos automotores (-23,3%), máquinas e equipamentos (-27,7%), metalurgia básica (-26,5%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (-38,3%), outros produtos químicos (-13,1%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-25,1%) e indústrias extrativas (-13,2%). Por outro lado, os setores farmacêutico (10,0%) e de outros equipamentos de transporte (13,0%) exerceram os impactos positivos mais significativos. Entre as categorias de uso, os resultados foram: bens de consumo semi e não duráveis (-3,1%), com queda abaixo da média da indústria (-12,8%), seguido por bens intermediários (-15,1%), bens de consumo duráveis (-17,3%) e bens de capital (-23,1%).

Em síntese, a elevação do ritmo da atividade industrial em julho (2,2%) teve perfil generalizado, atingindo a maioria (23) dos 27 setores industriais, e contribuiu para o setor registrar 12,0% de expansão ao longo de 2009. As comparações com o ano de 2008 são negativas mas decrescentes nos últimos quatro meses. No índice mensal, que recua 9,9%, observa-se redução no ritmo de queda, em relação à média do primeiro semestre do ano (-13,4%). Este movimento foi acompanhado por 21 dos 27 setores investigados, com destaque para: máquinas e equipamentos (de -29,0% para -20,2%), veículos automotores (de -23,6% para -21,5%), metalurgia básica (de -27,8% para -19,2%), borracha e plástico (de -19,6% para -12,5%), outros produtos químicos (de -14,2% para -7,6%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (de -40,1% para -28,1%) e máquinas para escritório e equipamentos de informática (de -20,6% para -2,9%). O comportamento deste conjunto de setores, que representa cerca de 40% do total da indústria, sintetiza os efeitos positivos sobre a atividade industrial das medidas de desoneração fiscal, da retomada do crédito, da manutenção do emprego e da massa salarial, com reflexo direto no nível de consumo interno.

Arquivos oficiais do governo estão disponíveis aos leitores.


Ricardo Bergamini

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

COERÊNCIA

MÃE JOANA E SUA CASA...


terça-feira, 1 de setembro de 2009

É O QUE DIZ O LEITOR


REPÚBLICA DE MACUNAÍMA


Realmente não houve a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. O que houve foi somente a publicação de seu extrato bancário.

O presidente da Caixa Econômica Federal,ele próprio, no uso das suas atribuições e numa demonstração de zelo pelo patrimônio dos seus clientes, fazia sistematicamente uma varredura nos milhões de contas da instituição.

Em determinado dia, percebeu uma irregularidade na conta do cidadão Francenildo, que, por ser caseiro, jamais poderia ter semelhante valor depositado em seu nome, salvo por lavagem de dinheiro ou propina.

Assunto esse de extrema gravidade e que só poderia ser resolvido em instância superior, ou seja, com o próprio ministro da Fazenda. Este, ao receber a documentação-denúncia, em dia bastante atarefado, esqueceu-a sobre a mesa. Como estava sem o carimbo de confidencial, um assessor deu-lhe encaminhamento indevido, pensando tratar-se de matéria para a imprensa.

A divulgação dos fatos causou, na época, verdadeiro tumulto na Ilha da Fantasia e deu início a uma demanda judicial. Após dois anos, a Justiça brasileira, por intermédio do Supremo Tribunal Federal, concluiu que houve crime, sim,mas a culpa é do mordomo. E que a partir de agora, com a trama esclarecida, reinarão a paz e a justiça na Republiqueta de Macunaíma.



Humberto de Luna Freire Filho hlffilho@gmail.com

São Paulo



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PRA MATAR DE INVEJA!



Parabéns, STF! Mas, principalmente, parabéns, São Paulo!

Agora, sepultadas as falsas acusações que tinham por objetivo atingir cidadãos honestos, que a mídia golpista vinha tratando como se fossem pessoas comuns, o Estado mais rico do País poderá ter, finalmente, uma administração à sua altura: com a integridade de Palocci no governo do Estado, a lucidez de Suplicy e a firmeza de Mercadante no Senado e a coragem de José Genoino na Câmara, seremos também premiados, provavelmente, com os bem contabilizados recursos intelectuais de Delúbio Soares na Secretaria da Fazenda, o excelente trânsito interempresarial de Silvinho Pereira nos Transportes, a segurança e a discrição de Jorge Mattoso na presidência da Nossa Caixa e, claro, a incalculável experiência do ex-presidente Lula na Secretaria de Educação.

Claro que os invejosos e ressentidos tentarão sabotar essa obra maravilhosa. Mas então nomearemos (sim, eu também sou paulista) Cláudio Lembo para a Secretaria de Administração Penitenciária e ele saberá manter no seu devido lugar esses representantes da elite branca e perversa... Que inveja para o resto do Brasil e - por que não? - para o mundo!



Odilon Toledo odilonto@terra.com.br

Belo Horizonte

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MAFIOSOS



Estou sabendo:a Máfia italiana virá ao Brasil fazer mestrado e doutorado. Sabem onde? Em Brasília! Mestrado na Câmara, doutorado no Senado, para eles aprenderem como fazer todo tipo de falcatruas e, além de não serem presos, ocuparem altos cargos no governo e rirem na cara do povo e da Justiça.



Amilton Ferreira Goulart

Dourado

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VÊ ISSO

http://www.youtube.com/watch?v=83WUqpvddq8

Ah! Eu pensei que não era....


LEVANTAMENTO SISTEMÁTICO DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA


Fonte: IBGE

Base: Julho de 2009




Em julho, IBGE estima queda de 7,9% na safra de grãos 2009



A sétima estimativa(1) da safra de cereais, leguminosas e oleaginosas aponta produção de 134,4 milhões de toneladas (2), em 2009, o que representa redução de 7,9% em relação à safra recorde de 2008 (146,0 milhões de toneladas), confirmando a expectativa da segunda maior safra nacional já obtida. A estimativa de julho foi 0,8% superior à de junho. O acréscimo frente ao mês passado deve-se, especialmente, às reavaliações positivas ocorridas com o milho 2ª safra no Mato Grosso, Goiás, Paraná e, ainda, por reavaliações nas estimativas do feijão 3ª safra, do sorgo e das culturas de inverno. A produção do arroz, em 2009, registra variação positiva de 4,2% em relação a 2008. Já para a soja e o milho, a previsão é de queda da produção em 5,2% e 14,2%, respectivamente, nessa comparação. A área a ser colhida (47,2 milhões de hectares), em 2009, apresenta decréscimo de 83.946 hectares, em relação a 2008, e de 2.996 hectares, em relação à área estimada pelo IBGE no mês de junho. As três principais culturas -soja, milho e arroz (que respondem por 81,3% da área plantada) apresentam variações de 2,1%, -4,6% e 1,0%, respectivamente, em relação a 2008.



Regionalmente, a estimativa de produção de cereais, leguminosas e oleaginosas esperada para 2009, em relação à safra anterior é: região Sul, 53,6 milhões de toneladas (-12,6%); Centro-Oeste, 48,1 milhões de toneladas (-5,2%); Sudeste, 16,9 milhões de toneladas (-3,8%); Nordeste, 12,0 milhões de toneladas (-4,0%) e Norte, 3,7 milhões de toneladas (-1,8%). O Mato Grosso, com 20,4% da produção nacional, suplanta em 1,4 pontos percentuais o Paraná (19%), consolidando a posição de maior produtor nacional de grãos.



Produção Agrícola 2009 – estimativa de julho em relação à safra 2008



Dentre os quarenta e um produtos selecionados, dezoito apresentam variação positiva na estimativa de produção em relação ao ano anterior: amendoim em casca 2ª safra (14,5%), arroz em casca (4,2%), aveia em grão (20,5%), banana (2,1%), cana-de-açúcar (5,8%), castanha-de-caju (17,3%), cebola (4,8%), centeio em grão (3,6%), cevada em grão (1,1%), feijão em grão 1ª safra (4,0%), feijão em grão 2ª safra (9,4%), guaraná (0,5%), juta em fibra (9,8%), laranja (0,8%), maçã (5,6%), malva em fibra (0,6%), sisal em fibra (0,7%) e tomate (7,2%). Com variação negativa: abacaxi (-2,2%), algodão herbáceo em caroço (-25,7%), alho (-7,1%), amendoim em casca 1ª safra (-3,6%), batata-inglesa 1ª safra (-7,8%), batata-inglesa 2ª safra (-12,3%), batata-inglesa 3ª safra (-0,8%), cacau em amêndoa (-1,0%), café em grão (-13,5%), coco-da-baía (-0,3%), feijão em grão 3ª safra (-10,8%), fumo em folha (-2,0%), girassol em grão (-24,5%), mamona em baga (-21,2%), mandioca (-0,1%), milho em grão 1ª safra (-15,1%), milho em grão 2ª safra (-12,2%), pimenta-do-reino (-1,2%), soja em grão (-5,2%), sorgo em grão (-6,8%), trigo em grão (-0,3%), triticale em grão (-3,4%) e uva (-6,6%).



Área plantada de Cana de Açúcar tem expansão de 3,2% em 2009



Aberturas de novos mercados para os derivados da cana-de-açúcar e do arroz incentivaram os acréscimos das áreas destinadas ao cultivo destes produtos agrícolas que tiveram variação positiva, quando comparadas à safra 2008, de 3,2% e 1,4%, respectivamente. A ampliação dos canaviais é um processo que se intensificou, nos últimos 5 anos, devido à necessidade de se ter uma alternativa ao petróleo que atingiu elevados preços até 2008. Com a retração desses preços e com a crise internacional que se instalou em meados do segundo semestre de 2008, a capacidade de investimento das empresas do setor sucroalcooleiro foi afetada. Com a escassez de recursos financeiros, vários projetos tiveram seus cronogramas adiados ou suspensos, diminuindo o ritmo de expansão dos canaviais.



Milho, soja e algodão deverão ter as maiores retrações



O milho, para ambas as safras, soja e algodão herbáceo foram as culturas que apresentaram maior retração da produção, em termos absolutos, quando comparadas às respectivas produções alcançadas em 2008. No caso do milho, ocorreu o decréscimo na área plantada em 2009 (-4,0%), que pode ser creditado, em parte, aos grandes estoques nacionais observados em 31 de dezembro de 2008, superiores em 118,2% aos de 31 de dezembro de 2007 (resultados divulgados pela Pesquisa de Estoques). Além disso, aos baixos preços praticados na época do plantio e incertezas sobre a demanda futura do produto.



Rendimento da cultura da soja deverá ter decréscimo de 7,1%



No caso da soja, a área plantada foi 2,1% maior que a de 2008, mas os altos preços dos insumos de produção na época do plantio fizeram com que os produtores investissem menos em tecnologia, o que, associado a condições climáticas irregulares, determinaram um decréscimo de 7,1% no rendimento médio da cultura, passando de 2.817 kg/ha, alcançados na safra de 2008, para 2.618 kg/ha, na presente estimativa para 2009. A crise de créditos afetou os contratos futuros da cultura do algodão, que teve sua área de plantio reduzida em 21,9%, quando comparadas a 2008. Salienta-se que o elevado custo de produção das culturas e a má distribuição das chuvas também foram comuns para a safra 2009 de milho e algodão, determinando declínio no rendimento médio destas culturas em comparação à safra de 2008 em, respectivamente, -10,1% e -5,0%.



Produção Agrícola 2009 – estimativa de julho em relação a junho



No Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de julho destacamos as variações nas estimativas de produção, comparativamente ao mês de junho, de oito produtos: algodão herbáceo em caroço (-1,8%), aveia em grão (7,7%), cevada em grão (3,6%), feijão em grão 3ª safra (2,6%), milho em grão 2ª safra (5,0%), sorgo em grão (4,9%), trigo em grão (2,3%) e triticale em grão (6,2%).



ALGODÃO HERBÁCEO (em caroço) – Para o algodão, neste sétimo levantamento de 2009, a produção esperada é de 2,9 milhões de toneladas, redução de 1,8%, comparativamente à estimada em junho. Essa queda reflete, principalmente, as reavaliações negativas de 4,4% da área destinada à colheita no Mato Grosso, maior produtor nacional (47,7% de participação), notadamente nos municípios de Campo Verde e Dom Aquino. Neste estado, ocorreu acréscimo no rendimento médio esperado em 1,0%, passando de 3.900 kg/ha, avaliados em junho, para 3.939 kg/ha, neste levantamento, porque a cultura se beneficiou das boas condições climáticas ocorridas no seu ciclo, apesar da adubação ter sido feita no limite mínimo do recomendado tecnicamente.



FEIJÃO (em grão) - A produção nacional de feijão, considerando as três safras do produto, está avaliada em 3.612.847 toneladas, inferior 0,1% à estimativa de junho, e está assim distribuída: 1.707.810 toneladas, da 1ª safra (47,3% do total), 1.531.514 toneladas, da 2ª safra (42,4% do total) e 373.523 toneladas, da 3ª safra (10,3% do total). Comparativamente ao levantamento de junho, as variações da produção dessas três safras foram, respectivamente, 0,1%, -0,9% e 2,6%. Para o feijão terceira safra, a variação positiva neste levantamento é decorrente do ganho de 9,6% na produção, verificado no estado de Goiás, em vista da confirmação de novos plantios na região de Cristalina, acrescidos em 12.000 hectares neste levantamento. O quadro do produto neste terceiro período de plantio ainda não está definido já que este pode se estender até o mês de agosto.



MILHO (em grão) - A produção nacional de milho em grão em 2009, para ambas as safras, totaliza 50.649.571 toneladas indicando, neste mês, um acréscimo de 1,8% sobre a estimativa de junho e está assim distribuída: 33.920.559 toneladas da 1ª safra (67,0% do total) e 16.729.012 toneladas da 2ª safra (33,0% do total), que apresentaram incremento na produção de 0,2% e 5,0%, respectivamente, na comparação com a avaliação anterior. Para o milho 2ª safra, que apresenta a maior variação, os ganhos absolutos foram verificados nos estados do Mato Grosso (420.122 t), Goiás (226.040 t) e Paraná (175.201 t), em função, principalmente, de reavaliação positiva do rendimento médio.



SORGO (em grão) – Plantado após a safra de verão, o sorgo apresenta, nesta avaliação de julho, acréscimo de 4,9% na produção, sendo estimada em 1.831.264 toneladas. O incremento absoluto da produção, em comparação ao levantamento de junho, é de 39.772 t, no Mato Grosso, 35.983 t, em Goiás, e 13.940 t, em Minas Gerais. O sorgo é considerado um produto alternativo como rotação de culturas, com maior rusticidade quando comparado com o milho, sendo uma opção de menor risco quando a colheita da safra de verão é postergada.



CEREAIS DE INVERNO (em grão) - Para as lavouras de inverno, cujos cultivos concentram-se, predominantemente, nos estados do sul do país, verificam-se acréscimos na produção, em nível nacional, para a aveia (7,7%), a cevada (3,6%), o trigo (2,3%) e o triticale (6,2%). Para o trigo, principal lavoura deste período de plantio, é esperada uma produção de 5,9 milhões de toneladas, superior 2,3% à informada em junho. O aumento pode ser creditado a novas avaliações no estado do Paraná, maior produtor de trigo (57,5% da produção nacional), que determinaram um aumento da área plantada em 2,5% e da produção em 3,6%. As boas condições climáticas observadas até o período do levantamento favoreceram o desenvolvimento da cultura. Pragas como pulgões e lagartas e doenças como a ferrugem e a mancha foliar, ocorreram, mas foram controladas pelos produtores não afetando significativamente as expectativas da produção até a presente avaliação.



Nota:



1 caroço de algodão, amendoim, arroz, feijão, mamona, milho, soja, aveia, centeio, cevada, girassol, sorgo, trigo e triticale.



2 Em atenção a demandas dos usuários de informação de safra, os levantamentos para Cereais, leguminosas e oleaginosas, ora divulgados, foram realizados em estreita colaboração com a Companhia Nacional de Abastecimento - Conab, órgão do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, continuando um processo de harmonização das estimativas oficiais de safra, iniciado em outubro de 2007, para as principais lavouras brasileiras.



Arquivos oficiais do governo estão disponíveis aos leitores.







Ricardo Bergamini
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

CIDE DO LIVRO


O governo quer criar um novo imposto, a Cide do livro. O imposto de 1% sobre o faturamento será pago pelas editoras, distribuidoras e livrarias. O dinheiro iria para um fundo, administrado pelo próprio governo, para incentivar a leitura. Uma das ideias é ter "mediadores" de leitura, pessoas que tentariam incentivar o hábito de ler na população. A proposta tem outras esquisitices.
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A minuta da criação do Fundo Pró-Leitura diz que o comitê gestor, que será dirigido pelo próprio Ministério da Cultura "deverá aprovar as normas e os critérios sob os quais os projetos serão apresentados e avaliados, examinando o mérito dos mesmos". Criação de imposto em época de crise não é o mais sensato. Mas esse é um dos dois impostos que o governo está tentando criar. O maior de todos, como se sabe, é a neo-CPMF.
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A minuta interna do governo diz que: "Fica instituído o Fundo Pró- Leitura e fica instituída a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), a qual será devida por todas as pessoas jurídicas de direito privado beneficiadas pela redução a zero das alíquotas PIS/Pasep e da Cofins." Vários outros setores foram desonerados sem contrapartida alguma, mas desse específico segmento se pede compensação.
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O setor não é contra ter um Fundo Pró-Leitura e isso chegou até a ser negociado com o governo tempos atrás, segundo empresários. Mas a contribuição seria voluntária, o governo aportaria o mesmo valor dos depósitos privados, e haveria uma administração paritária do governo com as empresas. Virou imposto em cascata, não há garantia do valor dos recursos públicos e agora se fala em administração paritária com a "sociedade", que pode ser qualquer coisa, inclusive instituições dóceis ao próprio governo.
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As editoras criaram um fundo voluntário que tem depósito de R$ 6 milhões hoje e que tem feito várias ações de incentivo à leitura. O cálculo é que se o imposto for mesmo criado ele arrecadaria R$ 60 milhões. É difícil saber de quanto foi a renúncia fiscal na venda de carros, mas só para se ter uma ideia, o governo deixou de recolher com o IPI dos carros R$ 2,8 bilhões nos primeiros sete meses deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado.
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O Fundo Pró-Leitura trabalharia em quatro eixos: "democratizaçã
o do acesso; fomento à leitura e formação de mediadores; valorização de leitura e comunicação; desenvolvimento da economia do livro.".
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A intimidade com os livros se cria em casa, em primeiro lugar; na escola, em segundo lugar. Uma pesquisa recente mostrou que mais da metade dos professores da escola pública fundamental não têm o hábito de leitura. Esse é o trabalho a se fazer para incentivar a leitura na população. A ideia de criar "mediadores" para esse trabalho pode resultar em mais dirigismo, principalmente num governo como este e num ano eleitoral.
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Os economistas Fábio Sá Earp e George Kornis fizeram a pedido do setor um estudo sobre o assunto. Concluíram que, a despeito dos méritos de um Fundo Pró-Leitura, a melhor forma de financiá-lo não é um imposto em cascata. Do jeito que está, 1% para cada elo da cadeia vai virar 2,1% no preço final do produto. Eles lembram que a venda de livros está em queda no Brasil. Em 2008 foram vendidos 77 milhões de exemplares a menos do que em 1998, uma queda de 19%. Uma pesquisa encomendada à Fipe mostrou que houve uma forte recuperação de 2003 para cá; a queda havia sido muito maior. Mesmo assim, está abaixo de 1999. Sá Earp e Kornis calculam que a venda de livros é muito sensível ao preço, que qualquer elevação tem efeito direto no volume de vendas. O cálculo é que a elevação do preço provocado pela Cide do livro deverá ter um impacto negativo sobre o consumo de livros pelas famílias em torno de 3.600 exemplares por ano.
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A indústria do livro tem feito propostas diferentes, uma taxação menor, de 0,33% sobre cada etapa da cadeia produtiva, ou 1%, mas não sobre o faturamento e sim sobre o valor final do livro. Alguns empresários do setor contam que o governo, durante as conversas, tem usado a ameaça velada de volta do PIS/Cofins na negociação. Insinuam que o imposto pode voltar, o que seria, de fato, muito mais pesado do que a Cide. Como a PIS/Cofins sobre o livro não foi extinta, apenas a alíquota foi a zero, ela pode voltar a qualquer momento.
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Ninguém pode ser contra ampliar bibliotecas públicas, fortalecer a indústria do livro, aumentar o acesso de pessoas com deficiência a livros especiais, incentivar o hábito de leitura. O difícil é concordar que mais um fundo estatal, criado por mais um imposto, em que agentes governamentais, os mediadores, é que farão isto. Os ministérios da Educação e da Cultura que usem os recursos dos impostos de todos os brasileiros para ampliar as bibliotecas, melhorar as escolas, formar professores que serão os melhores "mediadores" na formação do hábito de leitura. Ajudaria também se o presidente Lula não demonstrasse desprezo pelo livro. Depois de passar anos sem mencionar um livro que estivesse lendo, outro dia ele contou que está lendo o "Leite derramado". Mas revelou: "Leio pouco porque me dá sono."

Postado por Janete Cerqueira no BRASIL MOSTRA TUA CARA I em 8/29/2009 09:18:00 PM

Um governo que afronta a Constituição de forma tão clara, criando uma contribuição "imposta" que não é imposto, tornando mais caro os livros que quer incentivar a leitura, faz lembrar da piada do abaixo assinado para acabar com as filas: "Por favor, organizem-se, façam uma fila para assinar."

O lema do fundo será: TORNEMOS O LIVRO MAIS CARO PARA QUE MAIS PESSOAS POSSAM ADQUIRÍ-LO.

Sugiro outro fundo: Fundo de Contribuição para o Incentivo à Alimentação, que seria bancado por uma contribuição dos supermercados.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

VI - instituir impostos sobre:

d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.

LEIA O MANIFESTO DE PARACATU em
http://alertaparaca tu.blogspot. com/2009/ 07/manifesto- de-paracatu. html

Saudações sócio-ambientais
Serrano Neves
Pres. Conselho Curador
Fundação Acangaú

domingo, 30 de agosto de 2009

No – 122 – COLUNA DO SARDINHA






MOEDA DE TROCA

Não sabemos se para o bem ou para o mal, nem o mundo político e nem o PT irão acabar como conseqüência do episódio Sarney. Sabemos entretanto, que deverão passar um tempo delicado na U.T.I cívica, e ademais tomando soro fisiológico, pois afinal o fisiologismo está na ordem do dia.
Quando a crise Sarney pipocou, nós deste canto já afirmávamos que defenestrar o maranhense da presidência do Senado, não era uma missão tão fácil assim para políticos amadores.
Tínhamos razão. Os cinqüenta anos de política, onde transitou por diversos partidos, sempre na situação e é bom que se diga, fez do Ribamar uma figura supra-partidária, que tem apoio nos mais diversos partidos, principalmente no DEM (ex-pefelê), de onde saiu para viabilizar sua candidatura ao Senado pelo PMDB do Amapá.
O mais recente cristão-novo sarneysista é o presidente Lula – quem diria ? -, que vê no político o canal ideal para conseguir o apoio necessário para barrar as investidas oposicionistas e para garantir a adesão aos projetos mais polêmicos e que causam náuseas aos próprios petistas.
Cristão-novo, mas não totalmente inexperiente, pois ao mesmo tempo em que admoesta o irrevogável Mercadante, Lula estimula outros a caírem de pau em cima de Sarney, para conservá-lo no seu canto, como um boxeador acuado. E como tal, Suplicy bate, dá cartão vermelho e Lula junta-se aos Democratas e assopra. Lula e Democratas, quem diria!
A única coisa que talvez Lula e ninguém contasse no início, era a tsunamica devastação que o efeito-Sarney causaria.
Todos os partidos com representação no Congresso saíram arranhados da pendenga. A maioria dos Senadores saiu respingada com as acusações de mau-uso do dinheiro público.
Primeiramente, Cristovam Buarque (PDT-DF) e Tião Viana (PT-AC), que praticamente iniciaram as denúncias, viram-se envolvidos com mal explicadas ligações telefônicas, o primeiro e com passagens aéreas para parentes, o segundo. Em seguida, Renan Calheiros e Collor em debate com Pedro Simon, demonstraram com seus insultos o charco onde o Senado chafurda.
Mercadante com sua irrevogável renúncia ao cargo de líder do governo no Senado, que não durou vinte e quatro horas, mostrou à soberba a quantas anda sua convicção e por extensão a do petismo.
E PSDB e PT no episódio que pedia a cassação de Artur Vergílio (PSBD-AM) perante o Conselho de Ética bem mostraram que para livrar Sarney, como o chefe Lula queria, tudo era válido, até mandar a ética para o espaço.
Evidente, que numa batalha há vencedores e perdedores e nesta, sem dúvida, os perdedores foram o Partido dos Trabalhadores, que no episódio perdeu além do senador Flavio Arns (PT- Pr), que saiu da reunião do Conselho de Ética (a que a imprensa oficiosa não deu muito espaço) falando cobras e lagartos e do presidente Lula que viu sua obstinada defesa de Sarney ser contestada dentro do seu próprio partido.
O grande vencedor foi o fisiologismo, ficando comprovado que todos tem um preço, bastando que pague-se o preço pedido; e, foi nesta canoa furada que embarcou o antes-ético Partido dos Trabalhadores.
Esta alternativa, de apoio a Sarney, que o governo optou, é extremamente arriscada, pois há um limite ditado pelas demandas do próprio partido governista, que passa exigir igual tratamento, com o argumento bastante válido de que os aliados de ocasião não podem ser considerados confiáveis, pois não resistem a um simples aceno de quem lhes ofereça mais.
Luiz Bosco Sardinha Machado




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O LEITOR COMENTA


É meu Caro Sardinha, reitero o que já comentei em outra oportunidade..."FALTA EDUCAÇÃO E JUSTIÇA"
Como temos um país de "semi-letrados", pois este país não educa, apenas ensina a ler e escrever mal o nome, usando todas as maquiagens educacionais possíveis para mostrar ao mundo "que estamos melhorando nossa educação!", mas o fato que na era da informação, tudo é disseminado pelos meios de comunicação, a informação (os fatos) está a disposição de todos do povo, que esquecem e acreditam em campanha eleitoral, da justiça que não "acredita", pois as provas são circunstanciais...
fico com algumas dúvidas:
Como acreditar num país que a justiça só é aplicada nos semi-letrados?
Como sair da situação de semi-letrados se os mesmos serão os futuros professores?
Como acreditar numa justiça que faz "justiça/governo/políticos" para seus direitos e proventos a fim de se perenizar?
Como esperar mudanças que extingue mordomias por aqueles que as usufruem?


Abraços
Pedro Paulo de Gouveia


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Obrigado, amigo.
Adorei a figura do fisiológico x fisiologismo. O texto, pra variar, está ótimo...
abraços
Valter

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eh bucha !!!

Gabriel, G.Port

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Quanto ao fisiologismo petista a única palavra , mais
branda, para isto é repugnância.
Mas acho que este colunista bate numa nota só........bata
também, como disse noutra ocasião, nos fisiologismos
estaduais e em particular na roubalheira tucana no Estado do
Rio Grande do Sul. Ou o roubo dos cofres públicos por uma
máquina administrativa permeada pela corrupção não
merece atenção?
Próximo as eleições os artigos com um único vetor de
crítica acaba por perder a credibilidade.
Carlos Roberto, RS

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Caro Bosco,

É meu sentimento que deveria ser iniciada uma campanha para que nas próximas eleições, não apenas em 2010, não fossem votados nenhum dos elemntos que compõem atualemtne o Parlamento, isto é, que não houvesse nenhuma reeleição.
Obrigado pela atenção.
Brasília DF, 28/08/2009
José Perez

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Amigo Sardinha:
1000% de acordo com tudo que você escreveu. Parabéns!
Sugiro uma enquete ou uma pesquisa para verificar se alguém sabe quais os
benefícios que os dignos parlamentares de São Paulo fizeram pelo nosso
estado. Eu não sei e às vezes me pergunto,por exemplo, o que o nosso senador
Suplicy
tem feito além de chamar para sí os holofotes da imprensa. Ora é juiz de
futebol,ora é investigador de polícia,ora é cantor,poeta - dentre outras
atividades. De concreto,politicamente falando, o que faz ou fez pelo nosso
estado de São Paulo??
Saudações
LZ

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